{"id":32468,"date":"2010-06-12T10:46:09","date_gmt":"2010-06-12T10:46:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/06\/12\/santo-antonio-na-religiosidade-popular\/"},"modified":"2010-06-12T10:46:09","modified_gmt":"2010-06-12T10:46:09","slug":"santo-antonio-na-religiosidade-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/santo-antonio-na-religiosidade-popular\/","title":{"rendered":"Santo Ant\u00f3nio na Religiosidade Popular"},"content":{"rendered":"<p>Estudo biogr\u00e1fico sobre Santo Ant\u00f3nio e sobre a devo\u00e7\u00e3o que, nomeadamente em Portugal, rapidamente se desenvolveu <!--more--> <\/p>\n<p>Santo Ant&oacute;nio &eacute; um santo de projec&ccedil;&atilde;o universal, sendo, muito provavelmente, o mais popular de todos os santos. Igrejas e capelas dedicadas a Santo Ant&oacute;nio, imagens em grande parte das igrejas e nas casas particulares, azulejos e pinturas, c&acirc;nticos, festas e peregrina&ccedil;&otilde;es d&atilde;o ideia da grande devo&ccedil;&atilde;o popular a Santo Ant&oacute;nio, que hoje atravessa todas as idades e todas as classes sociais, em todo o mundo. <br \/>Contudo, o culto de Santo Ant&oacute;nio, ainda que se tenha mantido sem interrup&ccedil;&otilde;es desde o s&eacute;culo XIII em Portugal, na Diocese de P&aacute;dua e dentro das Ordens Franciscanas, s&oacute; come&ccedil;ou a estender-se a todo o mundo a partir do s&eacute;culo XV, com o florescer da Observ&acirc;ncia entre os Frades Menores. <\/p>\n<p><strong>De c&oacute;nego Agostiniano a frade Franciscano<\/strong> <br \/>A vida de Santo Ant&oacute;nio &eacute; muito conhecida, uma vez que v&aacute;rios estudos de relevo lhe t&ecirc;m sido dedicados[1], pelo que nos limitaremos a alguns tra&ccedil;os ligeiros, que nos parecem mais significativos para compreendermos a afei&ccedil;&atilde;o popular por este Santo. <br \/>Ant&oacute;nio &eacute; um intelectual do seu tempo e o Primeiro Doutor da Ordem Franciscana. Mas esta qualidade &eacute; pouco conhecida pelo povo, apesar de ter sido declarado Doutor da Igreja, em 1946, mediante a bula <em>Exulta, Lusitania F&eacute;lix<\/em>, de Pio XII. <br \/>Filho de ricos comerciantes portugueses, recebeu no Baptismo o nome de Fernando Martins de Bulh&otilde;es. Nasceu em Lisboa, entre 1191 e 1195[2], cerca de 50 anos depois do nascimento da na&ccedil;&atilde;o portuguesa e no decurso da reconquista crist&atilde; do territ&oacute;rio ao dom&iacute;nio mu&ccedil;ulmano. A sua hist&oacute;ria deve ser vista nesse ambiente de expuls&atilde;o dos mu&ccedil;ulmanos e, ao mesmo tempo, de emerg&ecirc;ncia de uma nova na&ccedil;&atilde;o. Vive os primeiros anos da sua vida a dois passos da Catedral de Lisboa, onde frequentou os primeiros estudos, nas aulas de Gram&aacute;tica. Pr&oacute;ximo dali, a cerca de um quil&oacute;metro, fica o Mosteiro de S&atilde;o Vicente de Fora, dos C&oacute;negos Regrantes de Santo Agostinho. Com cerca de 15 anos de idade, Fernando pediu aos pais que o deixem entrar no Mosteiro e a&iacute; fez o noviciado. Depois, cerca dos 19 ou 20 anos, foi terminar a sua forma&ccedil;&atilde;o intelectual em Santa Cruz de Coimbra, onde foi Ordenado Sacerdote. Em Coimbra teve a oportunidade de conhecer os Frades Menores de S&atilde;o Francisco, que viviam no eremit&eacute;rio de Santo Ant&atilde;o, nos Olivais, sobre uma colina, a Nordeste da cidade. Por essa altura, passaram por Portugal a cominho de Marrocos, cinco Frades Franciscanos, para a&iacute; pregarem a f&eacute; crist&atilde;. Mal recebidos em Marrocos, acabaram por ser barbaramente martirizados. <br \/>Este facto foi crucial no despertar da voca&ccedil;&atilde;o franciscana em Fernando de Bulh&otilde;es. A passagem solene, pelas ruas da cidade de Coimbra, dos corpos dos cinco Frades martirizados em Marrocos, fez nascer nele o mesmo ideal[3]. Podemos dizer que, nesse dia, o desejo de encontrar a morte pelo mart&iacute;rio desprendeu-o de tudo: das suas ra&iacute;zes, da sua voca&ccedil;&atilde;o mon&aacute;stica e da quietude do Mosteiro, dos estudos, da ci&ecirc;ncia. Tinha cerca de 30 anos. Pediu para entrar na Ordem dos Frades Menores e a&iacute; recebeu o nome de Ant&oacute;nio, sendo-lhe concedida imediata permiss&atilde;o para partir para o norte de &Aacute;frica[4]. <br \/>A&iacute; desembarcou, no Inverno de 1220. Mas, uma persistente doen&ccedil;a obrigou-o a voltar para a Portugal. No regresso, o navio que do Norte de &Aacute;frica vinha para Lisboa, foi desviado por uma violenta tempestade e foi parar &agrave;s costas da Sic&iacute;lia, na It&aacute;lia. Est&aacute;vamos no come&ccedil;o da Primavera de 1221. O religioso portugu&ecirc;s foi recolhido pelos seus irm&atilde;os Franciscanos italianos, que o levaram para a cidade de Messina, devolvendo-lhe, com os seus cuidados, a sa&uacute;de corporal. <br \/>No final de Maio, desse mesmo ano, realizava-se em Assis o Cap&iacute;tulo Geral da Ordem dos Frades Menores, para o qual todos os religiosos eram convidados. Foi a&iacute; que Ant&oacute;nio conheceu Francisco de Assis. Terminado o Cap&iacute;tulo, seguiu para o pequeno eremit&eacute;rio de Montepaolo, perto de Forli, no Norte de It&aacute;lia, onde estavam seis Frades. &Eacute;-lhe dado o encargo de presidir &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o da Santa Missa para os seus irm&atilde;os e ajudar nos trabalhos dom&eacute;sticos. Desejando preservar a humildade, Ant&oacute;nio nunca revelou seus conhecimentos e raramente era visto com livros, al&eacute;m do brevi&aacute;rio e do missal. <br \/>Na cidade de Forli havia um convento de estudos da Ordem de S&atilde;o Domingos. Em setembro de 1222, os Dominicanos convidaram os Franciscanos para participarem na cerim&oacute;nia das Ordena&ccedil;&otilde;es sacerdotais naquele convento. Na hora pr&oacute;pria, o superior dos Dominicanos dirige-se aos Franciscanos, a fim de que um deles fizesse a prega&ccedil;&atilde;o. O Superior do eremit&eacute;rio de Montepaolo pede ao irm&atilde;o Ant&oacute;nio que suba ao p&uacute;lpito e diga &laquo;tudo o que lhe seja sugerido pelo Esp&iacute;rito Santo&raquo;. As primeiras palavras foram simples, mas, em seguida, tornam-se firmes, seguras e convincentes, a ponto de impressionarem todos os presentes. A not&iacute;cia deste facto percorreu toda a regi&atilde;o e, em pouco tempo, Ant&oacute;nio foi nomeado pregador oficial da Ordem. <br \/>Na &eacute;poca de Ant&oacute;nio, desenvolveram-se alguns movimentos her&eacute;ticos, entre os quais estavam os C&aacute;taros, isto &eacute;, puros, e os Albigenses, que renovavam as antigas correntes gn&oacute;sticas e manique&iacute;stas. Com a sua prega&ccedil;&atilde;o, Ant&oacute;nio