{"id":323323,"date":"2024-04-24T12:47:52","date_gmt":"2024-04-24T11:47:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=323323"},"modified":"2024-04-26T11:40:57","modified_gmt":"2024-04-26T10:40:57","slug":"25-de-abril-alfredo-teixeira-apresenta-revolucao-cultural-em-1971-antes-da-revolucao-militar-de-1974","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/25-de-abril-alfredo-teixeira-apresenta-revolucao-cultural-em-1971-antes-da-revolucao-militar-de-1974\/","title":{"rendered":"25 de Abril: Alfredo Teixeira apresenta \u00abrevolu\u00e7\u00e3o cultural\u00bb em 1971, antes da \u00abrevolu\u00e7\u00e3o militar\u00bb de 1974"},"content":{"rendered":"<p><em>Compositor e antrop\u00f3logo pol\u00edtico revisita 16 composi\u00e7\u00f5es musicais que desde 1945 at\u00e9 \u00e0 atualidade, mostram \u00abpolos de irradia\u00e7\u00e3o cultural\u00bb e\u00a0 \u00absem\u00e2nticas crist\u00e3s e biblicas\u00bb comuns na can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_323326\" aria-describedby=\"caption-attachment-323326\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/alfredo-teixeira2024-3.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-323326 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/alfredo-teixeira2024-3.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/alfredo-teixeira2024-3.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/alfredo-teixeira2024-3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/alfredo-teixeira2024-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/alfredo-teixeira2024-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/alfredo-teixeira2024-3-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-323326\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 24 abr 2024 (Ecclesia) \u2013 Alfredo Teixeira, compositor e antrop\u00f3logo pol\u00edtico, disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que a revolu\u00e7\u00e3o de 1974 aconteceu \u201cmusicalmente\u201d em 1971, quando uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o cultural se antecipa \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o militar\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsse ano poderia ser dito como o ano da revolu\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es, uma revolu\u00e7\u00e3o cultural que antecipa a revolu\u00e7\u00e3o do golpe militar. Estamos num per\u00edodo com uma enorme desenvolvimento discogr\u00e1fico e a produ\u00e7\u00e3o cultural tem dificuldade em ser controlada pelo exame pr\u00e9vio\u201d, esclarece \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>O mestre em Teologia recorda nomes como Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, S\u00e9rgio Godinho, Francisco Fanhais que d\u00e3o corpo, com as suas composi\u00e7\u00f5es, numa altura em que o Estado Novo j\u00e1 mostrava dificuldade de controlo.<\/p>\n<p>\u2018Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades\u2019, a partir de um poema de Lu\u00eds Cam\u00f5es, \u00e9 uma m\u00fasica escrita por Jean Sommer, que Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco recria, torna-se uma \u201cforte can\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a\u201d; tamb\u00e9m \u2018Que for\u00e7a \u00e9 essa\u2019, que integra o disco \u00abSobreviventes\u00bb, de S\u00e9rgio Godinho, mostra o trabalho como \u201clugar de enuncia\u00e7\u00e3o principal\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAs can\u00e7\u00f5es s\u00e3o coletivas, n\u00e3o estamos numa din\u00e2mica que hoje celebram a intimidade ou subjetividade. Aqui potencia-se a can\u00e7\u00e3o e a sua capacidade de solidarizar as pessoas em torno de uma causa. A proximidade que alguns movimentos cat\u00f3licos em Portugal v\u00e3o ter nesta din\u00e2mica social passa pelo mundo do trabalho, lugar de encontro, lugar onde as pessoas vivem a pobreza e a injusti\u00e7a. Falar deste mundo como capacidade de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 assinalar tamb\u00e9m uma ferida na sociedade portuguesa\u201d, traduz.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de 16 m\u00fasicas, Alfredo Teixeira percorre d\u00e9cadas de can\u00e7\u00f5es para apresentar uma \u00abCasa comum para a mem\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos\u00bb, com in\u00edcio em 1945, no final da II Guerra Mundial, onde destaca o lugar da \u2018can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o\u2019.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o tem uma forte rela\u00e7\u00e3o com a experi\u00eancia de resist\u00eancia com o Estado Novo. Ela mobiliza um sentimento de esperan\u00e7a muito acentuado. Estas can\u00e7\u00f5es t\u00eam uma constru\u00e7\u00e3o direta, de f\u00e1cil apreens\u00e3o. N\u00e3o se trata de uma m\u00fasica onde nos sentamos a escutar, \u00e9 uma m\u00fasica para nos envolver e para participar\u201d, apresenta.