{"id":32191,"date":"2008-05-29T10:45:55","date_gmt":"2008-05-29T10:45:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/29\/carta-para-o-dia-mundial-de-oracao-pela-santificacao-dos-sacerdotes\/"},"modified":"2008-05-29T10:45:55","modified_gmt":"2008-05-29T10:45:55","slug":"carta-para-o-dia-mundial-de-oracao-pela-santificacao-dos-sacerdotes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-para-o-dia-mundial-de-oracao-pela-santificacao-dos-sacerdotes\/","title":{"rendered":"Carta para o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pela Santifica\u00e7\u00e3o dos Sacerdotes"},"content":{"rendered":"<p>Reverendos e queridos irm\u00e3os no Sacerd\u00f3cio    Na Festa do Sant\u00edssimo Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, fixamos, com incessante ternura, o olhar da nossa mente e do nosso cora\u00e7\u00e3o em Cristo, \u00fanico Salvador das nossas exist\u00eancias e do Mundo. P\u00f4r-se em rela\u00e7\u00e3o com Cristo significa p\u00f4r-se em rela\u00e7\u00e3o com aquele Rosto que cada homem, conscientemente ou n\u00e3o, procura como \u00fanica resposta adequada \u00e0 pr\u00f3pria insuprim\u00edvel sede de felicidade.  Este Rosto, n\u00f3s encontr\u00e1mo-l\u2019O e, naquele dia, naquele momento, o Seu Amor feriu de tal modo o nosso cora\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o pudemos deixar de pedir incessantemente para estar na Sua Presen\u00e7a. \u201cPela manh\u00e3, Senhor, ouvis a minha voz, mal nasce o dia exponho o meu pedido e aguardo ansiosamente\u201d (Salmo 5).  A Sagrada Liturgia conduz-nos de novo e ainda a contemplar o Mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo, origem e realidade \u00edntima desta companhia que \u00e9 a Igreja: o Deus de Abra\u00e3o, de Isaac e de Jacob revela-Se em Jesus Cristo. \u201cNingu\u00e9m teria podido ver a Sua Gl\u00f3ria, se primeiro n\u00e3o tivesse sido curado da humildade da carne. Foste cegado pelo p\u00f3, e com o p\u00f3 foste curado: a carne tinha-te cegado, a carne cura-te\u201d (Santo Agostinho, Coment\u00e1rio ao Evangelho de Jo\u00e3o, Homilia 2, 16).  S\u00f3 olhando de novo para a perfeita e fascinante humanidade de Jesus Cristo, Vivo e actuante agora, que a n\u00f3s Se revelou e que agora se inclina ainda sobre cada um de n\u00f3s com aquele amor de total predilec\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, \u00e9 poss\u00edvel deixar que Ele ilumine e preencha o abismo de necessidade que \u00e9 a nossa humanidade, na certeza da Esperan\u00e7a encontrada, na certeza da Miseric\u00f3rdia que abra\u00e7a os nossos limites, ensinando-nos a perdoar tudo o que de n\u00f3s pr\u00f3prios n\u00e3o nos consegu\u00edamos sequer aperceber. \u201cO abismo chama outro abismo no fragor das vossas cataratas\u201d (Salmo 41).  Gostaria, por ocasi\u00e3o do habitual Dia de Ora\u00e7\u00e3o pela Santifica\u00e7\u00e3o dos Sacerdotes, que se celebra na Festa do Sant\u00edssimo Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, recordar a prioridade da ora\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ac\u00e7\u00e3o, porque dela depende a incisividade da ac\u00e7\u00e3o. Da rela\u00e7\u00e3o pessoal de cada um com o Senhor Jesus depende em grande medida a miss\u00e3o da Igreja. Portanto, a miss\u00e3o deve ser alimentada pela ora\u00e7\u00e3o: \u201cChegou o momento de reafirmar a import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o perante o activismo e a seculariza\u00e7\u00e3o dominante\u201d (Bento XVI, Deus caritas est, 37). N\u00e3o nos cansemos de haurir da Sua Miseric\u00f3rdia, de O deixar ver e curar as nossas chagas dolorosas do nosso pecado para ficarmos estupefactos diante do milagre, sempre novo, da nossa humanidade redimida.  