{"id":319748,"date":"2024-03-28T21:59:09","date_gmt":"2024-03-28T21:59:09","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=319748"},"modified":"2024-03-28T22:22:52","modified_gmt":"2024-03-28T22:22:52","slug":"setubal-homilia-de-d-americo-aguiar-na-missa-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/setubal-homilia-de-d-americo-aguiar-na-missa-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Set\u00fabal: Homilia de D. Am\u00e9rico Aguiar na Missa da \u00abCeia do Senhor\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_319749\" aria-describedby=\"caption-attachment-319749\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Setubal_missa_ceia_senhor_Foto-Diocese-de-Setubal-Ricardo-Perna.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-319749 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Setubal_missa_ceia_senhor_Foto-Diocese-de-Setubal-Ricardo-Perna-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Setubal_missa_ceia_senhor_Foto-Diocese-de-Setubal-Ricardo-Perna-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Setubal_missa_ceia_senhor_Foto-Diocese-de-Setubal-Ricardo-Perna-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Setubal_missa_ceia_senhor_Foto-Diocese-de-Setubal-Ricardo-Perna-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Setubal_missa_ceia_senhor_Foto-Diocese-de-Setubal-Ricardo-Perna-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Setubal_missa_ceia_senhor_Foto-Diocese-de-Setubal-Ricardo-Perna.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-319749\" class=\"wp-caption-text\">Foto Diocese de Set\u00fabal\/Ricardo Perna<\/figcaption><\/figure>\n<p>Irm\u00e3s e irm\u00e3os em Cristo, sauda\u00e7\u00f5es fraternas a todos, todos, todos.<\/p>\n<p>Releio palavras que acabamos de ouvir:<\/p>\n<p>\u00abFalai a toda a comunidade de Israel\u2026<\/p>\n<p>Se uma fam\u00edlia for pequena junte-se ao vizinho (\u2026) toda assembleia da comunidade de Israel o imolar\u00e1 (\u2026 ) comereis a toda a pressa: \u00e9 a P\u00e1scoa do Senhor. Esse dia ser\u00e1 para v\u00f3s uma data memor\u00e1vel. Festej\u00e1-lo-eis de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o como institui\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abO Senhor Jesus na noite em que ia ser entregue tomou o p\u00e3o (\u2026) tomou o c\u00e1lice (\u2026) todas as vezes que comerdes deste p\u00e3o e beberdes deste c\u00e1lice, anunciareis a morte do Senhor, at\u00e9 que Ele venha.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abAntes da Festa da P\u00e1scoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora (\u2026) Ele que amara os seus que estavam no mundo, amou-os at\u00e9 ao fim (\u2026) come\u00e7ou a lavar os p\u00e9s aos disc\u00edpulos (\u2026) se n\u00e3o tos lavar, n\u00e3o ter\u00e1s parte comigo.\u00bb<\/p>\n<p>Ler a Palavra de Deus leva-nos at\u00e9 \u00e0queles dias, Situa-nos no tempo e no espa\u00e7o, porque a Palavra \u00e9 Vida, real, vivida entre homens e mulheres em tudo iguais a n\u00f3s.<\/p>\n<p>Mas compreendemos realmente, o que ouvimos proclamar em cada uma das leituras? Compreendemos apenas com uma escuta atenta, ou permitimos que a Palavra ressoe no cora\u00e7\u00e3o aberto que nos trouxe at\u00e9 aqui, hoje, neste dia de chuva e de vento?<\/p>\n<p>Para tudo na vida precisamos de disponibilidade, isto \u00e9, de estarmos dispostos a, de estarmos sem receios, nem desconfian\u00e7as, nem outros pensamentos. Precisamos de ter os olhos abertos, o cora\u00e7\u00e3o atento. Hoje e aqui, n\u00e3o num dia distante, n\u00e3o quando for poss\u00edvel&#8230;<\/p>\n<p>No tempo de Jesus, as dificuldades e fragilidades humanas eram muito semelhantes \u00e0s do nosso tempo. Por isso foi o pr\u00f3prio Jesus quem disse: \u00abcompreendeis o que vos fiz? Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, v\u00f3s fa\u00e7ais tamb\u00e9m. V\u00f3s me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os p\u00e9s, tamb\u00e9m v\u00f3s deveis lavar os p\u00e9s uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que fa\u00e7ais a mesma coisa que eu fiz\u00bb (Jo 13, 12-15).<\/p>\n<p>\u00c9 este o exemplo do Senhor que temos de ver e ouvir. Ele que \u00e9 o Filho de Deus, ajoelha-se e lava os p\u00e9s de outros. Aquele que est\u00e1 mais elevado deve estar ao servi\u00e7o dos outros. Para l\u00e1 do que aconteceu naquele momento, naquele encontro entre Jesus e os Seus disc\u00edpulos, precisamos de reconhecer a for\u00e7a deste s\u00edmbolo, deste sinal. Lavar os p\u00e9s significa: \u201ceu estou ao teu servi\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>E entre n\u00f3s? N\u00e3o se espera que devamos lavar os p\u00e9s, todos os dias uns dos outros&#8230; mas qual \u00e9 o seu significado? Significa que nos devemos ajudar verdadeiramente uns aos outros.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, todos podemos pensar mal de algu\u00e9m, deste colega, daquele familiar&#8230; mas o que nos \u00e9 pedido \u00e9 que sejamos capazes de esquecer, como ouvimos dizer: \u201cdeixa para l\u00e1, deixa para l\u00e1\u201d<\/p>\n<p>E se essa pessoa te vier a pedir um favor, f\u00e1-lo. F\u00e1-lo sem maus pensamentos, sem ressentimentos. Digo-vos isto, partindo da minha pr\u00f3pria experi\u00eancia de vida. Porque acredito profundamente que ajudarmo-nos uns aos outros, com o cora\u00e7\u00e3o leve e sem fazer muitas contas \u00e0s queixas, raz\u00f5es, e faltas de raz\u00e3o \u00e9 o que Jesus nos ensina e nos pede.