ir&aacute; defront&aacute;-los, procurando contrapor-se &agrave;s suas doutrinas. O conhecimento profundo das Escrituras dava &agrave;s suas palavras uma autoridade invulgar, lan&ccedil;ando no cora&ccedil;&atilde;o de ouvintes ra&iacute;zes t&atilde;o fundas, que a todos arrebatava e reconduzia &agrave; verdade. Tanto pregou no Norte da It&aacute;lia, como no sul da Fran&ccedil;a, onde se destacam Montpellier, Le Puy, Arles, Toulouse, Limoges, Bourges, entre outras cidades. <br \/>O seu of&iacute;cio de pregador valeu-lhe o t&iacute;tulo de &laquo;Arca do Testamento&raquo;, mas Ant&oacute;nio foi tamb&eacute;m director de estudos e professor de teologia. Segundo algumas fontes, o pr&oacute;prio S&atilde;o Francisco o teria incumbido dessas fun&ccedil;&otilde;es[5]. Em Bolonha fundou e dirigiu a primeira escola da Ordem Franciscana. <br \/>As suas biografias mais seguras, ocultam-nos pormenores acerca deste per&iacute;odo da vida do pregador Ant&oacute;nio. S&oacute; no fim do s&eacute;culo XIII, D. Jean Rigaud, bispo da Bretanha, procurou ordenar os factos lend&aacute;rios preenchendo as lacunas da vida do Santo. Desta forma, a fama de Taumaturgo prov&eacute;m sobretudo dos escritos deste bispo, que ficaram conhecidos com o nome de &laquo;Rigaldina&raquo;[6]. <br \/>Em 1226, foi nomeado Cust&oacute;dio dos Frades Menores da regi&atilde;o de Limoges e, em 1227, &eacute; nomeado Superior Maior da prov&iacute;ncia da Romagna, que abrangia todo o norte da It&aacute;lia. Ant&oacute;nio exerce esse cargo at&eacute; Maio de 1230 e segue para P&aacute;dua, pregando sucessivamente nas 55 igrejas da regi&atilde;o. Em fins de 1231, com a sa&uacute;de muito abalada, Ant&oacute;nio retira-se para o castelo de Camposampiero, pr&oacute;ximo de P&aacute;dua. Ali, escreve e rev&ecirc; os seus Serm&otilde;es, dedicando longas horas &agrave; medita&ccedil;&atilde;o espiritual. <br \/>Um dia, estando em Camposampiero, sente-se mal &agrave; mesa e pede a um dos irm&atilde;os que o leve imediatamente para P&aacute;dua. No caminho, sentido-se desfalecer, teve de ficar no mosteiro das clarissas, em Arcella. Ant&oacute;nio s&oacute; tem tempo para se confessar e receber a un&ccedil;&atilde;o. Morreu dizendo: &laquo;Vejo o meu Senhor&raquo;. Era o dia 13 de Junho de 1231. <\/p>\n<p>Origem da devo&ccedil;&atilde;o antoniana <br \/>A paix&atilde;o popular pela figura de Santo Ant&oacute;nio n&atilde;o &eacute; algo que tenha ocorrido somente depois da sua morte, ao contr&aacute;rio, Ant&oacute;nio alcan&ccedil;ou verdadeira fama de santidade ainda durante a sua vida terrena. <\/p>\n<p><strong>A paix&atilde;o popular por Santo Ant&oacute;nio<\/strong> <br \/>Depois de ter dado a conhecer os seus dotes orat&oacute;rios em Forli, Ant&oacute;nio dedicou o resto da sua vida, quase sempre, &agrave; prega&ccedil;&atilde;o popular, atraindo sobre si, a aten&ccedil;&atilde;o de todo o povo. Tr&ecirc;s elementos explicam o seu sucesso: em primeiro lugar, o fasc&iacute;nio da sua santidade e autoridade moral; em segundo lugar, a extens&atilde;o e profundidade da sua cultura, acompanhada por um invulgar poder de comunica&ccedil;&atilde;o, segundo as regras da Ret&oacute;rica do seu tempo; e, em terceiro lugar, a sua magn&iacute;fica figura f&iacute;sica[7]. <br \/>O testemunho da &laquo;Primeira Legenda&raquo; refor&ccedil;a a fama do pregador &iacute;mpar, dizendo que: <br \/>&laquo;Homens de todas as condi&ccedil;&otilde;es, classes e idades alegravam-se de ter recebido dele ensinos apropriados &agrave; sua vida&raquo;. <br \/>A prop&oacute;sito da &uacute;ltima Quaresma pregada em P&aacute;dua, informa-nos que: <br \/>&laquo;Vinham multid&otilde;es quase inumer&aacute;veis de ambos os sexos das cidades, castelos e aldeias de &agrave; volta de P&aacute;dua, todos sequiosos de ouvir com a maior devo&ccedil;&atilde;o a palavra de vida&raquo;. Mais adiante: &laquo;Estavam presentes velhos, acorriam jovens, homens e mulheres, de todas as idades e condi&ccedil;&otilde;es, vestidos como se fossem religiosos, o pr&oacute;prio Bispo de P&aacute;dua [Tiago de Corrado] e o seu clero&raquo;. <br \/>Segundo a mesma &laquo;Legenda Prima&raquo;, chegavam a reunir-se, para escutar o Santo, &laquo;perto de trinta mil homens&raquo;, todos no mais respeitoso sil&ecirc;ncio, de &laquo;&acirc;nimo suspenso e de orelha virada para aquele que falava&raquo;. &laquo;Os negociantes fechavam o com&eacute;rcio e s&oacute; o reabriam depois de terminada a prega&ccedil;&atilde;o&raquo;. <br \/>O resultado de tal prega&ccedil;&atilde;o na &uacute;ltima Quaresma da sua vida terrena vem assim descrito no cap&iacute;tulo 13 da legenda &laquo;Assidua&raquo;: <br \/>&laquo;Tentava reconduzir &agrave; paz fraterna aqueles em que reinava o &oacute;dio&raquo; <br \/>&laquo;lutava pela restitui&ccedil;&atilde;o de usuras e de bens obtidos por viol&ecirc;ncia&raquo; <br \/>&laquo;afastava as prostitutas do seu infamante modo de vida&raquo; <br \/>&laquo;convencia os ladr&otilde;es famosos pelos seus malef&iacute;cios a n&atilde;o tocarem no alheio&raquo;. <\/p>\n<p><strong>O nascimento de um santo<\/strong> <br \/>Dada a sua fama de santidade, no dia da sua morte, todos queriam fazer-se guardas dos restos mortais. As freiras Clarissas do Mosteiro onde morreu, de acordo com os Franciscanos de Arcella, tentaram ocultar o seu falecimento. Mas, as crian&ccedil;as de Arcella, ao saberem da not&iacute;cia, sa&iacute;ram por todos os lados a gritar: &laquo;Morreu o Santo! Morreu o padre Santo&raquo;. O povo da regi&atilde;o acorreu todo a Arcella. Como a &uacute;ltima vontade do Santo tinha sido ir para P&aacute;dua, o seu corpo acabou por ser para a&iacute; conduzido, 4 dias depois da sua morte, no dia 17 de Junho de 1231, que era uma Ter&ccedil;a-feira. <br \/>A devo&ccedil;&atilde;o por aquele homem, verdadeiramente eleito pelo C&eacute;u, era geral. Todos queriam estar junto, tocar de alguma forma o corpo de Ant&oacute;nio, j&aacute; canonizado pelo povo em vida e logo nos primeiros dias ap&oacute;s a sua morte. Dizem os bi&oacute;grafos que os primeiros milagres surgem no dia do enterro, em P&aacute;dua[8]. Nos dias seguintes, toda a gente se encaminha para o t&uacute;mulo do bem-aventurado Ant&oacute;nio, de p&eacute;s descal&ccedil;os, a fim de obterem gra&ccedil;as do c&eacute;u por seu interm&eacute;dio. &laquo;Acorrem os venezianos, apressam-se os tervisinos, notam-se pessoas de Vicenza, lombardos, eslav&oacute;nios, da Aquileia, teut&oacute;nicos, h&uacute;ngaros&raquo;[9]. Este &eacute; o primeiro mapa do culto antoniano. <br \/>Os populares de P&aacute;dua, representados pelas autoridades civis e religiosos, apresentaram na C&uacute;ria Pontif&iacute;cia, ent&atilde;o