Car\u00edssimos irm\u00e3os, sejamos peritos da Miseric\u00f3rdia de Deus em n\u00f3s e, s\u00f3 assim, seus instrumentos ao abra\u00e7ar, de modo sempre novo, a humanidade ferida. \u201cCristo n\u00e3o nos salva da nossa humanidade, mas atrav\u00e9s dela; n\u00e3o nos salva do mundo mas veio ao mundo para que o mundo seja salvo por Ele (cf. Jo 3, 17)\u201d (Bento XVI, Mensagem Urbi et Orbi, 25 de Dezembro de 2006). Por fim, somos presb\u00edteros pelo Acto mais nobre da Miseric\u00f3rdia de Deus e ao mesmo tempo da Sua predilec\u00e7\u00e3o, o Sacramento da Ordem.  Em segundo lugar, na insuprim\u00edvel e ardente sede d\u2019Ele, a dimens\u00e3o mais aut\u00eantica do nosso Sacerd\u00f3cio \u00e9 a s\u00faplica, a ora\u00e7\u00e3o simples e cont\u00ednua, que se aprende na ora\u00e7\u00e3o silenciosa; ela caracterizou sempre a vida dos Santos e deve ser pedida incessantemente. Esta consci\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o com Ele \u00e9 quotidianamente submetida \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o da prova. Todos os dias, de novo, nos apercebemos que este drama n\u00e3o \u00e9 poupado nem sequer a n\u00f3s, Ministros que agem in Persona Christi Capitis: n\u00e3o podemos viver um s\u00f3 momento na Sua presen\u00e7a, sem o doce anseio por reconhec\u00ea-l&#8217;O, conhec\u00ea-l\u2019O e aderir de novo a Ele. N\u00e3o cedamos \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de olhar para o nosso ser Sacerdotes como para um inevit\u00e1vel e indeleg\u00e1vel peso, j\u00e1 assumido, o qual se pode cumprir \u201cmecanicamente\u201d, at\u00e9 com um programa pastoral organizado e coerente. O Sacerd\u00f3cio \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o, o caminho, o modo atrav\u00e9s do qual Cristo nos salva, com o qual nos chamou, e nos chama agora, a viver com Ele.  A \u00fanica medida adequada, face \u00e0 nossa Santa Voca\u00e7\u00e3o, \u00e9 a radicalidade. Esta total dedica\u00e7\u00e3o, na consci\u00eancia da nossa infidelidade, s\u00f3 pode realizar-se como uma renovada e orante decis\u00e3o que, depois, Cristo realiza dia ap\u00f3s dia. O pr\u00f3prio dom do celibato sacerdotal deve ser acolhido e vivido nesta dimens\u00e3o de radicalidade e de total configura\u00e7\u00e3o com Cristo. Qualquer outra posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade da rela\u00e7\u00e3o com Ele corre o perigo de se tornar ideol\u00f3gica.  Tamb\u00e9m a quantidade, por vezes extraordinariamente grande, de trabalho que as condi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas de minist\u00e9rio exigem que enfrentemos, longe de nos desencorajar, deve estimular-nos a cuidar, com aten\u00e7\u00e3o ainda maior, a nossa identidade sacerdotal, a qual tem uma raiz irredutivelmente divina. Neste sentido, numa l\u00f3gica oposta \u00e0 do mundo, precisamente as particulares condi\u00e7\u00f5es do minist\u00e9rio, devem estimular-nos a \u201celevar a qualidade\u201d da nossa vida espiritual, testemunhando com mais convic\u00e7\u00e3o e efic\u00e1cia, a nossa perten\u00e7a exclusiva ao Senhor.  Para a total dedica\u00e7\u00e3o somos educados por Quem nos amou primeiro. \u201cFiz-me encontrar por quem n\u00e3o Me procurava. Disse: \u201cEis-me\u201d a quem n\u00e3o pronunciava o Meu Nome\u201d. O lugar da totalidade por excel\u00eancia \u00e9 a Eucaristia, porque: \u201cna Eucaristia Jesus n\u00e3o \u201cd\u00e1 algo\u201d mas d\u00e1-se a Si mesmo; Ele oferece o Seu Corpo e derrama o Seu Sangue. Desta forma doa a totalidade da Pr\u00f3pria exist\u00eancia, revelando a fonte origin\u00e1ria deste amor\u201d (Sacramentum caritatis, 7).  Sejamos fi\u00e9is, irm\u00e3os car\u00edssimos, \u00e0 Celebra\u00e7\u00e3o quotidiana da Sant\u00edssima Eucaristia, n\u00e3o s\u00f3 para cumprir uma tarefa pastoral ou uma exig\u00eancia da comunidade que nos est\u00e1 confiada, mas pela necessidade pessoal absoluta que dela sentimos, como de respirar, como da luz para a nossa vida, como a \u00fanica raz\u00e3o adequada para uma exist\u00eancia presbiteral completa.  