{"id":32273,"date":"2008-06-02T15:31:36","date_gmt":"2008-06-02T15:31:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/06\/02\/manifesto-contra-a-fome\/"},"modified":"2008-06-02T15:31:36","modified_gmt":"2008-06-02T15:31:36","slug":"manifesto-contra-a-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/manifesto-contra-a-fome\/","title":{"rendered":"Manifesto Contra a Fome"},"content":{"rendered":"<p>\u00abA fome que nos diz respeito\u00bb <!--more--> N\u00f3s, um grupo de crist\u00e3os, que particip\u00e1mos na Marcha contra a Fome, fizemo-lo em primeiro lugar como cidad\u00e3os desta terra, juntando-nos a uma feliz iniciativa da sociedade civil para dar um sinal de rep\u00fadio pela fome que envergonha a Humanidade e para, ao mesmo tempo, fazer saber que essa realidade interpela n\u00e3o s\u00f3 os respons\u00e1veis pol\u00edticos pelos destinos dos povos como tamb\u00e9m cada indiv\u00edduo e assim cada um de n\u00f3s mesmos.  Nas \u00faltimas semanas t\u00eam sido diversas as chamadas de aten\u00e7\u00e3o para a crise alimentar que est\u00e1 a bater \u00e0 porta de muita gente. H\u00e1 um m\u00eas a Comiss\u00e3o Europeia deixou um alerta perante a an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o que a obrigou a rever de forma dram\u00e1tica as previs\u00f5es da subida dos pre\u00e7os dos alimentos em 2008. Na mesma altura o Secret\u00e1rio-Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas referiu-se ao assunto do aumento do pre\u00e7o dos alimentos como sendo um fen\u00f3meno global, como que um \u201ctsunami silencioso\u201d no pre\u00e7o dos alimentos. Este \u201dtsunami\u201d bater\u00e1 \u00e0 porta de todos, mas obviamente bater\u00e1 com mais viol\u00eancia e com consequ\u00eancias desastrosas junto daqueles que est\u00e3o mais desprotegidos e que s\u00e3o os pobres: a crise provocar\u00e1 seguramente a morte de milh\u00f5es de pessoas que j\u00e1 vivem abaixo do limiar da pobreza. A fome e a subnutri\u00e7\u00e3o que j\u00e1 provocam anualmente a morte de cerca de 6 milh\u00f5es de crian\u00e7as, v\u00e3o seguramente aumentar tragicamente este n\u00famero.  Tamb\u00e9m entre n\u00f3s falar de fome n\u00e3o \u00e9 uma moda. \u00c9 dar conta de uma triste realidade que vai afastando o sonho de uma sociedade justa e que vai provocando um sentimento generalizado de falta de esperan\u00e7a, como referia a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz  na mensagem da Quaresma do ano passado. A pobreza e as desigualdades sociais est\u00e3o a agravar-se a olhos vistos. Num relat\u00f3rio recente do Eurostat, Portugal aparece como o pa\u00eds com mais desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o de rendimentos na EU-25 e \u00e9 o \u00fanico que apresenta um desn\u00edvel entre pobres e ricos superior ao dos Estados Unidos. As causas s\u00e3o diversas e conhecidas. As subidas frequentes e repetidas do pre\u00e7o dos combust\u00edveis entre n\u00f3s s\u00e3o apenas uma manifesta\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno, que tem causas estruturais, bem como outras de ordem conjuntural que o explicam, mas que n\u00e3o o podem justificar. Por isso \u00e9 que os cidad\u00e3os e as cidad\u00e3s querem chamar a aten\u00e7\u00e3o dos seus governantes para que desempenhem a sua fun\u00e7\u00e3o de promotores e garantes da justi\u00e7a social.  Face aos desafios que se avizinham e \u00e0 agudiza\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o e lutas sociais, o Estado n\u00e3o pode ficar indiferente, mas tem de garantir o lugar devido aos mais fracos, sem os substituir, mas tamb\u00e9m sem permitir que sejam engolidos na voracidade da gan\u00e2ncia, do lucro e das leis de um mercado globalizado sem regras.  