{"id":319889,"date":"2024-03-29T16:05:31","date_gmt":"2024-03-29T16:05:31","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=319889"},"modified":"2024-03-29T16:05:31","modified_gmt":"2024-03-29T16:05:31","slug":"braganca-miranda-homilia-de-d-nuno-almeida-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/braganca-miranda-homilia-de-d-nuno-almeida-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Bragan\u00e7a-Miranda: Homilia de D. Nuno Almeida na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_319891\" aria-describedby=\"caption-attachment-319891\" style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Braganca-Miranda_Celebracao-paixao_Foto-BLR-SDCS-4.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-319891 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Braganca-Miranda_Celebracao-paixao_Foto-BLR-SDCS-4-347x260.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Braganca-Miranda_Celebracao-paixao_Foto-BLR-SDCS-4-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Braganca-Miranda_Celebracao-paixao_Foto-BLR-SDCS-4-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Braganca-Miranda_Celebracao-paixao_Foto-BLR-SDCS-4-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Braganca-Miranda_Celebracao-paixao_Foto-BLR-SDCS-4.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-319891\" class=\"wp-caption-text\">Foto BLR\/SDCS<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Perante os \u201ccalv\u00e1rios\u201d e \u201cinfernos\u201d atuais: O amor em Sim maior!<\/strong><\/p>\n<p>1.O relato da paix\u00e3o e morte do Senhor suscita em n\u00f3s infinitas emo\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es. Cada evento narrado est\u00e1 imbu\u00eddo de um profund\u00edssimo significado, que se vai esclarecendo na escuta atenta do texto da liturgia desta Sexta-Feira Santa. Somos convidados a seguir Jesus, passo a passo, at\u00e9 \u00e0 colina rochosa do G\u00f3lgota (em aramaico), Calv\u00e1rio (em latim), isto \u00e9, do Cr\u00e2nio. Ali nos esperam, silenciosos, Maria e o Disc\u00edpulo Amado, com os olhos fixos no Crucificado. As sua \u00faltimas palavras \u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d, no grego original, bem poderiam traduzir-se por \u201cfoi atingida a meta final\u201d. Por isso, n\u00e3o se trata do fim, mas sim do in\u00edcio de uma hist\u00f3ria sublime, que ainda hoje prossegue.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 16px;\">2.A Liturgia de hoje faz-nos contemplar Aquele que \u00e9 elevado sobre a cruz, que \u201csobe\u201d descendo, despojando-se e entregando-se: Sendo Deus, desce ao fazer-se Homem; sendo Homem, faz-se servidor; sendo Servo faz-se P\u00e3o na Eucaristia, sendo nosso Alimento (para entrar na nossa hist\u00f3ria pessoal, familiar e comunit\u00e1ria), faz-se nada de amor na Cruz e revela-nos a beleza do amor que salva (veio para salvar e n\u00e3o para condenar\u2026). O que pode fazer mais Jesus para vir ao nosso encontro, entrela\u00e7ar-se na nossa vida, entrar em comunh\u00e3o connosco? O que pode fazer mais para nos manifestar o seu amor? O que poder\u00e1 fazer para nos apontar o mesmo caminho de salva\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<\/span>H\u00e1 que olhar em cada instante, n\u00e3o tanto para a Cruz, mas para o Crucificado, n\u00e3o tanto para a dor, mas para a beleza do amor que salva, do amor entregue at\u00e9 ao fim, express\u00e3o, narra\u00e7\u00e3o suprema do amor de Deus.<\/p>\n<p>3.Jesus aceita a cruz com liberdade e amor. Sobe ao calv\u00e1rio e desce aos infernos. <strong>Quais s\u00e3o hoje os nossos \u201ccalv\u00e1rios\u201d e a que \u201cinfernos\u201d urge o Senhor descer para salvar?<br \/>\n<\/strong>A n\u00f3s tamb\u00e9m nos entrega ao mundo com a miss\u00e3o de n\u00e3o passar ao largo e olhar para outro lado perante os \u201ccalv\u00e1rios\u201d e os \u201cinfernos\u201d do nosso tempo. Perante as atuais cruzes e outros instrumentos de tortura e morte. Esses instrumentos chamam-se hoje: guerras, fome, prepot\u00eancia, domina\u00e7\u00e3o, escravid\u00e3o, indiferen\u00e7a e falta de vontade real e eficaz de baixar da cruz a tantas pessoas crucificadas.<\/p>\n<p>Ontem, na televis\u00e3o, uma jovem sobrevivente do terr\u00edvel atentado de Moscovo, lan\u00e7ava um forte e emocionado apelo: sejamos mais bondosos e mais humanos uns para com os outros, n\u00e3o esperemos por momentos dram\u00e1ticos como aquele que vivemos!<\/p>\n<p>Logo a seguir, os meus olhos encheram-se de l\u00e1grimas e do meu cora\u00e7\u00e3o brotou uma ora\u00e7\u00e3o de clamor perante as imagens de um beb\u00e9 desnutrido num dos miser\u00e1veis hospitais de Gaza. Mas s\u00e3o tantas as crian\u00e7as que agora ali morrem de fome e v\u00edtimas das armas. E s\u00e3o tantos outros os \u201ccalv\u00e1rios\u201d e os \u201cinfernos\u201d do nosso tempo!