{"id":319968,"date":"2024-03-29T19:54:00","date_gmt":"2024-03-29T19:54:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=319968"},"modified":"2024-03-29T19:54:00","modified_gmt":"2024-03-29T19:54:00","slug":"funchal-homilia-de-d-nuno-bras-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/funchal-homilia-de-d-nuno-bras-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Funchal: Homilia de D. Nuno Br\u00e1s na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/se-funchal-vista-aerea1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-213644 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/se-funchal-vista-aerea1-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/se-funchal-vista-aerea1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/se-funchal-vista-aerea1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/se-funchal-vista-aerea1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/se-funchal-vista-aerea1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/se-funchal-vista-aerea1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/se-funchal-vista-aerea1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/se-funchal-vista-aerea1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/se-funchal-vista-aerea1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/se-funchal-vista-aerea1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No fim, a ora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: Jesus morreu a rezar. Que o Cristo tenha morrido na cruz \u00e9 de tal modo escandaloso que ningu\u00e9m ousa p\u00f4r em causa a sua realidade hist\u00f3rica: Jesus morreu, condenado, numa cruz. Mas o esc\u00e2ndalo ainda se torna maior se considerarmos que Ele morreu a rezar. E, nisso, os relatos evang\u00e9licos s\u00e3o, igualmente, concordes.<\/p>\n<ol>\n<li>N\u00e3o \u00e9 indiferente o modo como Jesus morreu na cruz. Seria aceit\u00e1vel se tivesse sido crucificado como um revolucion\u00e1rio, revoltado contra os poderes humanos opressores. N\u00e3o causaria esc\u00e2ndalo. Faz sentido que um revolucion\u00e1rio morra de morte violenta, e d\u00ea origem a um movimento de liberta\u00e7\u00e3o\u2026<\/li>\n<\/ol>\n<p>Se assim fosse, Jesus teria sido apenas um entre tantos outros. Jesus poderia at\u00e9 constituir uma inspira\u00e7\u00e3o para os seus seguidores, e ter ficado com o nome nos livros de hist\u00f3ria. Mas n\u00e3o seria o Salvador. Poderia ser capaz de inspirar alguns, mas n\u00e3o de salvar. N\u00e3o seria nunca o Salvador da humanidade de todos os tempos.<\/p>\n<p>Ou, ent\u00e3o, Jesus poderia ter morrido conformado com o seu destino, resignado com a sua condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte. Tamb\u00e9m isso n\u00e3o causaria esc\u00e2ndalo. \u00c9 certo que deixaria de fazer sentido tudo quanto tinha realizado antes: as palavras, os gestos libertadores, as curas, os milagres\u2026 Seriam sons passageiros, gestos quando muito inspirados para o momento, sonhos sem qualquer realidade.<\/p>\n<p>Se assim fosse, Jesus seria apenas mais um conformista, um mestre\u00a0 do \u201csempre foi assim e n\u00e3o pode ser doutro modo\u201d. Ter-nos ia mostrado que o ser humano se deve resignar \u00e0 inevit\u00e1vel pena de morte que pesa sobre todos desde o nascimento. Justificaria a procura de imortalidade em tantas outras realidades \u2014 nos astros, nos deuses pag\u00e3os, nas energias ou nas capacidades t\u00e9cnicas e cient\u00edficas do ser humano\u2026 E seria justificada a acusa\u00e7\u00e3o feita por vezes aos crist\u00e3os de mais n\u00e3o fazerem que tornar os servos d\u00f3ceis \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, conformados com o destino da sua vida.<\/p>\n<p>Se fosse um resignado, Jesus n\u00e3o seria o Salvador, n\u00e3o seria Aquele em quem podemos colocar toda a nossa esperan\u00e7a, Aquele onde reside toda a nossa gl\u00f3ria, Aquele de quem o pobre e o pecador podem esperar um futuro novo. Estar\u00edamos condenados \u00e0 resigna\u00e7\u00e3o de ter a morte como palavra final da vida.<\/p>\n<p>Jesus poderia ainda ter morrido revoltado com Deus. Tamb\u00e9m isso n\u00e3o faria esc\u00e2ndalo. Sim, aquele Pai com quem Ele falava no quotidiano, Aquele Deus da Alian\u00e7a de quem se dizia que tinha salvo o povo das m\u00e3os dos eg\u00edpcios, parecia agora calar, indiferente \u00e0 sorte dos seus. Sim, Jesus poderia ter denunciado o abandono por parte de todos e, sobretudo, de Deus \u2014 esse clamor que sobe tantas vezes da terra, gritos diante da morte e do sofrimento inocente. Jesus poderia ter morrido revoltado com Deus, como tantos, infelizmente morrem.