em Rieti, uma delega&ccedil;&atilde;o a pedir a canoniza&ccedil;&atilde;o do irm&atilde;o Ant&oacute;nio. O processo foi aberto no in&iacute;cio de Julho de 1231, ainda n&atilde;o tinha passado um m&ecirc;s da morte do Servo de Deus. E a cerim&oacute;nia de canoniza&ccedil;&atilde;o ocorreu no dia 30 de Maio de 1232, solenidade do Pentecostes, na catedral de Espoleto. Em menos de um ano o processo ficou conclu&iacute;do[10]. O nome de Ant&oacute;nio foi inscrito no cat&aacute;logo dos Santos, pela bula da canoniza&ccedil;&atilde;o <em>Cum dicat Dominus<\/em>, que manda celebrar a sua festa todos os anos, no dia 13 de Junho. <\/p>\n<p><strong>A devo&ccedil;&atilde;o espalha-se por todo o mundo<\/strong> <br \/>O fasc&iacute;nio exercido por Ant&oacute;nio durante a sua vida terrena como pregador itinerante, s&aacute;bio e santo espalhou-se ap&oacute;s a sua morte e canoniza&ccedil;&atilde;o, sobretudo na It&aacute;lia do Norte e na Fran&ccedil;a do Sul. No entanto, este fen&oacute;meno levou dois s&eacute;culos a atingir o resto da cristandade. Al&eacute;m dos paduanos, Santo Ant&oacute;nio come&ccedil;ou por ser venerado, pela Europa, nos conventos, eremit&eacute;rios e igrejas onde os Frades Menores estavam estabelecidos. A Portugal a fama da sua santidade s&oacute; chegou depois da sua canoniza&ccedil;&atilde;o. Mas conta-se nas &laquo;Florinhas de Santo Ant&oacute;nio&raquo;[11] que no mesmo dia em que o Papa Greg&oacute;rio IX canonizava Santo Ant&oacute;nio em It&aacute;lia, em Lisboa os sinos de toda a cidade tocaram, sem que ningu&eacute;m os estivesse a tanger. Pouco tempo depois, a not&iacute;cia chegou &agrave; capital portuguesa e a cidade dedicou a Santo Ant&oacute;nio o Altar-mor da Catedral e come&ccedil;ou a celebrar-se todos os anos com grande solenidade o dia 13 de Junho. <br \/>Assim, durante os s&eacute;culos XIII e XIV, Santo Ant&oacute;nio &eacute; venerado em Lisboa, sua cidade natal e nalguns mosteiros portugueses dos C&oacute;negos Regrantes de Santo Agostinho, com os quais estudou e viveu, professando a mesma forma de vida, antes de se fazer Franciscano. &Eacute; venerado tamb&eacute;m na diocese de P&aacute;dua e nas igrejas franciscanas, um pouco por todo o lado. <br \/>No s&eacute;culo XV, o movimento dos espirituais, que se emancipava dentro da Ordem dos Frades Menores, levou Santo Ant&oacute;nio para outros lugares da Europa, onde ainda n&atilde;o era conhecido, o que contribuiu decisivamente para aumentar o culto e venera&ccedil;&atilde;o a este Santo. Nos s&eacute;culos XVI, XVII e XVIII, as viagens mar&iacute;timas dos navegadores portugueses, espanh&oacute;is e italianos levaram a sua fama &agrave;s terras de &Aacute;frica, Am&eacute;rica e &Aacute;sia. Normalmente as expedi&ccedil;&otilde;es mar&iacute;timas contavam com a presen&ccedil;a de alguns mission&aacute;rios, que, quando eram Franciscanos, se encarregaram de implantar a devo&ccedil;&atilde;o antoniana nas terras onde desembarcavam. <br \/>O aparecimento da imprensa n&atilde;o s&oacute; veio contribuir para a divulga&ccedil;&atilde;o em larga escala da sua vida. As pinturas e esculturas dos artistas mais c&eacute;lebres foram reproduzidas em gravuras e, multiplicadas aos milhares, eram distribu&iacute;das nos santu&aacute;rios antonianos mais importantes, para responderem ao desejo dos devotos. <br \/>Por ocasi&atilde;o das comemora&ccedil;&otilde;es do s&eacute;timo centen&aacute;rio, na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX, Santo Ant&oacute;nio atinge o m&aacute;ximo da sua popularidade. Nesta ocasi&atilde;o, para al&eacute;m das outras manifesta&ccedil;&otilde;es de piedade come&ccedil;ou a sublinhar-se o aspecto social do Santo. A b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o do p&atilde;o de Santo Ant&oacute;nio e a sua distribui&ccedil;&atilde;o aos pobres generaliza-se por todos os pa&iacute;ses, o que faz com que quase todas as representa&ccedil;&otilde;es do Santo feitas no s&eacute;culo XX o apresentem com um Alforge de p&atilde;o para distribuir aos pobres, embora conservem outros s&iacute;mbolos tradicionais. <\/p>\n<p><strong>Iconografia antoniana<\/strong> <br \/>Na igreja a que n&oacute;s, os Franciscanos Capuchinhos, damos assist&ecirc;ncia em Coimbra (igreja de Santa Justa) est&aacute; uma imagem de Santo Ant&oacute;nio e, diante da mesma, do outro lado est&aacute; a imagem de outro santo que se veste da mesma maneira, mas que n&atilde;o &eacute; S&atilde;o Francisco. H&aacute; dias, duas jovens senhoras floristas, que vinham fazer um estudo dos altares para poderem prepararem os arranjos de flores para um casamento, que se ia celebrar na nossa igreja, estavam muito intrigadas a olhar para o outro Santo. E perguntaram-me: &laquo;Que Santo &eacute; aquele?&raquo;. E eu respondi-lhes com outra pergunta: &laquo;E este aqui, quem &eacute;?&raquo; Elas responderam-me: &laquo;&Eacute; Santo Ant&oacute;nio&raquo;. &laquo;Porque?&raquo;, perguntei eu. &laquo;Porque tem o menino ao colo e o p&atilde;o dos pobres na m&atilde;o&raquo;. &laquo;Pois aquele al&eacute;m &frac34; disse-lhes eu &frac34; que tem as m&atilde;os abertas e nas m&atilde;os os sinais das chagas, &eacute; S&atilde;o Francisco. Como tem o mesmo h&aacute;bito, para se distinguir de Santo Ant&oacute;nio, puseram-lhe um ar mais triste, barba e remendos nos joelhos&raquo;. E as senhoras l&aacute; seguiram todas contentes, n&atilde;o por ficarem a conhecer S&atilde;o Francisco, mas porque lhes tirei a ideia de que na nossa igreja havia dois Santos Ant&oacute;nio, um dos quais, sem livro, sem menino e sem alegria. <br \/>Pela descri&ccedil;&atilde;o que vos fiz do nosso Santo Ant&oacute;nio, que vos parece, de que s&eacute;culo &eacute;? &frac34; &Eacute; uma imagem muito querida, datada de 1947, de Manuel Tedim, um autor que para mim &eacute; um dos melhores escultores de Santo, do s&eacute;culo XX, em Portugal. <br \/>Para distinguir os santos uns dos outros, a hagiografia servia-se de determinados s&iacute;mbolos, que se relacionam com as qualidades ou o que &eacute; mais caracter&iacute;stico em cada Santo, segundo a hist&oacute;ria ou a lenda que envolve a sua vida. Desde as primeiras imagens realizadas, Santo Ant&oacute;nio sempre foi representado vestido de franciscano, quase sempre de p&eacute;. Mas, para n&atilde;o se confundir com S&atilde;o Francisco de Assis, igualmente vestido de h&aacute;bito castanho e cuja devo&ccedil;&atilde;o estava largamente difundida, a sua face surgia quase sempre como a de um jovem, alegre ou pensativo, sem barba. Na m&atilde;o esquerda costuma ter um livro, como alus&atilde;o &agrave; sua vasta sabedoria, enquanto a m&atilde;o