{"id":32296,"date":"2008-06-03T14:54:05","date_gmt":"2008-06-03T14:54:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/06\/03\/entre-a-euforia-e-a-depressao\/"},"modified":"2008-06-03T14:54:05","modified_gmt":"2008-06-03T14:54:05","slug":"entre-a-euforia-e-a-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entre-a-euforia-e-a-depressao\/","title":{"rendered":"Entre a euforia e a depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 muito mais que um jogo de palavras. \u00c9 a dist\u00e2ncia curta entre a porta de David de hossanas e o Horto do abandono. \u00c9 o risco simples que separa os que aclamaram rei e os que &#8211; possivelmente os mesmos &#8211; preferiram Barrab\u00e1s. O fio entre o louvor e o vitup\u00e9rio. O estado de alma flutuante entre uma festa intensamente passageira e uma dor friamente prolongada. Um tempo de fartura no Egipto com o Fara\u00f3 a esbanjar tudo, e o tempo magro com o filho mais novo de Jacob a racionar as migalhas para cada mesa carcomida de olhares esfaimados. Diremos, resignadamente, que \u00e9 a vida, na sua complexidade de andamentos, ora alegres ora arroxeados de ad\u00e1gios intermin\u00e1veis em tons menores. Quem sabe medir com precis\u00e3o a vida? Estas divis\u00f5es e fronteiras est\u00e3o na nossa cabe\u00e7a e na nossa cultura. A sofreguid\u00e3o do todo em cada momento, do indiv\u00edduo para al\u00e9m da comunidade, do agora contra todos os futuros, da exaust\u00e3o do bem estar imediato a todo o pre\u00e7o, do relativo anteposto a todos os absolutos, com o individualismo em nome do direito de cada pessoa, do mundo, enfim, para mim voltado como se fora o \u00fanico, e o instante de prazer como a eternidade comandada por puls\u00f5es do agora.  Por isso se torna dif\u00edcil a gest\u00e3o da crise, da dor, da constru\u00e7\u00e3o paciente de edifica\u00e7\u00e3o invis\u00edvel, do investimento sem resultados palp\u00e1veis, dos gestos significativos apenas quando vistosos. A ascese crist\u00e3 pode ensinar-nos esta subida \u00e0 montanha com a esperan\u00e7a a refor\u00e7ar o cora\u00e7\u00e3o, o alto a mitigar o cansa\u00e7o, o tempo no ritmo certo da nossa marcha, conjugada com o caminhar da hist\u00f3ria, que \u00e9 como quem diz com o projecto de Deus. A que vem todo este filosofar breve? Vem \u00e0 crise que n\u00f3s vivemos para al\u00e9m das nossas fronteiras porque o jogo desenfreado do neg\u00f3cio, mais conhecido por mercado livre, faz estremecer os alicerces da casa, da sa\u00fade, dos transportes, da cultura, da sobreviv\u00eancia de crian\u00e7as e idosos. A especula\u00e7\u00e3o \u00e9 o servi\u00e7o oportunista dos espertos que adivinham a inclina\u00e7\u00e3o do barco.Com esta crise algo se deve afundar para que o barco seja salvo. H\u00e1 pesos de bugigangas in\u00fateis que importa deitar fora. Isso \u00e9 muito mais importante que colocar a euforia ou a depress\u00e3o no prato descontrolado da balan\u00e7a do petr\u00f3leo. N\u00e3o podemos, neste momento, fechar-nos no nosso casulo. Mas \u00e9 imperioso reconhecer que muito h\u00e1 a mudar nos nossos h\u00e1bitos pessoais e comunit\u00e1rios. <i>Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 muito mais que um jogo de palavras. \u00c9 a dist\u00e2ncia curta entre a porta de David de hossanas e o Horto do abandono. \u00c9 o risco simples que separa os que aclamaram rei e os que &#8211; possivelmente os mesmos &#8211; preferiram Barrab\u00e1s. O fio entre o louvor e o vitup\u00e9rio. 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