{"id":31958,"date":"2008-05-16T13:06:47","date_gmt":"2008-05-16T13:06:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/16\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-solenidade-de-santa-joana-princesa\/"},"modified":"2008-05-16T13:06:47","modified_gmt":"2008-05-16T13:06:47","slug":"homilia-do-bispo-de-aveiro-na-solenidade-de-santa-joana-princesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-solenidade-de-santa-joana-princesa\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Aveiro na Solenidade de Santa Joana Princesa"},"content":{"rendered":"<p>Celebrar a santidade e viver com esperan\u00e7a <!--more--> 1.A cidade e a diocese de Aveiro voltam, neste dia solene e festivo, o seu olhar e o seu cora\u00e7\u00e3o para Santa Joana, Princesa de Portugal, nossa Padroeira. \tSanta Joana identificou-se de tal maneira com esta terra da ria e do mar e com as gentes de Aveiro que desperta de imediato no cora\u00e7\u00e3o de todos os aveirenses, de forma natural e espont\u00e2nea, a gratid\u00e3o, a alegria, a homenagem, a devo\u00e7\u00e3o, o respeito e a venera\u00e7\u00e3o.  \tN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser aveirense sem esta devo\u00e7\u00e3o e sem esta cong\u00e9nita empatia pela sua santa padroeira, porque ao lado de muitos outros aveirenses ilustres ela nos ensina a amar e a servir Aveiro com um jeito humilde e \u00fanico e com insuper\u00e1veis gestos de benemer\u00eancia e de generosidade. Na sua vida, no seu testemunho e nas suas palavras, em suma na sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s, Aveiro redescobre continuamente a sua identidade e a sua matriz cultural e tra\u00e7a com renovada esperan\u00e7a o caminho de um futuro belo e solid\u00e1rio. \tRetomemos as palavras com que Monsenhor Jo\u00e3o Gaspar, Vig\u00e1rio Geral da Diocese, conclui a biografia da nossa santa padroeira: \u201cPara as gentes crist\u00e3s da Beira-Ria, no meio de quem a Princesa ficou sepultada, as rel\u00edquias venerandas da Padroeira n\u00e3o s\u00e3o apenas um mero objecto de museu; consideram-nas, sobretudo, como termo de piedosas peregrina\u00e7\u00f5es e rodeiam-nas com o incenso de religioso amor e com o murm\u00fario de profunda prece. \u00c9 que as personagens eminentes do passado ser\u00e3o tanto mais v\u00e1lidas no presente, quanto mais a sua mem\u00f3ria veneranda e o seu testemunho extraordin\u00e1rio se tornarem presentes na vida de todos os dias\u201d (A Princesa Santa Joana e a sua \u00e9poca, p\u00e1g. 334).  \t2. Tornar presente na vida de todos os dias a mem\u00f3ria de Santa Joana e a santidade de Deus que nela, de forma t\u00e3o bela e eminente, se espelha \u00e9 a miss\u00e3o dos crist\u00e3os e constitui o renovado compromisso da Igreja de Aveiro. \tCumpre-se esta miss\u00e3o e realiza-se este compromisso sempre que, na fidelidade a Jesus Cristo, nosso Mestre e Salvador, semeamos a beleza e a alegria do Evangelho e ancoramos a esperan\u00e7a crist\u00e3 de uma sociedade justa e fraterna, empreendedora e progressiva, onde haja lugar para Deus e espa\u00e7o irm\u00e3o para todos.                                                                                                                      \tA miss\u00e3o da Igreja, no seguimento de Jesus Cristo, vivo e ressuscitado e do testemunho de Santa Joana \u00e9 uma miss\u00e3o de servi\u00e7o. O caminho que queremos seguir \u00e9 este: o do servi\u00e7o, na escuta de Deus e de quanto o Esp\u00edrito do Ressuscitado nos inspira, para percorrermos um necess\u00e1rio e persistente itiner\u00e1rio de di\u00e1logo e de aten\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os, onde se abram horizontes de vida e de b\u00ean\u00e7\u00e3o para todos.        