{"id":3244,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/25-anos-a-combater-a-paralisacao-apostolica\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"25-anos-a-combater-a-paralisacao-apostolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/25-anos-a-combater-a-paralisacao-apostolica\/","title":{"rendered":"25 anos a combater a paralisa\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p>D. Augusto C\u00e9sar, Bispo de Portalegre &#8211; Castelo Branco,  est\u00e1 a comemorar as bodas prata como pastor desta diocese beir\u00e3, alentejana e ribatejana.  Depois de uma experi\u00eancia em solo africano  <!--more--> <img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/bispo-cesar.jpg\" align=\"right\"> Ag\u00eancia ECCLESIA \u2013 Em 2003 celebra 25 anos de pastor na diocese de Portalegre &#8211; Castelo Branco. Ser\u00e1 poss\u00edvel fazer uma avalia\u00e7\u00e3o deste quarto de s\u00e9culo naquele territ\u00f3rio eclesial? D. Augusto C\u00e9sar \u2013 Uma avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil mas posso dizer que me doei totalmente \u00e0 Igreja Diocesana que me foi entregue por Jo\u00e3o Paulo II.  Vi o zelo dos sacerdotes mas procurei que eles vissem tamb\u00e9m em mim um pastor dedicado e laborioso. Na doa\u00e7\u00e3o n\u00e3o me poupei&#8230; AE \u2013 25 anos com altos e baixos? AC \u2013 N\u00e3o sou muito de fazer a separa\u00e7\u00e3o entre o que correu melhor e o que correu pior. Ao n\u00edvel do melhor aponto a linha de fidelidade, levando os sacerdotes a uma comunh\u00e3o e a uma unidade. O que correu pior foi, certamente, numa linha vocacional ver o envelhecimento dos meus padres. AE \u2013 Como combater este envelhecimento? AC \u2013 Com o rejuvenescimento. Mas, muitas vezes, descansamos \u00e0 sombra da bananeira e achamos que a Pastoral Vocacional \u00e9 muito com o bispo. A Pastoral Vocacional \u00e9, essencialmente, comunit\u00e1ria. \u00c9 preciso que os sacerdotes animem a comunidade e que esta se d\u00ea conta que s\u00f3 cresce se for vocacional. N\u00e3o h\u00e1 uma comunidade em Igreja que n\u00e3o seja vocacional. Os nossos seminaristas est\u00e3o a fazer uma caminhada muito bonita porque converteram-se a esta ideia, sentem responsabilidade e escreveram uma carta aos jovens. Uma carta a dizer que o chamamento \u00e9 concreto e real e o sacerd\u00f3cio \u00e9 uma aventura que vale a pena. Ir\u00e3o tamb\u00e9m fazer uma peregrina\u00e7\u00e3o, a p\u00e9, com os jovens a Santiago de Compostela. AE \u2013 Aos p\u00e1rocos pede-lhes tamb\u00e9m que sejam \u00abembaixadores do semin\u00e1rio\u00bb. AC \u2013 \u00c9 fundamental. \u00c9 preciso trazer as par\u00f3quias ao Semin\u00e1rio e o Semin\u00e1rio ir \u00e0s par\u00f3quias. Se os sacerdotes n\u00e3o tiverem essa consci\u00eancia, dificilmente tornam a sua comunidade vocacional. AE \u2013 Uma diocese Beir\u00e3, Alentejana e Ribatejana. V\u00e1rios tipos de pastoral? AC \u2013Tr\u00eas express\u00f5es de viver a f\u00e9: o Alentejo e os seus costumes, maneira e sensibilidade de viver a f\u00e9; as Beiras, ou Beira Baixa, com uma resposta mais pronta e uma sensibilidade diferente do Alentejo e depois o Ribatejo, que tamb\u00e9m tem a sua peculiaridade. Diferen\u00e7as de sensibilidade que n\u00e3o me metem medo. O que pode meter-me medo \u00e9 se n\u00f3s, a n\u00edvel de sacerdotes, n\u00e3o sabemos valorizar aquilo que h\u00e1 de peculiar em cada uma das zonas. AE \u2013 Os dados do Recenseamento \u00e0 Pr\u00e1tica