{"id":32146,"date":"2008-05-27T11:33:54","date_gmt":"2008-05-27T11:33:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/27\/a-lingua-portuguesa-em-timor-leste\/"},"modified":"2008-05-27T11:33:54","modified_gmt":"2008-05-27T11:33:54","slug":"a-lingua-portuguesa-em-timor-leste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-lingua-portuguesa-em-timor-leste\/","title":{"rendered":"A L\u00edngua Portuguesa em Timor-Leste"},"content":{"rendered":"<p>A exist\u00eancia de 4 L\u00ednguas em Timor  \u00e9 enriquecedor e vantajoso. Pois cada L\u00edngua \u00e9 uma janela aberta para o Mundo. <!--more--> O contacto dos Portugueses com os Timorenses data de 1512, quando depois da Conquista de Malaca os navegadores lusos sulcavam os mares da Insul\u00edndia, em demanda de especiarias, cravo, noz moscada, canela e s\u00e2ndalo. Na altura, a l\u00edngua do com\u00e9rcio naquelas paragens era o Malaio. Por\u00e9m ao longo dos s\u00e9culos XVI e XVII, a l\u00edngua franca era o Portugu\u00eas. O ensino da l\u00edngua Portuguesa em Solar, Flores, Timor e Ilhas circunvizinhas, foi implementado, sobretudo, pelos mission\u00e1rios dominicanos. Pois nos finais do s\u00e9culo XVI fundaram um semin\u00e1rio menor em Solor para ensinar os meninos da Ilha a ler, contar. Nos princ\u00edpios do s\u00e9culo XVI, com a perda de Solar para os Holandeses, abriram outro semin\u00e1rio em Larantuca. Na Ilha de Timor, onde a presen\u00e7a dos dominicanos se fez sentir com maior intensidade, abriram-se escolas rudimentares nos reinos, junto das capelas e igrejas, que n\u00e3o eram sen\u00e3o barrac\u00f5es cobertos com colmos de palmeiras ou coqueiros ou de capim. Na segunda metade do s\u00e9culo XVIII, fundou-se o primeiro semin\u00e1rio em Oecusse, durante o governo do Bispo Frei Ant\u00f3nio de Castro (1738-42). Em 1747, abria-se um segundo semin\u00e1rio em Manatuto. N\u00e3o dispomos de relat\u00f3rios dos Frades, sobre o funcionamento, o programa de estudos, nem o n\u00famero de alunos e muito menos de sacerdotes formados, fruto daquelas duas institui\u00e7\u00f5es. Em 1769, por causa do cerco dos Topasses e da amea\u00e7a dos holandeses, a Pra\u00e7a de Lifau foi incendiada, e mudou-se a capital para D\u00edli. Presume-se que em D\u00edli, os dominicanos residentes na Pra\u00e7a de D\u00edli, tivessem fundado escolas. O certo \u00e9 que em 1772, o comandante de um navio franc\u00eas Fran\u00e7ois Etienne Rosely depois de ter visitado Lifau, D\u00edli e outras povoa\u00e7\u00f5es costeiras, fazia este coment\u00e1rio: \u201cQuase todos os chefes falam Portugu\u00eas e nos reinos vizinhos dos Portugueses \u00e9 a l\u00edngua geral (&#8230;). Conheci alguns muito sensatos, espirituais, engenhosos, sinceros e de boa f\u00e9, entre os quais um, muito versado na Hist\u00f3ria da Europa\u201d. Ao longo do s\u00e9culo IX, verificou-se a diminui\u00e7\u00e3o de mission\u00e1rios dominicanos. E isso teve consequ\u00eancia na ac\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e naturalmente do ensino do Portugu\u00eas. Entre os anos 1830 a1856, o primeiro padre Timorense, Frei Gregorio Maria Barreto