{"id":32283,"date":"2008-06-03T10:23:11","date_gmt":"2008-06-03T10:23:11","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/06\/03\/beato-francisco-o-segredo-e-deus\/"},"modified":"2008-06-03T10:23:11","modified_gmt":"2008-06-03T10:23:11","slug":"beato-francisco-o-segredo-e-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/beato-francisco-o-segredo-e-deus\/","title":{"rendered":"Beato Francisco: o segredo \u00e9 Deus"},"content":{"rendered":"<p>No princ\u00edpio ele n\u00e3o viu nem escutava nem percebia nada do que se passava&#8230; acabou por compreender tudo <!--more--> A beatifica\u00e7\u00e3o dos pastorinhos, Francisco (1910-1919) e Jacinta (1910-1920) no dia 13 de Maio de 2000, em F\u00e1tima, por Jo\u00e3o Paulo II, coroou o processo de recep\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio de F\u00e1tima, onde se concentra o essencial da mensagem e da espiritualidade dos pastorinhos, cuja explicita\u00e7\u00e3o conhecemos pelos escritos da Irm\u00e3 L\u00facia, especialmente as Mem\u00f3rias, e pelo texto inacabado que nos deixou \u2013 Como vejo a Mensagem. A espiritualidade dos pastorinhos \u00e9 um simples coment\u00e1rio ao Evangelho, tanto na viv\u00eancia da penit\u00eancia, da ora\u00e7\u00e3o e do sacrif\u00edcio em repara\u00e7\u00e3o pelos pecados cometidos contra Deus, quer pela experi\u00eancia religiosa da presen\u00e7a de Deus, traduzida na atmosfera do sobrenatural em que se sentiam mergulhados, quer muito particularmente na experi\u00eancia do reflexo de luz, nas apari\u00e7\u00f5es de Junho e de Julho. E foi no envolvimento daquela luz que eles escutaram a revela\u00e7\u00e3o do segredo. Segundo a Irm\u00e3 L\u00facia, a repara\u00e7\u00e3o \u00e9 o termo que diz o essencial da espiritualidade de F\u00e1tima e da m\u00edstica dos pastorinhos, onde se escuta, quase em surdina, aquela exclama\u00e7\u00e3o de S. Francisco \u2013 o Amor n\u00e3o \u00e9 amado \u2014, ou outra, mais recente, transmitida por Santa Margarida: Eis o Cora\u00e7\u00e3o que tanto amou os homens e que n\u00e3o \u00e9 correspondido\u2026 A Irm\u00e3 L\u00facia testemunha nas Mem\u00f3rias at\u00e9 que ponto os pastorinhos interio-rizaram a espiritualidade da repara\u00e7\u00e3o: Consolai o vosso Deus pedia-lhes o Anjo!&#8230; Aqui est\u00e1 uma caracter\u00edstica essencial da teologia da repara\u00e7\u00e3o, e que constitui para muitos dos nossos contempor\u00e2neos o paradoxo se n\u00e3o mesmo o esc\u00e2ndalo de F\u00e1tima, mas que \u00e9, afinal o esc\u00e2ndalo e o paradoxo do cristianismo enquanto tal, que vive da inspira\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da Cruz\u2026, aquele divino morrer de Amor!&#8230; Ora tudo isto aconteceu especialmente em Francisco. No princ\u00edpio ele n\u00e3o viu nem escutava nem percebia nada do que se passava. Depois, come\u00e7ou a ver, mas n\u00e3o ouvia; e, finalmente, acabou por ver e ouvir, e compreender tudo. A partir da vis\u00e3o do Inferno, na apari\u00e7\u00e3o de 13 de Julho, come\u00e7a a perfilar-se nele toda a sua identidade espiritual, concentrada na ora\u00e7\u00e3o de sil\u00eancio, na adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e na contempla\u00e7\u00e3o interiorizada do mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade. Ele gostava de se retirar sozinho para a Igreja e a\u00ed ficar, escondido junto ao sacr\u00e1rio, a fazer companhia a \u201cJesus escondido\u201d. Mas a caracter\u00edstica mais evidente da m\u00edstica do pequeno pastor era decididamente trinit\u00e1ria. Ele sentia-se totalmente penetrado at\u00e9 ao mais fundo do seu ser pelo reflexo de luz que sa\u00eda das m\u00e3os de Nossa Senhora, e esta luz era Deus. Ele dizia: gostei muito de ver o anjo! Gostei ainda mais de ver Nossa Senhora! Mas do que gostei mesmo foi daquela luz que nos penetrava no peito, na qual nos v\u00edamos como no melhor dos espelhos! E essa luz era Deus! Este \u00e9 o nosso segredo: n\u00e3o o podemos dizer a ningu\u00e9m! Para o Francisco, o segredo estava todo aqui, nesta inef\u00e1vel experi\u00eancia do sobrenatural da qual n\u00e3o podiam falar, por exceder todas as palavras!&#8230; Sentia-se t\u00e3o profundamente tocado pelo mist\u00e9rio de Deus que a vis\u00e3o do inferno mesmo assim n\u00e3o o impressionou, e no fim j\u00e1 sentia, nos momentos finais da sua t\u00e3o curta vida, totalmente esquecido e mergulhado no mist\u00e9rio de Deus, que n\u00e3o pensava em mais nada. Um dia respondeu a L\u00facia, que lhe recomendava qualquer coisa para quando estivesse junto de Deus, dizendo que isso pedisse a Jacinta, que ele com certeza \u00edria esquecer-se!\u2026 Estamos aqui em presen\u00e7a de algo impressionante, na hist\u00f3ria da santidade: como \u00e9 que simples crian\u00e7as \u2013 o Francisco tinha 9 anos \u2013 percorreram t\u00e3o rapidamente o caminho da maturidade espiritual que caracteriza os santos, e como t\u00e3o livre e generosamente corresponderam aos apelos de Deus que eles reconheceram na verdade da apari\u00e7\u00e3o! \u2026 onde se concretiza a afirma\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, de que s\u00f3 entra no reino dos c\u00e9us quem se fizer como as crian\u00e7as! Numa sociedade e numa mentalidade, como a de hoje em Portugal, que est\u00e1 organizada, pol\u00edtica e economicamente, de um modo que n\u00e3o favorece nem as crian\u00e7as nem as fam\u00edlias \u2014 talvez seja urgente para o que resta de boa vontade entre n\u00f3s, pensar a s\u00e9rio nas crian\u00e7as, \u2014 que nascem e as que ficam por nascer \u2014, podem fazer pelo presente e pelo futuro, e como ele seria diferente se cada homem se deixasse interpelar por um pensamento divino que o precede, como fizeram os pastorinhos, como fez o Francisco! Mesmo depois dos 91 anos, o segredo de F\u00e1tima est\u00e1 ainda por cumprir\u2026 <i>Jos\u00e9 Jacinto Ferreira de Farias, scj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No princ\u00edpio ele n\u00e3o viu nem escutava nem percebia nada do que se passava&#8230; acabou por compreender tudo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[154,199,206,207,237],"class_list":["post-32283","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-crianca","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32283"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32283\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}