{"id":319902,"date":"2024-03-29T17:07:56","date_gmt":"2024-03-29T17:07:56","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=319902"},"modified":"2024-03-29T17:34:10","modified_gmt":"2024-03-29T17:34:10","slug":"evora-homilia-de-d-francisco-senra-coelho-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/evora-homilia-de-d-francisco-senra-coelho-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"\u00c9vora: Homilia de D. Francisco Senra Coelho na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_319907\" aria-describedby=\"caption-attachment-319907\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Evora_celebracao-da-Paixao2024-2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-319907 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Evora_celebracao-da-Paixao2024-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Evora_celebracao-da-Paixao2024-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Evora_celebracao-da-Paixao2024-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Evora_celebracao-da-Paixao2024-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Evora_celebracao-da-Paixao2024-2-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Evora_celebracao-da-Paixao2024-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Evora_celebracao-da-Paixao2024-2.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-319907\" class=\"wp-caption-text\">Foto Arquidiocese de \u00c9vora<\/figcaption><\/figure>\n<ol>\n<li>Tudo est\u00e1 consumado (cf. Jo 19, 30). E todo Ele est\u00e1 consumido. Jesus consumou a Sua miss\u00e3o e consumiu a Sua vida: consumiu a Sua vida ao consumar a Sua miss\u00e3o. Estar\u00e1 tudo terminado? \u00c9 \u00f3bvio que Jesus morreu. Mas os primeiros crist\u00e3os n\u00e3o entenderam a Sua morte como o fim de tudo, mas o in\u00edcio de uma Vida Nova. A Liturgia Pascal, como express\u00e3o da F\u00e9 da Igreja, garante que Jesus \u00abdestruiu a morte\u00bb. \u00c0 Luz da mesma F\u00e9, Santo Agostinho ensina que Jesus, com a Sua morte, matou a morte: \u00abem Si, Ele matou a morte\u00bb!<\/li>\n<\/ol>\n<p>Guiados por S\u00e3o Jo\u00e3o, que espelha a F\u00e9 das primeiras comunidades crist\u00e3s, no relato que ouvimos n\u00e3o \u00e9 dito \u2013 explicitamente \u2013 que Jesus morreu. O que ouvimos, nesta Sexta-Feira Santa, \u00e9 que, ap\u00f3s ter dito que \u00abtudo estava consumado\u00bb, Jesus \u00abinclinou a cabe\u00e7a\u00bb e \u00abentregou o Esp\u00edrito\u00bb (\u00abpar\u00e9d\u00f4ken t\u00f2 Pneuma\u00bb) [Jo 19, 30]. Sucede que inclinar a cabe\u00e7a \u00e9 pr\u00f3prio n\u00e3o s\u00f3 de quem morre, mas tamb\u00e9m de quem adormece para acordar e viver de novo. Desde sempre, a Igreja acredita ter nascido n\u00e3o \u00abdo lado morto\u00bb, mas do \u00ablado adormecido\u00bb de Cristo. Tamb\u00e9m n\u00f3s, adormecendo em Cristo, com Ele ressuscitaremos.<\/p>\n<p>Acresce que a \u00abentrega do Esp\u00edrito\u00bb n\u00e3o tem de ser um indicador de morte. \u00abEntregar o Esp\u00edrito\u00bb (a Deus e aos homens) \u00e9 uma poderosa demonstra\u00e7\u00e3o de vida \u00e9 dar a vida no gesto maior do Amor: \u201cN\u00e3o h\u00e1 maior prova de amor do que dar a vida pelo irm\u00e3o\u201d(Jo 15, 13-15). Haja em vista que, na B\u00edblia, o Esp\u00edrito \u00e9 sin\u00f3nimo de vida, pelo que entregar o Esp\u00edrito, <em>pneuma<\/em>, \u00e9 entregar a vida (cf.\u00a0 Jo 6, 63). N\u00e3o foi o que Jesus sempre fez? Eis-nos perante o desafio de revelar um novo rosto de Igreja, que como M\u00e3e de cora\u00e7\u00e3o aberto, acolhe e d\u00e1 a vida. Eis o desafio de vivermos nesta Semana Santa de 2024, o mandato de Jesus, assumindo no nosso compromisso pastoral: \u201cPor isso reconhecer\u00e3o que sois meus disc\u00edpulos: Se vos amardes uns aos outros como eu vos amo\u201d (Jo 13, 35).<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>\u00c9 verdade que Ele foi dado como morto (cf. Jo 19, 33) e sepultado (cf. Mc 15, 46). Espantoso \u00e9, todavia, o significado teol\u00f3gico atribu\u00eddo a este facto biol\u00f3gico. \u00c9 que Jesus \u2014 mesmo depois de tudo ter consumado e de todo Ele Se ter consumido \u2014 n\u00e3o parou de Se entregar. S\u00e3o Jo\u00e3o \u00e9 o \u00fanico evangelista que nos d\u00e1 conta do soldado que \u00abpicou\u00bb o \u00ablado\u00bb de Jesus com uma lan\u00e7a (cf. Jo 19, 34). Sim, \u00abpicou\u00bb. Segundo os exegetas do Novo Testamento, a tradu\u00e7\u00e3o mais fiel do que se encontra no texto: \u00ab\u00e9nyxen\u00bb \u00e9 o aoristo do verbo \u00abn\u00fdss\u00f4\u00bb, que quer dizer \u00abpicar\u00bb ou \u00abperfurar\u00bb. Seria uma esp\u00e9cie de certid\u00e3o de \u00f3bito daquele tempo: de facto, est\u00e1 morto! Habitualmente, as tradu\u00e7\u00f5es dizem que o soldado \u00abtrespassou\u00bb o lado de Jesus. E, no fundo, este acto de \u00abpicar\u00bb foi um aut\u00eantico \u00abtrespasse\u00bb: de um lado para o outro; do lado de dentro jorrou para o lado de fora, do lado de Deus para o lado do homem.