direita faz um gesto explicativo, como alus&atilde;o ao pregador. Noutras imagens, na m&atilde;o direita &eacute; colocado um l&iacute;rio, sugerindo a pureza e castidade; ou uma cruz, s&iacute;mbolo da fidelidade a Cristo. Tamb&eacute;m aparece com uma chama de fogo na m&atilde;o direita, s&iacute;mbolo da caridade; ou um cora&ccedil;&atilde;o, com ou sem chama, para nos lembrar que, apesar de franciscano, ele &eacute; um disc&iacute;pulo de Santo Agostinho de Hipona. O Menino Jesus, express&atilde;o do seu amor por Deus Menino &frac34; que uma tradi&ccedil;&atilde;o antiga diz lhe ter aparecido em Camposampiero pouco antes da sua morte &frac34; come&ccedil;a a surgir na iconografia antoniana no s&eacute;culo XV[12]. A figura do menino foi t&atilde;o bem aceite que, a partir de ent&atilde;o, Santo Ant&oacute;nio nunca mais a dispensou, obrigando os artistas a verdadeiros exerc&iacute;cios de equilibrismo, fazendo sentar o menino sobre o livro que Santo Ant&oacute;nio tamb&eacute;m n&atilde;o gosta de esquecer. Em Portugal, o Santo tamb&eacute;m aparece vestido com o h&aacute;bito de C&oacute;nego Regrante de Santo Agostinho. Na B&eacute;lgica algumas representa&ccedil;&otilde;es de Santo Ant&oacute;nio salientam o seu car&aacute;cter sacerdotal, apresentando-o vestido com os paramentos da Eucaristia. <\/p>\n<p><strong>Devo&ccedil;&atilde;o antoniana em Portugal<\/strong> <br \/>Portugal &eacute; palco de um fen&oacute;meno peculiar no que toca &agrave; religiosidade popular antoniana. N&atilde;o podemos negar a influ&ecirc;ncia que os Frades Franciscanos tiveram na sua implanta&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o, mas o povo da cidade natal de Santo Ant&oacute;nio, desde o in&iacute;cio, viu o Santo como um dos seus e o seu culto, como algo que lhe pertencia. Em Lisboa, depois da canoniza&ccedil;&atilde;o, em 1232, d&aacute;-se um fen&oacute;meno a que eu chamaria de apropria&ccedil;&atilde;o popular de Santo Ant&oacute;nio. Ao saberem que um dos seus vizinhos tinha sido canonizado pelo Papa Greg&oacute;rio IX, os habitantes do bairro de Alfama rejubilaram e come&ccedil;aram a chamar-lhe o seu Santo. A lentid&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es entre It&aacute;lia e Portugal fez com que os pormenores da vida do Santo chegassem a Portugal muito tarde, o que favoreceu o nascimento de um culto espont&acirc;neo, original e livre. Hoje em dia, o povo conhece minimamente a vida do Santo, mas continua a dar mais import&acirc;ncia aos relatos de milagres e epis&oacute;dios lend&aacute;rios, e n&atilde;o tanto &agrave; sua vida hist&oacute;rica. Quando se tem no C&eacute;u um Santo que nasceu no nosso Bairro, com o qual alguns estudaram Gram&aacute;tica na escola da Catedral e viram crescer at&eacute; aos 15 anos, &eacute; normal que se trate como um amigo muito querido e especial. Por um lado, era a ele que se dirigiam todas os pedidos de socorro e, por outro lado, a ele passaram a ser atribu&iacute;das todas as curas e favores, para os quais a ci&ecirc;ncia da Idade M&eacute;dia n&atilde;o encontrava explica&ccedil;&atilde;o. Por todos e para tudo era invocado. Deste modo, a mais sincera piedade popular, que com f&eacute; lhe rogava protec&ccedil;&atilde;o, come&ccedil;ou por ver no Santo um Taumaturgo omnipresente e quase omnipotente. <br \/>Fernando F&eacute;lix Lopes, conhecedor profundo das entranhas da alma do povo portugu&ecirc;s, explica que os lisboetas, acostumados a recorreu ao Taumaturgo e por ele serem prontamente atendidos, &laquo;porque com ele tratavam cada dia, cada hora, o Santo ficou t&atilde;o de todos, t&atilde;o da nossa casa portuguesa, que quase se lhe perdeu o respeito. Na &acirc;nsia de o termos perto, o apeamos do seu altar e o trouxemos para a nossa vida a viver connosco, a cantar a nossa alegria, a chorar as nossas l&aacute;grimas, a correr os nossos folguedos e trabalhos. N&atilde;o foi irrever&ecirc;ncia: foi confian&ccedil;a que tomamos ao Santo do nosso sangue&raquo;[13]. <br \/>Hoje, esta apropria&ccedil;&atilde;o popular de Santo Ant&oacute;nio &eacute; reflexo da mesma confian&ccedil;a. Muitas fachadas das casas t&ecirc;m um painel de azulejos com a sua imagem. Como protector das fam&iacute;lias, aparece dentro das casas, sobre pequenos altares, acompanhado de velas e flores. Nos estabelecimentos comerciais, &eacute; frequente encontrarmos o Santo, em lugar de destaque, dentro dos mercados, dos com&eacute;rcios, das farm&aacute;cias, das padarias, drogarias, entre outros. Aqui ele vela pelos bons neg&oacute;cios dos seus propriet&aacute;rios. Entre os marinheiros portugueses, sobretudo os da regi&atilde;o de Lisboa, tornou-se comum levarem uma imagem do Santo Ant&oacute;nio na embarca&ccedil;&atilde;o, para os proteger contra as for&ccedil;as mar&iacute;timas, talvez, por ele ter sido v&iacute;tima de uma tempestade, que o empurrou para as costas da Sic&iacute;lia. Em s&eacute;culos passados, perante o perigo, ao mesmo tempo que o invocavam, esses marinheiros mergulhavam a sua imagem de cabe&ccedil;a para baixo, para serem mais rapidamente atendidos. <br \/>Portanto, todo o pa&iacute;s conhece Santo Ant&oacute;nio e ele est&aacute; presente, de um modo geral, na vida eclesial, social e pessoal portuguesa, como patrono de Par&oacute;quias, Prov&iacute;ncias Religiosas, casas religiosas, edif&iacute;cio p&uacute;blicos, casas particulares, avenidas, ruas, pra&ccedil;as, terrenos agr&iacute;colas, embarca&ccedil;&otilde;es, etc. A sua imagem figurava j&aacute; numa colec&ccedil;&atilde;o de selos de 1895, em comemora&ccedil;&atilde;o do 7&ordm; centen&aacute;rio do seu nascimento e circulou em Portugal uma nota de 20 escudos, com o seu busto e a Casa-Igreja de Santo Ant&oacute;nio, em Lisboa. <br \/>Muitas s&atilde;o tamb&eacute;m as pessoas que adoptam o seu nome para baptizarem os filhos, confiando-os &agrave; sua protec&ccedil;&atilde;o durante toda a vida. Esta tend&ecirc;ncia criou ra&iacute;zes no s&eacute;culo XVI, uma vez que, na Idade M&eacute;dia, o nome &laquo;Ant&oacute;nio&raquo; era muito pouco utilizado. Na regi&atilde;o de influ&ecirc;ncia do Mosteiro de Alcoba&ccedil;a, por exemplo, por o nome &laquo;Ant&oacute;nio&raquo; passou a ser o nome masculino mais comum nesse tempo, surgindo tamb&eacute;m o antrop&oacute;nimo feminino, &laquo;Ant&oacute;nia&raquo;, para as meninas[14]. A Este facto, n&atilde;o &eacute; alheia a transforma&ccedil;&atilde;o da casa dos pais de Santo Ant&oacute;nio em Igreja, no s&eacute;culo XV, o que a tornou imediatamente um lugar de peregrina&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; para os lisboetas, mas, a pouco e pouco, para todo o pa&iacute;s. <br \/>No terramoto de 1755, a Casa-Igreja de Santo Ant&oacute;nio foi destru&iacute;da, salvando-se apenas a imagem do Santo e a cripta, onde se conserva o lugar que dizem ter sido o quarto de Santo Ant&oacute;nio. A reconstru&ccedil;&atilde;o que se seguiu deu lugar &agrave; Bas&iacute;lica actual, que conserva uma passagem, atrav&eacute;s da sacristia, para o quarto do Santo, no piso inferior. Nenhum devoto dispensa contemplar com os seus olhos esse lugar e a&iacute; permanecer uns momentos em sil&ecirc;ncio e ora&ccedil;&atilde;o. Em Lisboa, em paralelo com a rel&iacute;quia, mais que a imagem do Santo, &eacute; venerado este espa&ccedil;o simb&oacute;lico, de dimens&otilde;es reduzidas. A esse local acorrem, durante todo o ano, milhares de peregrinos e turistas curiosos, vindos de todo o mundo. <br \/>A imagem de Santo Ant&oacute;nio est&aacute; presente em quase todas as igrejas portuguesas, as quais, quando o n&atilde;o t&ecirc;m como patrono, lhe dedicam um altar. Normalmente a festa do dia 13 de Junho n&atilde;o &eacute; esquecida e onde n&atilde;o se criou essa tradi&ccedil;&atilde;o, a imagem do Santo &eacute; integrada nas prociss&otilde;es e festas principais das par&oacute;quias. <br \/>Se exceptuarmos os santu&aacute;rios mais importantes e algumas igrejas dos Frades Franciscanos, diante da imagem de Santo Ant&oacute;nio n&atilde;o se celebram actos de devo&ccedil;&atilde;o de car&aacute;cter colectivo, ao longo do ano. Ou seja, na grande maioria dos casos, a religiosidade popular antoniana &eacute; privada. As pessoas dirigem-se ao Santo quando necessitam a sua ajuda e agradecem-lhe as suas gra&ccedil;as com a oferta de velas, flores e dinheiro para os pobres. Pelo contr&aacute;rio, em algumas igrejas ligadas aos Religiosos Franciscanos, na Casa-Igreja de Santo Ant&oacute;nio, em Lisboa, e no Convento de Santo Ant&oacute;nio dos Olivais, em Coimbra, mant&ecirc;m-se vivas as Ter&ccedil;as-Feiras Antonianas, lembrando o dia do solene funeral do irm&atilde;o Ant&oacute;nio, que, como acima se refere, aconteceu no dia 17 de Junho de 1231, uma Ter&ccedil;a-Feira[15]. <br \/>A festa anual &eacute; celebrada com maior ou menor solenidade em todo o pa&iacute;s, unindo &agrave; parte religiosa a componente l&uacute;dica e folcl&oacute;rica. Lisboa &eacute;, sem qualquer d&uacute;vida, o local onde os festejos s&atilde;o mais solenes e mais vistosos, mas para termos uma panor&acirc;mica mais abrangente, al&eacute;m de Lisboa, vejamos tamb&eacute;m dois lugares onde os Franciscanos Capuchinhos vivem e trabalham em Portugal: Coimbra e Barcelos. <\/p>\n<p><strong>Lisboa<\/strong> <br \/>Na Casa-Igreja de Santo Ant&oacute;nio festeja-se o dia 13 de Junho com enorme solenidade. Durante o dia celebram-se v&aacute;rias Eucaristias, desde a manh&atilde; at&eacute; &agrave; noite, e em todas elas &eacute; benzido o p&atilde;o de Santo Ant&oacute;nio[16]. Fora da igreja os devotos compram quanto p&atilde;o desejam, sabendo que o produto da venda ser&aacute; entregue ao Orfanato antoniano de Cane&ccedil;as, de onde vem esse p&atilde;o. Nesse local vendem-se tamb&eacute;m devocion&aacute;rios, livros alusivos &agrave; vida do Santo, objectos religiosos, estampas, medalhas e imagens. O dinheiro obtido reverte em favor dos mais carenciados. Durante todo o ano, &agrave;s Segundas-Feiras, depois da missa da tarde &eacute; distribu&iacute;do p&atilde;o aos pobres, com uma pequena ajuda em dinheiro. <br \/>A eucaristia mais solene no dia de Santo Ant&oacute;nio, &eacute; a do meio-dia, para a qual &eacute; convidado o Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa. &Agrave; tarde, faz-se a prociss&atilde;o com o Santo, que percorre as ruas antigas do Bairro de Alfama. Al&eacute;m das autoridades religiosas e civis da cidade, nela se integram os Frades Franciscanos, as irmandades de Santo Ant&oacute;nio, a Ordem Franciscana Secular, as crian&ccedil;as do Orfanato de Cane&ccedil;as e uma multid&atilde;o de devotos. Por onde passa a prociss&atilde;o, as pessoas adornam as janelas das casas com colchas e lan&ccedil;am p&eacute;talas de flores, no momento em que passa a imagem do Santo. Ao longo do percurso, as imagens de outros Santos do Bairro de outras capelas, esperam a chegada de Santo Ant&oacute;nio, para serem incorporados na prociss&atilde;o, que chega a ter v&aacute;rios quil&oacute;metros. Como prepara&ccedil;&atilde;o para a festa realiza-se uma Trezena, que concentra v&aacute;rias dezenas de devotos, duas vezes ao dia, na Casa-Igreja do Santo. <br \/>N&atilde;o se usa benzer as crian&ccedil;as, como se faz noutros pa&iacute;ses, mas elas tamb&eacute;m participam nas festividades. Al&eacute;m de se incorporarem na prociss&atilde;o, &agrave;s vezes vestidas como o Santo, durante os 13 dias anteriores &agrave; festa, constroem tronos com pequenas imagens do Santo e pedem &agrave;s pessoas que passam: &laquo;Uma moedinha para Santo Ant&oacute;nio&raquo;. Algumas, levam esse dinheiro &agrave; igreja, para ser entregue aos pobres, outras compram guloseimas, agradecendo ao Santo esses momentos deliciosos de satisfa&ccedil;&atilde;o. Este costume das crian&ccedil;as pode ser observado um pouco por todo o pa&iacute;s. <br \/>Independentemente das celebra&ccedil;&otilde;es lit&uacute;rgicas, cada Bairro da cidade antiga organiza a sua festa em honra de Santo Ant&oacute;nio. Edificam-se tronos para colocar a imagem do Santo, normalmente de terra cota. Enfeitam-se as ruas com arcos coloridos de flores de papel e bal&otilde;es acesos &agrave; noite. H&aacute; m&uacute;sica e bailes todas as noites. Comem-se sardinhas assadas, bebe-se vinho tinto, salta-se a fogueira de Santo Ant&oacute;nio e cantam-se quadras a Santo Ant&oacute;nio. Algumas dessas quadras populares s&atilde;o espetadas nos manjericos como pequenas bandeiras, encimadas por um cravo, para se oferecerem &agrave; pessoa amada. <br \/>A noite do dia 12 &eacute;, para a festa civil, o momento mais importante. O ambiente convida toda a cidade a sair &agrave; rua. Cada bairro vai em grupo em direc&ccedil;&atilde;o ao centro da cidade. As pessoas v&atilde;o cantando e marchando ao som da m&uacute;sica, que as acompanha. Cada par leva um pequeno arco de flores de papel, com um bal&atilde;o e, &agrave;s vezes, a imagem de Santo Ant&oacute;nio ou outro motivo aleg&oacute;rico. S&atilde;o as marchas de Santo Ant&oacute;nio. H&aacute; j&aacute; muitos anos, estas marchas tornaram-se um concurso entre bairros, ganho pelo Bairro que apresentar a melhor marcha popular, a melhor m&uacute;sica e letra da can&ccedil;&atilde;o, a melhor coreografia e o melhor vestu&aacute;rio. &Agrave; meia-noite, o fogo-de-artif&iacute;cio marca a chegada do