{"id":322546,"date":"2024-04-22T09:53:51","date_gmt":"2024-04-22T08:53:51","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=322546"},"modified":"2024-04-22T11:47:21","modified_gmt":"2024-04-22T10:47:21","slug":"lusofonias-de-souanke-a-brazzaville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-de-souanke-a-brazzaville\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; De Souank\u00e9 a Brazzaville"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Brazzaville<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias.Souanke22424.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-322563 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias.Souanke22424-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias.Souanke22424-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias.Souanke22424-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias.Souanke22424-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias.Souanke22424-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias.Souanke22424.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 paisagens e h\u00e1 olhares que s\u00f3 podes gravar com o cora\u00e7\u00e3o\u2026Por isso, por mais que escreva, ningu\u00e9m vai sentir o que eu senti, viver o que eu vivi. Mas come\u00e7o com uma confiss\u00e3o:\u00a0 j\u00e1 n\u00e3o me apetece contar kms! S\u00e3o demais, mas felizmente que numerei os ossos antes de vir! Avancemos\u2026<\/p>\n<p>Souank\u00e9 \u00e9 uma Par\u00f3quia-Miss\u00e3o a 275 kms de Ouesso, quase na fronteira com os Camar\u00f5es. Os Espiritanos fundaram esta Miss\u00e3o em 1954, quando aqui viviam cerca de 17 mil bantos e 3 mil bakas (conhecidos por pigmeus). Houve muitos avan\u00e7os e recuos na presen\u00e7a mission\u00e1ria, com longas aus\u00eancias dos padres, o que mostra bem qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 a miss\u00e3o nestas paragens de floresta equatorial. A presen\u00e7a das Irm\u00e3s de S. Jos\u00e9 de Cluny tamb\u00e9m n\u00e3o foi duradoura.<\/p>\n<p>Recebido pelo P. Chatelain, espiritano que estudou em Angola, tive a oportunidade de visitar diversas comunidades, at\u00e9 40 kms de dist\u00e2ncia. Foi bom entrar nas povoa\u00e7\u00f5es, saudar as pessoas, rezar nas capelas, conversar com os crist\u00e3os que testemunham o Evangelho em contextos muito exigentes. Marcaram-me particularmente a visita \u00e0 povoa\u00e7\u00e3o de Cabosse (nascida na estrada que leva aos Camar\u00f5es, \u00e0 sombra de uma grande empresa de explora\u00e7\u00e3o florestal) e a uma comunidade baka, onde estive com as crian\u00e7as que j\u00e1 aceitam ir \u00e0 escola e com os l\u00edderes da aldeia. Tamb\u00e9m gostei muito da passagem por todas as salas de aula da Escola da Par\u00f3quia que tem cerca de 400 alunos. A celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia \u00e0s 6h da manh\u00e3 n\u00e3o tinha muito povo, sobretudo porque as chuvas s\u00e3o torrenciais e as pessoas n\u00e3o t\u00eam como deslocar-se. Repeti vezes sem conta o \u2018mbot\u00ea\u2019, que traduz a sauda\u00e7\u00e3o do \u2018bom dia\u2019 em lingala, l\u00edngua nacional.<\/p>\n<p>Complica\u00e7\u00f5es com transportes, impediram-me de fazer mais umas largas centenas de kms at\u00e9 Enyelle, na Diocese de Inpfondo, l\u00e1 onde vivem e trabalham dois Espiritanos. Assim, vieram eles at\u00e9 Ouesso, onde nos encontramos, numa esp\u00e9cie de meio de caminho entre Enyelle e Brazzaville! N\u00e3o foi a solu\u00e7\u00e3o ideal (gostava muito de l\u00e1 ter ido), mas foi o poss\u00edvel e, apesar de tudo, as pessoas valem mais que os caminhos e as terras. Foi um encontro emotivo, com a partilha de miss\u00f5es dif\u00edceis, com desafios a que \u00e9 preciso responder todos os dias. A dist\u00e2ncia e a pobreza complicam a vida mission\u00e1ria e h\u00e1 que dar valor \u00e1 coragem e \u00e1 f\u00e9 destes mission\u00e1rios e do povo com quem vivem. Pude assim, visitar bem a cidade de Ouesso, a maior de todo o norte do pa\u00eds, em franco