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 do lado de dentro (isto \u00e9, do lado de Deus) que brotam as fontes da salva\u00e7\u00e3o: o \u00absangue e a \u00e1gua\u00bb (cf. Jo 19, 34). Mas como era poss\u00edvel dar mais quem j\u00e1 tinha dado tudo? Acontece que Jesus \u00e9 d\u00e1diva sem fim, \u00e9 d\u00e1diva at\u00e9 para l\u00e1 do fim. O \u00absangue e a \u00e1gua\u00bb que correm do Seu lado aberto continuam a escorrer pelo mundo inteiro: a \u00e1gua para lavar e o sangue para redimir. A \u00e1gua sempre foi vista como alus\u00e3o ao sacramento do Baptismo e o sangue sempre foi acolhido como s\u00edmbolo do sacramento da Eucaristia.<\/p>\n<p>Admir\u00e1vel \u00e9 que, uma vez mais, se fa\u00e7a sobressair uma luminosa afirma\u00e7\u00e3o de vida. A inten\u00e7\u00e3o de espetar a lan\u00e7a \u2014 e trespassar o corpo \u2014 era para testar a morte. S\u00f3 que aquele cora\u00e7\u00e3o estava repleto de vida:\u00a0 da vida que, pelo Seu Filho, Deus ofereceu \u00e0 humanidade. Como recordou o Papa Pio XII foi \u00abdo cora\u00e7\u00e3o ferido do Redentor que nasceu a Igreja\u00bb. O cora\u00e7\u00e3o sinaliza o imenso amor \u00abque moveu o nosso Salvador a celebrar o Seu m\u00edstico matrim\u00f3nio com a Igreja\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso notar como tamb\u00e9m Eva, a primeira mulher da humanidade, fora constitu\u00edda a partir do lado (tsel\u00e1) do primeiro homem adormecido (cf. Gen 2, 21-22). N\u00e3o \u00e9, portanto, em v\u00e3o que o Catecismo sufraga esta conex\u00e3o: \u00abDa mesma forma que Eva foi formada do lado de Ad\u00e3o adormecido, tamb\u00e9m a Igreja nasceu do cora\u00e7\u00e3o trespassado de Cristo morto na Cruz\u00bb.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Amanh\u00e3, S\u00e1bado Santo, com Maria, M\u00e3e e Modelo de todos n\u00f3s, Disc\u00edpulos Mission\u00e1rios, iremos acompanhar Jesus na sepultura. Tamb\u00e9m esta \u00e9 encarada n\u00e3o como um lugar de aniquilamento, mas de repouso. Os Crist\u00e3os chamaram na antiguidade e continuam a denominar aos campos onde s\u00e3o sepultados os mortos \u201ccemit\u00e9rios\u201d, que significa \u201cdormit\u00f3rios\u201d, consequ\u00eancia do sono de Cristo. Tal como Deus repousa ap\u00f3s a obra da cria\u00e7\u00e3o (cf. Gen 2, 2), tamb\u00e9m o Filho de Deus repousa ap\u00f3s a obra da reden\u00e7\u00e3o. Neste Seu repouso, Jesus est\u00e1 em plena actividade. Ele vai aos infernos, ou seja aos inferiores da cria\u00e7\u00e3o, visitar os mortos. Como refere um conhecido texto do s\u00e9culo IV, Jesus \u00abfaz quest\u00e3o de visitar os que est\u00e3o mergulhados nas trevas e na sombra da morte\u00bb. Jesus \u00e9 a \u00abvida para os mortos\u00bb e tamb\u00e9m para todos n\u00f3s quando estamos interiormente mortos pelo pecado, Ele \u00e9 capaz de nos ressuscitar e oferecer a Vida Nova.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Santo Agostinho percebeu que Jesus, ao nascer para morrer, nasceu para viver a nossa morte. \u00abParticipando da nossa morte, torna-nos participantes da Sua vida\u00bb. Jesus muda tudo: Ele vai ao ponto de nos \u00abvitalizar\u00bb na pr\u00f3pria morte!<\/p>\n<p>A vida de Jesus n\u00e3o termina, mas \u00e9 transfigurada pelo Esp\u00edrito que nos entrega \u00abda parte do Pai\u00bb (Jo 15, 26). \u00c9 no Esp\u00edrito que Jesus vive eternamente. \u00c9 no Esp\u00edrito que tamb\u00e9m n\u00f3s viveremos para sempre. Percebemos, irm\u00e3os e irm\u00e3s, que a sede de Jesus antes do \u00faltimo suspiro (cf. Jo 19, 28) n\u00e3o \u00e9 sede do fel e do vinagre que Lhe foram dados (cf. Jo 19, 29.30). Jesus tem sede de n\u00f3s: da nossa fidelidade, da nossa liberta\u00e7\u00e3o e do nosso amor. Que n\u00f3s, os seus Disc\u00edpulos do S\u00e9culo XXI, tenhamos sede d\u2019Ele como Ele tem sede de n\u00f3s. Na Sua morte, disponhamo-nos a transformar a nossa vida e a sermos testemunhas mission\u00e1rias da humaniza\u00e7\u00e3o e da redescoberta da aut\u00eantica caridade, pela d\u00e1diva da nossa vida.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>+ Francisco Jos\u00e9 Senra Coelho<br \/>\n<\/em>Arcebispo de \u00c9vora<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":319903,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[175],"class_list":["post-319902","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-evora"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319902","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=319902"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319902\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/319903"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=319902"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=319902"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=319902"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}