<\/p>\n<p>Teria, quando muito, sido um fil\u00f3sofo angustiado, a blasfemar contra Deus.\u00a0 Poderia, apenas, ter indicado que Deus nada nos tem a dizer, e que nos encontramos condenados a viver procurando no mundo e na hist\u00f3ria, nas nossas capacidades t\u00e9cnicas ou \u00e9ticas, o sentido para o viver e para o morrer, a liberta\u00e7\u00e3o dos nossos males \u2014 mas\u00a0 diria que, no final, n\u00e3o vale a pena esperar em Deus\u2026 N\u00e3o seria o Salvador!<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Mas n\u00e3o. Jesus n\u00e3o morreu nem como l\u00edder de uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, nem como resignado, nem como ateu blasfemo. Jesus morreu a rezar. Morreu como Filho. No \u00faltimo e definitivo momento da sua exist\u00eancia, quis, uma vez mais, rezar, falar com o Pai. Dirigiu-lhe um grito de abandono (\u201cMeu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?\u201d), mas falou com o Pai, entregando-Lhe o seu Esp\u00edrito: \u201cPai, nas Tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Longe de ser o her\u00f3i, condutor de revoltados contra o sistema; longe de ser um resignado com os males da vida e da sociedade; longe de ser o homem ateu que abandona a f\u00e9 no momento final porque desesperado com Deus que n\u00e3o o liberta como esperava\u2026 longe de tudo isso, Jesus quis morrer a rezar. E, por isso, \u00e9 o Salvador. A salva\u00e7\u00e3o de todos. E, por isso, nos mostra como viver e como morrer.<\/p>\n<p>Naquele grito final, Jesus fez seus o sofrimento de todo o ser humano de todos os tempos. Sim, ali, naquele grito de Jesus, encontram-se as guerras, as explora\u00e7\u00f5es, as injusti\u00e7as, os sofrimentos, o mal infligido \u00e0 humanidade de todos os tempos. Ali se encontra o grito da humanidade de hoje: o grito das guerras, de Gaza \u00e0 Ucr\u00e2nia e a tantas outras partes deste nosso mundo. Ali se encontra o sofrimento daqueles que deixam a sua terra \u00e0 procura duma vida mais humana. Ali se encontra o grito dos injusti\u00e7ados do nosso tempo. Ali se encontra at\u00e9 o grito da cria\u00e7\u00e3o violentada\u2026 Como \u00e9 enorme, intenso, dram\u00e1tico, pesado, aquele grito de Jesus, que, desde aquele lugar onde a tradi\u00e7\u00e3o judaica tinha colocado o t\u00famulo de Ad\u00e3o, se ergue at\u00e9 ao mais alto dos C\u00e9us, at\u00e9 Deus.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 o Meu Filho muito amado; escutai-O\u201d \u2014 assim o Pai tinha ordenado aos disc\u00edpulos dias antes. Mas, agora, eis que, na Cruz, a voz do Filho se ergue como voz do Homem, voz de toda a humanidade em dire\u00e7\u00e3o ao Pai. E o Pai n\u00e3o iria escut\u00e1-la?<\/p>\n<p>Jesus viveu a rezar e morreu a rezar. No final, uma vez mais, Deus: Deus que partilha, que faz seus os nossos sofrimentos e a nossa morte. No final, Deus que acende, por entre o mais dram\u00e1tico do humano, uma luz de sentido: n\u00e3o nos salvamos a n\u00f3s mesmos, mas somos salvos por Deus em Jesus; n\u00e3o nos salvamos a n\u00f3s mesmos mas, unidos a Jesus que fez seu o nosso sofrimento e a nossa morte, podemos fazer nossa a sua vida eterna.<\/p>\n<p>No final, como no in\u00edcio, Deus, a ora\u00e7\u00e3o \u2014 no final, como no in\u00edcio e no decorrer da nossa vida. Que gra\u00e7a maior que a gra\u00e7a da ora\u00e7\u00e3o? A gra\u00e7a de vivermos unidos \u00c0quele que \u00e9 o sentido de tudo, do viver e do morrer, do sofrer e do rir, da esperan\u00e7a, do sonho e da vit\u00f3ria?<\/p>\n<p>Com Jesus, no viver e no morrer, a ora\u00e7\u00e3o. Deus e o ser humano na sua verdade total.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":213644,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186],"class_list":["post-319968","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319968","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=319968"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319968\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/213644"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=319968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=319968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=319968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}