{"id":318595,"date":"2024-03-24T09:31:46","date_gmt":"2024-03-24T09:31:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=318595"},"modified":"2024-03-27T09:59:57","modified_gmt":"2024-03-27T09:59:57","slug":"semana-santa-as-procissoes-nao-sao-so-um-desfile-de-pessoas-tem-de-ter-algum-sentido-alguma-mensagem-rui-ferreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/semana-santa-as-procissoes-nao-sao-so-um-desfile-de-pessoas-tem-de-ter-algum-sentido-alguma-mensagem-rui-ferreira\/","title":{"rendered":"Semana Santa: \u00abAs prociss\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 um desfile de pessoas, t\u00eam de ter algum sentido, alguma mensagem\u00bb \u2013 Rui Ferreira"},"content":{"rendered":"<p><em>No in\u00edcio da Semana Santa, conversamos com este especialista, doutorado em Estudos Culturais pela Universidade do Minho e estudioso de Braga, sobre os momentos que transformam a cidade, atraindo milhares de pessoas para celebra\u00e7\u00f5es que transbordam os espa\u00e7os das igrejas<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_318602\" aria-describedby=\"caption-attachment-318602\" style=\"width: 1600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.41.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-318602 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.41.jpeg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.41.jpeg 1600w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.41-347x260.jpeg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.41-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.41-768x576.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.41-1536x1152.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-318602\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Henrique Cunha<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>A Semana Santa de Braga \u00e9 um grande encontro entre tradi\u00e7\u00e3o e modernidade?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos tem tentado ser. Efetivamente, a Semana Santa confirmou-se praticamente desde os anos 60 como o principal momento tur\u00edstico da cidade de Braga. A partir da\u00ed come\u00e7ou a ser feito um trabalho coordenado das institui\u00e7\u00f5es para valorizar a Semana Santa e a verdade \u00e9 que deu resultado, porque hoje a Semana Santa \u00e9 mais reconhecida a n\u00edvel nacional, \u00e9 o pico do turismo na cidade de Braga. Temos um turismo sazonal muito forte, mas a Semana Santa \u00e9, efetivamente, um momento alto e isso obriga a Comiss\u00e3o Organizadora que re\u00fane uma s\u00e9rie de institui\u00e7\u00f5es da cidade a ir atualizando o seu programa, fazendo propostas diferentes, conciliando com as tradi\u00e7\u00f5es, com os grandes cerimoniais p\u00fablicos que s\u00e3o as prociss\u00f5es e as celebra\u00e7\u00f5es na S\u00e9 primaz. Por isso podemos dizer que tem sido feito um trabalho a esse n\u00edvel, embora seja um trabalho sempre inacabado, portanto, tem sempre de se fazer esse esfor\u00e7o de se aproximar das pessoas que v\u00eam ter connosco e, portanto, eu julgo que esse trabalho est\u00e1 a ser conseguido e est\u00e1 a ser bem feito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a falar da Semana Santa e s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es centrais na vida coletiva de Braga. Pergunto-lhe se isso \u00e9 um dos seus fatores de atra\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia; o envolvimento de toda a comunidade?