{"id":32023,"date":"2008-05-20T11:54:32","date_gmt":"2008-05-20T11:54:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/20\/porque-sao-algumas-criancas-especiais\/"},"modified":"2008-05-20T11:54:32","modified_gmt":"2008-05-20T11:54:32","slug":"porque-sao-algumas-criancas-especiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/porque-sao-algumas-criancas-especiais\/","title":{"rendered":"Porque s\u00e3o algumas crian\u00e7as especiais?"},"content":{"rendered":"<p>Elas est\u00e3o entre as mais desprotegidas e, por isso, da sua inclus\u00e3o \u2013 verdadeira inclus\u00e3o social \u2013 nos devemos todos ocupar <!--more--> O t\u00edtulo, que serviu de encomenda e encabe\u00e7a o texto, suscita logo a sua aparente contradi\u00e7\u00e3o interna: mas n\u00e3o s\u00e3o todas as crian\u00e7as especiais? Importa, pois, que se esclare\u00e7a que as crian\u00e7as especiais que aqui nos ocupam s\u00e3o aquelas que, por um conjunto de caracter\u00edsticas mentais pr\u00f3prias, concorrem, face aos seus pares, com limita\u00e7\u00f5es na sua afirma\u00e7\u00e3o pessoal e social. Deficientes mentais, dir\u00e3o uns. Com defici\u00eancia mental, dir\u00e3o outros. Especiais, diremos n\u00f3s. Porque s\u00e3o, pois, algumas crian\u00e7as especiais?  Antes de mais, o porqu\u00ea do facto. Porque, por um acaso da natureza, assim resultaram. Porque, por uma falha m\u00e9dica ou de enfermagem, assim ficaram. Porque, por um comportamento negligente dos seus pais, assim nasceram. Porque um acidente assim as transformou. Porque uma institucionaliza\u00e7\u00e3o prolongada e absolutamente dispens\u00e1vel antes da adop\u00e7\u00e3o, limitou o seu desenvolvimento. Portanto, s\u00e3o especiais, mas n\u00e3o porque queiram.  Depois, o porqu\u00ea do estado. S\u00e3o especiais, porque, n\u00e3o obstante a not\u00edcia chegada durante a gravidez que o menino assim seria quando nascesse, a gravidez continuou e isso fez delas, logo, um ser especial. (Alguns cl\u00ednicos \u2013 raros seguramente \u2013 quando anunciam esta situa\u00e7\u00e3o aos pais ainda usam a express\u00e3o \u201cpoder\u00e1 ser um vegetal\u201d; depois somos n\u00f3s, pais, obrigados a recordar-lhes que, salvo melhor opini\u00e3o, \u00e9, no m\u00ednimo, do reino animal de que estamos a falar!) S\u00e3o especiais porque n\u00e3o obstante a informa\u00e7\u00e3o durante o processo de adop\u00e7\u00e3o do seu fraco potencial ou da sua debilidade mental, foi dito \u201csim, vai ser a nossa filha\u201d. E isso faz dela logo um ser especial. Especiais, porque com menos, muito menos do que as outras; e isso faz delas, especiais! Especiais porque nos exigem em perman\u00eancia, 24 horas sobre 24 horas, e em perman\u00eancia nos projectam para um futuro precocemente antecipado na preocupa\u00e7\u00e3o do \u201cque vai ser dele\/dela\u201d, \u201cat\u00e9 onde pode chegar\u201d e \u201ccomo preparar o seu ficar antes de n\u00f3s partirmos\u201d. Especiais porque n\u00e3o se conhece uma rede formal ou informal de baby sitters pronta para o servi\u00e7o a estas crian\u00e7as especiais, o que desde logo leva a uma reformata\u00e7\u00e3o muito especial da vida das fam\u00edlias. E h\u00e1 casos que poderiam resultar em riscos que n\u00e3o se podem pedir nem \u00e0 melhor generosidade dos melhores dos amigos. A rede de apoios \u00e9 diminuta, pois, o que faz ver quanto s\u00e3o especiais. Especiais porque o descontrole do esf\u00edncter pode encurtar para os 5 minutos iniciais a impecavelmente projectada e planificada tarde inteira na praia ou a ida ao cinema programada, falada e sonhada durante a semana inteira. Especiais porque elas t\u00eam, de uma maneira geral, dos sorrisos mais especiais que se conhecem e s\u00e3o um po\u00e7o de afectos sem fundo. Mesmo quando o beijo e o aperto de bra\u00e7os t\u00e3o apertado, quase obrigam ao \u201cai n\u00e3o me apertes tanto\u201d (que s\u00f3 n\u00e3o sai porque lhe faria mal) e mesmo quando ocorrem com a mesma for\u00e7a da viol\u00eancia da crise com que nos agrediram impulsivamente ainda nem h\u00e1 uma hora atr\u00e1s\u2026 Especiais porque s\u00e3o eles e elas e n\u00e3o outros.  