{"id":324407,"date":"2024-07-06T09:22:31","date_gmt":"2024-07-06T08:22:31","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=324407"},"modified":"2024-05-03T16:24:19","modified_gmt":"2024-05-03T15:24:19","slug":"diante-da-globalizacao-da-indiferenca-a-alternativa-e-humana-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/diante-da-globalizacao-da-indiferenca-a-alternativa-e-humana-papa-francisco\/","title":{"rendered":"\u201cDiante da globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a, a alternativa \u00e9 humana\u201d\u00a0(Papa Francisco)"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-228266 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>O Papa Francisco, na sua linguagem sempre acutilante e assertiva, coloca-nos em confronto com a nossa mais \u00edntima forma de ser e de estar, isto \u00e9, na atitude egoc\u00eantrica que habita no mais \u00edntimo de mim mesmo: \u201cdiante da globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a, a alternativa \u00e9 humana\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>(FRANCISCO, 2013) .Curioso que o Cardeal D. Tolentino afirma que \u201co nosso ego \u00e9 um ditador prepotente e caprichoso e se n\u00e3o o contrariarmos acabamos por viver uma vida absurdamente ego\u00edsta. N\u00f3s n\u00e3o somos o centro do mundo\u201d. Aqui est\u00e1 o bus\u00edlis da quest\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o somos o centro de nada, mas deveremos e teremos de ser o centro da vida de algu\u00e9m. Esta mudan\u00e7a antropol\u00f3gica e ontol\u00f3gica far\u00e1 (e faz!) toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Saindo de mim para ser no outro vida e prop\u00f3sito, capacita a minha atitude transformadora, potenciando uma verdadeira metamorfose do meu eu e da minha identidade.<\/p>\n<p>Como profeticamente anunciou Lipovetsky, a sociedade moderna padece de um problema: um individualismo e um ego\u00edsmo \u00fanicos na hist\u00f3ria. Segundo ele, os indiv\u00edduos est\u00e3o cada vez mais &#8220;absorvidos neles pr\u00f3prios&#8221;<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, numa incessante procura por uma identidade pessoal, que, nos dias de hoje, se apresenta como um problema premente e indissoci\u00e1vel das profundas modifica\u00e7\u00f5es culturais em curso.<\/p>\n<p>A este prop\u00f3sito, o Papa Francisco assevera que: \u201cIdentidade e alteridade existem juntas e podem coexistir apenas num contexto de coragem, liberdade e ora\u00e7\u00e3o. A alteridade \u00e9 vital para a identidade. \u00abNunca sem o outro\u00bb, o t\u00edtulo de um belo ensaio de Michael De Certeau, \u00e9 um belo \u00ablema\u00bb que pode distinguir a exist\u00eancia humana, que encontra no relacionamento a sua plenitude e o seu sentido \u00faltimo. Um cora\u00e7\u00e3o dobrado sobre si mesmo fica doente e \u00abincrustado\u00bb com esc\u00f3rias que impedem a sua pulsa\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e vivificante. O relacionamento tem a sua pr\u00f3pria \u00abrespira\u00e7\u00e3o\u00bb, que precisa de ritmo e oxig\u00e9nio limpo, condi\u00e7\u00f5es garantidas apenas pela presen\u00e7a do outro. A minha identidade \u00e9 um ponto de partida, mas, sem alteridade, ela cai em ouvidos surdos, murcha e corre o risco de morrer. Sem o reconhecimento da alteridade, n\u00e3o apenas o outro morre, mas tamb\u00e9m eu morro. O aspeto importante, no entanto, \u00e9 que, para ser \u00abcompleto\u00bb, esse reconhecimento deve abrir-se ao reconhecimento da liberdade do outro. Este ponto \u00e9 crucial. Aqui, vamos mais uma vez ao cora\u00e7\u00e3o do Cristianismo\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>O Papa Francisco tem contribu\u00eddo com diversas reflex\u00f5es que tendem a ser uma luz para a humanidade, cada vez mais mergulha numa indiferen\u00e7a globalizada. A este prop\u00f3sito Rodrigo Pereira afirma que: \u201ca sua preocupa\u00e7\u00e3o com o avan\u00e7o do individualismo e a instaura\u00e7\u00e3o no mundo da globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a, acende um sinal vermelho para a humanidade que est\u00e1 a perder a sensibilidade pelo cuidado com o pr\u00f3ximo\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Bem sabemos que a indiferen\u00e7a nasce daquele individualismo que acaba, mais cedo ou mais tarde, por negar a dignidade inalien\u00e1vel e inegoci\u00e1vel da pessoa humana. Diz ainda Rodrigo Pereira, de forma taxativa: \u201c\u00e9 ainda not\u00f3rio que o mal, neste contexto p\u00f3s-moderno, faz-se presente na aus\u00eancia de sensibilidade humana, por isso, a indiferen\u00e7a chega \u00e0 consci\u00eancia dos indiv\u00edduos que n\u00e3o mais se escandalizam diante do mal. Ou seja, o mal acaba por ser banalizado e o sentimento de indigna\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o desperta diante dele, por isso, se evita pensar eticamente\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>O desafio actual passa por uma aposta, ac\u00e9rrima e determinada, num humanismo que seja integrador e dignificador de todos, com todos e por todos. Sen\u00e3o, \u00e9 caso para dizer, como acertadamente afirmou Ant\u00f3nio Gomes Lacerda (e autor e pensador brasileiro): \u201cna estrada da vida, uns passam deixando saudade, outros trazendo al\u00edvio\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> FRANCISCO, P. (2013). <em>8 de julho de 2013: Visita a Lampedusa\u2014Santa Missa no Campo Esportivo \u00abArena\u00bb | Francisco<\/em>. https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2013\/documents\/papa-francesco_20130708_omelia-lampedusa.html<\/p>\n<p>:\/\/w2.vatican.va\/content\/ francesco\/ pt\/homilies\/2013\/documents\/papa-francesco_20130708_omelia-lampedusa.html. Acesso em: 26.05.2024.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Cf. LIPOVETSKY, G. (1989). <em>O Imp\u00e9rio do Ef\u00e9mero<\/em>. Lisboa: Publica\u00e7\u00f5es Dom Quixote, p. 20.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> FRANCISCO, P. (2020). <em>Diferentes e Unidos. Com-\u00fanico, logo existo<\/em>. Prior Velho: Paulinas, pp. 128-129.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> PEREIRA, R. V. de S. (sem data). \u201cDiante da globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a, a alternativa \u00e9 humana\u201d (Papa Francisco) \u2014Pesquisa Google. Obtido 26 de abril de 2024. P. 101<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <em>Ibidem<\/em>, p. 111.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-324407","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324407","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=324407"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324407\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=324407"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=324407"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=324407"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}