{"id":32464,"date":"2008-06-13T15:50:41","date_gmt":"2008-06-13T15:50:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/06\/13\/peregrinacao-de-junho\/"},"modified":"2008-06-13T15:50:41","modified_gmt":"2008-06-13T15:50:41","slug":"peregrinacao-de-junho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/peregrinacao-de-junho\/","title":{"rendered":"Peregrina\u00e7\u00e3o de Junho"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Ant\u00f3nio Couto na missa do dia 13 de Junho <!--more--> 13 de Junho: Homilia de D. Ant\u00f3nio Couto, bispo de Braga e Presidente da Peregrina\u00e7\u00e3o Anivers\u00e1ria de Junho    <i>\u00abViver na verdade\u00bb (8.\u00ba mandamento) \u00abQuem habitar\u00e1, Senhor, no vosso santu\u00e1rio? O que n\u00e3o usa a l\u00edngua para levantar cal\u00fanias\u00bb (Sl 15(14),3).<\/i>   Virgem Maria M\u00e3e da santa esperan\u00e7a (Altar do Recinto, 13 de Junho, 10h00)  Sir 24,14-16.24-31 = \u00abEm mim est\u00e1 toda a gra\u00e7a do caminho e da verdade\u00bb Cl 3,9-10 = \u00abN\u00e3o mintais uns aos outros\u00bb Mt 5,20-22a.27-28.34a.37 = \u00abA vossa linguagem deve ser: \u201csim, sim; n\u00e3o, n\u00e3o\u201d\u00bb  1. Aproximou-se um homem habituado ao uso inveterado da verdade, o seu olhar varrendo toda a fraude das palavras. Aproximou-se firme e impoluto. Esquadrinhou as faces oxidadas da mentira. Olhou depois o ch\u00e3o como quem abre um sepulcro, e lentamente desenhou o puro rosto da verdade sobre a areia.  2. Subiu depois \u00e0 montanha. Como Mois\u00e9s. Mais do que Mois\u00e9s. E proclamou Felizes, isto \u00e9, pioneiros de um mundo novo, abridores de in\u00e9ditos caminhos, os pobres. Quem diria! E disse-o a n\u00f3s, que vamos apostando tudo no ouro, na prata, no lucro, no poder, nas nossas leis que defendem os nossos interesses, fazendo da nossa for\u00e7a a norma da justi\u00e7a (Sb 2,11). S. Francisco de Assis ouviu este discurso, e mudou tudo. Era rico. Fez-se pobre, e apostou tudo no amor. Santo Ant\u00f3nio de Lisboa ouviu este discurso, e mudou tudo. Era rico. Fez-se pobre. Encontrou o amor. Os pastorinhos da Cova da Iria ouviram este discurso, e, na sua pobreza, leveza e simplicidade, subverteram a riqueza e o poder e a barra podre do tribunal. Madre Teresa de Calcut\u00e1 ouviu este discurso, e fez-se pobre por amor no meio dos pobres e dos ricos sem amor.  3. \u00c9 nestas figuras mansas que a sabedoria da gra\u00e7a fr\u00e1gil atravessa o nosso mundo pesado e metalizado. O ritmo harmonioso e gr\u00e1cil da dan\u00e7a h\u00e1-de sempre vencer e subverter o ritmo da marcha militar. A melodia da embala\u00e7\u00e3o, da aleita\u00e7\u00e3o, da lala\u00e7\u00e3o que estabelece entre a m\u00e3e e o beb\u00e9 o ch\u00e3o mais seguro e sem fraude que se possa pensar h\u00e1-de sempre vencer o grito de guerra e o ritmo da marcha militar. Diz a Sabedoria personificada, como se fosse Maria ou S. Francisco ou Santo Ant\u00f3nio ou os Pastorinhos de F\u00e1tima:  \u00ab8,30Eu estava perto dele, como uma crian\u00e7a (\u2019am\u00f4n),\/ eu era o seu encanto dia ap\u00f3s dia,\/ brincando diante dele o tempo todo;\/ 31brincando na superf\u00edcie da terra,\/ as minhas del\u00edcias com os filhos do homem\u00bb (Pr 8,30-31).  E diz outra vez Jesus, agora na plan\u00edcie, nas nossas pra\u00e7as ou no meio desta esplanada, olhando-nos olhos nos olhos:  \u00ab10,14(\u2026) Deixai as crian\u00e7as pequenas (paid\u00eda)  vir ter comigo (\u00e9rchesthai pr\u00f3s me); n\u00e3o as impe\u00e7ais, pois dos que s\u00e3o como elas \u00e9 o Reino de Deus. 15Em verdade vos digo (am\u00ean lego hym\u00een): \u201cQuem n\u00e3o receber (d\u00e9chomai) o Reino de Deus como uma crian\u00e7a pequena (paid\u00edon), n\u00e3o entrar\u00e1 (eis\u00e9rchomai) nele\u00bb  (Mc 10,14-15).  