<\/em><\/p>\n<p>Efetivamente \u00e9 um dos momentos da vida coletiva de Braga. Braga tem um outro momento bastante relevante que \u00e9 as festas de S\u00e3o Jo\u00e3o, que em termos de trabalho tur\u00edstico \u00e9 bastante mais antigo do que a Semana Santa, mas a Semana Santa eleva-se a n\u00edvel das outras Semanas Santas que se fazem em Portugal, quer pela tradi\u00e7\u00e3o que a cidade carrega &#8211; de recordar que Braga \u00e9 uma cidade com mais de 2000 anos de hist\u00f3ria, considerada pelos historiadores a cidade mais antiga de Portugal &#8211; mas particularmente tem um v\u00ednculo fort\u00edssimo \u00e0 Igreja, que vem desde o s\u00e9culo XI, em que os arcebispos governaram a cidade at\u00e9 1790, at\u00e9 a Dona Maria I acabar com as donatarias. Isso nota-se no dia a dia, nota-se na fisionomia da cidade e, evidentemente, a Semana Santa como a Semana Maior para o cristianismo eleva-se tamb\u00e9m no contexto da cidade e por isso eu deduzo que seja por isso que as pessoas procuram Braga. \u00c9 todo um conjunto, as celebra\u00e7\u00f5es da Semana Santa, a pr\u00f3pria cidade e a sua hist\u00f3ria, que emana a paix\u00e3o de Cristo e emana tamb\u00e9m o cristianismo. Depois as pr\u00e1ticas: estamos no Minho, que \u00e9 a terra das tradi\u00e7\u00f5es, a terra conservadora por excel\u00eancia e por isso temos muitas tradi\u00e7\u00f5es que v\u00e3o prevalecendo e isso atrai as pessoas porque d\u00e1 autenticidade \u00e0quilo que acontece na cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O programa desta semana inclui manifesta\u00e7\u00f5es particularmente relevantes, as prociss\u00f5es e outros cerimoniais que se integram no chamado rito bracarense. H\u00e1 uma marca pr\u00f3pria que torna esta semana diferente em Braga?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que sim. Eu n\u00e3o vou entrar na quest\u00e3o do rito bracarense porque isso \u00e9 uma quest\u00e3o em termos de investiga\u00e7\u00e3o ainda muito inconclusa, mas de facto h\u00e1 algumas pr\u00e1ticas inscritas na liturgia de Braga, que se manifestam particularmente na Semana Santa, que foram prevalecendo apesar dos Conc\u00edlios terem, nomeadamente o Vaticano II, na sua reforma lit\u00fargica e antes o Papa Pio XII, na reforma que fez da Semana Santa, terem abolido. Mas Braga, com um regime de exce\u00e7\u00e3o; os ritos mais antigos, foram prevalecendo. Embora o seu significado teol\u00f3gico e espiritual \u00e9 questionado muitas vezes, porque efetivamente, falamos da prociss\u00e3o teof\u00f3rica do enterro que decorre na celebra\u00e7\u00e3o da morte do Senhor na Catedral, no final da celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a falar da celebra\u00e7\u00e3o de Sexta-feira Santa, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, a celebra\u00e7\u00e3o de Sexta-feira Santa, que \u00e9 muito caracter\u00edstica. A S\u00e9 evidentemente \u00e9 a catedral mais antiga de Portugal, mas tem limita\u00e7\u00e3o de lugares. A S\u00e9 est\u00e1 completamente apinhada de gente, e \u00e9 uma experi\u00eancia de facto intensa, mas com um significado tamb\u00e9m. Embora efetivamente ao arrepio daquilo que s\u00e3o as regras atuais da liturgia. Mas efetivamente \u00e9 uma marca de autenticidade, mas a principal, al\u00e9m da prociss\u00e3o teof\u00f3rica, que no fundo deu origem \u00e0s prociss\u00f5es do enterro, que ainda hoje se faz em muitas localidades, inclusive em Braga, h\u00e1 uma outra pr\u00e1tica do rito, que \u00e9 relevante e que acontece j\u00e1 este domingo. Nas portas da S\u00e9 Primaz, faz-se a prociss\u00e3o de Ramos, como em muitos lugares, e entretanto h\u00e1 uma paragem na porta da S\u00e9 que est\u00e1 fechada, e o arcebispo, que presida \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o, vai fazendo um rito que \u00e9 t\u00edpico do rito bracarense, e que ter\u00e1 sido importado por S\u00e3o Geraldo, que foi o primeiro a intervencionar liturgicamente ou atualizar para o rito romano. De visig\u00f3tico, efetivamente o rito de Braga j\u00e1 n\u00e3o tem nada, mas tem efetivamente dessas pr\u00e1ticas que muitos arcebispos foram adicionando e que permanecem, e no qual esta do Domingo de Ramos \u00e9 muito interessante, porque tem um significado profundo. A porta est\u00e1 fechada, recita-se um salmo, e depois de tr\u00eas pancadas na porta; a porta abre e finalmente as pessoas podem entrar na S\u00e9 para continuar a celebra\u00e7\u00e3o do Domingo de Ramos.