{"id":32077,"date":"2008-05-23T10:54:46","date_gmt":"2008-05-23T10:54:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/23\/corpo-de-deus-como-comunhao-de-vida-com-os-necessitados\/"},"modified":"2008-05-23T10:54:46","modified_gmt":"2008-05-23T10:54:46","slug":"corpo-de-deus-como-comunhao-de-vida-com-os-necessitados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/corpo-de-deus-como-comunhao-de-vida-com-os-necessitados\/","title":{"rendered":"Corpo de Deus &#8211; como comunh\u00e3o de vida com os necessitados"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Senhor Arcebispo na Solenidade do Corpo de Deus <!--more--> Na hist\u00f3ria da Igreja primitiva a Eucaristia congregava os crist\u00e3os dispersos e a viver a f\u00e9, em contextos dif\u00edceis. N\u00e3o se tratava do mero cumprimento dum preceito. Era uma necessidade interior, vivida em participa\u00e7\u00e3o alegre e activa, que se tornava coragem para encarar as adversidades oriundas de todos os lados. Nem sempre eram compreendidos pelos familiares mas preservavam o tesouro da f\u00e9 em fidelidade quotidiana; as autoridades constitu\u00eddas alternavam momentos de tranquilidade com persegui\u00e7\u00f5es generalizadas.  N\u00e3o comparamos as \u00e9pocas. Importa, por\u00e9m, readquirir o amor que os crist\u00e3os da Igreja Primitiva nutriam pela Eucaristia. N\u00e3o conseguiam passar sem respeitar o domingo e, neste, a Eucaristia como alicerce da f\u00e9 e for\u00e7a para encarar as variadas hostilidades. Continuamos a viver um momento de tranquilidade e a f\u00e9 n\u00e3o nos incomoda porque a esquecemos no mundo das convic\u00e7\u00f5es \u00edntimas. Quando a colocarmos no \u00e2mago da vida, verificaremos como provocar\u00e1 reac\u00e7\u00f5es da mais variada ordem. Com op\u00e7\u00f5es de coer\u00eancia provocaremos hostilidades mas estaremos a crescer criando as condi\u00e7\u00f5es para marcar a hist\u00f3ria com um contributo positivo.  Quando a Eucaristia n\u00e3o \u00e9 um momento mas encerra a vida e motiva para uma vida de compromisso com a sociedade, n\u00e3o conseguiremos passar sem ela. Ainda continuamos no rito frio da assist\u00eancia, na rotina dos h\u00e1bitos adquiridos. Necessitamos dum urgente trabalho sobre o essencial da Eucaristia nunca esquecendo que, se durante este ano procuramos interpretar a fam\u00edlia como dom e compromisso, a Eucaristia \u00e9 dom a acolher, mas desenvolve-se ao ritmo do compromisso permitindo que provoque frutos na vida.   Duma maneira sint\u00e9tica podemos dizer que a comunh\u00e3o Eucaristica deve provocar dois frutos:   &#8211; pela Eucaristia teremos de nos unir mais a Cristo (\u201cQuem como a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele&#8230; Eu vivo pelo Pai, tamb\u00e9m o que me come viver\u00e1 por mim\u201d Jo 6, 56-57);   &#8211; em simult\u00e2neo, crescer na fraternidade eclesial enquanto desejo de celebrar a Eucaristia com todos os crist\u00e3os e com vontade de imitar Cristo na sua entrega pelos outros, particularmente em favor dos pobres (\u201cUma vez que h\u00e1 um \u00fanico p\u00e3o, n\u00f3s, embora muitos, somos um s\u00f3 corpo\u201d 1 Cor 10, 17).  Quero fixar-me nestas duas atitudes.  <b>1 \u2013 O desejo de celebrar a Eucaristia com todos.<\/b> No quotidiano das comunidades verificamos que muitos abandonam a frequ\u00eancia dominical ou deixam a Eucaristia por qualquer motivo. Uns s\u00f3 ocasionalmente participam e outros abandonam continuando a considerar-se crist\u00e3os.  O desejo de celebrar d\u00e1 uma responsabilidade particular \u00e0queles que s\u00e3o fieis a este preceito da Igreja. Com efeito, o modo de participar e viver cria um ambiente de comunidade que contagia e faz com que n\u00e3o se consiga viver sem este encontro com os irm\u00e3os. A\u00ed se saboreiam a paz e a serenidade e n\u00e3o meramente o rito sem beleza e encanto.  Com este empenho de todos, os mais ou menos indiferentes a isto que deveria ser obriga\u00e7\u00e3o intima, come\u00e7ar\u00e3o a ver que vale a pena. Isto \u00e9 fundamental e desafiante, ou seja, as Eucaristias devem ter elas pr\u00f3prias uma fisionomia atractiva e nunca de instintiva repulsa como quem entra num local gerador de indiferen\u00e7a, de \u201ctanto faz\u201d. Cristo atra\u00eda multid\u00f5es e estas com Ele n\u00e3o O queriam abandonar. Sentiam-se bem.  Que faltar\u00e1 \u00e0s nossas celebra\u00e7\u00f5es para que provoquem desejo de estar? Que dizem ou oferecem? N\u00e3o ser\u00e1 que j\u00e1 nos resignamos ao facto de muitos n\u00e3o participarem? Onde est\u00e1 a \u00edndole mission\u00e1ria das nossas celebra\u00e7\u00f5es? Continuaremos a assistir \u00e0 debandada?   <b>2 \u2013 Imitar Cristo na entrega<\/b> A Eucaristia tem um tempo de dura\u00e7\u00e3o mas projecta para toda a vida, dando-lhe um estilo e uma caracter\u00edstica peculiar. S\u00f3 \u00e9 \u201cac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as\u201d a Deus quando se torna \u201cmissa\u201d, ou seja, ac\u00e7\u00e3o de enviar para viver.  A sociedade moderna protagoniza um continuo alhear-se \u00e0 vida dos outros. A individualiza\u00e7\u00e3o crescente n\u00e3o provoca rela\u00e7\u00e3o nem interc\u00e2mbio de dons. O crist\u00e3o, vivendo neste mundo, deve operar em sentido totalmente diverso.  Da\u00ed o imperativo da paternidade eclesial e humana. A comunh\u00e3o Eucaristica completa-se na comunh\u00e3o com o mundo e seus problemas e dramas. Ningu\u00e9m se deveria sentir digno da comunh\u00e3o de Cristo, que n\u00e3o v\u00ea numa h\u00f3stia, sem a experi\u00eancia permanente de comungar a vida daqueles com quem se encontra. As ocupa\u00e7\u00f5es e trabalhos n\u00e3o desculpam o n\u00e3o ver certas situa\u00e7\u00f5es.  A comungar a vida toda e de todos, teremos, nos tempos que correm, de tomar consci\u00eancia do cen\u00e1rio de pobreza que convive connosco. S\u00f3 a entrega da nossa solicitude e a partilha dos dons recebidos nos coloca na din\u00e2mica da Eucaristia.  Como comunidade, teremos de regressar ao esp\u00edrito da Igreja primitiva onde a comunidade conhecia com verdade, os nomes e a situa\u00e7\u00e3o dos carenciados. As comunidades inscreviam os seus pobres que consideravam \u201cmatriculados\u201d no registo dos que t\u00eam direito a receber. Hoje as nossas comunidades devem conhecer a real situa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e n\u00e3o partir do pressuposto de que nada lhes falta. N\u00e3o basta falar de pobreza; urge descobrir o seu rosto e limpar esta p\u00e1gina vergonhosa duma sociedade que se diz evolu\u00edda e permite que muitos vivam abaixo do n\u00edvel duma vida digna.  Se a comunidade deve acordar para esta comunh\u00e3o efectiva com todos, as pessoas s\u00e3o as interpretes desta onda de solidariedade. H\u00e1 coisas pequenas que n\u00e3o custam nada e carregam um valor incalcul\u00e1vel que importa viver. A participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia coloca os crist\u00e3os em atitude de ver com olhos de Cristo e agir com cora\u00e7\u00e3o solid\u00e1rio e comprometido. A verdadeira viv\u00eancia da Eucaristia nota-se nas atitudes que solicitam muita aten\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o. A Eucaristia deve ver-se no modo como falamos e agimos com e a favor dos outros. necessitamos de \u201cmostrar\u201d a Eucaristia. S\u00f3 vendo muitos sentir\u00e3o a necessidade dela. Da\u00ed que teremos de estar atentos a muitos que abandonaram a frequ\u00eancia. Mas, mais importante ainda, \u00e9 que reconhe\u00e7am por eles pr\u00f3prios o mal que fazem perante a maneira alegre e feliz, comprometida e solid\u00e1ria, daqueles que habitualmente participam nas celebra\u00e7\u00f5es.  Concluindo, direi que a Eucaristia como comunh\u00e3o ter\u00e1 de significar uma aten\u00e7\u00e3o nova aos novos problemas para que a Igreja percorra os caminhos da humanidade, realizando a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres atrav\u00e9s dum servi\u00e7o organizado ou espont\u00e2neo. Sempre e Igreja esteve nesses terrenos onde a humanidade \u00e9 desconsiderada; hoje o imperativo \u00e9 mais acutilante. O an\u00fancio do Amor de Deus ou de Deus como amor s\u00f3 tem esta hip\u00f3tese. Tudo o resto s\u00e3o discursos desprovidos de conte\u00fado e que distraem do essencial crist\u00e3o. Que a Eucaristia que celebramos nos fa\u00e7a descobrir esta presen\u00e7a de Cristo em tudo e, particularmente na pobreza.  S\u00e9 Catedral, 22-05-08  \u2020 D. Jorge Ortiga, A.P.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Senhor Arcebispo na Solenidade do Corpo de Deus<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[206,221,314],"class_list":["post-32077","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-familia","tag-historia-da-igreja","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32077","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32077"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32077\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}