{"id":320028,"date":"2024-03-29T23:30:47","date_gmt":"2024-03-29T23:30:47","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=320028"},"modified":"2024-03-29T23:30:47","modified_gmt":"2024-03-29T23:30:47","slug":"beja-homilia-de-d-joao-marcos-na-sexta-feira-santa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/beja-homilia-de-d-joao-marcos-na-sexta-feira-santa\/","title":{"rendered":"Beja: Homilia de D. Jo\u00e3o Marcos na Sexta-feira Santa"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->1 \u2013 <u>T<em>oda a nossa gl\u00f3ria est\u00e1 na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. N\u2019Ele est\u00e1 a nossa Salva\u00e7\u00e3o, Vida e Ressurrei\u00e7\u00e3o. Por Ele fomos salvos e livres. <\/em><\/u><\/p>\n<p><em>Com estas palavras inspiradas na Carta de S\u00e3o Paulo aos G\u00e1latas, inici\u00e1mos ontem \u00e0 tarde, car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s, a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa deste ano. Estas palavras situam-nos perante a Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Nela resplandece para n\u00f3s a luz que ilumina as trevas em que, tantas vezes, vivemos. Ela \u00e9 a chave que abre as portas do mist\u00e9rio das nossas vidas. Ela \u00e9 o jugo suave que o Senhor nos convida a carregar, atr\u00e1s d\u2019Ele, como disc\u00edpulos que seguem o seu Mestre. Onde est\u00e1 a nossa Gl\u00f3ria? Na beleza? No dinheiro? No trabalho? No desporto? Nas artes? No \u00eaxito? Na pol\u00edtica? Na fam\u00edlia? Todas estas coisas s\u00e3o boas, mas n\u00e3o podemos pedir-lhes aquilo que s\u00f3 Deus nos pode dar. Aquilo que Deus nos deu na Cruz do seu Filho Jesus, o perd\u00e3o dos nossos pecados, a possibilidade de amarmos a Deus com todo o cora\u00e7\u00e3o, e ao pr\u00f3ximo como a n\u00f3s mesmos, a liberta\u00e7\u00e3o da maldi\u00e7\u00e3o, fruto das nossas faltas, para nos tornarmos herdeiros da B\u00ean\u00e7\u00e3o do Reino dos C\u00e9us\u2026 Tudo isso, toda a nossa Gl\u00f3ria est\u00e1 na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo!<\/em><\/p>\n<p><em>2 \u2013 Como sabeis, a morte na Cruz foi inventada pelos romanos, para castigar os malfeitores dos povos que eles dominavam. Um cidad\u00e3o romano n\u00e3o podia ser crucificado, por grande que fosse o crime por ele cometido. A Cruz era, n\u00e3o apenas o instrumento mais horr\u00edvel pelo sofrimento f\u00edsico que provocava, mas tamb\u00e9m, do ponto de vista moral, era o s\u00edmbolo da vergonha maior. Para n\u00f3s, crist\u00e3os, a Cruz de Jesus \u00e9 a fonte de todas as b\u00ean\u00e7\u00e3os, o sinal de todas as benfeitorias com que Deus Pai cumula os Seus filhos adotivos. Hoje, nesta celebra\u00e7\u00e3o, iremos beijar a Cruz do Senhor como o tesouro mais precioso das nossas vidas.<\/em><\/p>\n<p><em>A primeira leitura que escut\u00e1mos, o quarto c\u00e2ntico do Servo de Jav\u00e9 do livro do profeta Isa\u00edas, convida-nos a contemplar o Servo de Deus, Jesus Cristo Seu Filho, <u>esmagado pelo Sofrimento, desprovido de beleza, com o seu rosto desfigurado, sem distin\u00e7\u00e3o nem beleza para atrair o nosso olhar, nem aspeto agrad\u00e1vel que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprez\u00edvel e sem valor para n\u00f3s. Ele, suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores, mas n\u00f3s v\u00edamos n\u2019Ele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre Ele o castigo que nos salva. Pelas Suas chagas fomos curados.<\/u> <\/em><\/p>\n<p><em>Hoje, dois mil e seiscentos anos depois de terem sido escritas, e dois mil anos depois de se terem cumprido em nosso Senhor Jesus Cristo, estas palavras continuam atuais. Cristo, o Inocente, cheio de amor por todos n\u00f3s, ofereceu a sua vida como sacrif\u00edcio de expia\u00e7\u00e3o, carregou com os nossos pecados e intercedeu pelos pecadores.<\/em><\/p>\n<p><em>3 \u2013 Quando Jesus expulsava os dem\u00f3nios na Galileia, estes gritavam: \u201cQue tens tu a ver connosco, Filho de Davi? Eu sei quem tu \u00e9s! O Santo de Deus!\u201d Hoje muitos crist\u00e3os batizados, mas que n\u00e3o participam na liturgia da Igreja, repetem, com as suas atitudes o mesmo grito dos dem\u00f3nios. \u201cQue tem Jesus a ver comigo?\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Que tem Jesus a ver contigo? N\u00e3o h\u00e1 outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos. Para sermos salvos precisamos de invocar o Seu nome. Para invocar o Seu nome precisamos de acreditar n\u2019Ele. Para acreditarmos n\u2019Ele, precisamos de ouvir o An\u00fancio, o Kerigma da Sua Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o feito pelos pregadores, pelos enviados a pregar. De facto, como diz S\u00e3o Paulo, a f\u00e9 nasce da prega\u00e7\u00e3o da Palavra de Cristo. <\/em><\/p>\n<p><em>A nossa rela\u00e7\u00e3o com o Senhor Jesus Cristo s\u00f3 pode ser de discipulado. Lembremos hoje, car\u00edssimos irm\u00e3os, o primeiro di\u00e1logo de Jesus com os seus primeiros disc\u00edpulos: <\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Que procurais? <\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Mestre, onde moras? <\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Vinde e vede!