dirigia uma escola rudimentar nos reinos de OeCuuse, Ambeno e Dili. Em 1863, o governador Afonso de Castro fundou ma escola r\u00e9gia em Dilui, destinada aos filhos dos Chefes e de outros principais. A direc\u00e7\u00e3o dessa escola foi entregue ao segundo padre Timorense, Jacob dos Reis e Cunha. O grande desenvolvimento das escolas das miss\u00f5es deu-se em 1878, quando o padre Ant\u00f3nio Joaquim de Medeiros, mais tarde Bispo de Macau, estabeleceu o programa da educa\u00e7\u00e3o da juventude timorense com a abertura de escolas rurais em Manatuto, Lacl\u00f3, Lacluta, Samoro, Oe-Cusse, Maubara, Baucau, etc. A instru\u00e7\u00e3o, a certa altura era t\u00e3o absorvente que os padres, dedicavam-se mais \u00e0s escolas do que \u00e0 missiona\u00e7\u00e3o. Essa situa\u00e7\u00e3o mudou tempestivamente com o governo do Bispo Dom Jos\u00e9 da Costa Nunes. Em 1924, fundou-se a escola de Prepara\u00e7\u00e3o de Professores-catequistas. Os timorenses que tinham sido aprovados nessa escola, e depois de serem nomeados professores, foram colocados em diversas esta\u00e7\u00f5es missio-n\u00e1rias, tornado-se agentes principais do ensino da L\u00edngua Portuguesa nas aldeias e no sucos. Em 1935, o Governo da Col\u00f3nia de Timor decidiu entregar o \u201censino prim\u00e1rio, agr\u00edcola, profissional \u00e0s Miss\u00f5es Cat\u00f3licas, sob a superintend\u00eancia do Governo da Col\u00f3nia\u201d (Portaria Oficial, n.\u00ba 14). Em 1936, fundou-se o Semin\u00e1rio Menor em Soibada, pelo padre Superior daquela Miss\u00e3o, Jaime Garcia Goulart. E em 1938, funda-se o primeiro liceu. Pode-se afirmar que em 1940, 4 % dos Timorenses falavam o Portugu\u00eas, isto \u00e9 os funcion\u00e1rios, os professores e os catequistas, os \u201cliurais\u201d e chefes, aqueles que tinham tirado a 3 \u00aa e a 4\u00aa classe em D\u00edli e no Col\u00e9gio de Soibada.  At\u00e9 \u00e0 invas\u00e3o das tropas estrangeiras, Australianos e Holandeses num primeiro momento, e depois, os Japoneses, o ensino ficou paralisado. Depois do Armist\u00edcio de 1945, e da retomada da soberania em Timor, retomou-se o ensino, reabrindo-se col\u00e9gios e escolas. Em 1960, com o major da Engenharia Themudo Barata, como Governador da Prov\u00edncia, assiste-se a um surto de escolas municipais. E em 1963, o Ex\u00e9rcito come\u00e7a a dedicar-se ao ensino, nas escolas dos sucos, escolas essas situadas nos lugares de mais dif\u00edcil acesso. At\u00e9 1970, havia no Timor Portugu\u00eas um Liceu (de D\u00edli), um Semin\u00e1rio Menor, onde se ministrava o ensino secund\u00e1rio, uma Escola de Enfermagem, uma Escola de Professores do Posto, uma Escola T\u00e9cnica, em D\u00edli, e em Fatumaca, uma Escola Elementar de Agricultura. Nessa \u00e9poca havia em Timor 311 escolas prim\u00e1rias, com 637 professores e 34.000 alunos. At\u00e9 1975, data da invas\u00e3o pela Indon\u00e9sia do territ\u00f3rio de Timor, apenas 20% dos Timorenses falavam correcta e correntemente o Portugu\u00eas. Como se explica esta situa\u00e7\u00e3o? V\u00e1rios factores: a dist\u00e2ncia (20 mil quil\u00f3metros da Metr\u00f3pole); reduzido