{"id":320394,"date":"2024-03-31T16:54:34","date_gmt":"2024-03-31T15:54:34","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=320394"},"modified":"2024-03-31T16:54:34","modified_gmt":"2024-03-31T15:54:34","slug":"setubal-homilia-de-d-americo-aguiar-no-domingo-de-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/setubal-homilia-de-d-americo-aguiar-no-domingo-de-pascoa\/","title":{"rendered":"Set\u00fabal: Homilia de D. Am\u00e9rico Aguiar no Domingo de P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_320400\" aria-describedby=\"caption-attachment-320400\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/20240331_missa_pascoa_0180-Aprimorado-NR.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-320400 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/20240331_missa_pascoa_0180-Aprimorado-NR.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1281\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/20240331_missa_pascoa_0180-Aprimorado-NR.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/20240331_missa_pascoa_0180-Aprimorado-NR-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/20240331_missa_pascoa_0180-Aprimorado-NR-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/20240331_missa_pascoa_0180-Aprimorado-NR-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/20240331_missa_pascoa_0180-Aprimorado-NR-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/20240331_missa_pascoa_0180-Aprimorado-NR-1536x1025.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-320400\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese de Set\u00fabal\/Ricardo Perna<\/figcaption><\/figure>\n<p>Irm\u00e3s e irm\u00e3os em Cristo, sauda\u00e7\u00f5es fraternas a todos, todos, todos.<\/p>\n<p>\u00abRessuscitou\u2026 N\u00e3o est\u00e1 aqui\u2026 Ressuscitou\u00bb.<\/p>\n<p>Ainda ecoam nas paredes das nossas igrejas, da nossa igreja catedral, das igrejas e catedrais do mundo inteiro, as palavras do jovem vestido de branco, dirigidas a Maria Madalena, a Maria, m\u00e3e de Tiago, e a Salom\u00e9:<\/p>\n<p>\u201cRessuscitou. N\u00e3o est\u00e1 aqui. Ressuscitou!\u201d<\/p>\n<p>S\u00e3o estas as palavras que ecoam nas ruas e nas estradas, nos campos desertos, nas cidades destru\u00eddas, nas pra\u00e7as cheias de gente, nos bairros da nossa diocese. E, assim o acredito, ecoam nos nossos ouvidos e nos nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como explicar esta surpresa e alegria?<\/p>\n<p>A primeira vez que Jesus falou da cruz e da ressurrei\u00e7\u00e3o aos seus disc\u00edpulos, enquanto desciam do monte da Transfigura\u00e7\u00e3o, todos se interrogaram sobre o que queria dizer \u00abressuscitar dos mortos\u00bb (Mc 9, 10). (Papa Bento XVI, Vig\u00edlia Pascal 2006).<\/p>\n<p>Mas as d\u00favidas, os medos, as incertezas abandonaram aqueles homens.<\/p>\n<p>Acabamos de ouvir Pedro nos Atos dos Ap\u00f3stolos. Sem d\u00favidas, sem hesita\u00e7\u00f5es, sem medos.<\/p>\n<p>E quando Jesus afirma: \u201cTu \u00e9s Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja\u201d, tudo ganhou um novo sentido. O sentido da Vida dada por inteiro, da Vida Daquele que faz novas todas as coisas. A Vida do Ressuscitado, o Jesus Vivo, o Filho de Deus.<\/p>\n<p>Agora sim, aqueles homens tinham os seus cora\u00e7\u00f5es plenos do Esp\u00edrito do Senhor, que lhes ensinou e explicou todas as coisas.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0s mulheres e aos homens daqueles primeiros momentos da Boa Noticia da Ressurrei\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as a tantas e tantos que at\u00e9 hoje n\u00e3o deixaram de O anunciar, estamos hoje aqui, para \u201cpregar ao povo e testemunhar que Ele foi constitu\u00eddo por Deus, juiz dos vivos e dos mortos\u2026 quem acredita n\u2019Ele recebe pelo Seu nome a remiss\u00e3o dos pecados\u201d.<\/p>\n<p>Precisamos de saber que, como aqueles primeiros, muitos, muit\u00edssimos continuam a derramar o seu sangue, m\u00e1rtires dos nossos dias. Precisamos de reconhecer esta realidade, tantas vezes pouco conhecida.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Deus, n\u00f3s estamos aqui reunidos em Seu nome. Escutamos a Sua Palavra, celebramos a Eucaristia, cantamos, rezamos e sa\u00edmos \u00e0 rua sem medos, tranquilos, em Paz.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 assim em todo o mundo. N\u00e3o foi assim que muitas irm\u00e3s e irm\u00e3os nossos viveram esta P\u00e1scoa. Uns com medo, outros com fome e sem casa, outros ainda escondidos.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o-vos que nunca esqueceis o sofrimento de quem \u00e9 perseguido pela sua F\u00e9.<\/p>\n<p>Voltando ao Evangelho proclamado, permiti que vos fale dos movimentos de corrida, da pressa, naquela manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Maria Madalena correu e foi ao encontro de Sim\u00e3o Pedro. Pedro e o outro disc\u00edpulo correram mais depressa. N\u00e3o queriam acreditar.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o tinham entendido a Escritura segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos\u2026<\/p>\n<p>O an\u00fancio do Evangelho, da Boa Nova da Ressurrei\u00e7\u00e3o pede-nos pressa, celeridade, inquieta-nos na urg\u00eancia do An\u00fancio.