{"id":32263,"date":"2008-06-02T11:57:13","date_gmt":"2008-06-02T11:57:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/06\/02\/com-maria-continuaremos-a-edificar-a-familia\/"},"modified":"2008-06-02T11:57:13","modified_gmt":"2008-06-02T11:57:13","slug":"com-maria-continuaremos-a-edificar-a-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/com-maria-continuaremos-a-edificar-a-familia\/","title":{"rendered":"Com Maria continuaremos a edificar a fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do  Arcebispo de Braga na Peregrina\u00e7\u00e3o ao Sameiro <!--more--> A nossa peregrina\u00e7\u00e3o Arquidiocesana est\u00e1 marcada, este ano, pelo encerramento do ciclo pastoral que dedicamos \u00e0 fam\u00edlia durante um per\u00edodo de tr\u00eas anos. \u00c9 natural que muitos se interroguem: E agora? A resposta \u00e9 imediata. Com Maria compreendemos que o projecto de Fam\u00edlias caracterizadas pelo modelo evang\u00e9lico continua a ser tarefa e encargo. Descobrimos algumas coordenadas. Importa concretizar e, com Maria a M\u00e3e da Fam\u00edlia de Nazar\u00e9, encontraremos o caminho adequado e a for\u00e7a para ultrapassar as poss\u00edveis dificuldades.  Ao aceitar a fam\u00edlia como um projecto j\u00e1 estamos a sublinhar a necessidade de lhe dedicar tempo. Ningu\u00e9m ignora que ela n\u00e3o est\u00e1 na soma dum conjunto de pessoas. Isto \u00e9 uma parcela que necessita de dedica\u00e7\u00e3o e tempo que as preocupa\u00e7\u00f5es laborais nem sempre permitem. Da\u00ed que, junto de Maria, queira recordar a necessidade dum descanso dominical para permitir este encontro de todos. Sabemos que a interrup\u00e7\u00e3o do trabalho n\u00e3o deve ser uma simples pausa semanal mas que deveria significar um espa\u00e7o de frui\u00e7\u00e3o conjunta e disponibilidade de todos para usufruir de momentos comuns de lazer e permitir a participa\u00e7\u00e3o em actividades culturais, desportivas e religiosas. Particular import\u00e2ncia pode merecer a dedica\u00e7\u00e3o e entrega a causas sociais que permitem que o amor familiar se intensifique e fortifique na aten\u00e7\u00e3o aos mais necessitados.  Sabemos que reservar este espa\u00e7o para a fam\u00edlia esta a ser amea\u00e7ado pelas chamadas \u201cculturas do consumo\u201d, exigindo trabalhar ao domingo como fen\u00f3meno crescente e em contra-corrente com o que acontece nos restantes pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia. Alguns trabalhos s\u00e3o necess\u00e1rios; outros seriam absolutamente dispens\u00e1veis e, sem eles, a qualidade de vida das pessoas e das fam\u00edlias seria totalmente diferente.  Reservar tempo para edificar a fam\u00edlia pode soar a ut\u00f3pico mas \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a estabilidade e felicidade familiar.  A fam\u00edlia necessita de tempo para si, de modo que o encontro seja realidade, o afecto encontre espa\u00e7o, o di\u00e1logo cres\u00e7a como caminho para ultrapassar as hipot\u00e9ticas crises, o perd\u00e3o coroe um relacionamento humano que necessariamente conta com as imperfei\u00e7\u00f5es e limita\u00e7\u00f5es. O ritmo fren\u00e9tico da vida hodierna parece tornar imposs\u00edvel esta exig\u00eancia. S\u00f3 que urge interrogar-se e perguntar, \u00e0 semelhan\u00e7a da primeira leitura, o que verdadeiramente se pretende: se \u00e9 maldi\u00e7\u00e3o ou a ben\u00e7\u00e3o, ou seja, a tristeza ou a alegria de viver.  