{"id":319569,"date":"2024-03-28T14:27:10","date_gmt":"2024-03-28T14:27:10","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=319569"},"modified":"2024-03-28T14:27:10","modified_gmt":"2024-03-28T14:27:10","slug":"leiria-fatima-homilia-de-d-jose-ornelas-na-missa-crismal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/leiria-fatima-homilia-de-d-jose-ornelas-na-missa-crismal\/","title":{"rendered":"Leiria-F\u00e1tima: Homilia de D. Jos\u00e9 Ornelas na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_179144\" aria-describedby=\"caption-attachment-179144\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_4329.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-179144 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_4329.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_4329.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_4329-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_4329-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_4329-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_4329-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_4329-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_4329-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_4329-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_4329-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-179144\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese de Leiria-F\u00e1tima<\/figcaption><\/figure>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s,<\/p>\n<p>Nesta manh\u00e3 de Quinta-feira da \u201cSemana Maior\u201d do ano, reunimo-nos na Igreja-M\u00e3e da nossa Diocese de Leiria-F\u00e1tima, para uma celebra\u00e7\u00e3o muito especial e reveladora daquilo que \u00e9 \u201cser Igreja\u201d e participar da sua vida e da sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Reunimo-nos, este ano, num tempo especialmente desafiador e suscitador de esperan\u00e7a. Temos ainda a mem\u00f3ria viva da JMJ 2023, como exemplo revelador da vida que o Esp\u00edrito do Senhor Jesus suscita na sua Igreja, em todo o mundo, e que se manifestou com tanta alegria entre n\u00f3s, no m\u00eas de Agosto passado. Estamos a viver um momento sinodal em toda a Igreja e, entre n\u00f3s, encet\u00e1mos um caminho de \u201cconvers\u00e3o pastoral\u201d, que pretende renovar a vida das nossas comunidades a partir da alegria do Evangelho, vivido, partilhado e anunciado, como Igreja mission\u00e1ria.<\/p>\n<p>Partimos para este projeto, pretendendo dar especial aten\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito que todos recebemos no batismo e que nos torna irm\u00e3os e irm\u00e3s, filhos e filhas do Pai do C\u00e9u. \u00c9 esta a realidade fundamental que constitui a Igreja, que nos torna a todos disc\u00edpulos de Jesus, nosso Senhor e Mestre. \u00c9 esse mesmo Esp\u00edrito que nos une, apesar da nossa diversidade, que concede dons diferentes a cada um para a edifica\u00e7\u00e3o da Igreja e para a sua miss\u00e3o no mundo. Esta \u00e9 a base, o dom fundamental, da Igreja e de cada um dos seus membros.<\/p>\n<p>\u00c9 nesta comunh\u00e3o de irm\u00e3os e irm\u00e3s, que surge tamb\u00e9m o minist\u00e9rio sacerdotal, como dom especial do Esp\u00edrito de Jesus \u00e0 sua Igreja, que hoje, de modo especial celebramos e ao qual quero dedicar alguns pontos de reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Aqueles que fomos chamados a este servi\u00e7o n\u00e3o deixamos de ser disc\u00edpulos, para passarmos a ser mestres, pois um s\u00f3 \u00e9 o Mestre de n\u00f3s todos. Mas recebemos um dom especial do Esp\u00edrito, que d\u00e1 lugar a um caminho de forma\u00e7\u00e3o e de real experi\u00eancia de servi\u00e7o na Igreja, para que, atrav\u00e9s da nossa palavra e a\u00e7\u00e3o, ajudemos os irm\u00e3os a chegar ao conhecimento e \u00e0 comunh\u00e3o com Jesus e a viverem e anunciarem tamb\u00e9m a alegria do Evangelho. Surgimos da comunidade, mas, pelo dom do Esp\u00edrito, somos igualmente dom de Deus para as comunidades a que pertencemos.<\/p>\n<p>A sinodalidade n\u00e3o vem nivelar a Igreja, tirando import\u00e2ncia aos dons estruturantes da comunidade crist\u00e3, concretamente ao minist\u00e9rio ordenado de Di\u00e1cono, Presb\u00edtero e Bispo. Pelo contr\u00e1rio, dando import\u00e2ncia aos outros minist\u00e9rios na constru\u00e7\u00e3o da comunidade, o minist\u00e9rio ordenado recentra-se na sua fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Compete-lhe presidir, coordenar, acompanhar as pessoas e os outros minist\u00e9rios, com a mesma atitude de servi\u00e7o de Jesus, de modo que a Igreja se edifique na comunh\u00e3o do Esp\u00edrito e no alegre an\u00fancio do Evangelho.<\/p>\n<p>A convers\u00e3o pastoral n\u00e3o \u00e9 apenas uma \u201creforma administrativa\u201d ou uma \u201credistribui\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de poderes\u201d. \u00c9 preciso entrar na l\u00f3gica de Jesus, que veio para oferecer o dom da vida de Deus ao mundo e se d\u00e1 totalmente por amor, com essa finalidade. Por isso, quando Ele chama algu\u00e9m para conhec\u00ea-lo, para segui-lo, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque precisa de m\u00e3o de obra. Esse \u00e9 um supremo ato de amor, que reflete o amor paterno\/materno de Deus para com o seu povo, a come\u00e7ar por aquele a quem chama.<\/p>\n<p>Antes de um servi\u00e7o e uma fun\u00e7\u00e3o, qualquer minist\u00e9rio e, de um modo especial, o minist\u00e9rio ordenado, \u00e9 um dom que se recebe, uma prefer\u00eancia, uma elei\u00e7\u00e3o, que fundam um relacionamento pessoal com Jesus, como Ele diz a Natanael: \u201cAntes de Filipe te chamar, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira!\u201d (Jo 2,48). Esse olhar de afeto pessoal e direto cria uma rela\u00e7\u00e3o viva com Jesus e com o Pai, que se traduz no convite ao discipulado e \u00e0 miss\u00e3o, pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo: \u201cAssim como o Pai me amou, assim tamb\u00e9m Eu vos amei. Permanecei no meu amor\u201d (Jo 15,9); \u201cAssim como o Pai me enviou, tamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s.\u201d (Jo 20,21). Esta comunh\u00e3o trinit\u00e1ria \u00e9 que nos torna ministros e colaboradores do projeto salvador de Jesus, associando-nos \u00e0 miss\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a base da nossa convers\u00e3o pessoal e pastoral, pois ela simplifica muitas coisas, colocando-as sempre sob o crit\u00e9rio do nosso relacionamento com Jesus atrav\u00e9s do seu Esp\u00edrito, como diz o Papa Francisco na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cEvangelii Gaudium\u201d: \u201cToda a vida de Jesus, a sua forma de tratar os pobres, os seus gestos, a sua coer\u00eancia, a sua generosidade simples e quotidiana e, finalmente, a sua total entrega, tudo \u00e9 precioso e fala \u00e0 nossa vida pessoal.\u201d (AL 265). O sentir-se amado, acompanhado, escolhido, no contato direto com Jesus na ora\u00e7\u00e3o e na contempla\u00e7\u00e3o, \u00e9 que vai criando a sintonia mission\u00e1ria com Jesus no nosso sentir, sonhar e agir. S\u00f3 desse modo nos poderemos tornar \u201coutros cristos\u201d, n\u00e3o s\u00f3 porque realizamos os gestos sacramentais que Ele nos deixou, mas porque aprendemos a amar e dar-nos segundo o seu estilo, como Ele nos diz: \u201cAprendei de mim que sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o.\u201d (Mt 11,29).<\/p>\n<p>Dessa rela\u00e7\u00e3o discipular gerada pelo Esp\u00edrito nasce igualmente uma rela\u00e7\u00e3o nova com os outros\/as que foram igualmente amados, chamados e enviados a dar fruto na miss\u00e3o: o amor de Jesus por cada um modela o relacionamento entre aqueles que vivem desse amor e o anunciam. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o vos chamo servos, pois o servo n\u00e3o sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai. N\u00e3o fostes v\u00f3s que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos enviei, para que deis fruto e o vosso fruto permane\u00e7a, para que tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo conceda. Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.\u201d (Jo 15,16-17).<\/p>\n<p>A convers\u00e3o pastoral parte, pois, da comunh\u00e3o discipular com Jesus, na leitura da Palavra, na ora\u00e7\u00e3o e na contempla\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do Esp\u00edrito, que nos liga \u00e0 Trindade de Deus e ao seu projeto de oferecer vida \u00e0 humanidade. Aqueles que somos assim unidos a Jesus somos tamb\u00e9m reunidos em Igreja e, juntos, sentimos o apelo do Esp\u00edrito, pois \u201cO amor de Cristo nos impele\u201d (2Co 5,14) em miss\u00e3o, como diz Paulo, para levar esse amor a todo o mundo.<\/p>\n<p>Na miss\u00e3o, esse relacionamento de amor do Bom Pastor \u00e9 a fonte da verdadeira alegria, da confian\u00e7a e da esperan\u00e7a, porque nos faz perceber que n\u00e3o somos n\u00f3s que agimos, mas Ele, pois a vida que podemos transmitir e os gestos sacramentais que realizamos, n\u00e3o prov\u00eam de n\u00f3s mas dele. E sentimos toda a alegria do Evangelho em perceber que esse mist\u00e9rio do amor, da gra\u00e7a, do Esp\u00edrito, passa atrav\u00e9s de n\u00f3s, apesar da nossa imperfei\u00e7\u00e3o e pequenez.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, quando ca\u00edmos na tenta\u00e7\u00e3o autorreferencial de \u201cprivatizar\u201d esse dom e de nos apoderarmos dele, ficaremos apenas com a fr\u00e1gil caricatura dos vasos de barro em que levamos tamanho tesouro. \u00c9 a liberdade do despojamento a exemplo de Cristo que \u00e9 fonte de alegria e que nos torna verdadeiros canais atrav\u00e9s dos quais pode passar a gra\u00e7a libertadora do Evangelho no nosso servi\u00e7o \u00e0 Igreja.<\/p>\n<p>Como disc\u00edpulos e ap\u00f3stolos, aprendamos de Maria, M\u00e3e e modelo da Igreja, a verdadeira atitude de liberdade, alegria e urg\u00eancia de filhos de Deus e disc\u00edpulos de Jesus, para que, com ela, possamos sempre cantar, sob a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito: \u201cA minha alma glorifica o Senhor \u2026 que olhou para a pequenez da sua serva \u2026 o Poderoso fez em mim maravilhas, Santo \u00e9 o seu nome!\u201d (Lc 1,46-49).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0S\u00e9 de Leiria, 28 de mar\u00e7o de 2024<\/em><\/p>\n<p><em>D. Jos\u00e9 Ornelas<\/em><em>, Bispo de Leiria-F\u00e1tima<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":179144,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[177],"class_list":["post-319569","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-leiria-fatima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=319569"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319569\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/179144"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=319569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=319569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=319569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}