<\/p>\n<p>Depois h\u00e1 outras particularidades, como \u00e9 o lava-p\u00e9s que inicia a celebra\u00e7\u00e3o. Depois algumas quest\u00f5es mais de ant\u00edfonas nas pr\u00f3prias celebra\u00e7\u00f5es do Tr\u00edduo Pascal, e depois particularmente uma festa que h\u00e1 em outras dioceses, mas que em Braga se mant\u00e9m, porque estava no brevi\u00e1rio bracarense: a festa de Nossa Senhora dos Prazeres, ou Nossa Senhora das Alegrias, que \u00e9 muito significativa at\u00e9 para aquilo que se procura fazer querer aos crist\u00e3os, particularmente desde o Conselho Vaticano II, para n\u00e3o ficarmos na paix\u00e3o e na morte de Cristo, mas vivermos a alegria da ressurrei\u00e7\u00e3o, a esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E ainda h\u00e1 espa\u00e7o para valorizar ainda mais estas solenidades?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente.\u00a0E Nossa Senhora das Dores, que tem tamb\u00e9m um epicentro devocional na cidade de Braga. De Braga foi propagada para todo o pa\u00eds essa devo\u00e7\u00e3o. Passa a Nossa Senhora das Alegrias, e at\u00e9 h\u00e1 um rito interessante na Bas\u00edlica dos Congregados, tamb\u00e9m integrada no programa da Semana Santa, em que se retira as espadas \u00e0 Senhora das Dores, significando que Nossa Senhora passa das dores \u00e0s alegrias. H\u00e1 no rito bracarense, na segunda-feira de Pascoela, que se faz a celebra\u00e7\u00e3o da festa de Nossa Senhora dos Prazeres, que ainda se verifica em alguns pontos da arquidiocese. Isso at\u00e9 era bom de ser explorado ainda mais para dar a ideia aos crist\u00e3os de que n\u00e3o devemos ficar na dor. A morte de Cristo foi tamb\u00e9m para fazer sentido ao sofrimento que todos n\u00f3s passamos na nossa vida.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_318600\" aria-describedby=\"caption-attachment-318600\" style=\"width: 391px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.42-1.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-318600\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.42-1-391x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.42-1-391x260.jpeg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.42-1.jpeg 709w\" sizes=\"(max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-318600\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Henrique Cunha<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Al\u00e9m desta dimens\u00e3o religiosa que \u00e9 evidente, as cerim\u00f3nias ganham cada vez mais um valor cultural e tur\u00edstico. A sociedade no seu todo tem de procurar divulgar, preservar este ciclo t\u00e3o importante para Braga com todas estas manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, e tem sido feito trabalho. Ali\u00e1s, eu estive na Comiss\u00e3o da Semana Santa durante 4 anos, e a minha presen\u00e7a deveu-se precisamente \u00e0 quest\u00e3o da ambi\u00e7\u00e3o que a Semana Santa tinha de se candidatar \u00e0 UNESCO, que depois ficou ali um bocadinho em Banho Maria, mas fizemos o passo pr\u00e9vio que era inscrever-nos no Invent\u00e1rio Nacional de Patrim\u00f3nio Cultural e Material, tarefa que eu levei a cabo com sucesso. Foi o ano passado que foi finalizada, e que efetivamente \u00e9 uma tentativa de preservar aquilo que \u00e9 relevante, mas conv\u00e9m n\u00e3o esquecermos que o patrim\u00f3nio material est\u00e1 sempre sujeito \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode ser cristalizado. \u00e9 preciso um equil\u00edbrio entre aquilo que \u00e9 relevante e aquilo que pode efetivamente mudar e ser atualizado. A Irmandade da Santa Cruz e a Irmandade da Miseric\u00f3rdia t\u00eam feito um trabalho not\u00e1vel de preservar aquilo que \u00e9 importante e relevante nas suas prociss\u00f5es e nas suas celebra\u00e7\u00f5es e de integrarem factos novos que v\u00e3o, de alguma forma, criando uma viv\u00eancia mais intensa daquilo que se pretende viver nas prociss\u00f5es. As prociss\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 um desfile de pessoas, t\u00eam de ter algum sentido, alguma mensagem. Portanto, tem sido feito esse trabalho muito interessante das diversas comiss\u00f5es da Semana Santa e das entidades que a integram e, acho que tem havido esse cuidado. A inscri\u00e7\u00e3o no Invent\u00e1rio \u00e9 um primeiro sinal que se d\u00e1, exposi\u00e7\u00f5es, publica\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m trabalho a n\u00edvel do som e da imagem, e eu acho que esse trabalho tem de ser continuado, n\u00e3o pode ser finalizado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E do seu ponto de vista est\u00e1 a ser bem aproveitada essa inscri\u00e7\u00e3o no Invent\u00e1rio Nacional do Patrim\u00f3nio?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sim, eu penso que sim. Ali\u00e1s, esta inscri\u00e7\u00e3o \u00e9 o corol\u00e1rio de um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o que foi sendo feito nos anos anteriores, com exposi\u00e7\u00f5es, com publica\u00e7\u00f5es, como eu disse, com todo o tipo de levantamento do patrim\u00f3nio e isso \u00e9 que vai alertar as Irmandades, quer esteja hoje um provedor, amanh\u00e3 outro, da sua relev\u00e2ncia e de dar continuidade \u00e0quilo que \u00e9 efetivamente importante. E, por isso, o Invent\u00e1rio \u00e9 um registo e um registo tem de ser atualizado de quando a quando e, por isso, \u00e9 um alerta para as entidades que constituem a Comiss\u00e3o para darem continuidade a esse trabalho. Acho que, nesse aspeto, a Semana Santa tem feito um bom trabalho, aproveitando os recursos que tem e a cidade percebe a import\u00e2ncia da Semana Santa tamb\u00e9m do ponto de vista econ\u00f3mico. Eu sei que isto da quest\u00e3o da turistifica\u00e7\u00e3o dos eventos ou da quest\u00e3o da patrimonializa\u00e7\u00e3o dos eventos tamb\u00e9m tem os seus riscos, mas \u00e9 por isso que h\u00e1 entidades e h\u00e1 pessoas que comp\u00f5em as entidades que t\u00eam de refletir continuamente nesse aspeto. E Braga est\u00e1 a viver esse processo. Se perguntarem a qualquer bracarense, quer seja crente ou menos crente, vai dizer muito bem da Semana Santa porque percebe que aquilo \u00e9 muito importante para a cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 que estamos aqui, deixe-me perguntar-lhe se perdeu for\u00e7a a candidatura a patrim\u00f3nio da Unesco?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o sei, eu neste momento j\u00e1 n\u00e3o estou na Comiss\u00e3o, colaboro com a Comiss\u00e3o. Vai haver agora um centro interpretativo no qual tamb\u00e9m vou prestar colabora\u00e7\u00e3o, mas efetivamente a quest\u00e3o da Unesco e quando tivemos a reuni\u00e3o, eu julgo que foi em 2016, em Lisboa, foi-nos dito que Braga j\u00e1 tinha muitas candidaturas \u00e0 Unesco. Tinha a candidatura \u00e0 cidade de \u2018Media Arts\u2019, a cidade criativa. Tinha a candidatura do Bom Jesus do Monte e eles entendiam que era melhor finalizar essas candidaturas para se pensar, porque ter tr\u00eas candidaturas na mesma localidade n\u00e3o seria bom para a cidade. E, portanto, na altura pensou-se que o melhor seria avan\u00e7ar com o invent\u00e1rio, que \u00e9 o primeiro passo que \u00e9 obrigat\u00f3rio para quem quer candidatar-se \u00e0 Unesco, porque os crit\u00e9rios s\u00e3o exatamente os mesmos e depois mais tarde pensar nisso mais a s\u00e9rio. N\u00e3o sei, neste momento n\u00e3o lhe sei dizer, teria de perguntar ao c\u00f3nego Avelino, que \u00e9 o presidente da Comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse \u00e9 o trabalho que fica feito para o futuro, independentemente dos rumos que seguir.