{"id":322507,"date":"2024-04-17T16:45:19","date_gmt":"2024-04-17T15:45:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=322507"},"modified":"2024-04-19T10:20:49","modified_gmt":"2024-04-19T09:20:49","slug":"igreja-25-de-abril-falta-de-escuta-entre-progressistas-e-conservadores-continuar-a-impedir-aplicacao-do-concilio-vaticano-ii-jose-antonio-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-25-de-abril-falta-de-escuta-entre-progressistas-e-conservadores-continuar-a-impedir-aplicacao-do-concilio-vaticano-ii-jose-antonio-santos\/","title":{"rendered":"Igreja\/25 de Abril: Falta de escuta entre progressistas e conservadores continuar a impedir \u00abaplica\u00e7\u00e3o\u00bb do Conc\u00edlio Vaticano II &#8211; Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Santos"},"content":{"rendered":"<p><em>Jornalista recorda movimentos juvenis como \u00abo espa\u00e7o de liberdade\u00bb que juntavam todos \u00abos homens de boa vontade\u00bb, <\/em><em style=\"font-size: 16px; font-weight: 400;\">a \u00abautenticidade\u00bb como marca dos assistentes espirituais e o p<\/em><em>apel \u00abn\u00e3o submisso\u00bb de D. Ant\u00f3nio Ribeiro perante o regime<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_322520\" aria-describedby=\"caption-attachment-322520\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jose-Antonio-Santos3.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-322520 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jose-Antonio-Santos3.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jose-Antonio-Santos3.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jose-Antonio-Santos3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jose-Antonio-Santos3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jose-Antonio-Santos3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jose-Antonio-Santos3-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jose-Antonio-Santos3-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-322520\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 17 abr 2024 (Ecclesia) \u2013 O jornalista Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Santos disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA faltar hoje a capacidade de escuta, lacuna que conduz \u00e0 rutura e impede que \u201cprogressistas e conservadores\u201d se juntem para \u201caplicar os documentos do Conc\u00edlio Vaticano II\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO \u2018n\u00f3s\u2019 que se sentia na rua no 1.\u00ba de Maio, em que o Evangelho estava na rua, ficou ref\u00e9m de quem n\u00e3o tem a capacidade de escuta. Sem a capacidade de nos escutarmos entramos em rutura\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Santos, hoje aposentado, fez grande parte do seu percurso no Di\u00e1rio de Not\u00edcias e, a 25 de abril de 1974, estava no jornal, na sec\u00e7\u00e3o dos correspondentes, tendo ficado ali retido at\u00e9 ao dia 1 de maio.<\/p>\n<p>Jovem, juntamente com a esposa, participou no grupo &#8216;Circulo Juvenil&#8217;, um grupo de jovens que se reuniam na igreja paroquial do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, em Lisboa, tendo como assistente o padre Albino Cleto, que viria a ser bispo auxiliar no patriarcado de Lisboa e em Coimbra.<\/p>\n<blockquote><p>N\u00f3s bebemos sofregamente os documentos do Conselho Vaticano II. Quando estudamos os documentos, quer\u00edamos p\u00f4-los em pr\u00e1tica. N\u00f3s \u00e9ramos contestat\u00e1rios porque o pr\u00f3prio movimento do Conc\u00edlio Vaticano II foi um movimento contestat\u00e1rio da Igreja do seu tempo. E foi t\u00e3o contestat\u00e1rio que a pr\u00f3pria Igreja depois n\u00e3o aplicou o Conc\u00edlio, a Igreja n\u00e3o estava preparada para acolher os ensinamentos do Vaticano II\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma entrevista por ocasi\u00e3o dos 25 anos no patriarcado de Lisboa, D. Ant\u00f3nio Ribeiro afirmava aos jornalistas Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Santos e Ricardo de Saavedra, que o Conc\u00edlio Vaticano II n\u00e3o tinha sido posto em pr\u00e1tica porque \u201cprogressistas e conservadores jogavam os documentos, uns contra os outros e n\u00e3o souberam ler e aplicar os documentos\u201d.<\/p>\n<p>O jornalista lamenta que hoje a situa\u00e7\u00e3o persista.