{"id":320386,"date":"2024-03-31T16:44:07","date_gmt":"2024-03-31T15:44:07","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=320386"},"modified":"2024-03-31T16:44:07","modified_gmt":"2024-03-31T15:44:07","slug":"porto-homilia-de-d-manuel-linda-no-domingo-de-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/porto-homilia-de-d-manuel-linda-no-domingo-de-pascoa\/","title":{"rendered":"Porto: Homilia de D. Manuel Linda no Domingo de P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p><em>A certeza de uma presen\u00e7a<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_320381\" aria-describedby=\"caption-attachment-320381\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/domingo-pascoa2-678x381-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-320381\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/domingo-pascoa2-678x381-1-400x225.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/domingo-pascoa2-678x381-1-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/domingo-pascoa2-678x381-1.jpg 678w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-320381\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Voz Portucalense\/Rui Saraiva<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEste \u00e9 o dia que o Senhor fez\u201d, cant\u00e1vamos n\u00f3s no salmo responsorial com uma for\u00e7a e convic\u00e7\u00e3o acrescidas pela beleza da m\u00fasica e pela qualidade da salmista. Este \u00e9 o dia. Este \u00e9 o dia do espanto, da abertura dos olhos, da confirma\u00e7\u00e3o das promessas, da vida em plenitude, pois a escurid\u00e3o do t\u00famulo foi invadida e aniquilada por uma luz nova e mais intensa, uma luz que permite aos olhos da alma ver uma verdade at\u00e9 ent\u00e3o oculta e faz com que o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se contenha e d\u00ea saltos de satisfa\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 o dia, porque se resume a um nome: P\u00e1scoa!<\/p>\n<p>Com uma alegria incontida, celebramos, de facto, a P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, o centro e fundamento da nossa f\u00e9. E celebr\u00e1-la \u00e9 sempre um convite para revermos a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus, mas tamb\u00e9m com o mundo e connosco pr\u00f3prios. Diante deste acontecimento transcendente, o maior da hist\u00f3ria, somos convidados \u00e0 alegria, porque nos descobrimos amados por Quem ousou dar a vida por n\u00f3s. E s\u00f3 o amor cura a nossa ang\u00fastia, a nossa tristeza, o nosso desconforto, a nossa insatisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00f3 quem ama Jesus pode sentir a alegria de O ter vivo. Nesse sentido, o mundo, a Igreja, a nossa diocese, as nossas comunidades, as nossas fam\u00edlias precisam de crist\u00e3os que vivam\/testemunhem a sua f\u00e9 de forma apaixonada, com paix\u00e3o. Celebrar a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 tomar consci\u00eancia do cumprimento da promessa divina de reden\u00e7\u00e3o oferecida a todos, em todos os tempos e lugares, e aceder \u00e0 comunh\u00e3o com Deus. Uma promessa que se cumprir\u00e1 definitivamente no fim dos tempos, quando o \u201c\u00faltimo inimigo do homem\u201d, a morte, for destru\u00eddo (1Cor 15, 26).<\/p>\n<p>No curso da hist\u00f3ria que a humanidade vai percorrendo, a ressurrei\u00e7\u00e3o convida \u00e0 esperan\u00e7a. N\u00f3s esperamos, n\u00e3o apenas a vida eterna, mas guardamos sempre, mesmo no meio das dificuldades, a certeza de que nada est\u00e1 perdido. Nem as sadias rela\u00e7\u00f5es humanas, nem a liberdade, nem a justi\u00e7a social, nem o respeito m\u00fatuo, nem a paz, nem a fam\u00edlia, nem a boa conviv\u00eancia, nem a desejada coopera\u00e7\u00e3o internacional, nem o desenvolvimento integral, nem os sonhos, nem qualquer um dos elevados e justos anseios de cada um de n\u00f3s e da sociedade no seu conjunto.<\/p>\n<p>Temos no\u00e7\u00e3o das dificuldades que perturbam a esperan\u00e7a. Sabemos de tantos cora\u00e7\u00f5es fechados ao amor, de mentes que deixaram de sonhar, de crian\u00e7as a quem se roubou o sorriso, de velhinhos abandonados e desprezados na sua sabedoria, de jovens que veem os seus projetos adiados, de fam\u00edlias onde falta o conv\u00edvio e a ternura, enfim, de na\u00e7\u00f5es que n\u00e3o sabem bem o que \u00e9 isso de p\u00e3o, de sa\u00fade, de educa\u00e7\u00e3o, de paz, de povos onde a m\u00fasica foi abafada pelo troar dos canh\u00f5es, de institui\u00e7\u00f5es cujo fim \u00e9 impingir-nos a morte, seja no armamento, na droga e noutras t\u00e9cnicas de p\u00f4r fim \u00e0 vida humana. E mais, muito mais. S\u00e3o dramas inerentes \u00e0 nossa finitude e limita\u00e7\u00f5es, mas chamados a serem ultrapassados pela ades\u00e3o \u00e0 vida nova do Ressuscitado, na certeza de que \u201cnada nos poder\u00e1 arrancar ao amor de Deus\u201d (Rom 8, 39).