or\u00e7amento destinado ao ensino e instru\u00e7\u00e3o; reduzido n\u00famero de professores; a falta de interesse da maioria de fam\u00edlias (agricultores); s\u00f3 dois seman\u00e1rios ( A Voz de Timor e a Prov\u00edncia de Timor), um quinzen\u00e1rio, a Seara (propriedade da Diocese de D\u00edli); apenas 2 emissoras. Tudo isso pouco contribuiu para a difus\u00e3o da L\u00edngua. A exist\u00eancia de 21 l\u00ednguas ou dialectos, o que permitas aos falantes, usarem o Portugu\u00eas, s\u00f3 no \u00e2mbito da escola ou nos actos oficiais. O per\u00edodo da ocupa\u00e7\u00e3o indon\u00e9sia (1976-1999). O ensino da L\u00edngua portuguesa foi banido e proibido em todo o Territ\u00f3rio, excep\u00e7\u00e3o feita ao Externato de S\u00e3o Jos\u00e9. A Diocese de Dilui, contudo, publicava os seus documentos (quer da C\u00e2mara Eclesi\u00e1stica ou do pa\u00e7o episcopal) em Portugu\u00eas. A guerrilha comunicava-se em Portugu\u00eas. Nalgumas reparti\u00e7\u00f5es do Estado, poucos timorenses, informalmente comunicam-se em Portugu\u00eas. Houve casos em que um outro jovem foi esbofeteado por saudar o mission\u00e1rio com um \u201cBom-dia, senhor padre!\u201d. Hoje, embora o Portugu\u00eas seja considerado a L\u00edngua oficial de Timor, a par do Tetum, (art. 13 da Constitui\u00e7\u00e3o de RDTL), a sua implementa\u00e7\u00e3o depara-se com grandes obst\u00e1culos. H\u00e1 sectores da sociedade timorense que s\u00e3o contra o uso da L\u00edngua Portuguesa; as l\u00ednguas nacionais(21) e l\u00ednguas estrangeiras (O Bahasa e Indonesia e o Ingl\u00eas) s\u00e3o fortes concorrentes do Portugu\u00eas. O timorense, \u00e0s vezes, recorre-se ao uso do idioma mais f\u00e1cil para a comunica\u00e7\u00e3o (Tetum, Bahasa, Ingl\u00eas). Exist\u00eancia de insuficiente n\u00famero de professores, de livros, de jornais e de r\u00e1dios e da televis\u00e3o. Ainda n\u00e3o est\u00e1 generalizado o costume de leitura entre os j\u00e1 \u201calfabetizados\u201d, sobretudo, leitura de livros, especialmente os da Literatura. Desafios: continuar a apostar no ensino e na pr\u00e1tica da L\u00edngua Portuguesa. Para isso, exige-se maior empenhamento dos governantes; maior distribui\u00e7\u00e3o de livros e de outro material, maior implanta\u00e7\u00e3o da r\u00e1dio e da televis\u00e3o nos Distritos e Sub-distritos. Daqui, a necessidade de coopera\u00e7\u00e3o de todos os Pa\u00edses da CPLP. Num mundo globalizado, o actual panorama da exist\u00eancia de 4 L\u00ednguas em Timor (Tetum, Portugu\u00eas, Ingl\u00eas e Bahasa Indon\u00e9sia), \u00e9 enriquecedor e vantajoso. Pois cada L\u00edngua \u00e9 uma janela aberta para o Mundo. Por outro lado est\u00e1 o orgulho da preserva\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade nacional. E aqui vale a mensagem do Poeta: \u201cA minha P\u00e1tria \u00e9 a minha l\u00edngua\u201d (Fernando Pessoa). <i>D. Carlos Filipe Ximenes Belo Bispo Em\u00e9rito de D\u00edli<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exist\u00eancia de 4 L\u00ednguas em Timor \u00e9 enriquecedor e vantajoso. 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