O Santo Padre, na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal Sacramentum caritatis, reprop\u00f5e-nos com vigor a afirma\u00e7\u00e3o de Santo Agostinho: \u201cNingu\u00e9m come desta Carne sem primeiro ador\u00e1-l\u2019A; pecar\u00edamos se n\u00e3o a ador\u00e1ssemos\u201d (Santo Agostinho, Enarrationes in Psalmos 98, 9). N\u00e3o podemos viver, n\u00e3o podemos olhar para a verdade de n\u00f3s pr\u00f3prios, sem deixarmos que Cristo olhe para n\u00f3s e nos gere na Adora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica quotidiana, e o \u201cStabat\u201d de Maria, \u201cMulher Eucar\u00edstica\u201d, sob a Cruz de Seu Filho, \u00e9 o exemplo mais significativo que nos \u00e9 dado da contempla\u00e7\u00e3o e da adora\u00e7\u00e3o do Sacrif\u00edcio divino.  Assim como a missionariedade \u00e9 intr\u00ednseca \u00e0 pr\u00f3pria natureza da Igreja, tamb\u00e9m a nossa miss\u00e3o \u00e9 \u00ednsita na identidade sacerdotal, e portanto a urg\u00eancia mission\u00e1ria \u00e9 uma quest\u00e3o de consci\u00eancia de n\u00f3s pr\u00f3prios. A nossa identidade sacerdotal \u00e9 edificada e renovada dia ap\u00f3s dia no \u201ctempo transcorrido\u201d com nosso Senhor. A rela\u00e7\u00e3o com Ele, continuamente alimentada na ora\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua, tem como consequ\u00eancia imediata a necessidade de tornar part\u00edcipes dela quantos nos circundam. De facto, a santidade que pedimos quotidianamente, n\u00e3o pode ser concebida segundo uma est\u00e9ril e abstracta acep\u00e7\u00e3o individualista, mas \u00e9, necessariamente, a santidade de Cristo, a qual \u00e9 contagiosa para todos: \u201cO estar em comunh\u00e3o com Jesus Cristo compromete-nos no Seu \u201cser para todos\u201d, faz o nosso modo de ser\u201d (Bento XVI, Spe salvi, 28).  Este \u201cser para todos\u201d de Cristo realiza-se, para n\u00f3s, nos Tria Munera dos quais somos revestidos pela pr\u00f3pria natureza do Sacerd\u00f3cio. Eles constituem a integridade do nosso Minist\u00e9rio, n\u00e3o s\u00e3o o lugar da aliena\u00e7\u00e3o ou, pior ainda, de uma mera adapta\u00e7\u00e3o funcionalista da nossa pessoa, mas a express\u00e3o mais verdadeira do nosso ser de Cristo; s\u00e3o o lugar da rela\u00e7\u00e3o com Ele. Para que o Povo que nos est\u00e1 confiado seja por n\u00f3s educado, santificado e governado, n\u00e3o significa uma realidade que nos distrai da \u201cnossa vida\u201d mas \u00e9 o rosto de Cristo que quotidianamente contemplamos, como para o esposo o rosto da sua amada, como para Cristo a Igreja Sua Esposa. O Povo que nos est\u00e1 confiado \u00e9 o caminho imprescind\u00edvel para a nossa santidade, isto \u00e9, o caminho no qual Cristo manifesta a Gl\u00f3ria do Pai atrav\u00e9s de n\u00f3s.  \u201cSe a quem escandaliza um s\u00f3 e o mais pequenino conv\u00e9m que lhe seja atada ao pesco\u00e7o uma pedra de moinho e seja lan\u00e7ado no mar [&#8230;] ent\u00e3o aos que condenam [&#8230;] um povo inteiro o que devem sofrer e que castigo devem receber?\u201d (S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, De Sacerdotio VI, 1498). Face \u00e0 consci\u00eancia de t\u00e3o grave tarefa e a uma responsabilidade t\u00e3o grande para a nossa vida e salva\u00e7\u00e3o, na qual a fidelidade a Cristo coincide com a \u201cobedi\u00eancia\u201d \u00e0s exig\u00eancias ditadas pela reden\u00e7\u00e3o daquelas almas, n\u00e3o se deve minimamente duvidar da gra\u00e7a recebida. Podemos unicamente pedir para cedermos o mais poss\u00edvel ao Seu Amor, a fim de que Ele aja atrav\u00e9s de n\u00f3s, porque deixamos que Cristo salve o mundo agindo em n\u00f3s, ou ent\u00e3o corremos o risco de atrai\u00e7oar a pr\u00f3pria natureza da nossa voca\u00e7\u00e3o. A medida da dedica\u00e7\u00e3o, queridos irm\u00e3os, \u00e9 de novo e ainda a totalidade. \u201cCinco p\u00e3es e dois peixes\u201d n\u00e3o s\u00e3o muito, \u00e9 verdade, mas \u00e9 tudo! A Gra\u00e7a de Deus faz de toda a nossa insufici\u00eancia, a Comunh\u00e3o que sacia o Povo de Deus. Desta \u201ctotal dedica\u00e7\u00e3o\u201d participam especialmente os sacerdotes idosos ou doentes que, quotidianamente, exercem o minist\u00e9rio divino, unindo-se \u00e0 paix\u00e3o de Cristo e oferecendo a pr\u00f3pria exist\u00eancia presbiteral, para o verdadeiro bem da Igreja e para a salva\u00e7\u00e3o das almas.  