{"id":322174,"date":"2024-04-13T22:44:09","date_gmt":"2024-04-13T21:44:09","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=322174"},"modified":"2024-04-13T22:44:09","modified_gmt":"2024-04-13T21:44:09","slug":"ser-nos-a-roubada-a-alegre-experiencia-da-ressurreicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ser-nos-a-roubada-a-alegre-experiencia-da-ressurreicao\/","title":{"rendered":"Ser-nos-\u00e1 roubada a alegre experi\u00eancia da Ressurrei\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Padre Diamantino Alva\u00edde, Diocese de Lamego<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_322175\" aria-describedby=\"caption-attachment-322175\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-322175\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Padre-Diamantino-Alvaide-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Padre-Diamantino-Alvaide-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Padre-Diamantino-Alvaide-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Padre-Diamantino-Alvaide-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Padre-Diamantino-Alvaide-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Padre-Diamantino-Alvaide.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-322175\" class=\"wp-caption-text\">Foto Diocese de Lamego<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A cultura do nosso tempo e tempo da nossa cultura est\u00e3o prisioneiros de uma voragem tecnol\u00f3gica que, por um lado, assombrosamente nos fascina e, por outro, nos assusta tenebrosamente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Assistimos, em poucos anos, a avan\u00e7os estonteantes naquilo que \u00e9 a capacidade e a velocidade da realiza\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas opera\u00e7\u00f5es que as novas tecnologias realizam de forma perfeita. Basta pensarmos no poder, j\u00e1 hoje, da intelig\u00eancia artificial e nas previs\u00edveis \u2013 tanto quanto poss\u00edvel \u2013 transforma\u00e7\u00f5es que esta vai trazer \u00e0s mais elementares tarefas do nosso quotidiano.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas estes avan\u00e7os n\u00e3o t\u00eam implica\u00e7\u00f5es apenas no que temos e no que fazemos. T\u00eam tamb\u00e9m influ\u00eancia s\u00e9ria e consequ\u00eancias profundas naquilo que somos, e seremos, no que pensamos e no que sentimos, no que acreditamos e no que esperamos. Ou seja, estamos, ao longo destas semanas, imbu\u00eddos e embebidos na alegria inebriante da P\u00e1scoa. \u00c9 de tal ordem importante para n\u00f3s a Ressurrei\u00e7\u00e3o do autor da Vida, que nos arrogamos a prodigalidade de a celebrar durante 50 dias. Percebemos facilmente o significado que isso confere \u00e0 nossa exist\u00eancia. E temos no\u00e7\u00e3o que esta alegria s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 finitude da nossa condi\u00e7\u00e3o humana. Se fossemos imortais nunca gozar\u00edamos da eterna novidade do Ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como sabemos, os desmedidos e \u2013 se deixarmos \u2013 descontrolados avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e cient\u00edficos, que alimentam e fomentam as novas correntes ideol\u00f3gicas transumanistas, prometem-nos um prolongamento indefinido da vida terrena. Os defensores do transumanismo acreditam que, atrav\u00e9s das tecnologias emergentes, ser\u00e1 poss\u00edvel potenciar e elevar as nossas capacidades f\u00edsicas, intelectuais e psicol\u00f3gicas a um patamar p\u00f3s-humano, que nos tornem imunes aos efeitos do tempo, como s\u00e3o o envelhecimento e a morte. Isto significa que o ser humano alcan\u00e7aria a vit\u00f3ria definitiva sobre a morte no mais imediato presente, no aqui e no agora do espa\u00e7o e do tempo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esta \u00e9 uma realidade que contradiz cabalmente a nossa conce\u00e7\u00e3o de vida eterna. Embora alguns a possam confundir, e pensem a eternidade como o prolongamento ilimitado da nossa condi\u00e7\u00e3o humana horizontal, n\u00e3o \u00e9 disso que se trata. A vida eterna \u00e9 a vida de Deus e em Deus, que se alcan\u00e7a em plenitude depois do ocaso desta vida, atravessando a fronteira da morte. Da\u00ed a inaudita e inesgot\u00e1vel alegria da ressurrei\u00e7\u00e3o, que nos permite perceber que a morte n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesma, mas porta de um novo in\u00edcio sem fim.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Portanto, por absurdo que isto possa parecer aos olhos da cultura do nosso tempo, a morte apresenta-se-nos assim como uma das maiores necessidades da nossa vida. Precisamos irremediavelmente de sentir a conting\u00eancia da nossa exist\u00eancia, e as consequ\u00eancias disso mesmo, para que esta tenha verdadeiramente sentido. A este respeito, \u00e9 bastante eloquente a opini\u00e3o de alguns autores ao defenderem que \u00aba certeza de n\u00e3o dever morrer aniquilaria a vida, far-lhe-ia perder qualquer interesse ou atra\u00e7\u00e3o. Uma vida intramundana perp\u00e9tua deixaria de ser vida: viver\u00edamos como mortos, n\u00e3o agir\u00edamos mais. Porque fazer hoje, se o tempo \u00e9 inexaur\u00edvel? Um tempo inesgot\u00e1vel \u00e9 j\u00e1 um tempo esgotado\u00bb (R. Lucas Lucas, <em>Orizzonte verticale:<\/em><em> senso e significato della persona umana, <\/em>2007, pg. 67). \u00a0E ainda: \u00abSe tudo pudesse ser adiado at\u00e9 ao infinito, n\u00e3o teria sentido nenhum trabalhar duramente para concretizar quaisquer possibilidades e seria absurdo o simples sacrif\u00edcio de levantar-se logo pela manh\u00e3\u00bb (W. Schmid, <em>Serenit\u00e0. L\u2019arte di saper invecchiare, <\/em>2015, pg. 76).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em suma, estamos dispostos a arriscar a estabilidade de quase tudo do nosso dia a dia, em troca das surpreendentemente imprevis\u00edveis inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Mas n\u00e3o nos impe\u00e7am de morrer no tempo, para que n\u00e3o nos seja roubada a alegria de ressuscitar para eternidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Padre Diamantino Alva\u00edde<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Coordenador Diocesano de Pastoral<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Diamantino Alva\u00edde, Diocese de Lamego<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":322175,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[176],"class_list":["post-322174","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-diocese-de-lamego"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322174","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=322174"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322174\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/322175"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=322174"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=322174"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=322174"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}