{"id":31879,"date":"2008-05-13T11:13:06","date_gmt":"2008-05-13T11:13:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/13\/fatima-luz-de-verdade-e-de-esperanca-para-o-mundo\/"},"modified":"2008-05-13T11:13:06","modified_gmt":"2008-05-13T11:13:06","slug":"fatima-luz-de-verdade-e-de-esperanca-para-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fatima-luz-de-verdade-e-de-esperanca-para-o-mundo\/","title":{"rendered":"F\u00e1tima, luz de verdade e de esperan\u00e7a para o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Homilia a 13 de Maio de 2008, no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima <!--more--> Cheg\u00e1mos a F\u00e1tima, tamb\u00e9m n\u00f3s, chamados pelo C\u00e9u, como os Pastorinhos. Foi a Virgem Nossa Senhora que nos convidou para virmos a este lugar santo, verdadeiro \u00abaltar do mundo\u00bb, do qual brotou, h\u00e1 mais de 90 anos, a luz evang\u00e9lica do Amor e da Miseric\u00f3rdia. F\u00e1tima abre se, como um abra\u00e7o de amor, para cada um de v\u00f3s, car\u00edssimos peregrinos, vindos at\u00e9 aqui, mesmo de lugares muito distantes, para encontrar a Deus nos sinais vivos e sacramentais da sua presen\u00e7a, para ouvir a sua Palavra; para regressar, como crian\u00e7as, \u00e0 Escola de Maria, a mais santa e carinhosa de todas as M\u00e3es. Como irm\u00e3os e irm\u00e3s da mesma fam\u00edlia, \u00e9 belo contemplar a nossa M\u00e3e comum, que nos fala de Deus e nos ensina, ainda hoje, como chegar a Deus, nossa \u00fanica esperan\u00e7a, nossa plena e definitiva felicidade. Os caminhos da F\u00e9, por vezes inacess\u00edveis mas sempre empenhativas, abrem se diante de n\u00f3s porque Algu\u00e9m as percorreu antes de n\u00f3s, banhando as com o seu Sangue. Em F\u00e1tima, os nossos passos foram precedidos pelos da L\u00facia, do Francisco, da Jacinta e de incont\u00e1veis milhares de irm\u00e3os e irm\u00e3s, vindos como n\u00f3s \u00e0 procura do Senhor, para percorrer corajosamente os caminhos do Evangelho.  1. A 13 de Maio de 1917, Nossa Senhora falou do C\u00e9u, porque Ela \u00e9 especialista das realidades celestes. A sua morada \u00e9 Deus, a sua casa \u00e9 a eternidade. Quando disse \u00abvenho do C\u00e9u\u00bb, fala da sua P\u00e1tria, da Terra Prometida, que Ela recebeu em heran\u00e7a de Deus, pela sua F\u00e9. Quando fala do C\u00e9u, fala, portanto, do que Lhe \u00e9 mais pr\u00f3prio, do que lhe condiz perfeitamente. \tMaria sabe dirigir se, com autoridade materna, tamb\u00e9m aos que ainda peregrinam nesta terra rumo \u00e0 P\u00e1tria definitiva. Conhece bem as fadigas, compreende as ansiedades e ang\u00fastias do nosso tempo, penetra na profundidade dos nossos cora\u00e7\u00f5es e tem palavras de consola\u00e7\u00e3o nas tribula\u00e7\u00f5es da nossa exist\u00eancia. Ela, especialista do C\u00e9u, quer nos ensinar a caminhar bem sobre a terra, a fim de que na nossa vida brilhe ao menos um reflexo do C\u00e9u; a fim de que neste mundo, no meio das prova\u00e7\u00f5es e dos sofrimentos do tempo presente, n\u00e3o se apague o fogo da Esperan\u00e7a crist\u00e3.  2. Quando Nossa Senhora apareceu \u00e0 L\u00facia e aos seus primos Francisco e Jacinta, com solicitude maternal previa as feridas e contradi\u00e7\u00f5es da nossa \u00e9poca. N\u00e3o foi por acaso que apareceu nos come\u00e7os de um s\u00e9culo ensanguentado pela loucura de duas Guerras Mundiais, marcado por nacionalismos exasperados, por ideologias ateias e materialistas, que procuraram sufocar a luz da F\u00e9 no cora\u00e7\u00e3o dos homens, no decorrer de sucessivas gera\u00e7\u00f5es.  \tEstende se at\u00e9 aos nossos dias esta sombra escura de suspeita acerca de Deus e da sua obra. At\u00e9 ao presente continua esta \u00abapostasia da F\u00e9\u00bb \u2013 como a definiu o Papa Jo\u00e3o Paulo II \u2013 que progressivamente comprometeu e contagiou a nossa Europa crist\u00e3, que sempre ofereceu ao mundo, ao longo dos s\u00e9culos, uma cultura rica em humanidade, criativa, respeitadora do Homem e da sua alt\u00edssima dignidade de filho de Deus e irm\u00e3o de Cristo.  