{"id":322415,"date":"2024-04-16T17:04:04","date_gmt":"2024-04-16T16:04:04","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=322415"},"modified":"2024-04-16T17:04:04","modified_gmt":"2024-04-16T16:04:04","slug":"novas-e-antigas-formas-de-ofender-a-dignidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/novas-e-antigas-formas-de-ofender-a-dignidade\/","title":{"rendered":"Novas e antigas formas de ofender a dignidade"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00a0Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-321545\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Acaba de ser publicado um documento do Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9, que tem por t\u00edtulo \u201c<em>Dignitas Infinita<\/em>\u00a0sobre a dignidade humana\u201d. \u00a0Trata-se de um documento doutrinal que pretende esclarecer o conceito de dignidade, a sua progressiva emerg\u00eancia na \u00e9tica e na cultura, o papel da tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, teol\u00f3gica e eclesial na promo\u00e7\u00e3o da dignidade, as formas novas a antigas de viola\u00e7\u00e3o da dignidade.<\/p>\n<p>O que despertar\u00e1 mais interesse em quem l\u00ea o documento \u00e9 precisamente o quarto ponto que versa as novas formas de atentado contra o respeito pela dignidade do ser humano. A\u00ed encontramos coisas interessantes como sejam as novas formas de viol\u00eancia digital. Como se tem posto em evid\u00eancia as novas formas de aproxima\u00e7\u00e3o entre as pessoas, como a internet e as redes sociais, n\u00e3o apenas s\u00e3o meios de proximidade de comunica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m ocasionam solid\u00e3o, sofrimento e viol\u00eancia entre as pessoas. \u201cOs meios de comunica\u00e7\u00e3o digitais podem expor ao risco de depend\u00eancia, de isolamento e de progressiva perda de contato com a realidade concreta, obstaculizando o desenvolvimento de rela\u00e7\u00f5es interpessoais aut\u00eanticas. Novas formas de viol\u00eancia se difundem atrav\u00e9s das redes sociais, por exemplo o\u00a0<em>cyberbullying<\/em>; a\u00a0<em>web<\/em>\u00a0\u00e9 tamb\u00e9m um canal de difus\u00e3o da pornografia e de explora\u00e7\u00e3o das pessoas para fins sexuais ou atrav\u00e9s dos jogos de azar\u201d (n. 61). Trata-se de um mundo novo que j\u00e1 \u00e9 habilmente explorado no sentido de fazer cair as pessoas menos prevenidas em formas de vulnerabilidade \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e \u00e0 perda da dignidade que todos devem ao ser humano e que este deve a si mesmo, pois a sua dignidade \u00e9 inalien\u00e1vel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destas formas in\u00e9ditas na hist\u00f3ria, o documento assinala um conjunto de outras formas de atentado contra a dignidade humana: as teorias de g\u00e9nero, a mudan\u00e7a de sexo, a eutan\u00e1sia e o suic\u00eddio assistido, o descarte das pessoas deficientes, o aborto e a maternidade de substitui\u00e7\u00e3o. Esta pequena s\u00famula de mat\u00e9rias de bio\u00e9tica pretende fazer um alerta contra os caminhos legislativos menos pensados que as democracias avan\u00e7adas t\u00eam prop\u00f3sito de levar por diante, de forma bastante inconsiderada e n\u00e3o suficientemente reflectida. N\u00e3o obstante a oposi\u00e7\u00e3o a diversas pr\u00e1ticas neste cap\u00edtulo, \u201ca Igreja deseja, em primeiro lugar, \u00abreafirmar que cada pessoa, independentemente da pr\u00f3pria orienta\u00e7\u00e3o sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e acolhida com respeito, cuidando de evitar \u201ctoda marca de injusta discrimina\u00e7\u00e3o\u201d e particularmente toda forma de agress\u00e3o e viol\u00eancia\u201d (n. 55).<\/p>\n<p>Uma mat\u00e9ria particularmente sens\u00edvel \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es do Papa Francisco e a quest\u00e3o das pessoas migrantes, as ofensas \u00e0s pessoas que derivam da sua condi\u00e7\u00e3o de pobreza, as discrimina\u00e7\u00f5es de salariais e as viol\u00eancias contra a mulher. O tr\u00e1fico de pessoas, a indu\u00e7\u00e3o de gente pobre e de crian\u00e7as na explora\u00e7\u00e3o sexual s\u00e3o muito postas em evid\u00eancia.<\/p>\n<p>A parte inicial da \u201cDignitas Infinita\u201d \u00e9 consagrada \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o do fundamento te\u00f3rico da dignidade. Este ponto \u00e9 menos conseguido, dada a complexidade deste recurso. Sabemos como os modernos o usaram para expor o valor indispon\u00edvel do ser humano, nomeadamente o fil\u00f3sofo Kant, que o contrapunha \u00e0 categoria de pre\u00e7o: as coisas ou tem pre\u00e7o ou t\u00eam dignidade. As que t\u00eam dignidade n\u00e3o tem pre\u00e7o e as que t\u00eam pre\u00e7o n\u00e3o t\u00eam dignidade. Este recurso, por\u00e9m, nunca teve uma grande efic\u00e1cia para defender a dignidade humana nem encontrou uma recep\u00e7\u00e3o mundial, como \u00e9 sabido. A sua coloca\u00e7\u00e3o na base da proclama\u00e7\u00e3o dos \u201cDireito Humanos\u201d constitui o seu valor e o seu problema. Em dois ter\u00e7os do mundo, este caminho \u00e9 praticamente desconhecido. Uma das raz\u00f5es da menor efic\u00e1cia do tema da dignidade \u00e9 precisamente a sua hist\u00f3ria, pois no mundo antigo e medieval, as dignidades eram a forma de exprimir a diferen\u00e7a e a desigualdade entre os seres humanos.<\/p>\n<p>Como bem proclama o documento, foi a tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica que deu um conte\u00fado de universalidade ao reconhecimento do valor de todos os seres humanos e n\u00e3o apenas os que t\u00eam dignidade pelo seu nascimento e pela sua coloca\u00e7\u00e3o na hierarquia social.<\/p>\n<p>Trata-se, pois, de um pronunciamento que pretende fazer de tamp\u00e3o ao outro de h\u00e1 meses, \u201cFiducia supplicans\u201d, que tanta tinta fez correr, mas que tem mais virtualidade de fazer avan\u00e7ar eticamente a nossa cultura do que este.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":321545,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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