Por isso apelamos aos governantes para que promovam pol\u00edticas que possam corrigir o fosso que separa  ricos e pobres e que tenham em vista, n\u00e3o o que agrada aos grupos particulares, mas sim o que pode conduzir todos os cidad\u00e3os e cidad\u00e3s a uma situa\u00e7\u00e3o de aut\u00eantica cidadania, isto \u00e9, a condi\u00e7\u00e3o de pessoas livres e com meios indispens\u00e1veis para tomarem o destino das suas vidas nas pr\u00f3prias m\u00e3os. Deixar que continue a verificar-se o agravamento do pre\u00e7o dos alimentos essenciais, dos cuidados de sa\u00fade, dos transportes e do acesso a uma educa\u00e7\u00e3o efectiva s\u00f3 pode conduzir ao aprofundamento do fosso entre os muitos que t\u00eam pouco e os poucos que t\u00eam muito. E as consequ\u00eancias em termos de paz social s\u00f3 podem ser tr\u00e1gicas.  Porque falamos de um fen\u00f3meno que \u00e9 tamb\u00e9m global, o Estado n\u00e3o pode menosprezar o seu compromisso internacional no que se refere \u00e0 Ajuda P\u00fablica ao Desenvolvimento, na linha do primeiro dos Objectivos do Mil\u00e9nio e que consiste justamente em reduzir para metade a pobreza extrema. Tamb\u00e9m neste campo Portugal ocupa um triste lugar, uma vez que, segundo o relat\u00f3rio da OCDE juntamente com  o Reino Unido constituem os \u00fanicos pa\u00edses que baixaram a sua contribui\u00e7\u00e3o para a APD. Infelizmente quem n\u00e3o ajuda o vizinho tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 capaz de ajudar os que vivem dentro de casa. Os pa\u00edses desenvolvidos, no relacionamento com os pa\u00edses em desenvolvimento, devem substituir os gestos de esmola, as migalhas, por atitudes de justi\u00e7a, como declarou a Confer\u00eancia Europeia das Comiss\u00f5es Justi\u00e7a e Paz.    E porque o desequil\u00edbrio tamb\u00e9m come\u00e7a em cada um de n\u00f3s, perante o drama da fome distante ou pr\u00f3xima, queremos afirmar que n\u00e3o podemos fugir da nossa responsabilidade na produ\u00e7\u00e3o da riqueza necess\u00e1ria para poder ser distribu\u00edda e na pr\u00e1tica de um estilo de vida mais simples que evite o desperd\u00edcio que \u00e9 sempre um roubo aos mais necessitados e que tantas vezes n\u00e3o passa de uma inconsci\u00eancia ou de um f\u00fatil meio de ostenta\u00e7\u00e3o.   Como pessoas que encontram a sua inspira\u00e7\u00e3o de vida nos ensinamentos e nas obras do Senhor Jesus entendemos que Ele no sinal da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es nos quis mostrar que o milagre consiste na partilha do pouco que existe. A fome de todos poder\u00e1 ser saciada n\u00e3o pela abund\u00e2ncia e ostenta\u00e7\u00e3o, mas pela justi\u00e7a aliada \u00e0 partilha e \u00e0 simplicidade. H\u00e1 alimentos suficientes para alimentar toda a Humanidade durante quase meio s\u00e9culo; h\u00e1 fome porque n\u00e3o h\u00e1 partilha, nem de bens nem de oportunidades. H\u00e1 fome porque toleramos a exist\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es e leis injustas. Por isso os pequenos gestos de cada um para ir ao encontro deste grave problema podem ser um come\u00e7o de solu\u00e7\u00e3o.  <i>Manifesto de um grupo de participantes na Marcha contra a Fome,  convocados pela Caritas e pela Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz dos Religiosos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abA fome que nos diz respeito\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[154,193,261,266,91],"class_list":["post-32273","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-crianca","tag-educacao","tag-missoes","tag-nacoes-unidas","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32273\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}