<\/p><\/blockquote>\n<p>O compositor d\u00e1 como exemplo, \u2018Jornada\u2019, de Fernando Lopes Gra\u00e7a, hino do MUD (Movimento de Unidade Democr\u00e1tica), que estabelece uma rela\u00e7\u00e3o com o meio rural e o mundo do trabalho e tamb\u00e9m \u2018Acordai\u2019, com letra de Jos\u00e9 Gomes Ferreira e m\u00fasica de Fernando Lopes Gra\u00e7a<\/p>\n<blockquote><p>H\u00e1 uma sem\u00e2ntica b\u00edblica e crist\u00e3 que encontramos neste contexto, sem batizar aos m\u00fasicos ou report\u00f3rios. A sem\u00e2ntica da liberta\u00e7\u00e3o, a ideia de despertar onde se tem uma expetativa messi\u00e2nica que encontramos na B\u00edblia e que o cristianismo vai interpretar, torna estas can\u00e7\u00f5es e a sua linguagem, uma casa comum onde podemos partilhar horizontes e mundivid\u00eancias distintas\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Alfredo Teixeira revisita atrav\u00e9s das m\u00fasicas, as origens do movimento cultural em 1945, encontra em Coimbra um \u201cpolo de irradica\u00e7\u00e3o com a cultura universit\u00e1ria estudantil\u201d nos anos 60.<\/p>\n<p>\u201cO poema de Manuel Alegre, \u2018Trova do vento que passa\u2019, que se torna \u201cemblem\u00e1tica, por um lado pela sua cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica que fala de um Portugal que escuta not\u00edcias do seu pa\u00eds a partir do vento silencioso que cala a desgra\u00e7a, um Portugal silencioso, tornou-se uma das baladas mais influentes neste polo de interven\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 Coimbra\u201d, refere.<\/p>\n<p>\u2018Sou barco\u2019, de 1966, de Lu\u00eds C\u00edlia e Ant\u00f3nio Borges Coelho, serve de exemplo para as composi\u00e7\u00f5es que querem \u201cmostrar a saudade e a emigra\u00e7\u00e3o e o ex\u00edlio\u201d, sendo que o barco \u201cuma identidade que est\u00e1 longe da p\u00e1tria e que sonha com a sua transforma\u00e7\u00e3o\u201d, indicado pelo antrop\u00f3logo pol\u00edtico como um polo de resist\u00eancia ao regime de ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Alfredo Teixeira prop\u00f5e ainda revisitar a noite de 29 de mar\u00e7o de 1974, quando o Coliseu dos Recreio recebe um concerto, onde Zeca Afonso e o p\u00fablico ali presente, cantam no t\u00e9rmino do espet\u00e1culo, a m\u00fasica \u2018Gr\u00e2ndola\u2019.<\/p>\n<p>\u201cA \u2018Gr\u00e2ndola\u2019 integra o disco \u00abCantigas do maio\u00bb, de 1971, e esta can\u00e7\u00e3o escrita em homenagem \u00e0 sociedade fraternidade oper\u00e1ria grandolense, respira um espirito ut\u00f3pico, uma vez que ele encontra aqui um modo de organiza\u00e7\u00e3o onde o povo \u00e9 quem mais ordena, uma estrutura de vida comunit\u00e1ria que contrasta com o regime de domina\u00e7\u00e3o onde viv\u00edamos. Esta can\u00e7\u00e3o ganha uma dimens\u00e3o particular nessa noite de 29 de mar\u00e7o, quando realizava-se o primeiro encontro da can\u00e7\u00e3o portuguesa, que viu muitos textos parcial ou integralmente censurados, mas reuniu nomes como Adriano correia de Oliveira, Zeca Afonso, Jos\u00e9 Carlos Ary dos santos, Jos\u00e9 Barata Moura, Carlos Paredes, Fernando Tordo, Jos\u00e9 Jorge Letria, Fausto, Vitorino\u201d, recorda.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO espet\u00e1culo surge como uma vig\u00edlia do golpe que vai acontecer em abril. A revolu\u00e7\u00e3o estava no seu ponto culminante do ponto de vista cultural, porque apesar das censuras e limita\u00e7\u00f5es, o report\u00f3rio de interven\u00e7\u00e3o toma corpo das vozes, que estavam no palco, e das pessoas que ali se reuniram, e que as v\u00e3o cantar para al\u00e9m de qualquer limita\u00e7\u00e3o, integrando uma cultura que n\u00e3o pode ser contida. A revolu\u00e7\u00e3o de abril acontece musicalmente nesta noite de can\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>A conversa com Alfredo Teixeira que prop\u00f5e \u00abA can\u00e7\u00e3o, uma \u2018casa comum\u2019 para a mem\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos\u00bb pode ser acompanhada esta noite no programa Ecclesia na Antena 1, ficando depois dispon\u00edvel no <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/radio\/\">portal<\/a> de informa\u00e7\u00e3o e na sua vers\u00e3o original no podcast \u00ab<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/alarga-a-tua-tenda\">Alarga a tua tenda<\/a>\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compositor e antrop\u00f3logo pol\u00edtico revisita 16 composi\u00e7\u00f5es musicais que desde 1945 at\u00e9 \u00e0 atualidade, mostram \u00abpolos de irradia\u00e7\u00e3o cultural\u00bb e\u00a0 \u00absem\u00e2nticos crist\u00e3s e biblicas\u00bb comuns na can\u00e7\u00e3o de 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