dia 13 de Junho, o dia da festa. T&ecirc;m in&iacute;cio, ent&atilde;o, os bailes em cada um dos Bairros mais antigos da Cidade. <\/p>\n<p><strong>Coimbra<\/strong> <br \/>Em Coimbra a tradi&ccedil;&atilde;o &eacute; muito semelhante, motivo pelo qual daremos destaque ao que lhe &eacute; mais caracter&iacute;stico. <br \/>O dia 13 &eacute; preparado por uma Trezena, que se realiza na Igreja de Santo Ant&oacute;nio dos Olivais, local onde antes se erguia a ermida de Santo Ant&atilde;o e onde Santo Ant&oacute;nio se tornou Franciscano. Todos os dias os devotos se re&uacute;nem para celebrar a Eucaristia, &agrave;s 18h30, participar nos actos de piedade em honra de Santo Ant&oacute;nio e receberem a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o com a rel&iacute;quia de Santo Ant&oacute;nio. Durante esse dia, o espa&ccedil;o livre &agrave; frente do santu&aacute;rio &eacute; ocupado por comerciantes ambulantes, o que d&aacute; ao ambiente um colorido especial. No dia da festa, a Eucaristia solene, para a qual &eacute; convidado o bispo local, celebra-se actualmente n&atilde;o na Igreja e Par&oacute;quia de Santo Ant&oacute;nio dos Olivais, mas no Mosteiro de Santa Cruz, onde Santo Ant&oacute;nio viveu como C&oacute;nego Regrante de Santo Agostinho. Ainda hoje se pode ver a&iacute; uma bel&iacute;ssima imagem do Santo vestido com o h&aacute;bito de c&oacute;nego agostinho. No fim da celebra&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o benzidos os p&atilde;ezinhos de Santo Ant&oacute;nio e s&oacute; depois distribu&iacute;dos &agrave;s pessoas. As ofertas recolhidas revertem em benef&iacute;cio dos pobres. Os devotos recebem o p&atilde;o n&atilde;o s&oacute; como alimento bento, mas tamb&eacute;m para conservar em casa, como uma presen&ccedil;a viva do Santo, &agrave;s vezes conservada para comer numa hora de sofrimento f&iacute;sico ou espiritual. <br \/>Pela tarde, a prociss&atilde;o de Santo Ant&oacute;nio, percorre algumas ruas de Coimbra, partindo da igreja de Santo Ant&oacute;nio dos Olivais e a ele voltando. As manifesta&ccedil;&otilde;es civis, por&eacute;m, n&atilde;o alcan&ccedil;am a exuber&acirc;ncia da cidade de Lisboa. <\/p>\n<p><strong>Barcelos<\/strong> <br \/>Na igreja de Santo Ant&oacute;nio, em Barcelos, no Norte de Portugal, os Franciscanos Capuchinhos benzem e distribuem o p&atilde;o de Santo Ant&oacute;nio na primeira Eucaristia da manh&atilde;, do dia 13 de Junho. A cada devoto &eacute; entregue, n&atilde;o um pequeno p&atilde;o simb&oacute;lico, mas um p&atilde;o grande, com mais de quilo, que &eacute; consumido nesse dia pela fam&iacute;lia, para todos receberem as gra&ccedil;as de Santo Ant&oacute;nio durante o ano. Apesar de se celebrar a Eucaristia com grande solenidade, n&atilde;o &eacute; feita qualquer prepara&ccedil;&atilde;o durante os dias que a antecedem. Mesmo assim, h&aacute; sinais externos que manifestam a proximidade das festas, como a constru&ccedil;&atilde;o de um grande Trono de Santo Ant&oacute;nio, junto &agrave; igreja, convidando os devotos a entrar. <br \/>No dia anterior, realiza-se a parte l&uacute;dica da festa, onde temos o Concurso das Marchas de Santo Ant&oacute;nio, disputado entre Bairros [ou grupos], jogos tradicionais, m&uacute;sica, vendedores ambulantes e fogo-de-artif&iacute;cio. Infelizmente, h&aacute; j&aacute; alguns anos foi abandonada a prociss&atilde;o pelas ruas da cidade. <br \/>Em Barcelos, como noutras zonas do pa&iacute;s, algumas pessoas invocam Santo Ant&oacute;nio como patrono dos animais, confundindo-o com Santo Ant&atilde;o Abade. Como os lugares que envolvem a cidade s&atilde;o ainda bastante rurais, os devotos pedem-lhe que proteja os seus animais e os livre de doen&ccedil;as. Parece que Santo Ant&oacute;nio n&atilde;o se incomoda com isso e &eacute; frequente encontrarmos pequenos porcos, ovelhas e bois de cera aos seus p&eacute;s, em sinal de agradecimento dos favores que o santo presta. <\/p>\n<p><strong>Outras peculiaridades da devo&ccedil;&atilde;o antoniana<\/strong> <br \/>Em Portugal, como em todo o mundo, considera-se Santo Ant&oacute;nio extraordin&aacute;rio advogado das coisas perdidas. A devo&ccedil;&atilde;o enra&iacute;za-se no poeta m&uacute;sico Frei Juliano de Espira, que cerca de 1235, comp&ocirc;s o of&iacute;cio lit&uacute;rgico de Santo Ant&oacute;nio e nele deixa ler o c&eacute;lebre respons&oacute;rio: <em>Si quaeris miracula<\/em> (Se milagres quereis)[17]. <br \/>Desde h&aacute; um s&eacute;culo a esta parte, Santo Ant&oacute;nio tornou-se um especial advogado de bons casamentos. Como santo casamenteiro, &laquo;n&atilde;o admira, pois, que a principal clientela de devotos de Santo Ant&oacute;nio se recrute entre o elemento feminino: raparigas solteiras &agrave; espera de noivo, mulheres solteironas desesperadas para o encontrar, ou vi&uacute;vas n&atilde;o querendo ficar esquecidas, e at&eacute; as casadas [&#8230;], na esperan&ccedil;a de fazerem voltar um marido infiel, ou afastar uma concorrente indesej&aacute;vel&raquo;[18]. A deduzir de afirma&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios estudiosos, esta faceta antoniana &eacute; exclusiva do mundo lusitano[19]. Antigamente, quando uma mo&ccedil;a queria encontrar um noivo, colocava o seu pedido num papel debaixo da imagem, que tinha no altar l&aacute; em casa. Se o Santo demorasse muito, ou se o noivo n&atilde;o lhe agradasse, virava o Santo para a parede, at&eacute; que o noivo fosse o desejado[20]. <br \/>Uma das caracter&iacute;sticas singulares da figura de Santo Ant&oacute;nio em Portugal, que se estendeu a alguns pa&iacute;ses de l&iacute;ngua e influ&ecirc;ncia portuguesa, &eacute; a sua carreira militar. Durante as guerras da restaura&ccedil;&atilde;o da independ&ecirc;ncia, Santo Ant&oacute;nio foi v&aacute;rias vezes invocado para se obter a vit&oacute;ria face aos ex&eacute;rcitos espanh&oacute;is. Em 1688, assentou pra&ccedil;a no 2&ordm; Regimento de Infantaria, em Lagos, por alvar&aacute; de D. Pedro II. Em 1683, foi promovido a Capit&atilde;o, em aten&ccedil;&atilde;o aos seus bons servi&ccedil;os militares, sendo-lhe atribu&iacute;do um sal&aacute;rio de dez mil reis. Em 1814, no contexto das invas&otilde;es francesas, D. Jo&atilde;o VI promoveu-o a Tenente-Coronel de Infantaria. Nesta &eacute;poca, a carreira militar de Santo Ant&oacute;nio estendeu-se de Portugal ao Brasil, a Angola, a Mo&ccedil;ambique, &agrave; &Iacute;ndia, a Macau e a Timor Leste. Ainda hoje, nestes pa&iacute;ses, Santo Ant&oacute;nio &eacute; conhecido como militar de carreira[21]. <br \/>Existem, em Portugal, v&aacute;rias Associa&ccedil;&otilde;es Antonianas e irmandades, com fins