<\/p>\n<p>Neste clima de esperan\u00e7a e da abertura \u00e0 novidade, a um mundo de sorrisos e uma humanidade alegre, gostaria de fazer tr\u00eas refer\u00eancias. Em primeiro lugar, \u00e0 consulta aos jovens da nossa Diocese, que ser\u00e1 lan\u00e7ada, ainda neste tempo pascal, \u00e0 base do t\u00f3pico j\u00e1 conhecido: \u201cPorto, que procuras? Vinde e vede\u201d. Como j\u00e1 escrevi, \u201cpretende-se promover e fazer acontecer v\u00e1rios momentos de encontro, de trabalho, de reflex\u00e3o em ordem a um conhecimento real da nossa Diocese. Com um objetivo: que se encontrem novas din\u00e2micas, novas linguagens e novos caminhos para os tempos atuais e futuros da Igreja do Porto\u201d. E que, como centro dessa novidade, esteja Cristo, como refere o Papa Francisco: \u201cCristo vive: \u00e9 Ele a nossa esperan\u00e7a e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida\u201d (CV 1). Os jovens est\u00e3o a ser promotores de uma Igreja nova. Basta olhar para a Jornada Mundial da Juventude e para o que se verifica com tantos movimentos juvenis que se alimentam da espiritualidade e difundem espiritualidade. Alguns diziam que a Igreja tinha perdido o mundo da cultura no s\u00e9culo XIX, os oper\u00e1rios no s\u00e9culo XX e a juventude no XXI. Mentira! Basta querer ver. E isto \u00e9 esperan\u00e7a tornada ato.<\/p>\n<p>Depois, na nossa Diocese e na sociedade civil, in\u00fameras institui\u00e7\u00f5es alimentam a esperan\u00e7a e antecipam o tempo novo. \u00c9 o que se v\u00ea em par\u00f3quias acolhedoras e vivas, no servi\u00e7o da caridade tu-a-tu ou de forma organizada, nos grupos de interajuda, conv\u00edvio e solidariedade, na coopera\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e ajuda ao desenvolvimento, na reintegra\u00e7\u00e3o daqueles a quem a vida colocou \u00e0 beira do caminho, na a\u00e7\u00e3o a favor das grandes causas como a da aboli\u00e7\u00e3o da pena de morte, no fomento de uma consci\u00eancia \u00e9tica no setor financeiro e econ\u00f3mico, na luta contra o fabrico e comercializa\u00e7\u00e3o das armas, etc. Isto \u00e9 belo. Isto \u00e9 o resultado do fermento da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>Finalmente, ressaltar o valor \u00e9tico dessa manh\u00e3 \u201cinteira\u201d, como lhe chamou Sophia, que foi o 25 de abril de 1974. N\u00e3o obstante o titubear t\u00edpico das idades tenras, ele constituiu o patamar s\u00f3lido da nossa democracia, da efetiva salvaguarda da dignidade pessoal e da real meta dos direitos humanos. Claro que continuam presentes muitos desafios. Mas ser\u00e3o vencidos, at\u00e9 pela longa experi\u00eancia que temos enquanto povo e na\u00e7\u00e3o com tantos s\u00e9culos de hist\u00f3ria. O cinquenten\u00e1rio dessa data compromete-nos. Compromete-nos, na esperan\u00e7a, para cumprimos os seus sonhos e ideais, pois, como diria Fernando Pessoa, \u201cfalta cumprir-se Portugal!\u201d.<\/p>\n<p>Irm\u00e3s e irm\u00e3os, o t\u00famulo vazio \u00e9 sinal de uma aus\u00eancia que nos convida a assumir uma Presen\u00e7a. A aus\u00eancia \u00e9 a do mal e da morte; a presen\u00e7a \u00e9 a da for\u00e7a do Ressuscitado. Esta verdade n\u00e3o \u00e9 da carne ou intelig\u00eancia. Porque estamos diante do mist\u00e9rio, o que implica a f\u00e9. Mas \u00e9 um mist\u00e9rio que acalenta, envolve, acarinha.<\/p>\n<p>Santa P\u00e1scoa no Senhor Ressuscitado.<\/p>\n<p><em>D. Manuel Linda, bispo do Porto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A certeza de uma presen\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":320381,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187,927],"class_list":["post-320386","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto","tag-pascoa-domingo-de-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320386","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=320386"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320386\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/320381"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=320386"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=320386"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=320386"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}