3. \u00c9 precisamente \u00e0 nossa \u00e9poca, saturada e desesperada, que continua a falar o Cora\u00e7\u00e3o desta M\u00e3e, traduzindo as coisas de Deus numa linguagem familiar, simples, facilmente compreens\u00edvel por todos. Partindo da humilde vida quotidiana, logo nos eleva para a contempla\u00e7\u00e3o das coisas do C\u00e9u, porque esta \u00e9 a nossa origem, a nossa meta e a nossa P\u00e1tria. Connosco repete, como paciente catequista, a verdade e os dogmas da F\u00e9, confirmados uma vez mais, e apresentados numa nova luz. Os mandamentos da lei de Deus, a Igreja, os Sacramentos, os Nov\u00edssimos a Caridade e o Perd\u00e3o: tudo alcan\u00e7a valor e consist\u00eancia; tudo merece ser considerado e acolhido como dom da Gra\u00e7a, com dom da Nossa querida M\u00e3e do C\u00e9u, a branca Senhora que aqui apareceu a tr\u00eas criancinhas.   \t4. F\u00e1tima fala nos de crian\u00e7as \u2013 pensai nos vossos filhos \u2013 as flores mais belas e ternas da Cria\u00e7\u00e3o, postas por Deus no seio das nossas fam\u00edlias para nos encher de espanto, perante a sua inoc\u00eancia e pureza. F\u00e1tima fala de fam\u00edlias simples, modestas mas dignas, capazes de ser solid\u00e1rias com o pr\u00f3ximo, com os vizinhos e os pobres. Fala de jogos de crian\u00e7as, inesperadamente atravessados por uma Luz e uma Gra\u00e7a imprevistas \u2013 a vis\u00e3o de um Anjo e depois a de Nossa Senhora \u2013 e mostra com que seriedade aqueles pequenos cora\u00e7\u00f5es acolheram os apelos do C\u00e9u. Deus est\u00e1 triste pelos pecados e n\u00e3o h\u00e1 quem o console! dizia Francisco, impressionado pelo sofrimento de um Deus ofendido e ultrajado. O seu cora\u00e7\u00e3o infantil abriu se assim \u00e0s profundidades da contempla\u00e7\u00e3o e da m\u00edstica, perante Jesus escondido no Sacr\u00e1rio. \tJacinta viu, com dor indiz\u00edvel, o sofrimento pela perdi\u00e7\u00e3o eterna dos pecadores e ofereceu a sua vida em holocausto, para salv\u00e1 los do inferno.  \tTamb\u00e9m L\u00facia \u2013 a Irm\u00e3 Maria L\u00facia de Jesus e do Cora\u00e7\u00e3o Imaculado \u2013 acolheu na sua vida o convite de Nossa Senhora, dando nos um exemplo de um servi\u00e7o \u00e0 Igreja, fiel at\u00e9 \u00e0 morte, dentro da grande tradi\u00e7\u00e3o da Vida Consagrada e do Carmelo. Viveu quase cem anos, mas a sua alma, os seus olhos, o seu cora\u00e7\u00e3o permaneceram os de ent\u00e3o, da menina de Aljustrel que falou com o C\u00e9u e que levou at\u00e9 ao fim, no seu esp\u00edrito, como dentro de um cofre precioso, a Gra\u00e7a que aqui recebeu, como um grande tesouro.   \t5. A Virgem Maria, em 1917, uma vez mais veio a confortar, corrigir, iluminar e orientar os seus filhos nos caminhos da Verdade. Jesus disse: As minhas Palavras s\u00e3o Esp\u00edrito e Vida (Jo 6, 63); Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida! (Jo 14, 4). \u00c0 silenciosa ou manifesta \u00abapostasia da F\u00e9\u00bb \u2013 h\u00e1 tamb\u00e9m a \u00abapostasia da raz\u00e3o\u00bb \u2013 a Virgem Maria n\u00e3o contrap\u00f5e as vazias palavras do mundo ou a mentira de uma nova ideologia, mas prop\u00f5e novamente Cristo, e Cristo Crucificado (cf. 1 Cor 1,23), esc\u00e2ndalo para os bem pensantes de cada \u00e9poca, loucura para os s\u00e1bios da terra, mas Luz santa e amiga para quem acredita e para quem, acreditando, presta a mais bela homenagem tamb\u00e9m \u00e0 sua Raz\u00e3o, sedenta de Verdade e aberta ao conhecimento de Deus.  6.  