Consciente desta urg\u00eancia pastoral, a Igreja de Aveiro centra este ano a sua aten\u00e7\u00e3o maior no servi\u00e7o aos mais pobres, sentindo que neste modo evang\u00e9lico de servir vamos ao encontro de uma causa que \u00e9 de todos e que a Igreja aprendeu com Jesus a assumir como exig\u00eancia do amor primeiro de Deus pelo seu Povo. \tO exemplo de Santa Joana diz-nos que a Igreja nunca foi alheia, indiferente ou insens\u00edvel ao fen\u00f3meno da pobreza e aos dramas da injusti\u00e7a, da viol\u00eancia ou da mis\u00e9ria. A este mal humano e a estes dramas sociais, a Igreja responde com o imperativo da justi\u00e7a, com a ousadia da caridade e com uma proposta evang\u00e9lica de bem-aventuran\u00e7a a que a Doutrina Social procura dar concretiza\u00e7\u00e3o em cada momento e em cada realidade. \tFace aos dramas e l\u00e1grimas dos que n\u00e3o t\u00eam nada nem ningu\u00e9m, a Igreja envolve-os com a caridade terna e criativa que faz de todo o homem e mulher nossos irm\u00e3os. O exerc\u00edcio da caridade \u00e9, por parte da Igreja tamb\u00e9m um alerta, tantas vezes pioneiro e nem sempre compreendido, que nos lembre que a justi\u00e7a \u00e9 um imperativo indeclin\u00e1vel a que ningu\u00e9m se deve eximir e que o progresso equilibrado e sustent\u00e1vel exige este respeito sagrado pela pessoa humana, pela sua dignidade, liberdade e valor irrepet\u00edvel, porque em cada pessoa se espelha a imagem e a semelhan\u00e7a de Deus. \tAquilo que Santa Joana nos ensinou e ensina \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 amor poss\u00edvel nem servi\u00e7o coerente aos irm\u00e3os se n\u00e3o nascerem do amor contemplativo de Deus e se n\u00e3o se alimentarem da Eucaristia, sacramento da caridade, e p\u00e3o repartido para a vida de um mundo novo. \t\u201c Sem ac\u00e7\u00f5es a favor da justi\u00e7a e sem solidariedade da Igreja a favor dos que sofrem, o Evangelho resulta incompreens\u00edvel\u201d, recordava-nos o S\u00ednodo dos Bispos de 1974.  \tSanta Joana teve este s\u00e1bio e santo des\u00edgnio de tornar o Evangelho compreendido e amado, a santidade admirada e procurada, a f\u00e9 reconhecida e testemunhada e a vida religiosa respeitada e seguida.  \t3. Ao celebrarmos a Padroeira da cidade e da diocese dirigimos todos o pensamento e a ora\u00e7\u00e3o para a grande fam\u00edlia humana que aqui vive, estuda e trabalha, proveniente de diversificadas origens, culturas e credos.                                                                                                                        \tOlhar com desvelo para a fam\u00edlia humana que somos, porque aqui nascemos ou porque como Santa Joana fizemos desta amada cidade a nossa cidade e desta acolhedora terra a nossa terra, leva-nos a implorar da Santa Padroeira de Aveiro protec\u00e7\u00e3o e b\u00ean\u00e7\u00e3o para todas as fam\u00edlias da Diocese para todos os seus membros. \tTem redobrado sentido esta nossa ora\u00e7\u00e3o na Semana da Vida que nestes dias celebramos, sob o tema \u201c Vida com esperan\u00e7a.                                                                                               \tViver com esperan\u00e7a \u00e9 colocar-se ao lado do dom sagrado e inviol\u00e1vel da vida e lutar pelo bem, pela verdade e pela justi\u00e7a e abrindo a raz\u00e3o humana \u00e0 for\u00e7a salv\u00edfica e evangelizadora da f\u00e9. \tViver com esperan\u00e7a \u00e9 antever, como nos dizia o Livro do Apocalipse na primeira Leitura da Liturgia, um novo c\u00e9u e uma nova terra e ver, no horizonte que nos envolve, essa cidade santa que somos chamados a construir desde j\u00e1. \tViver com esperan\u00e7a leva-nos, segundo nos lembrava S. Paulo, a conhecer Jesus Cristo e centrar n\u2019Ele as raz\u00f5es da nossa esperan\u00e7a, que nos fazem, a exemplo de Santa Joana, deixar o superficial e o transit\u00f3rio