Por fim, fundamento imprescind\u00edvel de toda a vida sacerdotal permanece a Santa M\u00e3e de Deus. A rela\u00e7\u00e3o com ela n\u00e3o pode limitar-se a uma pr\u00e1tica devocional piedosa mas deve ser alimentada pela entrega cont\u00ednua, nos bra\u00e7os da sempre Virgem, de toda a nossa vida, do nosso minist\u00e9rio na sua totalidade. Maria Sant\u00edssima reconduz-nos de novo tamb\u00e9m a n\u00f3s, como a Jo\u00e3o, aos p\u00e9s da Cruz do Seu Filho e nosso Senhor, para contemplar, com ela, o Amor infinito de Deus: \u201cVeio ao mundo a nossa Vida, a Vida verdadeira; assumiu a nossa morte para a vencer com a superabund\u00e2ncia da Sua Vida\u201d (Santo Agostinho, Confessiones X, 12).  Deus Pai escolheu, como condi\u00e7\u00e3o para a nossa reden\u00e7\u00e3o, para o cumprimento da nossa humanidade, para o Acontecimento da Encarna\u00e7\u00e3o do Filho, aguardar o \u201cFiat\u201d de uma Virgem perante o an\u00fancio do anjo. Cristo decidiu confiar, por assim dizer, a pr\u00f3pria Vida \u00e0 liberdade amorosa da M\u00e3e: \u201cCom o conceber Cristo, ger\u00e1-lo, aliment\u00e1-lo, apresent\u00e1-lo ao Pai no templo, sofrer com o seu Filho morto na Cruz, ela cooperou de modo totalmente especial para a obra do Salvador, com a obedi\u00eancia, a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade fervorosa, a fim de restabelecer a vida sobrenatural das almas. Por isso foi para n\u00f3s a m\u00e3e na ordem da gra\u00e7a\u201d (Lumen gentium, 61).  O Papa S\u00e3o Pio X afirmava: \u201cCada voca\u00e7\u00e3o sacerdotal vem do cora\u00e7\u00e3o de Deus, mas passa atrav\u00e9s do cora\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3e\u201d. Isto \u00e9 verdadeiro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 evidente maternidade biol\u00f3gica mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao \u201cparto\u201d de cada fidelidade \u00e0 Voca\u00e7\u00e3o de Cristo. N\u00e3o podemos prescindir de uma maternidade espiritual para a nossa vida sacerdotal: recomendemo-nos confiantes \u00e0 ora\u00e7\u00e3o de toda a Santa M\u00e3e Igreja, \u00e0 maternidade do Povo, do qual somos os pastores, mas ao qual est\u00e1 tamb\u00e9m confiada a nossa guarda e santidade; pe\u00e7amos este apoio fundamental.  Queridos irm\u00e3os, apresenta-se a urg\u00eancia de \u201cum movimento de ora\u00e7\u00e3o que ponha no centro a Adora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica cont\u00ednua, no espa\u00e7o das vinte e quatro horas, de forma que de todas as partes da terra se eleve sempre a Deus, uma ora\u00e7\u00e3o de adora\u00e7\u00e3o, de agradecimento, de louvor, de pedido e repara\u00e7\u00e3o, com a finalidade principal de suscitar um n\u00famero suficiente de santas voca\u00e7\u00f5es para o estado sacerdotal e, ao mesmo tempo, de acompanhar espiritualmente no n\u00edvel do Corpo M\u00edstico com uma esp\u00e9cie de maternidade espiritual quantos j\u00e1 foram chamados ao sacerd\u00f3cio ministerial e est\u00e3o ontologicamente conformados com o \u00fanico Sumo e Eterno Sacerdote, para que sirvam cada vez melhor a Ele e aos irm\u00e3os, como aqueles que, ao mesmo tempo, est\u00e3o \u201cna\u201d Igreja mas, tamb\u00e9m \u201cdiante\u201d da Igreja (cf. Jo\u00e3o Paulo II, Pastores dabo vobis, 16) fazendo as vezes de Cristo e, representando-o, como cabe\u00e7a, pastor e esposo da Igreja\u201d (cf. Carta da Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, 8 de Dezembro de 2007).  