{"id":32065,"date":"2008-05-21T15:12:17","date_gmt":"2008-05-21T15:12:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/21\/corpo-de-deus\/"},"modified":"2008-05-21T15:12:17","modified_gmt":"2008-05-21T15:12:17","slug":"corpo-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/corpo-de-deus\/","title":{"rendered":"Corpo de Deus"},"content":{"rendered":"<p>A solenidade conhecida pelo nome de Corpus Christi (em Portugal designada Corpo de Deus) ou do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo, s\u00f3 ganha lugar de relevo na Liturgia em 1246, quando o bispo de Li\u00e8ge (B\u00e9lgica) instituiu a festa, na sua diocese. Esta primeira \u201cfesta oficial\u201d do Corpus Christi surge em consequ\u00eancia das revela\u00e7\u00f5es recebidas pela Beata Juliana de Retinne. Pela bula Transiturus (1264), o Papa Urbano IV (que antes fora bispo de Li\u00e8ge) estendeu a festa a toda a Igreja, como solenidade de adora\u00e7\u00e3o da Sagrada Eucaristia.  A solenidade do Corpus Christi j\u00e1 era celebrada em Portugal no s\u00e9culo XIII, desde o reinado de D. Afonso III. Era, \u00e0 \u00e9poca, uma festa de adora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o envolvendo a prociss\u00e3o pelas ruas.   O rito da prociss\u00e3o foi institu\u00eddo pelo Papa Jo\u00e3o XXII (1317). Na igreja dos M\u00e1rtires, em Lisboa, manteve-se, no decurso dos s\u00e9culos (e apesar das inova\u00e7\u00f5es havidas), o rito da festa com exposi\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo, Prociss\u00e3o, V\u00e9speras solenes e Serm\u00e3o.   As C\u00e2maras Municipais e as Corpora\u00e7\u00f5es de Artes e Of\u00edcios acolheram a devota iniciativa, pelo que, a breve trecho, a Prociss\u00e3o veio a tornar-se a mais vistosa e interessante de todas, merecendo o t\u00edtulo de \u201cProciss\u00e3o das Prociss\u00f5es\u201d.   Constitu\u00edda por cortejo c\u00edvico e corporativo, com carros aleg\u00f3ricos, figuras pitorescas, dan\u00e7as, momices e cenas de autos sacramentais, a prociss\u00e3o demorava horas a caminhar, vindo a constituir tanto um evento religioso como um evento social.  As C\u00e2maras, determinando instru\u00e7\u00f5es r\u00e9gias, publicaram Regimentos ou regulamentos da Prociss\u00e3o, indicando os usos e os costumes, os modos de vestir, as obriga\u00e7\u00f5es de cada Corpora\u00e7\u00e3o, as dan\u00e7as (entre elas a judenga, ou dan\u00e7a dos judeus), as bandeiras e pend\u00f5es, as coreografias (anjinhos, folias, figuras sacras&#8230;) e o lugar do Clero. Raras foram as sedes concelhias que n\u00e3o tiveram Regimento da Festa, mas as mem\u00f3rias mais expressivas acerca da Prociss\u00e3o ficaram em Coimbra, no Porto e em Lisboa.  Celebrada em Lisboa, a festa do Corpo de Deus incluiu a Prociss\u00e3o, pela primeira vez, em 1389. Eram os tempos da consolida\u00e7\u00e3o da autonomia face a Castela e do bom ambiente criado pelas vit\u00f3rias b\u00e9licas de Nuno \u00c1lvares e da influ\u00eancia cultural brit\u00e2nica (a ponto de S. Jorge &#8211; devo\u00e7\u00e3o inglesa, vencedor do Mal, do Drag\u00e3o &#8211; ser considerado Padroeiro de Portugal).  Por isso, \u00e0 solenidade do Corpus Christi juntou-se a festa de S. Jorge. Desta jun\u00e7\u00e3o, resultou a magnific\u00eancia da Prociss\u00e3o da capital. A festa chegou a atingir surpreendente grandiosidade no tempo de D. Jo\u00e3o V, incorporando a Prociss\u00e3o incorporava, desde logo, as associa\u00e7\u00f5es socioprofissionais e tamb\u00e9m as delega\u00e7\u00f5es das diversas Ordens Religiosas de Lisboa (Agostinhos, Beneditinos, Dominicanos, Franciscanos, Ordem de Cristo&#8230;) e militares. No cortejo, avultava a figura de S. Jorge a cavalo e a Serpe, ou drag\u00e3o infernal (do tipo chin\u00eas, locomovido por figurantes), contra o qual S. Jorge lutava.   Havia paragens para representa\u00e7\u00e3o das famas ou gl\u00f3rias de S. Jorge; e tamb\u00e9m para uma s\u00e9rie de dan\u00e7as. Representavam-se ainda as tradicionais \u201cesta\u00e7\u00f5es\u201d do Sant\u00edssimo, como hoje ainda se faz na prociss\u00e3o de Sevilha.   No final do cortejo, vinha o p\u00e1lio, a cujas varas pegavam os mais altos dignit\u00e1rios da Corte e da C\u00e2mara, sempre representada por toda a Verea\u00e7\u00e3o. Sob o palio, deslocava-se o Bispo de Lisboa, ostentando a cust\u00f3dia com o Sant\u00edssimo Sacramento. Era ladeado pelo Rei, ou Chefe de Estado, ou dignit\u00e1rio similar.   Dado curioso a salientar \u00e9 o da tenta\u00e7\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o de atentados contra as figuras r\u00e9gias, durante a prociss\u00e3o do \u201cCorpus Christi\u201d. Um deles, contra a pessoa de D. Jo\u00e3o IV. Sobrevivendo o monarca ao acto, a sua esposa (D. Lu\u00edsa de Gusm\u00e3o) promoveu a constru\u00e7\u00e3o do Convento dos Carmelitas, na Baixa Lisboeta. Edificado no exacto lugar do falhado crime, foi chamado do \u201cCorpus Christi\u201d. Outro atentado famoso deu-se contra D. Manuel II, perto da Igreja da Vit\u00f3ria, quando a prociss\u00e3o passava na rua do Ouro.  Mas a legisla\u00e7\u00e3o de 1910, proibindo os dias santos da Igreja (excepto o Natal e o dia 1 de Janeiro), interrompeu o culto p\u00fablico, embora, nas igrejas, continuassem a ser celebradas missas solenes e solenes pontificiais nas S\u00e9s.   <i>Patriarcado de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A solenidade conhecida pelo nome de Corpus Christi (em Portugal designada Corpo de Deus) ou do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo, s\u00f3 ganha lugar de relevo na Liturgia em 1246, quando o bispo de Li\u00e8ge (B\u00e9lgica) instituiu a festa, na sua diocese. 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