{"id":324029,"date":"2024-04-30T16:18:20","date_gmt":"2024-04-30T15:18:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=324029"},"modified":"2024-05-01T20:29:48","modified_gmt":"2024-05-01T19:29:48","slug":"1-o-de-maio-vivi-a-condicao-operaria-na-sua-dureza-recorda-padre-luis-martins-ferreira-sobre-mais-40-anos-como-padre-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/1-o-de-maio-vivi-a-condicao-operaria-na-sua-dureza-recorda-padre-luis-martins-ferreira-sobre-mais-40-anos-como-padre-operario\/","title":{"rendered":"1.\u00ba de Maio: \u00abVivi a condi\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria na sua dureza\u00bb, recorda padre Lu\u00eds Martins Ferreira, sobre \u00abmais 40 anos\u00bb como padre-oper\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><em>Sacerdote dos Filhos da Caridade aprendeu \u00aba rezar durante o trabalho\u00bb e a fazer as \u00abreflex\u00f5es espirituais ou sobre a condi\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria\u00bb com o barulho da fresadora ou do torno<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/metallurgy-2932944_1920.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-324030 size-large aligncenter\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/metallurgy-2932944_1920-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/metallurgy-2932944_1920-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/metallurgy-2932944_1920-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/metallurgy-2932944_1920-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/metallurgy-2932944_1920-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/metallurgy-2932944_1920-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/metallurgy-2932944_1920.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a>Coimbra, 30 abr 2024 (Ecclesia) \u2013 O padre Lu\u00eds Martins Ferreira viveu \u201ca condi\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria na sua dureza\u201d, como oper\u00e1rio na Fran\u00e7a e na grande Lisboa, evocando um percurso de servi\u00e7o \u00e0 pastoral do trabalho.<\/p>\n<p>\u201cTinham passado mais 40 anos, desde que em novembro de 1967, tinha come\u00e7ado a trabalhar. Vivi a condi\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria na sua dureza: durante a maior parte do tempo passando nove horas por dia, junto de uma m\u00e1quina num ambiente barulhento, construindo pe\u00e7as com medidas muito rigorosas\u201d, lembra o padre Lu\u00eds Martins Ferreira, num testemunho enviado \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>O sacerdote dos Filhos da Caridade viveu a sua condi\u00e7\u00e3o de padre-oper\u00e1rio \u201ccom camaradas de trabalho\u201d que o aceitaram como um deles e de quem ficou \u201camigo\u201d, encontrou \u201cgrandes militantes pelas causas da justi\u00e7a\u201d, que o faziam de forma empenhada e generosa, e sofreu perante \u201cas injusti\u00e7as e as persegui\u00e7\u00f5es\u201d frequentes nesses meios.<\/p>\n<blockquote><p>Aprendi a rezar durante o trabalho e a fazer as minhas reflex\u00f5es espirituais ou sobre a condi\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria ao barulho da minha fresadora ou do meu torno\u201d, assinala o \u201cpadre-oper\u00e1rio reformado, desde 2008\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>O padre Lu\u00eds Martins Ferreira foi ordenado presb\u00edtero na Diocese de Coimbra, em 1968, no ano seguinte (1969), regressou a Paris (Fran\u00e7a), at\u00e9 1972, e ingressou nos Filhos da Caridade.<\/p>\n<p>Antes da ordena\u00e7\u00e3o, o sacerdote portugu\u00eas fez o est\u00e1gio pastoral na capital francesa, viajou a 5 de outubro de 1967, \u201cpara conhecer o caminho da emigra\u00e7\u00e3o dos portugueses fugidos \u00e0 fome \u00e0 guerra e viver essa experi\u00eancia em equipa\u201d, e encontrou trabalho passado \u201cum m\u00eas \u00e0 procura\u201d e ter gasto \u201cas solas dos sapatos de tanto andar\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEncontrei numa metalomec\u00e2nica, na sec\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o de rolos de m\u00e1quinas de escrever. Os primeiros tempos foram muito duros. Sa\u00eda \u00e0s 05h00 da manh\u00e3 e tinha a sensa\u00e7\u00e3o de que a minha vida, al\u00e9m das nove horas de trabalho, era ir e vir da f\u00e1brica. Porque o local era barulhento, passava o dia a pensar e a rezar. Muitas vezes trabalhava ao s\u00e1bado at\u00e9 ao meio dia. Descobri assim a condi\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e a sua dureza\u201d, recorda, sobre essa primeira experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando regressou a Portugal, \u201cnos finais de 1972\u201d, foi viver para a Cova da Piedade (Almada), formou uma equipa de Padres Oper\u00e1rios, com mais dois Filhos da Caridade \u201co Crespo e o Chico Marques\u201d, e trabalhou nas duas margens da \u00e1rea metropolitana de Lisboa, at\u00e9 \u00e0 reforma.<\/p>\n<p>\u201cForam mais de 40 anos de vida oper\u00e1rio como fresador e torneiro mec\u00e2nico. Fui diversas vezes delegado sindical e membro de Comiss\u00f5es de Trabalhadores\u201d, sintetiza.<\/p>\n<p>O padre Lu\u00eds Martins Ferreira trabalhou na SOREFAME \u2013 Amadora; no 25 de abril de 1974 era fresador na STANDARD EL\u00c9CTRICA, em Cascais, foi para a JOC (Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica), \u201cnos anos loucos do PREC\u201d estava no MES (Movimento de Esquerda Socialista), foi trabalhar para a EQUIMETAL, no Barreiro, em 1981, tiveram \u201c7 meses de atraso\u201d nos sal\u00e1rios, e foi formador de fresagem e torneamento no Centro de Forma\u00e7\u00e3o de Set\u00fabal (IEFP).<\/p>\n<p>O sacerdote, que considera que \u201cpassados 40 anos muita coisa mudou\u201d, observa que, hoje, \u201ch\u00e1 novas tecnologias e acabaram a maioria das grandes empresas\u201d, alerta que se \u201creduziu a for\u00e7a dos sindicatos\u201d, com os contratos a prazo, os recibos verdes e \u201ctodas as formas prec\u00e1rias de trabalho\u201d, e a maioria dos trabalhadores \u201cest\u00e1 completamente \u00e0 merc\u00ea da sede de lucros dos patr\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPor isso, eu digo, pela experi\u00eancia vivida, a \u00fanica altera\u00e7\u00e3o estrutural do mundo do trabalho por conta doutrem, foi o aprofundamento da explora\u00e7\u00e3o do trabalho humano. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 lugar para a Social-democracia ou para a Democracia Crist\u00e3 do p\u00f3s-guerra\u201d, real\u00e7a o antigo padre-oper\u00e1rio, que na reforma, esteve \u201cem tr\u00eas par\u00f3quias da Diocese de Set\u00fabal\u201d.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia ECCLESIA entrevistou o <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/1o-maio-padre-operario-participou-na-primeira-manifestacao-ha-50-anos-e-aponta-realidades-laborais-que-continuam-extremamente-problematicas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">padre-oper\u00e1rio Constantino Alves<\/a>, da Diocese de Set\u00fabal, e dedicou o programa \u201870&#215;7\u2019 do \u00faltimo domingo ao 1.\u00ba de Maio de 1974, nos 50 anos da democracia em Portugal.<\/p>\n<p><em>CB\/OC<\/em><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_55488\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hRi8_CSLMu0?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; 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