s&oacute;cio-caritativos, promovendo a assist&ecirc;ncia aos pobres e orfanatos. As irmandades de inspira&ccedil;&atilde;o antoniana s&atilde;o hoje formas vivas e articuladas de devo&ccedil;&atilde;o. No que diz respeito &agrave; sua origem, cada uma delas tem a sua hist&oacute;ria particular de piedade. Mas, no que diz respeito &agrave; finalidade, todas elas convergem em quatro pontos: s&atilde;o sociedades que promovem a m&uacute;tua ajuda entre os seus membros; o socorro dos pobres; a promo&ccedil;&atilde;o espiritual e moral dos associados, atrav&eacute;s de pr&aacute;ticas religiosas e do testemunho pelo exemplo e boas obras e a difus&atilde;o do culto a Santo Ant&oacute;nio. <br \/>Em s&iacute;ntese, a situa&ccedil;&atilde;o da devo&ccedil;&atilde;o antoniana em Portugal continua viva e profundamente enraizada no cora&ccedil;&atilde;o dos devotos, embora tenhamos de admitir que Santo Ant&oacute;nio &eacute; mais propriedade do povo e n&atilde;o tanto dos Franciscanos ou da Igreja. Mesmo aqueles que se dizem crist&atilde;os n&atilde;o praticantes, conservam em suas casas ou nos seus estabelecimentos comerciais uma imagem do Santo, reclamando dele a protec&ccedil;&atilde;o sobre as fam&iacute;lias, as casas e os neg&oacute;cios. Onde se criou a tradi&ccedil;&atilde;o de celebrar Santo Ant&oacute;nio, o dia 13 de Junho, nunca &eacute; esquecido pelo povo. Mesmo que o P&aacute;roco n&atilde;o celebre com grande solenidade esse dia, os devotos ou simpatizantes fazem-lhe a festa com grande alegria. De casos destes, poderia citar alguns exemplos. <br \/>A peregrina&ccedil;&atilde;o &eacute; uma constante durante todo o ano, e assume grandes propor&ccedil;&otilde;es nos locais ligados &agrave; vida do Santo: a Casa-Igreja de Santo Ant&oacute;nio, em Lisboa; o Convento de Santo Ant&oacute;nio dos Olivais, onde se fez Franciscano; e o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, onde foi C&oacute;nego Regrante de Santo Agostinho. <br \/><em>Frei Ac&aacute;cio Jos&eacute; Afonso Sanches<\/em> <\/p>\n<p>________________________________________ <br \/>[1] Francisco da Gama Caeiro, <em>Ant&oacute;nio. Dicion&aacute;rios de Hist&oacute;ria da Igreja em Portugal<\/em>. Dir. A. A. Banha de Andrade. Vol I. Lisboa: Resist&ecirc;ncia, 1980, p. 340-354; Idem, <em>Santo Ant&oacute;nio de Lisboa<\/em>. 2 Vol. Lisboa [s.n.] 1967; Fernando F&eacute;lix Lopes, <em>Santo Ant&oacute;nio de Lisboa, Doutor Evang&eacute;lico<\/em>. Braga: Ed. Boletim Mensal, 21954; Henrique Pinto Rema, <em>Santo Ant&oacute;nio de Lisboa, Primeiro Santo Mission&aacute;rio Portugu&ecirc;s<\/em>. In <em>Encontro de Culturas. Oito s&eacute;culos de Missiona&ccedil;&atilde;o Portuguesa<\/em>. Lisboa: Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa 1994, p 69-79; ver tamb&eacute;m a extensa introdu&ccedil;&atilde;o, assinada por Henrique Pinto Rema, em <em>Santo Ant&oacute;nio de Lisboa, obras completas<\/em>. Trad. de Henrique Pinto Rema. Lisboa, 1970. <br \/>[2] At&eacute; aos anos oitenta era pac&iacute;fico dizer-se que Santo Ant&oacute;nio nasceu em 1195, no entanto, segundo estudos m&eacute;dico-antropol&oacute;gicos, realizados em P&aacute;dua no m&ecirc;s de Janeiro de 1981, conseguiu-se determinar com grande seguran&ccedil;a que o Santo morreu por volta dos 40 anos, o que veio colocar o seu nascimento em 1191 ou 1192. Cf. Henrique Pinto Rema, <em>Santo Ant&oacute;nio de Lisboa, Doutor Evang&eacute;lico, Obras Completas, Serm&otilde;es Dominicais e festivos, Edi&ccedil;&atilde;o Bilingue<\/em>, Porto 1987, p. XVI (tratando-se da introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; obra, o n&uacute;mero das p&aacute;ginas &eacute; indicado em numera&ccedil;&atilde;o romana). <br \/>[3] Os restos mortais de frei Bernardo, frei Pedro, frei Ac&uacute;rcio, frei Ot&atilde;o e frei Adjunto foram recolhidos pelo Pr&iacute;ncipe D. Pedro, irm&atilde;o do rei de Portugal D. Afonso II, e entregues a D. Jo&atilde;o Roberto, C&oacute;nego do Mosteiro de Santa Cruz, para serem depositados na sua Igreja. O sonho da miss&atilde;o entre os infi&eacute;is, por&eacute;m, poder&aacute; ter nascido na sua alma anos antes. Certamente teve conhecimento da vit&oacute;ria luso-espanhola sobre as for&ccedil;as sarracenas em Navas de Tolosa, no ano de 1212; as iniciativas mission&aacute;rias contra os mu&ccedil;ulmanos tomadas pelo Quarto Conc&iacute;lio de Latr&atilde;o em 1215; a perman&ecirc;ncia no porto de Lisboa de v&aacute;rios cavaleiros cruzados, vindos do Norte da Europa. Estas iniciativas davam origem a uma mentalidade colectiva que favorecia o esp&iacute;rito de cruzada, num ambiente de cristandade, o que nos permite compreender as raz&otilde;es de Ant&oacute;nio. <br \/>[4] Atendendo a que j&aacute; era Sacerdote Cr&uacute;zio, &eacute; prov&aacute;vel que nem sequer tenha feito o Noviciado. Lembremos, al&eacute;m disso, que Fernando Martins de Bulh&otilde;es foi admitido &agrave; Ordem Franciscana numa &eacute;poca em que o Noviciado n&atilde;o era ainda obrigat&oacute;rio. Efectivamente, este s&oacute; foi imposto aos Frades Menores pelo Papa Hon&oacute;rio III, mediante a Bula de 22 de Setembro de 1220, nesta data j&aacute; teria professado a forma de vida simples e minor&iacute;tica, portanto, anterior &agrave; Regra de 1221. <br \/>[5] Lemos na carta que S&atilde;o Francisco lhe escreveu: &laquo;Ao Irm&atilde;o Ant&oacute;nio, meu Bispo, o irm&atilde;o Francisco envia sauda&ccedil;&otilde;es. Tenho gosto em que ensines aos irm&atilde;os a Sagrada Teologia, desde que, com o estudo, n&atilde;o se extinga neles o esp&iacute;rito da santa ora&ccedil;&atilde;o e devo&ccedil;&atilde;o como est&aacute; escrito na Regra&raquo;: FRANCISCO de Assis, <em>Carta a santo Ant&oacute;nio<\/em>, in <em>S. Francisco de Assis, Escritos &#8211; Biografias &#8211; Documentos, Fontes Franciscanas<\/em>, Braga 1992, 101. <br \/>[6] <em>Vita beati Antonii de ordine Fratrum Minorum<\/em>. <br \/>[7] Cf. Henrique Pinto Rema, Santo Ant&oacute;nio de Lisboa. Ex-votos. Lisboa: Quetzal Editores 2003, p 25-29. Segundo os especialistas que, em janeiro de 1981, lhe analisaram os restos mortais, guardados em P&aacute;dua, revelam-nos um homem de estatura elevada, de cerca de um metro e setenta, com olhos expressivos e dedos afilados <br \/>[8] Cf. Primeira Legenda e bula da canoniza&ccedil;&atilde;o. <br \/>[9] <em>Ass&iacute;dua<\/em>. <br \/>[10] Santo Ant&oacute;nio consta no &laquo;Guiness Book&raquo; como o santo que foi canonizado mais cedo depois da morte, mas nem tudo o que esse livro cont&eacute;m &eacute; ver&iacute;dico, pois o dominicano S&atilde;o Pedro de Verona, martirizado a 6 de Abril de 1252, subiu aos altares a 9 de Mar&ccedil;o