Delineia-se, por fim, uma ulterior forma de maternidade espiritual, que acompanhou sempre silenciosamente, na hist\u00f3ria da Igreja, a eleita pl\u00eaiade sacerdotal: trata-se da entrega concreta do nosso minist\u00e9rio a um rosto determinado, a uma alma consagrada, que seja chamada por Cristo e, portanto, escolha oferecer-se a si mesma, os sofrimentos necess\u00e1rios e as fadigas inevit\u00e1veis da vida, para interceder a favor da nossa exist\u00eancia sacerdotal, vivendo deste modo na doce presen\u00e7a de Cristo.  Tal maternidade, na qual se encarna o rosto amoroso de Maria, deve ser pedida na ora\u00e7\u00e3o, porque s\u00f3 Deus a pode suscitar e apoiar. N\u00e3o faltam exemplos admir\u00e1veis neste sentido; pensemos nas l\u00e1grimas ben\u00e9ficas de Santa M\u00f3nica pelo filho Agostinho, pelo qual chorou \u201cmais do que choram as m\u00e3es pela morte f\u00edsica dos filhos\u201d (Santo Agostinho, Confessiones III, 11). Outro exemplo fascinante \u00e9 o de Eliza Vaughan, a qual deu \u00e0 luz e confiou ao Senhor treze filhos; dos oito filhos todos foram sacerdotes, e das cinco filhas, quatro foram religiosas. Dado que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser verdadeiramente mendigo diante de Cristo, maravilhosamente escondido no Mist\u00e9rio Eucar\u00edstico, sem saber pedir concretamente a ajuda efectiva e a ora\u00e7\u00e3o que Ele coloca ao nosso lado, n\u00e3o tenhamos receio de nos confiarmos \u00e0 maternidade que, certamente, o Esp\u00edrito suscita para n\u00f3s. Santa Teresa do Menino Jesus, consciente da necessidade extrema de ora\u00e7\u00e3o por todos os sacerdotes, sobretudo pelos t\u00edbios, escreve numa carta dirigida \u00e0 irm\u00e3 Celina: \u201cVivamos para as almas, sejamos ap\u00f3stolas, salvemos sobretudo as almas dos sacerdotes [&#8230;]. Rezemos, soframos por eles e, no \u00faltimo dia, Jesus ser\u00e1 grato\u201d (Santa Teresa de Lisieux, Carta 94).  Confiemos \u00e0 intercess\u00e3o da Virgem Santa Rainha dos Ap\u00f3stolos, M\u00e3e dulc\u00edssima, olhando com Ela para Cristo, na cont\u00ednua tens\u00e3o para sermos total, radicalmente Seus; esta \u00e9 a nossa identidade!  Recordemos as palavras do Santo Cura d\u2019Ars, Padroeiro dos P\u00e1rocos: \u201cSe eu j\u00e1 tivesse um p\u00e9 no C\u00e9u e se me viessem dizer para voltar para a terra para trabalhar pela convers\u00e3o dos pecadores, voltaria de bom grado. E se para isto fosse necess\u00e1rio permanecer na terra at\u00e9 ao fim do mundo, levantando-me sempre \u00e0 meia-noite, e sofresse como sofro, estaria disposto a faz\u00ea-lo de cora\u00e7\u00e3o\u201d (Fr\u00e8re Athanase, Proc\u00e8s de l&#8217;Ordinaire, p. 993).  O Senhor guie e proteja todos e cada um, de modo especial os doentes e os que mais sofrem, na oferenda constante da nossa vida por amor.   <i>Cardeal Cl\u00e1udio Hummes e arcebispo Mauro Piacenza Prefeito e secret\u00e1rio da Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reverendos e queridos irm\u00e3os no Sacerd\u00f3cio Na Festa do Sant\u00edssimo Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, fixamos, com incessante ternura, o olhar da nossa mente e do nosso cora\u00e7\u00e3o em Cristo, \u00fanico Salvador das nossas exist\u00eancias e do Mundo. P\u00f4r-se em rela\u00e7\u00e3o com Cristo significa p\u00f4r-se em rela\u00e7\u00e3o com aquele Rosto que cada homem, conscientemente ou n\u00e3o, procura [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,168,221,237,246],"class_list":["post-32191","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-diocese-da-guarda","tag-historia-da-igreja","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32191"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32191\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}