<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>Eles foram e viram onde Jesus morava, e permaneceram com Ele naquele dia. Era por volta das quatro horas da tarde. (\u2026) E, mais adiante, Jesus faz-lhes esta promessa:<\/em><\/p>\n<p><em>Vereis o C\u00e9u aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.<\/em><\/p>\n<p><em>Ao morrer no Calv\u00e1rio, como escut\u00e1mos h\u00e1 pouco, vimos como Jesus cumpriu, nos \u00faltimos momentos da sua vida terrena, quando chegou a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, aquilo que no seu primeiro sinal prometeu nas bodas de Can\u00e1, quando mudou a \u00e1gua em vinho. No Calv\u00e1rio, Jesus realizou o Seu Casamento M\u00edstico com a Igreja Sua esposa. Ali Ele bebeu, n\u00e3o o vinho delicioso de Can\u00e1, mas o vinagre dos nossos pecados. No Calv\u00e1rio o Senhor tratou por \u201cmulher\u201d a sua M\u00e3e, Maria, tal como fizera nas bodas de Can\u00e1. A iconografia crist\u00e3 apresenta Cristo \u2013 esposo quando, fisicamente morto, \u00e9 colocado no t\u00famulo. <u>Nisto conhecemos o amor: Jesus deu a sua vida por n\u00f3s, e n\u00f3s devemos dar a vida pelos nossos irm\u00e3os<\/u>. <\/em><\/p>\n<p><em>Jesus \u00e9 a fonte do amor que nos salva, \u00e9 o esposo da nossa alma, o Amado que por n\u00f3s entregou a Sua vida nas m\u00e3os do Pai. Ele comprou-nos com o Seu Sangue. Somos d\u2019Ele, para Ele vivemos, com Ele regressamos ao Pai, com Ele trabalhamos neste mundo realizando a Sua miss\u00e3o, anunciando a salva\u00e7\u00e3o por Ele realizada em favor de todos n\u00f3s. Que tem Jesus a ver connosco? Que temos n\u00f3s a ver com Ele? \u00a0Que relacionamento tens com o Senhor?<\/em><\/p>\n<p><em>4 \u2013Quando, dentro de momentos, te colocares perante a Sua Cruz para O adorares, podes perguntar-lhe isso mesmo. Repara, caro irm\u00e3o, cara irm\u00e3, no amor que Ele te dedica, na ternura com que Ele tem envolvido a tua exist\u00eancia e pede-lhe a abund\u00e2ncia dos dons do Seu Esp\u00edrito para corresponderes ao Seu amor o melhor que te for poss\u00edvel. Com o Seu Esp\u00edrito podes verdadeiramente amar o que Ele ama, detestar o que Ele detesta, podes fazer, com Ele, a vontade do Pai e alimentares-te, em cada dia, com esse P\u00e3o vivo descido do C\u00e9u. <\/em><\/p>\n<p><em>5 \u2013 Adorar a Cruz do Senhor, deslumbrados pelo amor ardente do Seu cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 a maneira de progredirmos neste relacionamento esponsal que nos leva a pedir o Seu Corpo, tal como Jos\u00e9 de Arimateia O pediu a Pilatos. <\/em><\/p>\n<p><em>Adorar o Senhor crucificado por nosso amor leva-nos a ouvir as suas palavras por meio das quais nos confia como filhos \u00e0 Sua M\u00e3e. <\/em><\/p>\n<p><em>&#8211;<u>Eis a tua M\u00e3e! <\/u><\/em><\/p>\n<p><em>Adorar o Senhor morto na Cruz \u00e9 contemplar a sua entrada no C\u00e9u como Sumo Sacerdote da Nova Alian\u00e7a colocado \u00e0 direita do Pai para interceder eternamente por n\u00f3s; \u00e9 tamb\u00e9m estarmos nas fontes da salva\u00e7\u00e3o e vermos o Seu cora\u00e7\u00e3o aberto pela lan\u00e7a e jorrando sangue e \u00e1gua, s\u00edmbolos da Eucaristia e do Batismo, os dois sacramentos que edificam e alimentam a Igreja, nova Eva, sa\u00edda do lado do novo Ad\u00e3o adormecido na Cruz. <\/em><\/p>\n<p><em>Vamos irm\u00e3os, aproximemo-nos cheios de confian\u00e7a do trono da Gra\u00e7a, que \u00e9 a Cruz, para alcan\u00e7armos miseric\u00f3rdia e podermos seguir o Senhor em cada dia da nossa vida.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/em><em style=\"font-size: 16px;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 +J. Marcos, administrador apost\u00f3lico de Beja<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":181019,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[171],"class_list":["post-320028","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-beja"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320028","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=320028"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320028\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/181019"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=320028"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=320028"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=320028"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}