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos retardar, adiar ou simplesmente calar a descoberta extraordin\u00e1ria que a Escritura nos narra, a descoberta que o mundo n\u00e3o deixa de fazer h\u00e1 mais de dois mil anos: CRISTO VIVE.<\/p>\n<p>Jesus de Nazar\u00e9, o Crucificado, n\u00e3o ficou nem est\u00e1 no sepulcro, Ressuscitou! Aleluia!<\/p>\n<p>Permitam-me que vos diga de novo: \u00e9 este o testemunho, a senha, que cada atleta, cada homem e mulher que corre, transporta na sua vida.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m transporta o testemunho para o passar ao pr\u00f3ximo, de cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o, dia ap\u00f3s dia, semana ap\u00f3s semana, m\u00eas ap\u00f3s m\u00eas, ano ap\u00f3s ano, s\u00e9culo ap\u00f3s s\u00e9culo e mil\u00e9nio ap\u00f3s mil\u00e9nio. Assim tem sido, assim continuar\u00e1 a ser at\u00e9 quando Deus quiser.<\/p>\n<p>Eles ainda n\u00e3o tinham entendido\u2026 e n\u00f3s? E eu?\u00a0 E cada um de v\u00f3s que saiu de sua casa para estarmos aqui em comunh\u00e3o, \u00e0 volta do altar do Senhor?<\/p>\n<p>Vivemos unidos a Semana Santa de 2024.<\/p>\n<p>Os nossos ramos saudaram a entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m, Rei dos Reis, aclamado com palmas.<\/p>\n<p>Reunimo-nos \u00e0 volta da mesa de Jesus, revisitando aquela \u00faltima Ceia; os doze disc\u00edpulos \u00e0 volta do Mestre; o p\u00e3o e o vinho partilhados na promessa de se repetirem para sempre; beijei-vos os p\u00e9s, manifestando assim a humildade que Jesus me ensina, nos ensina a todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Acompanh\u00e1mos a pris\u00e3o, a paix\u00e3o, a morte na Cruz do Salvador do Mundo. O Menino de Bel\u00e9m, adorado por reis e pastores, fez-se homem, falou nas ruas e nas pra\u00e7as, curou doentes e paral\u00edticos, deu vida aos mortos. E acabou pregado numa Cruz entre malfeitores.<\/p>\n<p>Fic\u00e1mos em sil\u00eancio no S\u00e1bado. N\u00e3o fechados em casa, mas acredito que durante o dia de ontem muitos de n\u00f3s nos record\u00e1mos desta palavra: sil\u00eancio.\u00a0 Naquele tempo, a espera silenciosa, triste, desorientada de quem perdeu o sentido da vida.<\/p>\n<p>E regress\u00e1mos aqui, a esta Igreja Catedral, j\u00e1 de noite. Para celebrar de novo a Vida Nova! A Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a nossa \u00e2ncora, a nossa rocha,\u00a0 a for\u00e7a da F\u00e9 que atravessa a Hist\u00f3ria e toca o cora\u00e7\u00e3o de todas as mulheres e homens, sem olhar \u00e0 ra\u00e7a, \u00e0 idade, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de vida, \u00e0 sa\u00fade ou falta dela.<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o tinham entendido. E n\u00f3s, que fizemos de novo todo este caminho nos passos de Jesus? Entendemos verdadeiramente o que significa a Ressurrei\u00e7\u00e3o, o impacto que tem e pode ter na vida de cada um de n\u00f3s, a descoberta de que Jesus est\u00e1 Vivo, Ressuscitou?<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a pergunta mais dif\u00edcil que podemos colocar a n\u00f3s mesmos, a pergunta que a Humanidade n\u00e3o se cansa de fazer, de procurar compreender.<\/p>\n<p>Mas acredito que, ao mesmo tempo, \u00e9 aquela cuja resposta pode parecer demasiado simples\u2026 a resposta est\u00e1 na descoberta de nos sabermos Amados. N\u00e3o com um amor de letra pequena, que come\u00e7a e termina, que n\u00e3o transforma, nem perdura.<\/p>\n<p>N\u00e3o. Este Amor \u00e9 um Amor maior.<\/p>\n<p>Jesus nasceu, viveu e morreu por Amor, Amor por mim e por cada um de v\u00f3s aqui presentes. Um Amor que nos acompanha desde o levantar ao deitar, que nos faz sorrir de alegria mesmo quando estamos s\u00f3s. Um Amor que nos d\u00e1 for\u00e7a e esperan\u00e7a a cada dia que passa.<\/p>\n<p>Um Amor capaz de nos salvar, de nos dar a eternidade, esse encontro face a face com o Senhor Ressuscitado.<\/p>\n<p>A P\u00e1scoa de Jesus traz esse an\u00fancio de eternidade, que nos lembra o an\u00fancio da Primavera, quando tudo recome\u00e7a e se renova.<\/p>\n<p>Quero agradecer-vos estes dias que partilhamos, esta minha primeira P\u00e1scoa convosco. Partilhar a P\u00e1scoa implica sempre partilhar o cora\u00e7\u00e3o, permitir que outros vejam e sintam o nosso Amor por Jesus. S\u00f3 assim faz sentido aquela pedra rolada, o t\u00famulo vazio.<\/p>\n<p>Mas agora este \u00e9 o tempo de nos darmos por inteiro ao povo que nos est\u00e1 confiado e de nos darmos uns aos outros como irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Que Nossa Senhora da Gra\u00e7a rogue por n\u00f3s.<\/p>\n<p>S\u00e9 de Set\u00fabal, 31 de mar\u00e7o de 2024<\/p>\n<p><em>Cardeal D. Am\u00e9rico Aguiar, bispo de Set\u00fabal<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":320400,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[181,927],"class_list":["post-320394","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-setubal","tag-pascoa-domingo-de-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320394","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=320394"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320394\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/320400"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=320394"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=320394"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=320394"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}