N\u00e3o tenhais medo! Diz o Anjo \u00e0s mulheres que chegaram ao sepulcro de Cristo, cheias de temor e espanto (cf. Mc 16, 6). N\u00e3o tenhais medo, repetiu o Anjo da Paz aos Pastorinhos, junto da Loca do Cabe\u00e7o. N\u00e3o tenhais medo: abri, ou melhor, escancarai as portas a Cristo!, pediu repetidamente o amad\u00edssimo Papa Jo\u00e3o Paulo II, no in\u00edcio e durante o seu longo  e fecundo Pontificado.   \tO homem de hoje, iludido e desiludido da vida, por vezes parece ter desistido de esperar. Ca\u00edram as consideradas certezas das ideologias; o bem-estar e o consumismo \u2013 que aparentemente satisfazem as nossas necessidades e exig\u00eancias. Ca\u00edram todos estes sistemas que revelam de facto, cada vez mais, a sua inconsist\u00eancia. A radical incapacidade de fazer o homem feliz. \tS\u00f3 em Deus o homem se encontra plenamente a si mesmo. A F\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma fuga das pr\u00f3prias responsabilidades ou um est\u00e9ril dobrar se sobre si mesmo: \u00e9 fonte de luz e de for\u00e7a interior, que nos anima e nos permite afrontar corajosamente os problemas e os desafios da vida.  7. A F\u00e9 afronta e purifica as nossas ilus\u00f5es, pondo a nu a nossa incapacidade de nos criarmos a n\u00f3s pr\u00f3prios e de decidirmos sozinhos. Precisamente por isto, Nossa Senhora acolhe de novo em F\u00e1tima o mandato recebido do seu Filho Jesus aos p\u00e9s da Cruz e se revela M\u00e3e de todos n\u00f3s. Em cada um descobre a semelhan\u00e7a com o seu Filho e pacientemente a reconstitui, com os instrumentos da Gra\u00e7a. \tF\u00e1tima \u00e9 uma escola da Verdade porque nos defende das f\u00e1bulas e nos ensina a encarar e a interpretar a realidade com o cora\u00e7\u00e3o de Deus. N\u00e3o se cala sobre o destino \u00faltimo do Homem, n\u00e3o minimiza as nossas responsabilidades, mas indica os caminhos que nos conduzem ao Mist\u00e9rio. \tF\u00e1tima \u00e9 escola de ora\u00e7\u00e3o, como caminho fundamental para penetrar no cora\u00e7\u00e3o de Deus; F\u00e1tima \u00e9 escola de penit\u00eancia e de oferecimento generoso de n\u00f3s mesmos, seguindo a grande tradi\u00e7\u00e3o da Igreja: os frutos mais belos nascem e germinam apenas no morrer, silencioso e escondido, aos olhos do mundo para renascer no seguimento da vontade de Deus.  8. Perante a perda do sentido dos valores e a desorienta\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias, Nossa Senhora indica os princ\u00edpios n\u00e3o negoci\u00e1veis, dos quais inevitavelmente se deve partir para fundar uma correcta conviv\u00eancia, civil e crist\u00e3. A vida; a fam\u00edlia; o matrim\u00f3nio, como uni\u00e3o est\u00e1vel e fiel de um homem e de uma mulher, e n\u00e3o de qualquer outro modo; a caridade concreta; a dignidade pessoal, estendida a todos os momentos e a todas as dimens\u00f5es da exist\u00eancia. Este \u00e9 o fundo e o ambiente \u2013 humano e crist\u00e3o \u2013 no qual se colocam a Mensagem e os acontecimentos da Cova da Iria.  \tNum mundo sedento de esperan\u00e7a e de felicidade, a Virgem Maria responde com uma s\u00f3 Palavra, que tudo resume: Jesus! S\u00f3 n\u2019Ele h\u00e1 Paz; s\u00f3 Ele alimenta a Esperan\u00e7a; s\u00f3 n\u2019Ele h\u00e1 Vida, dom do C\u00e9u. E Cristo veio para que todos tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia (cf. Jo 10, 10). Assim seja! F\u00e1tima, 13 de Maio de 2008 <i>  Cardeal Jos\u00e9 Saraiva Martins <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia a 13 de Maio de 2008, no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,203,206,207,237,294,326],"class_list":["post-31879","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-europa","tag-familia","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii","tag-sacramentos","tag-vida-consagrada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31879"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31879\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}