Recentralizando o verdadeiro objectivo da vida humana consegue-se renunciar a produtos e experi\u00eancias sup\u00e9rfluas onde a felicidade f\u00e1cil \u00e9 prometida a pouco custo e imediatamente. S\u00f3 que com a \u00e2nsia do ter e a neurose de vida igual aos outros tudo se vaporiza e deixa o amargo da frustra\u00e7\u00e3o. Importa, por isso, dedicar tempo a construir a felicidade atrav\u00e9s dum amor com express\u00f5es atentas e inovadoras, duma ousadia de estar juntos sem muitas palavras, num di\u00e1logo amoroso com Deus, encontrado no sil\u00eancio da ora\u00e7\u00e3o pessoal ou familiar, dum alegre sentir-se comunidade dando-lhe o dom da presen\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel na vida.  Tempo para construir a fam\u00edlia \u00e9 sin\u00f3nimo de querer construir sobre a rocha para ter capacidade de ultrapassar as intemp\u00e9ries, o que acontece no reservar momentos para conhecer a Palavra e discernir caminhos de a colocar em pr\u00e1tica. Com a Palavra est\u00e1 conexa uma necessidade interior duma forma\u00e7\u00e3o permanente e abrangente. Permanente porque ocupa toda a vida; abrangente porque nada lhe \u00e9 estranho desde a sexualidade a viver e a ensinar, \u00e0 economia familiar a estruturar, \u00e0 doutrina eclesial duma riqueza impressionante quando se deseja penetrar nos seus conte\u00fados.  A ignor\u00e2ncia da doutrina, adquirida com estudo e reflex\u00e3o, \u00e9 causa de muito fracasso na vida matrimonial.  A fam\u00edlia necessita de tempo para se edificar atrav\u00e9s dum trabalho solid\u00e1rio de aten\u00e7\u00e3o aos problemas sociais e de ac\u00e7\u00e3o comprometida no encontrar solu\u00e7\u00f5es adequadas para a felicidade de todos. O amor aos outros e particularmente \u00e0queles pobres que n\u00e3o conseguem retribuir, alimenta e d\u00e1 consist\u00eancia ao amor entre os esposos e deste com os filhos. A insensibilidade e indiferen\u00e7a perante esc\u00e2ndalos gritantes duma sociedade dita evolu\u00edda transparece para o \u00e2mbito familiar e torna-o amorfo e sem vitalidade afectiva. Cresce-se no amor quando se d\u00e1 amor.  A fam\u00edlia necessita de tempo para participar, individualmente ou em grupos, na responsabilidade de construir uma Igreja renovada e uma sociedade mais humana. Impressiona a diminuta participa\u00e7\u00e3o nas causas do bem comum e na edifica\u00e7\u00e3o dum pa\u00eds como contributo de todos e nunca lamenta\u00e7\u00e3o vaga daquilo que uns poucos decidem desde que tenham a maioria. Para construir uma sociedade mais justa n\u00e3o basta participar nas elei\u00e7\u00f5es. Urge uma aten\u00e7\u00e3o permanente e vontade de manifestar que futuro queremos para o pa\u00eds.  Neste campo da fam\u00edlia a legisla\u00e7\u00e3o acontece, com intuitos claros nos legisladores e seguindo \u2013 quase sempre \u2013 imposi\u00e7\u00f5es de grupos minorit\u00e1rios, como uma voragem que parece colher as pessoas distra\u00eddas e incapazes de expressar a suas convic\u00e7\u00f5es. Para muitos basta referir que n\u00e3o podemos ser retr\u00f3grados e que o mundo moderno mudou e imp\u00f4s a seculariza\u00e7\u00e3o como nova aurora da felicidade. Tudo se aceita passivamente e n\u00e3o conseguimos reflectir com serenidade e afirmar os valores em que acreditamos.  Que fam\u00edlia queremos? Em que modelo acreditamos? N\u00e3o nos apercebemos do rumo que os acontecimentos est\u00e3o a tomar? A fam\u00edlia necessita de tempo para pensar e n\u00e3o se deixar levar. O futuro pertence a todos e s\u00f3 uma maior participa\u00e7\u00e3o impedir\u00e1 sempre no respeito por quem pensa diferente, uma imposi\u00e7\u00e3o de valores e crit\u00e9rios que nunca dever\u00edamos aceitar.  