desenvolvimento. Fui acolhido no Pa\u00e7o Episcopal onde, at\u00e9 h\u00e1 dois anos, o bispo era D. Yves Monot, Espiritano franc\u00eas, que imprimiu uma marca profunda nesta Igreja e neste povo. A visita e celebra\u00e7\u00e3o da Missa dominical na Catedral permitiram-me rezar com uma multid\u00e3o de pessoas e viver a festa que \u00e9 a assembleia dos crist\u00e3os semana ap\u00f3s semana. Ainda tenho os olhos cheios de beleza por ter ido at\u00e9 \u00e0s margens do enorme Rio Sangha, que d\u00e1 nome a toda uma regi\u00e3o do pa\u00eds. N\u00e3o tem ponte, mas \u00e9 atravessado por enormes cami\u00f5es, autocarros e viaturas ligeiras, atrav\u00e9s do famoso BAC, essa embarca\u00e7\u00e3o que faz o \u2018vai e vem\u2019 de uma margem para a outra, ligando o extremo norte do pa\u00eds ao restante Congo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias-Souanke2242024.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-322564 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias-Souanke2242024-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias-Souanke2242024-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias-Souanke2242024-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias-Souanke2242024-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias-Souanke2242024-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lusofonias-Souanke2242024.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Quase doze horas de estrada me levaram de volta a Brazzaville, num autocarro cheio de gente e de conversas cruzados, nada tendo a ver com o sil\u00eancio dos transportes p\u00fablicos na Europa. Aqui, todos conversam como se fossem amigos de longa data! E \u00e9 verdade que o tempo passa mais a correr, apesar da fraca qualidade das estradas.<\/p>\n<p>Na capital, visitei duas comunidades paroquiais confiadas aos Espiritanos: Massengo e Ouenze. H\u00e1 muita vida pastoral e muita gente nas celebra\u00e7\u00f5es e\u00a0 movimentos. E, claro, tive que visitar a Catedral e a hist\u00f3rica Bas\u00edlica de Sant\u2019Ana, que transpira hist\u00f3ria por todas as pedras\u2026E pude apreciar a beleza do largo Rio Congo, vendo do outro lado a enorme cidade de Kinshasa, capital do outro Congo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s reuni\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o com os respons\u00e1veis Espiritanos do Congo, s\u00f3 houve tempo para r\u00e1pidas fugas aos mercados populares e para alguns encontros protocolares. Como o tempo corre sempre em sentido contr\u00e1rio, tive que enfiar as roupas e os papeis na mala e rumar ao aeroporto para iniciar uma longa viagem de regresso \u00e0 Europa, cruzando a \u00c1frica at\u00e9 Adis Abeba (Eti\u00f3pia) e de l\u00e1 rumando a Madrid, via Roma.<\/p>\n<p>Agora \u00e9 tempo de digerir visitas muito densas e ricas, assentando bem os p\u00e9s no Cap\u00edtulo Espiritano de Espanha onde grandes desafios est\u00e3o em jogo.<\/p>\n<p>Terminou em grande esta Miss\u00e3o no equador africano. Exausto, mas feliz. Os pr\u00f3ximos tempos ter\u00e3o climas menos agressivos, mas n\u00e3o ser\u00e3o t\u00e3o desafiantes. Ou talvez me engane\u2026<\/p>\n<p><em>Tony Neves, em Brazzaville<\/em><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - De Souank\u00e9 a Brazzaville\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/4X0dm620yN1jikvv0fnebU?si=TgxWa-pWRzCTS9i3our6SQ&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Brazzaville<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":299394,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-322546","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=322546"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322546\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/299394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=322546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=322546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=322546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}