para nos fixarmos no definitivo e no eterno. \tViver com esperan\u00e7a consiste em construir, com encanto e determina\u00e7\u00e3o, o futuro inscrito na vida de uma cidade jovem, sustentado em institui\u00e7\u00f5es com paradigmas de excel\u00eancia e afirmado em todo o espa\u00e7o eclesial de uma diocese nova onde crescem os dinamismos e os valores da vida e da f\u00e9 que impulsionam processos e percursos de nova evangeliza\u00e7\u00e3o. \tViver com esperan\u00e7a significa compreender a op\u00e7\u00e3o do despojamento, da humildade e da cruz com a qual Santa Joana tanto se identificou, renunciando ao fausto do pal\u00e1cio real e \u00e0s gl\u00f3rias do reino para se entregar com generosidade, alegria e fidelidade ao servi\u00e7o pleno do reino de Deus, numa vida simples e santa.  \t4.A fam\u00edlia \u00e9 a primeira escola onde esta pedagogia da santidade deve acompanhar o despertar religioso da f\u00e9 e o sentido crist\u00e3o da vida.  \tCelebrar Santa Joana ajuda-nos a compreender, hoje, o lugar e a import\u00e2ncia da pastoral vocacional e a descobrir o valor da consagra\u00e7\u00e3o de muitos ao longo dos s\u00e9culos no cora\u00e7\u00e3o da nossa cidade e ao servi\u00e7o do seu povo.            Recordemos quantos no sil\u00eancio do convento, na vida trepidante do mundo ou no servi\u00e7o do minist\u00e9rio ordenado nas comunidades crist\u00e3s e nos servi\u00e7os pastorais se consagraram e consagram a Deus na radicalidade e na fidelidade de uma entrega sem reservas e sem c\u00e1lculos. \tN\u00e3o foi em v\u00e3o nem \u00e9 para n\u00f3s indiferente que o primeiro Bispo da Diocese restaurada tenha dedicado o Semin\u00e1rio de Aveiro a Santa Joana Princesa, como primeira e insubstitu\u00edvel iniciativa a que se dedicou por inteiro at\u00e9 ao seu \u00faltimo olhar, quando h\u00e1 precisamente 50 anos se despedia da terra onde nasceu e que tanto amou e t\u00e3o bem serviu, e donde partia ao encontro de Deus. \tQuero real\u00e7ar este ano, na linha do dom da consagra\u00e7\u00e3o religiosa, a presen\u00e7a das Irm\u00e3s Carmelitas contemplativas que, retomando uma bela presen\u00e7a  e benem\u00e9rita ac\u00e7\u00e3o no centro hist\u00f3rico da nossa cidade, celebram agora o primeiro jubileu do seu regresso a Aveiro onde chegaram de novo em 1983 e aqui se encontram no Convento de Cristo Redentor.  \t \t5.Senhor, nosso Deus, ajuda-nos a celebrar dignamente Santa Joana, nossa Padroeira, a quem de novo confio a Cidade e a Diocese: os sacerdotes, presb\u00edteros e di\u00e1conos, as comunidades religiosas, as autoridades, as fam\u00edlias, as institui\u00e7\u00f5es e as pessoas de Aveiro. \tSenhor, nosso Deus, ensina-nos a dar primazia aos que mais precisam e aos que mais sofrem e a ajudar as crian\u00e7as e os jovens, que em t\u00e3o grande n\u00famero procuram as Escolas e a Universidade de Aveiro. \tSenhor, nosso Deus, faz-nos descobrir na vida da nossa Santa Padroeira uma pedagogia de evangeliza\u00e7\u00e3o e um paradigma de santidade, onde vidas com valor e com sentido se alicercem e cres\u00e7am e onde um futuro digno e feliz se anuncie e se sustente.  Aveiro, 12 de Maio de 2008 <i> + Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebrar a santidade e viver com esperan\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[126,154,170,206,246,268,306,311,314],"class_list":["post-31958","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-carmelitas","tag-crianca","tag-diocese-de-aveiro","tag-familia","tag-liturgia","tag-nova-evangelizacao","tag-semana-da-vida","tag-sinodo-dos-bispos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31958","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31958"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31958\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}