Continuando a minha reflex\u00e3o quero olhar para a par\u00f3quia para afirmar que ela necessita de dedicar tempo e energias \u00e0 fam\u00edlia. Vivemos num tempo de mudan\u00e7a \u00e9pocal. Pode parecer que a fam\u00edlia perdeu a capacidade de incidir nos seus membros. Penso, por\u00e9m, que urge dar centralidade \u00e0 fam\u00edlia para a partir dela encarar toda a pastoral. Se outrora era poss\u00edvel separar as dimens\u00f5es e diversificar os destinat\u00e1rios, ou seja, as crian\u00e7as na catequese, as pessoas isoladas na vida de ora\u00e7\u00e3o e sacramentos, casos concretos de pobreza ou de car\u00eancias. Hoje a fam\u00edlia \u00e9 destinat\u00e1rio fundamental. Daqui nasce a catequese, a liturgia, a ac\u00e7\u00e3o social e a vida comunit\u00e1ria.  Trata-se dum fazer pastoral diferente a exigir capacidade de inova\u00e7\u00e3o e vontade de investir as energias neste alvo preferencial. Da\u00ed a necessidade da par\u00f3quia dedicar tempo \u00e0 fam\u00edlia e, para isso, necessitamos de revigorar os movimentos familiares, os existentes e outros que poder\u00e3o existir num funcionamento de grupos de casais que se encontram para partilhar, escutar a Palavra e discernir caminhos de compromissos evang\u00e9licos.  Esta refer\u00eancia \u00e9, s\u00f3 e apenas, um alertar para uma mudan\u00e7a. Teremos de regressar aqui e trabalhar esta ideia, acreditando que o futuro da Igreja pode passar por aqui.   S\u00f3 fam\u00edlias evang\u00e9licas permitir\u00e3o comunidades verdadeiramente crist\u00e3s.  Concluindo o ciclo pastoral sobre a fam\u00edlia para continuar a edificar a mesma fam\u00edlia segundo o modelo de Nazar\u00e9 e na escola de Maria, gostaria de terminar com uma pequena ora\u00e7\u00e3o:  Maria, M\u00e3e da Fam\u00edlia de Nazar\u00e9, caminha connosco no trabalho de construir fam\u00edlias Novas. Concede-nos o dom de encontrar tempo para estar com Deus, com os membros da fam\u00edlia e com a nossa comunidade. D\u00e1-nos um alento mission\u00e1rio que se manifeste em op\u00e7\u00f5es coerentes com a f\u00e9 capazes de levar o modelo crist\u00e3o de fam\u00edlia a todos os lares. Ajuda-nos a ter coragem para intervir, com ousadia e serenidade, perante a onda que pretende fragilizar a estabilidade familiar e a unidade indissol\u00favel do amor.  Permite-nos a alegria de encontrar casais ap\u00f3stolos da pastoral familiar nas equipas paroquiais, arciprestais e diocesanas. Que os movimentos de casais cres\u00e7am em n\u00famero e qualidade e se integrem, sempre mais, numa pastoral diocesana. Maria que a unidade, dentro das fam\u00edlias e entre as fam\u00edlias, seja o testemunho que prometemos dar ao mundo moderno.  M\u00e3e, faz com que as fam\u00edlias se apaixonem por Deus e se encontrem com Cristo. Com esta certeza sabemos que continuaremos a caminhada rumo a uma felicidade est\u00e1vel e duradoura.  <i>\u2020 D. Jorge Ortiga, A.P.    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Arcebispo de Braga na Peregrina\u00e7\u00e3o ao Sameiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,154,172,191,206,246,294],"class_list":["post-32263","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-crianca","tag-diocese-de-braga","tag-economia","tag-familia","tag-liturgia","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32263"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32263\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}