<\/p>\n<p>E acreditem que \u00e9 isto que eu fa\u00e7o, e o fa\u00e7o de cora\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 o meu dever, mas porque foi e \u00e9 a escolha da minha vida, feita em total liberdade e num desejo honesto de caminhar pelos passos de Nosso Senhor.<\/p>\n<p>O Papa Francisco, numa Celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor, disse as palavras que vos quero repetir hoje e aqui: \u00abComo sacerdote e como Bispo, devo estar ao vosso servi\u00e7o. Mas \u00e9 um dever que me vem do cora\u00e7\u00e3o: amo-o. Amo-o e amo faz\u00ea-lo porque o Senhor assim me ensinou. Mas v\u00f3s tamb\u00e9m, ajudai-nos: ajudai-nos sempre. Um ao outro. E assim, ajudando-nos, faremos o bem para n\u00f3s mesmo.\u00bb (Papa Francisco, Missa da Ceia do Senhor 2013)<\/p>\n<p>Mas voltemos \u00e0quela Festa, que levou Jesus e os seus disc\u00edpulos at\u00e9 Jerusal\u00e9m. Bem sabemos que a P\u00e1scoa marca na mente e no cora\u00e7\u00e3o dos judeus a liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o. Naquele dia tudo se preparou para a grande festa da P\u00e1scoa, como ouvimos recentemente no relato da Paix\u00e3o. Jesus quis celebrar a P\u00e1scoa com os seus.<\/p>\n<p>Quando visitamos a Terra de Jesus, \u00e9 habitual termos a gra\u00e7a de poder visitar a \u201cSala do Cen\u00e1culo\u201d onde Jesus e os disc\u00edpulos celebraram a P\u00e1scoa. Tamb\u00e9m sabemos que tudo estaria a correr conforme aos ritos de ent\u00e3o, mas quando Jesus tem palavras e gestos fora do \u201cgui\u00e3o\u201d, todos os presentes, atentos, come\u00e7aram a estranhar as sa\u00eddas do ritual. Jesus, o Filho de Deus disse palavras e teve gestos diferentes, \u00fanicos\u2026 gestos que at\u00e9 \u201choje\u201d se fazem.<\/p>\n<p>E a leitura dos Evangelhos diz-nos que os disc\u00edpulos, a come\u00e7ar por Pedro, foram reagindo a acolhendo o que n\u00e3o conheciam nem entendiam. Perante a insist\u00eancia do pr\u00f3prio Jesus que os questionava \u00abcompreendeis o que vos fiz?\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 bom que todos os dias, sempre que nos reunimos em assembleia para celebrarmos a Eucaristia, nos interroguemos de verdade: compreendemos o que Jesus \u201cfez\u201d e \u201cfaz\u201d por mim, pelos meus, por aqueles de quem gosto muito ou n\u00e3o gosto nada?!<\/p>\n<p>Estou certo de que tenho, temos muito para compreender e para assimilar no nosso cora\u00e7\u00e3o fazendo resplandecer no nosso rosto aquilo de que os nossos irm\u00e3os necessitam para que sejamos O rosto do Ressuscitado.<\/p>\n<p>Nas sacristias das capelas e orat\u00f3rios da Irm\u00e3s da Caridade encontramos sempre um pequeno cartaz que nos lembra, a n\u00f3s Padres, o seguinte: \u201cCelebra esta Eucaristia como se fosse a primeira, como se fosse a \u00fanica, como se fosse a \u00faltima\u201d. A primeira, at\u00e9 nos podemos recordar, assim como nos podemos recordar da nossa Primeira Comunh\u00e3o. A \u00fanica, conseguimos talvez imaginar. Mas a \u00faltima? Se hoje fosse a \u00faltima vez que nos pud\u00e9ssemos reunir para Celebrar, para Consagrar e Comungar o P\u00e3o Vivo descido dos c\u00e9us?<\/p>\n<p>Penso muitas vezes nos nossos irm\u00e3os que sobrevivem na Ucr\u00e2nia. Estive l\u00e1. Rezei junto dos mortos, celebrei junto dos vivos. Como estar\u00e3o a viver esta P\u00e1scoa? &#8230; como estar\u00e1 a ser vivida a P\u00e1scoa na Terra de Jesus?<\/p>\n<p>Compreendemos Jesus de verdade? Compreendo Jesus de verdade?<\/p>\n<p>Foi Ele que disse, \u00e9 Ele que nos diz: \u00abDei-vos o exemplo. Fazei v\u00f3s tamb\u00e9m.\u00bb Fa\u00e7amos \u2026. Sejamos.<\/p>\n<p>Termino com as palavras do nosso saudoso Papa Bento XVI, na Missa da Ceia do Senhor, na P\u00e1scoa de 2006: \u00abSenhor, Tu nos entregas hoje a Tua vida (&#8230;) Enche-nos do Teu amor. Faz-nos viver no Teu \u201choje. Faz-nos instrumentos da Tua Paz. \u00c1men.\u00bb (Papa Bento XVI, Missa da Ceia do Senhor 2006).<\/p>\n<p>Este \u00e9 o tempo de nos darmos por inteiro ao povo que nos est\u00e1 confiado e de nos darmos uns aos outros como irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Que Nossa Senhora da Gra\u00e7a rogue por n\u00f3s.<br \/>\n+Am\u00e9rico, Cardeal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":319749,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[181],"class_list":["post-319748","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-setubal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319748","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=319748"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319748\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/319749"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=319748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=319748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=319748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}