{"id":322915,"date":"2024-04-20T11:08:44","date_gmt":"2024-04-20T10:08:44","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=322915"},"modified":"2024-04-20T11:08:44","modified_gmt":"2024-04-20T10:08:44","slug":"a-importancia-do-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-importancia-do-silencio\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia do sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"<div><em>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/em><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>O Papa Francisco, na audi\u00eancia de quarta-feira passada, discorreu sobre a virtude da temperan\u00e7a. Diz o Papa Francisco: \u201cNum mundo onde tanta gente se gaba de dizer o que pensa, a pessoa temperante prefere, ao contr\u00e1rio, pensar no que diz. A pessoa temperante sabe pesar e dosear bem as palavras. Pensa no que diz. (\u2026) H\u00e1 um tempo para falar e um tempo para calar, mas ambos requerem a medida certa.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 consensual que vivemos na sociedade do ru\u00eddo, com excesso de est\u00edmulos e distra\u00e7\u00f5es, comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o. E uma sociedade onde impera o ru\u00eddo est\u00e1 condenada \u00e0 superficialidade, \u00e0 imaturidade e \u00e0 dispers\u00e3o. Se n\u00e3o damos tempo ao sil\u00eancio, nada \u00e9 assimilado, tudo \u00e9 vago, nada se aprofunda, n\u00e3o se filtra o essencial, n\u00e3o se cresce e progride, n\u00e3o se escuta e reflete, n\u00e3o se aprende. Sem o sil\u00eancio, para se dar espa\u00e7o \u00e0 vida e ao outro e para se perceber e dar algum conte\u00fado ao que se diz, a comunica\u00e7\u00e3o torna-se uma palra\u00e7\u00e3o angustiante e um falat\u00f3rio in\u00fatil e ma\u00e7ador. J\u00e1 em tempos dizia o Papa Bento XVI: \u00abO sil\u00eancio \u00e9 parte integrante da comunica\u00e7\u00e3o e, sem ele, n\u00e3o h\u00e1 palavras densas de conte\u00fado. No sil\u00eancio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a n\u00f3s mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se \u00e0 outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a n\u00f3s n\u00e3o ficarmos presos, por falta da adequada confronta\u00e7\u00e3o, \u00e0s nossas palavras e ideias. Deste modo abre-se um espa\u00e7o de escuta rec\u00edproca e torna-se poss\u00edvel uma rela\u00e7\u00e3o humana mais plena.\u201d<\/p>\n<p>Vivemos numa cultura em que se usa e abusa da palavra. H\u00e1 pressa em dizer alguma coisa, por mais banal que seja. Toda a gente quer expressar opini\u00f5es e n\u00e3o se foge ao atrevimento de falar de tudo, como se de tudo se soubesse. Vivemos na feira das opini\u00f5es. Sabe-se de tudo e n\u00e3o se sabe de nada. Tudo bem prensado, pouco se diz e o que se diz vale pouco. E assim acontece porque n\u00e3o vivemos numa cultura que privilegia o sil\u00eancio ativo e contemplativo, a escuta e a reflex\u00e3o. A vida \u00e9 vivida, a toda a hora, com um ru\u00eddo de fundo, seja um r\u00e1dio, uma televis\u00e3o, conversas fr\u00edvolas, uns auscultadores nos ouvidos. Comunica-se e fala-se muito para se ir passando o tempo, sem grande subst\u00e2ncia, exig\u00eancia e vontade de proximidade.<\/p>\n<p>Noutros tempos, n\u00e3o t\u00ednhamos os meios de comunica\u00e7\u00e3o que hoje temos. Comunicava-se pouco, mas cada vez que se fazia, comunicava-se algo verdadeiramente significativo. Os meios eram pobres, mas a mensagem era rica e valorosa. Quando se falava, falava-se pela certa e n\u00e3o se perdia tempo na tagarelice oca. Agora temos muitos meios de comunica\u00e7\u00e3o, t\u00e3o pr\u00e1ticos, r\u00e1pidos e eficientes, que de alguma forma nos pressionam a comunicar, mas a comunica\u00e7\u00e3o, em grande parte, \u00e9 v\u00e3 e pobre. Acaba por ser uma torrente de banalidades e de insignific\u00e2ncias, que pouco ou nada traz \u00e0 vida, n\u00e3o esquecendo, claro est\u00e1, quem comunica bem e com equil\u00edbrio. Comunicar tornou-se um entretenimento, at\u00e9 quase um jogo.<\/p>\n<p>Hoje em dia, somos bombardeados com informa\u00e7\u00e3o a toda a hora, de todos os quadrantes. H\u00e1 um recurso exagerado \u00e0 palavra e n\u00e3o se d\u00e1 o devido tempo para se assimilar e sintetizar o que se informa e comunica. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de furac\u00e3o permanente, que n\u00e3o d\u00e1 tempo para arrumar nada e que a toda a hora nos quer manter suspensos e engolidos na sua voracidade. N\u00e3o se d\u00e1 tempo para se criar um verdadeiro distanciamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e promover uma s\u00e9ria reflex\u00e3o e cr\u00edtica a essa mesma informa\u00e7\u00e3o, correndo-se o risco de a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o informar, mas desinformar, manipular, mas n\u00e3o formar, entreter, mas n\u00e3o comunicar. \u00abQuando as mensagens e a informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o abundantes, torna-se essencial o sil\u00eancio para discernir o que \u00e9 importante daquilo que \u00e9 in\u00fatil ou acess\u00f3rio\u00bb e \u00ab\u00e9 necess\u00e1rio criar um ambiente prop\u00edcio, quase uma esp\u00e9cie de \u00abecossistema\u00bb capaz de equilibrar sil\u00eancio, palavra, imagens e sons\u00bb, afirmou Bento XVI.<\/p>\n<p>Precisamos de redescobrir o sil\u00eancio. \u00c9 o b\u00e1lsamo que est\u00e1 a fazer falta \u00e0 nossa vida moderna e \u00e0 vida de muitas pessoas. A nossa cultura divorciou-se do sil\u00eancio. Temos hoje uma cultura do entretenimento e de ru\u00eddo e parece que j\u00e1 n\u00e3o conseguimos viver sem eles a toda a hora, o que \u00e9 mau. Prova disso, \u00e9 a experi\u00eancia que muitas pessoas nos contam da sua visita a conventos ou mosteiros: aquele ambiente para elas era escabroso e insuport\u00e1vel. Dar valor ao sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 torna-se monge. \u00c9 saber viver a vida com equil\u00edbrio. Sem o devido sil\u00eancio que nos ajude a \u00abpesar\u00bb a vida e suas experi\u00eancias, viveremos uma vida muito ao sabor da espuma sem vermos as maravilhas da profundidade, seremos bal\u00f5es nas m\u00e3os de feirantes oportunistas e seremos pessoas sem densidade e profundidade interior, mergulhados numa vida trivial, precipitada, imponderada e inconsistente. Sem sil\u00eancio teremos sempre muito pouco para dizer, j\u00e1 que comunicar \u00e9 muito mais exigente do que pode parecer, e se se \u00e9 crente muito mais: \u00abEducar-se em comunica\u00e7\u00e3o quer dizer aprender a escutar, a contemplar, para al\u00e9m de falar; e isto \u00e9 particularmente importante para os agentes da evangeliza\u00e7\u00e3o: sil\u00eancio e palavra s\u00e3o ambos elementos essenciais e integrantes da a\u00e7\u00e3o comunicativa da Igreja para um renovado an\u00fancio de Jesus Cristo no mundo contempor\u00e2neo\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-322915","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322915","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=322915"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322915\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=322915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=322915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=322915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}