Dominical exprimiram essas diferen\u00e7as? AC \u2013 Em toda a parte tivemos um abaixamento porque a urbaniza\u00e7\u00e3o existente tem tornado as aldeias vazias. Existe uma atrac\u00e7\u00e3o para as cidades ou vilas. O Alentejo \u00e9 a parte mais envelhecida e muita gente das Beiras tem acorrido para o lado do Ribatejo. Dados que salientam um decr\u00e9scimo da popula\u00e7\u00e3o e o consequente decr\u00e9scimo na pr\u00e1tica dominical. AE \u2013 O que a diocese est\u00e1 a fazer para combater esta desertifica\u00e7\u00e3o humana? AC \u2013 Estamos a tentar duas coisas: evangelizar pelos meios ao nosso alcance e procurar que n\u00e3o haja desalento, nem desorienta\u00e7\u00e3o, diante de muita Comunica\u00e7\u00e3o Social. Muitas vezes, a informa\u00e7\u00e3o desorienta os crist\u00e3os das nossas aldeias. AE \u2013 Perante estes dados \u00e9 necess\u00e1rio uma aposta refor\u00e7ada na Pastoral Juvenil? AC \u2013 Actualmente estamos a fazer uma coisa muito interessante porque tivemos um percal\u00e7o na caminhada que est\u00e1vamos a fazer e, ultimamente, entreguei o Secretariado da Pastoral Juvenil a tr\u00eas jovens que, em comunica\u00e7\u00e3o com os delegados arciprestais, est\u00e3o a fazer um bel\u00edssimo trabalho.   AE \u2013 E ao n\u00edvel da Pastoral Familiar&#8230; AC \u2013 O nosso Plano Pastoral \u00e9 sobre a Fam\u00edlia. Gostaria que, ao longo deste ano, as fam\u00edlias entendessem que sozinhas n\u00e3o conseguem vencer a jornada. As fam\u00edlias precisam de reflectir sobre os seus problemas e devem continuar a dar o testemunho da sua f\u00e9. AE \u2013 Mas vivemos numa sociedade tradicionalmente crist\u00e3. AC \u2013 Os nossos crist\u00e3os, devido \u00e0 vida social muito exigente e \u00e1s vezes muito desorganizada, acomodam-se. Moralmente v\u00e3o mais pela autoridade da televis\u00e3o do que aquilo que dizem os pastores ou Jo\u00e3o Paulo II.  Nesse aspecto \u00e9 preciso acordar e sacudir porque a f\u00e9 est\u00e1 l\u00e1 mas est\u00e1 latente. H\u00e1 uma paralisa\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica.  AE \u2013 Na celebra\u00e7\u00e3o deste Jubileu, esperava receber uma \u00abprenda diferente\u00bb daquela que teve no Ver\u00e3o passado: os fogos que flagelaram a sua diocese? AC &#8211; Ningu\u00e9m esperava uma prenda destas.  Portugal n\u00e3o esperava isto e a minha diocese n\u00e3o o merecia. Logo que me dei conta da magnitude dos inc\u00eandios dispus as minhas f\u00e9rias para acompanhar os sacerdotes e as comunidades. Mas os bombeiros e os soldados foram magn\u00edficos. Vi-os, praticamente, neutralizados diante das chamas pavorosas que avassalaram tudo. O apoio das popula\u00e7\u00f5es foi tamb\u00e9m excelente. Para al\u00e9m deste facto, notei tamb\u00e9m que o cora\u00e7\u00e3o humano \u00e9 extremamente sens\u00edvel a estes flagelos e quando inspirado pela f\u00e9 \u00e9 capaz de gestos nobres, como aconteceu na solidariedade que tiveram connosco. Souberam abrir as casas e repartir o que tinham. Foi admir\u00e1vel. AE \u2013 Faz lembrar um pouco a sociedade africana onde, ali\u00e1s, esteve como mission\u00e1rio. Podemos dizer que \u00e9 um homem das miss\u00f5es? AC \u2013 Estive 16 anos em \u00c1frica e 4 no meio da guerra como bispo. Adquiri uma experi\u00eancia que se enquadra com a minha maneira de ser e com a minha forma\u00e7\u00e3o. Quando fui senti-me enviado por Deus. Quando vim senti-me enviado, igualmente, por Deus. Sou mission\u00e1rio nas duas direc\u00e7\u00f5es. AE \u2013 Na diocese de Portalegre \u2013 Castelo Branco n\u00e3o tem o perigo da guerra? AC \u2013 A sensa\u00e7\u00e3o que temos, quando vimos das miss\u00f5es, \u00e9 que a Igreja em Portugal est\u00e1 muito enferrujada e acomodada. Quando nos entregamos ao trabalho verificamos que os desafios s\u00e3o enormes: fam\u00edlia, jovens, escolas&#8230; H\u00e1 uma s\u00e9rie de propostas feitas que n\u00e3o nos d\u00e3o lugar a descanso. Os acontecimentos sociais contrariam muitas vezes o nosso esfor\u00e7o por isso \u00e9 precisa muita imagina\u00e7\u00e3o para cumprir estes desafios. AE \u2013 Derivada \u00e0 extens\u00e3o da sua diocese e com os desafios presentes n\u00e3o seria ben\u00e9fica a divis\u00e3o deste territ\u00f3rio eclesial em duas dioceses? AC \u2013 Em termos de extens\u00e3o, a diocese de Portalegre \u2013 Castelo Branco \u00e9 a terceira do pa\u00eds. Sempre estive aberto a qualquer solu\u00e7\u00e3o que a Igreja pense como sendo melhor para as popula\u00e7\u00f5es, sobretudo para a evangeliza\u00e7\u00e3o. AE \u2013 N\u00e3o faria sentido a diocese de Castelo Branco? AC \u2013 \u00c9 uma quest\u00e3o antiga. O problema foi posto com D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, com D. Agostinho e tamb\u00e9m comigo. Mas o problema n\u00e3o passa por dizer que esta \u00e1rea tem condi\u00e7\u00f5es por isso fa\u00e7a-se&#8230; E as outras \u00e1reas ficam com condi\u00e7\u00f5es? N\u00e3o se pode, simplesmente, utilizar argumentos nem de bairrismo nem de dizer que temos condi\u00e7\u00f5es. Temos de ver o todo&#8230; O equil\u00edbrio pastoral, vocacional e s\u00f3 mediante isso \u00e9 que podemos partir para qualquer solu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tenho nada a opor desde que sejam preservados os princ\u00edpios fundamentais. AE \u2013 E em rela\u00e7\u00e3o aos \u00f3rg\u00e3os de Comunica\u00e7\u00e3o Social de Inspira\u00e7\u00e3o Crist\u00e3: tem projectos espec\u00edficos para o futuro? AC \u2013 Actualmente n\u00e3o estamos a fazer o que devemos&#8230; N\u00f3s sentimos que a nossa imprensa cat\u00f3lica n\u00e3o est\u00e1 saud\u00e1vel. Estamos sempre com receio do porte n\u00e3o ser pago&#8230; Depois n\u00e3o h\u00e1 um discernimento suficiente entre os Boletins Paroquiais, alguns transformados em esp\u00e9cie de jornais, e aqueles que s\u00e3o seman\u00e1rios ou quinzen\u00e1rios. \u00c9 necess\u00e1rio fazer uma distin\u00e7\u00e3o e descobrimos caminhos novos, empenhando cada vez mais os leigos.  AE \u2013 \u00c9 necess\u00e1rio passar dos carreiros para as auto-estradas&#8230; AC \u2013Sim. Mas a Igreja n\u00e3o trabalha para o lucro e tem dados que o Estado n\u00e3o pressente nem consente muitas vezes. A Igreja tem um sentido do voluntariado e do gratuito que a sociedade n\u00e3o reconhece. Eu nasci da gratuidade do amor dos meus pais e, no colo deles, nunca me pediram nem reclamaram as horas perdidas. AE \u2013 Nem lhe pediram dinheiro? AC \u2013 Hoje reclama-se por tudo&#8230; A gratuidade \u00e9 mais fundamental ao homem do que o lucro. Est\u00e1 na hora da Igreja se esfor\u00e7ar para mudar o que \u00e9 mut\u00e1vel e sentir que h\u00e1 novos caminhos a seguir sem perder as estribeiras.          <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Augusto C\u00e9sar, Bispo de Portalegre &#8211; Castelo Branco, est\u00e1 a comemorar as bodas prata como pastor desta diocese beir\u00e3, alentejana e ribatejana. 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