{"id":319926,"date":"2024-03-29T18:29:19","date_gmt":"2024-03-29T18:29:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=319926"},"modified":"2024-03-29T18:29:19","modified_gmt":"2024-03-29T18:29:19","slug":"porto-homilia-de-d-manuel-linda-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/porto-homilia-de-d-manuel-linda-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Porto: Homilia de D. Manuel Linda na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_319930\" aria-describedby=\"caption-attachment-319930\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-319930\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Paixao-2024_Porto3-390x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Paixao-2024_Porto3-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Paixao-2024_Porto3-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Paixao-2024_Porto3-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Paixao-2024_Porto3-391x260.jpeg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Paixao-2024_Porto3-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Paixao-2024_Porto3.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-319930\" class=\"wp-caption-text\">Foto Diocese do Porto<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esta hist\u00f3ria da Paix\u00e3o que agora escutamos parece terminar com o maior desalento e com o negrume do desespero: \u201cFoi a\u00ed que, por causa da Prepara\u00e7\u00e3o dos judeus, porque o sepulcro ficava perto, depositaram Jesus\u201d. Como se tudo a\u00ed tivesse acabado. Como se n\u00e3o se esperasse a luz radiosa de uma manh\u00e3 pr\u00f3xima. Por\u00e9m, no dia \u00abanivers\u00e1rio\u00bb destes acontecimentos, s\u00f3 lemos a refer\u00eancia aos factos que se deram nessa sexta-feira, pois reservamos para Domingo o ocorrido nesse dia. E esse vai ser um dia de aleluias e imensa alegria. Como, certamente, esperaram os pouco crentes que acompanharam Jesus nestes seus passos decisivos. Entre os quais, Maria, Sua M\u00e3e. Ela e os outros esperaram. Embora, certamente, com l\u00e1grimas nos olhos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">De facto, como acontece com a f\u00e9, a esperan\u00e7a \u00e9 continuamente posta \u00e0 prova, n\u00e3o s\u00f3 pela fragilidade que nos habita, mas tamb\u00e9m pelo mal que nos cerca e incomoda. Mas \u00e9 a\u00ed que somos convidados a dar \u201craz\u00f5es da nossa esperan\u00e7a\u201d (1Pd 3, 15). Como neste nosso tempo, em que os crist\u00e3os sobrantes se t\u00eam de agarrar ao patamar da f\u00e9 e \u00e0 \u00e2ncora da esperan\u00e7a para n\u00e3o se sentirem estranhos no mundo e, se calhar, objeto de curiosidade dos n\u00e3o crentes. O resultado \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o profunda ou a certeza mais viva que a cruz de Cristo trouxe-nos a vit\u00f3ria que n\u00f3s n\u00e3o poder\u00edamos conseguir por n\u00f3s mesmos. \u00c9 a certeza da prova daquela afirma\u00e7\u00e3o solene de Paulo, embora, porventura, pouco conhecida e menos comentada: o Senhor Jesus, \u201cdepois de ter despojado os Poderes e as Autoridades deste mundo, exp\u00f4-las publicamente em espet\u00e1culo, e celebrou o triunfo que na cruz obtivera sobre eles\u201d (Col 2, 15).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sobre a cruz, Deus carregou Jesus com os nossos pecados e com a sua morte, Jesus tomou sobre si a maldi\u00e7\u00e3o introduzida por Ad\u00e3o (Gal 3, 13). Pela sua morte, Jesus destruiu as obras do diabo (Jo 12, 31; Heb 2, 14; 1Jo 3, 8). E essas obras do diabo tamb\u00e9m passam pela destrui\u00e7\u00e3o daquelas virtudes que, de t\u00e3o determinantes, as chamamos teologais: a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade. Sim, o diabo n\u00e3o suporta a f\u00e9, nem a esperan\u00e7a, nem a caridade. Ele \u00e9 a oposi\u00e7\u00e3o a tudo isso. Particularmente \u00e0 esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como dizia no princ\u00edpio, a hist\u00f3ria de Jesus Cristo n\u00e3o terminou com a sua morte. A sua ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a base da mensagem do Evangelho. Porque, como nos diz S. Paulo, \u201cse Cristo n\u00e3o ressuscitou\u2026\u201d (1Cor 15, 12-19), a prega\u00e7\u00e3o seria em v\u00e3o. E a f\u00e9 seria em v\u00e3o. Sem a ressurrei\u00e7\u00e3o estar\u00edamos sempre \u201cnas sombras da morte\u201d (Lc 1, 79). Mas n\u00f3s n\u00e3o permanecemos na morte, mas no vigor e plenitude da vida. N\u00e3o ficamos paralisados, atrofiados, inibidos. Estamos bem ativos, sol\u00edcitos, edificadores.\u00a0 Somos an\u00fancio de vida nova, porque j\u00e1 a temos em n\u00f3s. E isto \u00e9 a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">De facto, a esperan\u00e7a, como virtude escatol\u00f3gica, n\u00e3o impele \u00e0 fuga do presente, mas impulsiona \u00e0 a\u00e7\u00e3o. \u00c9 ela que fomenta o di\u00e1logo e a fraternidade no meio de tantas situa\u00e7\u00f5es de conflito, de desigualdades, de sofrimento. \u00c9 ela que n\u00e3o se resigna \u00e0 guerra, mas apela \u00e0 paz, oportuna e inoportunamente. \u00c9 ela que nos motiva \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, pois s\u00f3 quem espera \u00e9 capaz de rezar, porque orar \u00e9 dirigir-se a um Outro, confiando, confiando-se e confiando-lhe os problemas do mundo quando parece que, por n\u00f3s, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais a fazer. E, especialmente no campo da Igreja, \u00e9 ela quem combate a idealiza\u00e7\u00e3o do passado e a vis\u00e3o apocal\u00edptica do presente, como se o passado fosse uma maravilha \u2013o que \u00e9 mentira- e o presente uma desgra\u00e7a, como se o bem sem medida e os imensos Cireneus e Ver\u00f3nicas tivessem desaparecido do mundo. A Igreja, ao viver a esperan\u00e7a e da esperan\u00e7a, presta um servi\u00e7o \u00e0 f\u00e9 e aos crentes, mas n\u00e3o menos ao mundo, pois liberta, abre para a luz e contribuiu para que a sede de Deus seja saciada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Irm\u00e3s e irm\u00e3os, a Igreja assume-se como um povo peregrino em caminho. E s\u00f3 caminha porque acredita na meta que a todos espera. Sim, a Igreja vive da esperan\u00e7a, at\u00e9 porque, como diria Charles de Gaulle, \u201co fim da esperan\u00e7a \u00e9 o come\u00e7o da morte\u201d. E n\u00f3s somos vida, somos ressurrei\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p><em>D. Manuel Linda<br \/>\nBispo do Porto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":5,"featured_media":319930,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187],"class_list":["post-319926","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=319926"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319926\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/319930"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=319926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=319926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=319926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}