{"id":32010,"date":"2008-05-19T16:41:12","date_gmt":"2008-05-19T16:41:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/19\/familia-e-reconstrucao-social\/"},"modified":"2008-05-19T16:41:12","modified_gmt":"2008-05-19T16:41:12","slug":"familia-e-reconstrucao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/familia-e-reconstrucao-social\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia e Reconstru\u00e7\u00e3o social"},"content":{"rendered":"<p>No Dia da Fam\u00edlia na diocese do Porto <!--more--> A introduzirem a recente legisla\u00e7\u00e3o facilitadora do div\u00f3rcio, escreveram os proponentes que ela corresponde \u00e0 sentimentaliza\u00e7\u00e3o, individualiza\u00e7\u00e3o e seculariza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2neas. Tratar-se-ia de dar maior valor aos afectos como base dos compromissos, de substituir a preponder\u00e2ncia das institui\u00e7\u00f5es pelas escolhas individuais e de tirar relev\u00e2ncia p\u00fablica \u00e0s convic\u00e7\u00f5es religiosas. Sendo discut\u00edvel que a sociedade actual se possa definir apenas em torno destes itens, n\u00e3o parece dif\u00edcil concluir que sobre a \u201cbase\u201d dos indiv\u00edduos e dos afectos ficar\u00e1 mais fr\u00e1gil a vida social. A no\u00e7\u00e3o de \u201cindiv\u00edduo\u201d incide mais no num\u00e9rico e quantitativo e menos no relacional e qualitativo.  Falando de n\u00f3s, componentes do g\u00e9nero humano, melhor se falar\u00e1 de \u201cpessoa\u201d, ou seja, de ser em rela\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 na rela\u00e7\u00e3o se entende e realiza. Esta no\u00e7\u00e3o foi, ali\u00e1s, enriquecida pela reflex\u00e3o crist\u00e3 sobre as \u201cpessoas\u201d divinas, a partir do que Cristo disse sobre si e o Pai: \u201cEu e o Pai somos um\u201d. Juntando a isto o amor que Os une, os crist\u00e3os falam de um Deus uno e trino, em que a unidade coincide com a pluralidade: um s\u00f3 Deus em tr\u00eas \u201cpessoas\u201d, Cristo e o Pai no Esp\u00edrito-Amor.  A esta luz, os crist\u00e3os tamb\u00e9m entenderam melhor a disposi\u00e7\u00e3o original das coisas, retomada por Cristo, sobre a fam\u00edlia e a respectiva unidade plural: o homem e a mulher, como dois num s\u00f3 (\u201cnuma s\u00f3 carne\u201d), o amor m\u00fatuo e gerador de vida, uma humanidade \u00e0 maneira da Trindade, verdadeira \u201cimagem e semelhan\u00e7a de Deus\u201d. Um programa para o mundo, tamb\u00e9m ele uno e plural, a partir da fam\u00edlia. Os afectos s\u00e3o igualmente imprescind\u00edveis, mas exprimem e realizam algo que lhes \u00e9 \u201canterior\u201d, ou seja cada pessoa como ser em rela\u00e7\u00e3o. A partir da atrac\u00e7\u00e3o homem \u2013 mulher, expressa na sexualidade e na linguagem do amor, base de toda a vida, mas alargada e sublimada no relacionamento social, com igual complementaridade masculino \u2013 feminino.  Ora, tratando-se de pessoas e n\u00e3o de meros indiv\u00edduos, estamos a falar do ser humano como presente, passado e futuro, ou seja como projecto. Na verdade, ningu\u00e9m se esgota num momento ou sequer no tempo curto, realizando-se apenas como exist\u00eancia, isto \u00e9, como ser que perdura e s\u00f3 perdurando se conclui. Todos sabemos que, na consci\u00eancia e no sentimento, somos constantemente ocupados por mem\u00f3rias e expectativas, em tempo alargado.  Juntando este ponto com o anterior, compreenderemos que a \u201cbase\u201d de qualquer sociabilidade assenta mais em pessoas e projectos inter-pessoais do que em indiv\u00edduos e afectos, no sentido ef\u00e9mero destes. Como tamb\u00e9m \u00e9 da experi\u00eancia comum que a vida se aprende vivendo e convivendo, aprofundando a rela\u00e7\u00e3o e superando os obst\u00e1culos com que o crescimento dos seres humanos necessariamente depara. Vivendo num tempo muito tocado pelo libertarismo (liberdade individual em contraste com a vincula\u00e7\u00e3o social), inclusive nas inst\u00e2ncias pol\u00edtico-legislativas, a fam\u00edlia crist\u00e3 e outras que coincidam em id\u00eantica vis\u00e3o relacional da sociedade t\u00eam a indispens\u00e1vel fun\u00e7\u00e3o de demonstrar, pelo testemunho pr\u00e1tico e a partilha te\u00f3rica, a bondade e a conveni\u00eancia do seu modo de ser e conviver. Acreditando na realiza\u00e7\u00e3o inter-pessoal da sociedade, com o que tal implica de projecto e compromisso, transportam um futuro que n\u00e3o querem atrasar. Ao entregar \u201cdiplomas\u201d de congratula\u00e7\u00e3o e b\u00ean\u00e7\u00e3o a cerca de setecentos casais, com 25, 30, 60 ou mais anos de matrim\u00f3nio, no Dia Diocesano da Fam\u00edlia, celebro com eles a vit\u00f3ria certa destes valores seguros e (con)vividos para a (re)constru\u00e7\u00e3o social. \u00c9 poss\u00edvel e verific\u00e1vel! <i>D. Manuel Clemente, Bispo do Porto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia da Fam\u00edlia na diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187,206],"class_list":["post-32010","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32010","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32010"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32010\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32010"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32010"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32010"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}