<\/p>\n<p>Quando o Papa Jo\u00e3o XXIII convoca o Concilio Vaticano II e se dirige aos homens de \u2018boa vontade\u2019, os jovens sentem que a Igreja quer \u201cabrir os bra\u00e7os ao mundo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEstamos aqui dispostos a falar com todos. E a mensagem que temos para dar \u00e9 para fazer caminho com todos desde que tenham boa vontade e queiram vir connosco. N\u00e3o t\u00eam que pensar como n\u00f3s. Temos que nos encontrar e conversar. E conversando podemos caminhar juntos\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Santos recorda que n\u00e3o esperavam apoio \u201cexpl\u00edcito\u201d da hierarquia \u2013 \u201cN\u00e3o est\u00e1vamos \u00e0 espera que o bispo fosse um porta-estandarte das nossas lutas\u201d, recorda, porque o apoio dos assistentes dos movimentos juvenis ajudavam a fazer perceber que a exig\u00eancia da f\u00e9 que professavam se impunha na luta pela liberdade.<\/p>\n<p>\u201cAutenticidade \u00e9 uma palavra que era muito pr\u00f3pria da minha juventude e que agora se v\u00ea pouco. Autenticidade, revelada no pensar e no agir, que esteve na origem do gesto que levou a 106 subscritores escreverem ao N\u00fancio apost\u00f3lico a pedir que fosse D. Manuel Falc\u00e3o a substituir o cardeal Cerejeira \u00e0 frente do patriarcado de Lisboa\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Os movimentos eram o \u201clugar de liberdade\u201d, recorda o jornalista, um espa\u00e7o plural de questionamento e procura.<\/p>\n<blockquote><p>Muitas pessoas aderiram aos movimentos da Igreja porque encontravam a\u00ed um espa\u00e7o de liberdade. \u00c9 verdade. O espa\u00e7o onde eu me exprimi com muitos amigos e jovens da minha gera\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, essas pessoas n\u00e3o seriam o que foram se n\u00e3o tivessem esse espa\u00e7o, se n\u00e3o fossem moldadas nesse ambiente. Er um ambiente de questionamento, um ambiente de procura, um ambiente de busca, um ambiente de grande ansiedade pela verdade. O interesse era comum, o objetivo era comum. Portanto, cat\u00f3licos, comunistas, agn\u00f3sticos, extremistas, atuavam cada um ao seu jeito, mas com o objetivo comum que era, no fundo, liberta\u00e7\u00e3o dos povos coloniais, fim \u00e0 guerra colonial, democracia, liberdade\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Apesar da carta dos 106 signat\u00e1rios, foi D. Ant\u00f3nio Ribeiro que em 1971 substituiu o cardeal Cerejeira como patriarca de Lisboa, num pontificado que Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Santos indica \u201cfalar por si\u201d, pois evidenciou em mais de 25 anos uma capacidade intelectual de leitura dos tempos e de fazer pontes.<\/p>\n<p>O jornalista recorda o epis\u00f3dio em que o ent\u00e3o cardeal patriarca de Lisboa se encontrou com Marcelo Caetano, pedindo-lhe que se retratasse quanto \u00e0 exist\u00eancia do Massacre de Wiriyamu, em dezembro de 1972, que vitimou cerca de 400 pessoas, em Mo\u00e7ambique, e que o presidente do Conselho havia negado.<\/p>\n<p>\u201cD. Ant\u00f3nio Ribeiro pediu uma audi\u00eancia e perante as palavras de Marcelo que dizia que o Presidente do Conselho n\u00e3o se desmente, afirmou que os bispos portugueses poderiam escrever uma carta, para ser lida pelos p\u00e1rocos nas par\u00f3quias numa missa no domingo seguinte. Marcelo Caetano ficou enfurecido, disse que mandaria prender quem lesse as cartas e acabou abruptamente a reuni\u00e3o. \u00c0s vezes diz-se que a Igreja foi submissa e que andou de bra\u00e7o dado com o poder, mas com D. Ant\u00f3nio Ribeiro n\u00e3o foi assim\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Santos conta ainda que o patriarca de Lisboa foi redator de uma carta pastoral, por ocasi\u00e3o do 10.\u00ba anivers\u00e1rio da enc\u00edclica &#8216;Pacem in Terris&#8217; do Papa Jo\u00e3o XXIII, em 1973, onde fala da \u201cmiss\u00e3o e compet\u00eancia da Igreja, dos direitos humanos fundamentais, da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social, da participa\u00e7\u00e3o e pluralismo na vida pol\u00edtica&#8221;.<\/p>\n<p>\u201cOs documentos da Igreja n\u00e3o iam \u00e0 censura; se a carta tivesse sido \u00e0 censura muitos par\u00e1grafos do texto teriam sido proibidos mas os bispos tinham liberdade e os documentos da Confer\u00eancia Episcopal n\u00e3o eram sujeitos a exame pr\u00e9vio\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>A conversa com Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Santos pode ser acompanhada esta noite na Antena 1, pouco depois da meia-noite, ficando dispon\u00edvel no portal de informa\u00e7\u00e3o e no podcast \u00abAlarga a tua tenda\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalista recorda movimentos juvenis como \u00abo espa\u00e7o de liberdade\u00bb que juntavam todos \u00abos homens de boa vontade\u00bb, a \u00abautenticidade\u00bb como marca dos assistentes espirituais e o papel \u00abn\u00e3o submisso\u00bb de D. 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