<\/p>\n<p>Cristo foi morto injustamente e, por isso, temos obriga\u00e7\u00e3o de dizer que quem ofende e suprime a vida do Homem ofende e suprime a Cristo. N\u00e3o nos calemos para defender a dignidade da vida. Precisamos de uma ardente e corajosa a\u00e7\u00e3o educativa em favor da vida. Podem ajudar-nos as palavras atual\u00edssimas do Conc\u00edlio Vaticano II, na <em>Gaudium et Spes<\/em>: \u201c<em>As coisas que atentam contra a pr\u00f3pria vida, como s\u00e3o os homic\u00eddios de qualquer esp\u00e9cie, os abortos, a eutan\u00e1sia e o pr\u00f3prio suic\u00eddio volunt\u00e1rio; tudo aquilo que constitui uma viola\u00e7\u00e3o da integridade da pessoa humana, como s\u00e3o as mutila\u00e7\u00f5es, as torturas morais ou f\u00edsicas, as psicol\u00f3gicas; tudo o que ofende a dignidade do homem, como s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es infra humanas de vida, as pris\u00f5es arbitr\u00e1rias, as deporta\u00e7\u00f5es, a escravatura, a prostitui\u00e7\u00e3o, o com\u00e9rcio de mulheres e raparigas, ou ainda as condi\u00e7\u00f5es de trabalho degradantes, que reduzem os oper\u00e1rios a instrumentos de lucro, sem ter em conta a sua personalidade livre e respons\u00e1vel; todas estas coisas e outras semelhantes s\u00e3o, na verdade, uma inf\u00e2mia; enquanto corrompem a civiliza\u00e7\u00e3o humana, desonrando os que a elas se entregam mais do que aqueles que sofrem a inj\u00faria: e s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 honra devida ao criador<\/em>\u201d (GS 27). S\u00e3o muitos os \u201ccalv\u00e1rios\u201d e os \u201cinfernos\u201d do nosso tempo!<\/p>\n<p>4.A celebra\u00e7\u00e3o de Sexta-feira Santa ensina-nos que h\u00e1 tr\u00eas tipos de sofrimento: o que n\u00f3s provocamos ou sofremos por causa dos outros, o sofrimento que est\u00e1 na natureza, o sofrimento necess\u00e1rio para um bem maior \u2013 o primeiro h\u00e1 que evit\u00e1-lo sempre, o segundo h\u00e1 que aceit\u00e1-lo, o terceiro \u00e9 preciso assumi-lo corajosamente. A dor faz parte da vida. O mais importante \u00e9 o modo como enfrentamos o sofrimento. A atitude que temos est\u00e1 do nosso lado. Porque \u00e9 que Jesus suportou tanta dor? Por amor! \u201c<em>Ningu\u00e9m tem maior amor do que quem d\u00e1 a vida pelos amigos<\/em>\u201d (Jo 15, 13). Quem percorre o caminho do amor tem muitas vezes de enfrentar situa\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis. Quem se decide contra a viol\u00eancia parece que pertence ao grupo dos perdedores e at\u00e9 poder\u00e3o tro\u00e7ar dele. Mas \u00e9 este o caminho certo. Jesus, para salvar o mundo, toma sobre Si o sofrimento.<\/p>\n<p>As palavras \u201camou-os at\u00e9 ao fim\u201d significam: at\u00e9 ao fim da sua vida, at\u00e9 ao \u00faltimo suspiro. Mas tamb\u00e9m cont\u00eam a ideia de perfei\u00e7\u00e3o. Querem dizer: amou-os completamente, totalmente, com uma intensidade extrema, em Sim Maior! Tocamos nestas palavras o estilo da vida de Cristo, o seu modo de amar!<\/p>\n<p>Jesus vive a trag\u00e9dia do Calv\u00e1rio para dar aos \u201cseus\u201d e a todos, para al\u00e9m das suas extraordin\u00e1rias palavras, para al\u00e9m dos seus milagres, para al\u00e9m das suas obras, tamb\u00e9m a vida. Oferece-se at\u00e9 \u00e0 morte, gritando o abandono do Pai, at\u00e9 ao ponto de poder dizer: \u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>Senhor Jesus Crucificado,<br \/>\n<\/em><\/strong><strong><em>Hoje queremos confiar-Te<br \/>\n<\/em><\/strong><strong style=\"font-size: 16px;\"><em>Todos os \u201ccrucificados\u201d deste nosso tempo de viol\u00eancia.<br \/>\n<\/em><\/strong><strong><em>Pedimos-te tamb\u00e9m por todos \u201ccireneus\u201d,<br \/>\n<\/em><\/strong><strong><em>que aliviam o peso da Cruz dos seus irm\u00e3os.<br \/>\n<\/em><\/strong><strong><em>D\u00e1-lhes for\u00e7a, Senhor Jesus Crucificado,<br \/>\n<\/em><\/strong><strong><em>para que continuem a usar o cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\n<\/em><\/strong><strong><em>e imitando-Te suavizem a dor e a solid\u00e3o,<br \/>\n<\/em><\/strong><strong><em>estendendo a m\u00e3o.<br \/>\n<\/em><\/strong><strong><em>Senhor Jesus Crucificado,<br \/>\n<\/em><\/strong><strong><em>abra\u00e7a a todos os que sofrem<br \/>\n<\/em><\/strong><strong><em>e a todos os que aliviam ou curam os que padecem! \u00c1men!<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><em>+Nuno Almeida<br \/>\n<\/em>Bispo de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":319890,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[173],"class_list":["post-319889","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braganca-miranda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=319889"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319889\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/319890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=319889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=319889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=319889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}