Finalmente, o porqu\u00ea que concorre para a nossa obriga\u00e7\u00e3o de ac\u00e7\u00e3o. Especiais porque s\u00e3o nossas e isso obriga-nos a um redobrar de esfor\u00e7os. E quando se diz nossas n\u00e3o se diz \u201cde n\u00f3s, pais delas\u201d. Diz-se de n\u00f3s todos! Porque elas est\u00e3o entre as mais desprotegidas e, por isso, da sua inclus\u00e3o \u2013 verdadeira inclus\u00e3o social \u2013 nos devemos todos ocupar. Uma inclus\u00e3o que n\u00e3o o pode ser a todo o custo; inclus\u00e3o que para muitas delas passa por institui\u00e7\u00f5es de ensino especial onde preparam e constroem os seus projectos de felicidade.  Mas de inclus\u00e3o falamos, tamb\u00e9m, quando nos espa\u00e7os ditos normais da sociabiliza\u00e7\u00e3o sobre todos n\u00f3s recai essa miss\u00e3o: no jardim p\u00fablico, no emprego, no acesso \u00e0 oportunidade, na integra\u00e7\u00e3o que delas fazemos no c\u00edrculo das outras crian\u00e7as, no n\u00e3o olhar nem classificar como \u201ccoitado\u201d, na explica\u00e7\u00e3o eloquente que se d\u00e1 \u00e0 crian\u00e7a que, no supermercado, com olhar at\u00f3nito e boquiaberta olha para aquele ser estranho. De inclus\u00e3o falamos quando no espa\u00e7o da comunidade eclesial se fala do lugar delas. Quando n\u00e3o respondem do mesmo jeito, quando fazem uns ru\u00eddos estranhos enquanto os outros respondem unanimemente ao liturgicamente previsto, quando o seu crescimento na f\u00e9 se processa de uma outra forma diferente dos catecismos adoptados, quando t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o com o Bom Deus que nos ajuda a compreender o que Ele queria dizer com \u201cos puros de cora\u00e7\u00e3o\u201d. Quando obrigam \u00e0 resposta desconcertante ao p\u00e1roco que, \u00e0 imagem dos raros cl\u00ednicos atr\u00e1s apontados que se referiam \u00e0quele ser como vegetal, se interroga sobre a capacidade daquela crian\u00e7a em compreender o \u201ctranscendente mist\u00e9rio da eucaristia\u201d ou da \u201cexig\u00eancia do compromisso eclesial\u201d e por isso colocam em d\u00favida a possibilidade, respectivamente, de fazer a primeira comunh\u00e3o ou a confirma\u00e7\u00e3o. Especiais porque basta p\u00f4-las um pouco com o senhor prior (mas deixando-as falar, dispensando a cartilha de perguntas previamente formatada), falando livremente sobre como Deus \u00e9 importante para elas ou como ir \u00e0 igreja \u00e9 momento central da sua semana, ou de como cantar pode ser t\u00e3o importante na sua vida, ou como segredam coisas ao Bom Deus, para que as d\u00favidas teol\u00f3gicas e pastorais no cora\u00e7\u00e3o de zelo de um qualquer presb\u00edtero da Igreja se dissipem.  Confessamos aqui, em breve apontamento, que F\u00e9 e Luz \u2013 movimento internacional com algumas comunidades em Portugal \u2013 tem sabido ser um espa\u00e7o de particular s\u00edntese entre este espa\u00e7o pr\u00f3prio que d\u00e1 lugar e respeita as particularidades \u00fanicas destas crian\u00e7as especiais e a sua inclus\u00e3o na Igreja, lugar de todos, delas tamb\u00e9m. \u00c9 que s\u00e3o filhas de Deus e, por isso, s\u00e3o especiais. T\u00e3o especiais quanto as outras \u00e9 certo. Mas, por uma vez, h\u00e1 uns seres que nos obrigam a todos a sermos mais especiais. \u00c9 isso que as torna t\u00e3o especiais! <i> Fernando e Eug\u00e9nia Magalh\u00e3es, pais de uma crian\u00e7a especial  FOTO: Terra das Ideias.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elas est\u00e3o entre as mais desprotegidas e, por isso, da sua inclus\u00e3o \u2013 verdadeira inclus\u00e3o social \u2013 nos devemos todos ocupar<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[154,206,209],"class_list":["post-32023","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-crianca","tag-familia","tag-fe-e-luz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32023","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32023"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32023\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}