do ano seguinte. <br \/>[11] Cap&iacute;tulo XXXV. <br \/>[12] Cf. Paolo Giuriati, <em>Elementi per una indagine sulla devozione popolare a S. Antonio in Europa<\/em>. In <em>Il Santo<\/em>, XVI (1976) 346-347; cf. Henrique Pinto Rema, <em>Santo Ant&oacute;nio de Lisboa. Ex-votos<\/em>. Lisboa: Quetzal Editores 2003, p 33-34. <br \/>[13] Fernando F&eacute;lix Lopes. Muitos s&atilde;o os relatos de milagres realizados pelo Santo na sua cidade natal, alguns dos quais ainda em vida, gozando do dom da biloca&ccedil;&atilde;o, outros depois da morte. [Introduzir Relato de Milagres: Florinhas ou Ex-votos, p. 41] Ainda hoje, os devotos acreditam que no dia 13, depois da prociss&atilde;o, o Santo far&aacute; sempre um milagre e permanecem ali, de p&eacute;, concentrados &agrave; porta da sua Casa-Igreja, invocando-o com f&eacute;, a fim de serem beneficiados com alguma gra&ccedil;a. <br \/>[14] Se tivermos em conta a regi&atilde;o centro e Sul do pa&iacute;s, dependentes do Mosteiro de Alcoba&ccedil;a, verificamos que na Idade M&eacute;dia o nome mais utilizado &eacute; Jo&atilde;o, seguido de Fern&atilde;o ou Fernando e Afonso. A an&aacute;lise dos &iacute;ndices de algumas chancelarias medievais, que abrangem indiv&iacute;duos de todas as zonas do reino confirmam a fraca incid&ecirc;ncia do nome Ant&oacute;nio. Cf. Paulo Drumond Braga; Isabel M. R. Mendes Drumond Braga, <em>Santo Ant&oacute;nio na Terra, Santo Ant&oacute;nio do Mar. Breve estudo das invoca&ccedil;&otilde;es antonianas<\/em>. In <em>Actas do Congresso Internacional &laquo;Pensamento e Testemunho&raquo;. 8&ordm; Centen&aacute;rio do nascimento de Santo Ant&oacute;nio<\/em>. II Vol. Braga: Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa &#8211; Fam&iacute;lia Franciscana Portuguesa, 1996, p. 1044. <br \/>[15] Cf. Henrique Pinto Rema, <em>Santo Ant&oacute;nio de Lisboa. Ex-votos<\/em>. Lisboa: Quetzal Editores 2003, p 34. O culto das Ter&ccedil;as-Feiras Antonianas foi institucionalizado em 1616. Conta-se que um casal nobre de Bolonha, ap&oacute;s 22 anos de casamento, conseguiu obter um filho por intercess&atilde;o de Santo Ant&oacute;nio. Um dia, Santo Ant&oacute;nio ter&aacute; visitado a senhora e sugeriu-lhe que visitasse, durante nove Ter&ccedil;as-Feiras consecutivas, a sua imagem na igreja de S&atilde;o Francisco. No fim da novena, a senhora tornou-se m&atilde;e. O milagre divulgou-se e as novenas transformaram-se em trezenas de Ter&ccedil;as-Feiras e, finalmente, em todas as Ter&ccedil;as-Feiras do ano. Por raz&otilde;es de comodidade, nalguns lugares passaram este exerc&iacute;cio de piedade para os domingos. Esta devo&ccedil;&atilde;o pode incorporar v&aacute;rios elementos, consoante os lugares, podendo incluir a celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, um tempo de Adora&ccedil;&atilde;o ao Sant&iacute;ssimo, a recita&ccedil;&atilde;o do Ter&ccedil;o Antoniano, a reza do responso e ladainha pr&oacute;pria do Santo, o beijo da rel&iacute;quia e a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o com a mesma, etc. Desde 1763, a Igreja concede indulg&ecirc;ncias para todo o acto devocional das Ter&ccedil;as-Feiras, durante uma adora&ccedil;&atilde;o ao Sant&iacute;ssimo Sacramento. <br \/>[16] O P&atilde;o de Santo Ant&oacute;nio teve origem em P&aacute;dua, ainda no tempo da constru&ccedil;&atilde;o da Bas&iacute;lica. Conta-se que um menino, de 20 meses, caiu a um po&ccedil;o e afogou-se. A m&atilde;e aflita promete dar uma por&ccedil;&atilde;o de trigo igual ao peso do menino aos pobres no caso de o Santo o ressuscitar. A senhora foi ouvida e cumpriu a promessa. Sendo nisso imitada por outras m&atilde;es que desejavam alcan&ccedil;ar do Santo a protec&ccedil;&atilde;o dos seus filhos. No s&eacute;culo XIV, em Fran&ccedil;a, conhecem-se f&oacute;rmulas lit&uacute;rgicas de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de trigo, para oferecer em quantidade igual ao peso das crian&ccedil;as que se pretendiam p&ocirc;r sob a protec&ccedil;&atilde;o de Santo Ant&oacute;nio. <br \/>[17] Relativamente &agrave;s coisas perdidas, existem v&aacute;rias explica&ccedil;&otilde;es, entre as quais se enquadram os dois casos relatados no &laquo;Livro dos Milagres&raquo;: o c&aacute;lice de vidro partido e refeito pelo Santo e o Salt&eacute;rio roubado e restitu&iacute;do ao Santo pelo ladr&atilde;o: &laquo;Certa noite, um novi&ccedil;o fugiu do convento levando consigo o Salt&eacute;rio que Ant&oacute;nio usava para suas ora&ccedil;&otilde;es e cursos. O estranho &eacute; que o diabo em pessoa tolheu-lhe o passo em plena noite, e o obrigou a voltar para devolver o objecto roubado ao propriet&aacute;rio&raquo; <br \/>[18] M&aacute;rio Gon&ccedil;alves Viana. <br \/>[19] Referimo-nos a Portugal e territ&oacute;rios de express&atilde;o portuguesa, ou onde Portugal teve alguma influ&ecirc;ncia, como por exemplo no Oriente: cf. Henrique Pinto Rema, <em>Santo Ant&oacute;nio de Lisboa. Ex-votos<\/em>. Lisboa: Quetzal Editores 2003, p 38. <br \/>[20] Conta-se que uma donzela n&atilde;o dispunha do dote para casar-se e, confiante, recorreu a Santo Ant&oacute;nio. Das m&atilde;os da imagem do Santo teria ca&iacute;do ent&atilde;o um papel com um recado a um prestamista da cidade, pedindo-lhe que entregasse &agrave; mo&ccedil;a as moedas de prata correspondentes ao peso do papel. O prestamista obedeceu e p&ocirc;s o papel num dos pratos da balan&ccedil;a, colocando no outro as moedas. Os pratos s&oacute; se equilibraram quando havia moedas suficientes para pagar o dote. <br \/>[21] Cf. Henrique Pinto Rema, <em>Santo Ant&oacute;nio de Lisboa. Ex-votos<\/em>. Lisboa: Quetzal Editores 2003, p 31; cf. Manuel Silva, <em>Tradi&ccedil;&atilde;o perdura em Timor. Coronel Santo Ant&oacute;nio visita &laquo;os seus&raquo;<\/em>. In <em>Mensageiro de Santo Ant&oacute;nio<\/em>. XIX (2003) 26-27. <\/p>\n<p>(in <a href=\"http:\/\/www.capuchinhos.org\/\">www.capuchinhos.org<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo biogr\u00e1fico sobre Santo Ant\u00f3nio e sobre a devo\u00e7\u00e3o que, nomeadamente em Portugal, rapidamente se desenvolveu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[106,122,124,168,172,174,182,187,190,203,213,267,91,292,318],"class_list":["post-32468","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-angola","tag-brasil","tag-capuchinhos","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-viana-do-castelo","tag-diocese-do-porto","tag-dominicanos","tag-europa","tag-franciscanos","tag-natal","tag-quaresma","tag-religiosidade-popular","tag-timor-leste"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32468\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}