{"id":32001,"date":"2008-05-19T12:28:06","date_gmt":"2008-05-19T12:28:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/19\/patriarca-quer-igreja-mais-activa\/"},"modified":"2008-05-19T12:28:06","modified_gmt":"2008-05-19T12:28:06","slug":"patriarca-quer-igreja-mais-activa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/patriarca-quer-igreja-mais-activa\/","title":{"rendered":"Patriarca quer Igreja mais activa"},"content":{"rendered":"<p>D. Jos\u00e9 Policarpo lan\u00e7a apelos ao di\u00e1logo e a presen\u00e7a na sociedade, com a publica\u00e7\u00e3o de uma Carta Pastoral <!--more--> O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Jos\u00e9 Policarpo, publicou este Domingo uma Carta Pastoral na qual deixa apelos em favor de uma Igreja mais activa num tempo de \u201cmuta\u00e7\u00e3o cultural\u201d, lamentando que a comunidade cat\u00f3lica tenha vindo a perder espa\u00e7o na sociedade &#8220;como principal fonte inspiradora de valores da humanidade&#8221;.  Assim, a Carta frisa que a Igreja \u201cn\u00e3o pode cruzar os bra\u00e7os e renunciar \u00e0 sua mensagem, mas deve faz\u00ea-lo por outro caminho: o da fidelidade interna a Jesus Cristo e ao Seu Evangelho e o do servi\u00e7o \u00e0 sociedade, \u00e0 pessoa humana, suscitando pelo amor e pelo servi\u00e7o, as sementes de esperan\u00e7a que ainda n\u00e3o morreram no cora\u00e7\u00e3o dos homens\u201d.  \u201cA autenticidade do seu servi\u00e7o \u00e0 humanidade deve impor-se por si, e n\u00e3o por mera l\u00f3gica de poder\u201d, acrescenta.  A missiva, que assinala os 30 anos de Bispo e 10 de Patriarca, tem como t\u00edtulo \u201cA Igreja no tempo e em cada tempo\u201d. Foi divulgada no Dia da Igreja Diocesana 2008, celebra\u00e7\u00e3o que reuniu cerca de 400 participantes.  D. Jos\u00e9 Policarpo alerta que \u201c\u00e9 um erro considerar a f\u00e9 crist\u00e3 como uma atitude estritamente individual. Quer no seu dinamismo interno, quer na sua miss\u00e3o no mundo, a Igreja situa-se necessariamente num quadro cultural\u201d.  \u201cSem a radicalidade evang\u00e9lica aut\u00eantica da vida, a Igreja ser\u00e1, sobretudo, v\u00edtima da muta\u00e7\u00e3o cultural. S\u00f3 isso lhe dar\u00e1 autoridade para, no inevit\u00e1vel debate cultural, afirmar a diferen\u00e7a de modo a interpelar e rasgar novos horizontes de esperan\u00e7a\u201d, precisa.  O texto admite que \u201choje h\u00e1 uma fronteira de tens\u00e3o entre a Igreja e a sociedade na afirma\u00e7\u00e3o dos valores morais, inspiradores da dignidade do homem e do sentido \u00faltimo da exist\u00eancia humana. A sociedade pressiona a Igreja para que adopte a sua dimens\u00e3o secular de valores, evolutiva e pouco sens\u00edvel \u00e0 dimens\u00e3o perene da vida humana\u201d.  O Cardeal-Patriarca refere que a retirada de \u201cDeus da vida do homem, em termos culturais\u201d levou a que o ser humano ficasse \u201cdependente de si mesmo, da sua intelig\u00eancia, da sua liberdade, da sua criatividade e perdeu algo de muito importante na auto-compreens\u00e3o de si mesmo, que \u00e9 a consci\u00eancia da sua precariedade e incapacidade\u201d.  \u201cA absolutiza\u00e7\u00e3o da liberdade individual levou ao relativismo \u00e9tico. Cada um decide a orienta\u00e7\u00e3o da sua vida, o que \u00e9 bem e o que \u00e9 mal, progressivamente insens\u00edvel aos valores de uma cultura comunit\u00e1ria\u201d, atira.  Ap\u00f3s defender uma \u201cvis\u00e3o clara do rosto positivo da sociedade\u201d, o texto indica que a Igreja deve ter \u201cuma consci\u00eancia clara de dinamismos e realidades que na sociedade contempor\u00e2nea s\u00e3o contra o homem: a viol\u00eancia e a guerra escolhidos conscientemente como caminhos para alcan\u00e7ar certos objectivos; os ego\u00edsmos e a primazia do lucro nos processos de desenvolvimento econ\u00f3mico; a relativiza\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia moral; o relativismo da verdade; a altera\u00e7\u00e3o dos modelos de felicidade, marcada pelo hedonismo, o consumismo e a incapacidade de integrar as dificuldades e o sofrimento\u201d.  <b>Igreja em mudan\u00e7a<\/b> Depois de lembrar a sua viv\u00eancia do Conc\u00edlio Vaticano II, nos anos 60 do s\u00e9culo passado &#8211; \u201cfoi uma ousadia corajosa convidar a Igreja \u00e0 mudan\u00e7a\u201d -, D. Jos\u00e9 Policarpo advoga que \u201chouve mudan\u00e7as na Igreja que significaram ced\u00eancia ao esp\u00edrito do mundo\u201d. \u201cAdoptar, para estar pr\u00f3xima dos homens, os crit\u00e9rios do mundo \u00e9, para a Igreja, o caminho menos indicado para mudar ao ritmo das exig\u00eancias da miss\u00e3o. E a sociedade pressiona-a continuamente a mudan\u00e7as segundo as exig\u00eancias da cultura secularizada: casamento dos padres, ordena\u00e7\u00e3o de mulheres, aceita\u00e7\u00e3o de segundos casamentos, etc\u201d, elenca. Esta rejei\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a por \u201cmotiva\u00e7\u00f5es profanas da cultura envolvente\u201d, n\u00e3o deve significar, segundo o Patriarca de Lisboa, \u201ca recusa de toda e qualquer mudan\u00e7a\u201d.  Na Carta Pastoral, o Cardeal D. Jos\u00e9 Policarpo mostra-se  preocupado com a ignor\u00e2ncia de muitos fi\u00e9is que t\u00eam a B\u00edblia em casa mas n\u00e3o a l\u00eaem, com a pobreza e m\u00e1 qualidade de muitas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, com a falta de ora\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o dos leigos na vida da Igreja. Considera ainda urgente &#8220;redescobrir o dinamismo da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3&#8221; para atrair as pessoas, como atrav\u00e9s da catequese de adultos ou catecumenato (inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3) para os adultos n\u00e3o baptizados.  \u201cEsta poder\u00e1 a ser a grande revolu\u00e7\u00e3o da nossa Igreja diocesana: encontrar caminhos novos, inventivos e, porventura, ousados, de anunciar Jesus Cristo aos que nunca se encontraram com Ele e fazer com eles, com o ritmo sugerido pelas suas vidas, essa caminhada fundamental de enraizamento em Jesus Cristo e na Sua Igreja\u201d, escreve.  Noutro \u00e2mbito, o Cardeal-Patriarca sublinha o crescente protagonismo dos leigos na vida da Igreja, \u201cuma fisionomia nova do rosto da Igreja, que sup\u00f5e, disse Bento XVI aos Bispos Portugueses, uma cont\u00ednua mudan\u00e7a de mentalidade\u201d.  A Carta assinala que \u201ca Igreja dar\u00e1 prioridade aos mais pobres, aos mais fr\u00e1geis da sociedade\u201d. \u201cEsta op\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser te\u00f3rica, exige que se conhe\u00e7a, em cada tempo, a realidade da pobreza na nossa Diocese e que se v\u00e1 ao seu encontro, atrav\u00e9s das pessoas e das institui\u00e7\u00f5es\u201d, pode ler-se.  A parte final desta missiva \u00e9 dedicada \u00e0s rela\u00e7\u00f5es Igreja-Estado, com destaque para a nova Concordata (ver not\u00edcia relacionada). D. Jos\u00e9 Policarpo afirma que \u201ca Igreja n\u00e3o exige que os poderes p\u00fablicos protejam ou imponham os seus valores espec\u00edficos, mas espera que esses mesmos poderes defendam e promovam tais valores universais\u201d.  <B>Not\u00edcias relacionadas<\/B> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=60196\">\u2022 Concordata de 1940 continua a regular rela\u00e7\u00f5es Igreja-Estado<\/a>  <a href=\"noticia.asp?noticiaid=60189\">\u2022 Carta Pastoral do Cardeal-Patriarca \u00e0 Igreja de Lisboa<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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