E S. Paulo diz esta beleza aos crist\u00e3os de Corinto:  \u00ab7,29Isto vos digo, irm\u00e3os: o tempo j\u00e1 est\u00e1 a recolher as velas (syst\u00e9ll\u00f4). Quanto ao resto, que aqueles que t\u00eam mulher, sejam como se n\u00e3o a tivessem; 30aqueles que choram, como se n\u00e3o chorassem, e os que se alegram, como se n\u00e3o se alegrassem, e os que compram, como se n\u00e3o possu\u00edssem, 31e os que usam este mundo, como se n\u00e3o usassem. Passa, na verdade, a figura (t\u00f2 sch\u00eama) deste mundo\u00bb (1 Cor 7,29-31).  4. Mas, voltando \u00e0 montanha, e fixando-nos nos olhos ou no cora\u00e7\u00e3o, Jesus ensina que, quando matamos um irm\u00e3o, j\u00e1 antes disso morreu em n\u00f3s o amor; quando cometemos adult\u00e9rio, j\u00e1 antes disso morreu em n\u00f3s o amor; quando mentimos e juramos falso, j\u00e1 antes disso morreu em n\u00f3s o amor.  5. Quando morre em n\u00f3s o amor, que \u00e9 a verdadeira verdade (\u2019emet), isto \u00e9, seguran\u00e7a maternal, confian\u00e7a e confid\u00eancia, j\u00e1 n\u00e3o nos olhamos como irm\u00e3os, mas como coisas a possuir ou a deitar fora, meios a utilizar para atingirmos os nossos fins ou rivais a eliminar. Quando morre em n\u00f3s o amor, somos falsos e vivemos na duplicidade, como diz a Escritura: \u00abCom um cora\u00e7\u00e3o e um cora\u00e7\u00e3o\u00bb (Sl 12,3; Sir 1,28), \u00abcom uma l\u00edngua e uma l\u00edngua\u00bb (Sir 5,9; 6,1). E com o cora\u00e7\u00e3o inquinado, a l\u00edngua pode ser uma arma perigosa. Diz outra vez a Escritura:  \u00abUm golpe de a\u00e7oite deixa marcas,\/ mas um golpe de l\u00edngua quebra os ossos.\/ Muitos ca\u00edram \u00e0 boca da espada,\/ mas muitos mais por causa da l\u00edngua\u00bb (Sir 28,17-18).  6. Oi\u00e7amos outra vez a voz do Mestre: \u00abO reino de Deus n\u00e3o est\u00e1 aqui ou ali\u00bb, disse. Disse. \u00abOs mais belos lugares do mundo: onde est\u00e3o os mais belos lugares do mundo? Onde mora a esperan\u00e7a? Que l\u00edngua fala a paz? Que avi\u00e3o tomar para a justi\u00e7a? Que moeda vigora no amor? Onde est\u00e3o as fronteiras da alegria? Que cores tem a bandeira da verdade?\u00bb  7. Pegou depois numa crian\u00e7a, num peda\u00e7o de p\u00e3o e numa ta\u00e7a. Levantou os olhos e as m\u00e3os onde nitidamente pulsava um cora\u00e7\u00e3o. E ergueu um brinde ao c\u00e9u. Baixou depois os olhos e as m\u00e3os, ungidos j\u00e1 para a d\u00e1diva suprema. E ardentemente desejou o vinho novo do reino a chegar. Requisitou, por isso, para isso, o cora\u00e7\u00e3o, as m\u00e3os, a boca, de quantos o estavam a escutar. E antes de partir e de ficar, definitivamente Deus Connosco, abriu ainda \u00e0 multid\u00e3o novos caminhos, diurnos, matutinos: \u00abJ\u00e1 sei que n\u00e3o sabeis pedir o p\u00e3o; tereis de aprender com os meninos\u00bb.  8. Nossa Senhora da Esperan\u00e7a, que a tua m\u00e3o n\u00e3o largue nunca a nossa m\u00e3o. \u00c1men. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Ant\u00f3nio Couto na missa do dia 13 de Junho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,172,207,248,284],"class_list":["post-32464","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-diocese-de-braga","tag-fatima","tag-madre-teresa","tag-pastorinhos-de-fatima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32464","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32464"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32464\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32464"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32464"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32464"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}