<\/em><\/p>\n<p><em>Sem d\u00favida.\u00a0Eu pergunto-lhe uma coisa muito simples, porque estamos n\u00f3s aqui, os tr\u00eas, provavelmente a falar de uma situa\u00e7\u00e3o que conhecemos relativamente bem, ou por trabalho ou por participa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a Semana Santa de Braga. Quem s\u00e3o os protagonistas desta Semana Santa?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Ora bem, em primeiro lugar s\u00e3o os bracarenses que comp\u00f5em tudo o que \u00e9 celebra\u00e7\u00f5es, que participam nelas, que lhes d\u00e3o corpo e um evento como a Semana Santa, ou um momento celebrativo como a Semana Santa, que n\u00e3o tenha a participa\u00e7\u00e3o da sua popula\u00e7\u00e3o deixa de fazer sentido, no meu entender. Acho que isso \u00e9 o \u00e2mago de todas as Semanas Santas, \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o da sua popula\u00e7\u00e3o, o seu envolvimento e eles s\u00e3o os primeiros protagonistas. Depois, as institui\u00e7\u00f5es que de alguma forma aglutinam grande parte destes protagonistas, que \u00e9 no caso o cabido da S\u00e9 de Braga, que \u00e9 a entidade principal, que lidera a Comiss\u00e3o. No fundo a Catedral \u00e9 o centro, o cerne, apesar da Semana Santa se viver nos diversos templos da cidade, que s\u00e3o muitos, como sabem, a S\u00e9 \u00e9 o centro nevr\u00e1lgico, onde acontecem essas celebra\u00e7\u00f5es do rito bracarense tamb\u00e9m, e, portanto, \u00e9 o cabido a principal entidade. Depois temos as duas Irmandades Hist\u00f3ricas, a Irmandade da Miseric\u00f3rdia, que leva a efeito, na Quinta-feira de Endoen\u00e7as conduzir os penitentes. Hoje as coisas s\u00e3o um bocadinho diferentes, mas as miseric\u00f3rdias continuam a fazer essas prociss\u00f5es um bocadinho por todo o pa\u00eds, as prociss\u00f5es de Endoen\u00e7as, ou dos fogar\u00e9us, no caso de Braga chama-se do Senhor Ecce Homo, ou do Senhor da Coroa\u00e7\u00e3o, ou da visita\u00e7\u00e3o \u00e0s igrejas, que no fundo est\u00e1 ligado \u00e0 quest\u00e3o da visita\u00e7\u00e3o das igrejas, tamb\u00e9m ainda se fazem alguns s\u00edtios, embora hoje de forma diferente, necessariamente, porque era para visitar o sepulcro; conduzir os penitentes \u00e0s igrejas onde o Senhor estivesse no sepulcro. Ou seja, colocava-se uma h\u00f3stia dentro de um recipiente em forma de sepulcro, isso tamb\u00e9m foi abolido pelo Conselho Vaticano II, mas apesar disso continua-se a fazer visita\u00e7\u00e3o \u00e0s igrejas em Braga. J\u00e1 n\u00e3o com uma pr\u00e1tica t\u00e3o adornada como no passado, mas, por exemplo, se formos \u00e0 P\u00f3voa de Varzim ou a Viana do Castelo, continua-se a fazer na noite de Quinta-feira Santa a visita \u00e0s igrejas, que \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o que brota destas prociss\u00f5es de Endoen\u00e7as. E em Braga temos a figura do penitente, que \u00e9 o farricoco, que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 exclusiva de Braga. H\u00e1 em muitos outros s\u00edtios, em Portugal e fora de Portugal, mas tornou-se o \u00edcone, apesar de ter sido proibido v\u00e1rias vezes nos s\u00e9culos XIX.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>At\u00e9 em termos de imagem\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Em termos de imagem, porque ela foi proibida nos s\u00e9culos XIX por causa dos dist\u00farbios que causava na prociss\u00e3o e, portanto, ela regressa no in\u00edcio do s\u00e9culo XX j\u00e1 como figura aleg\u00f3rica apenas. J\u00e1 sem a sua miss\u00e3o judicativa que tinha no passado, que aproveitava o anonimato para acusar as pessoas que estavam a assistir \u00e0 prociss\u00e3o da janela. Os arcebispos foram proibindo isso, at\u00e9 \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p>E depois temos a Irmandade Santa Cruz, que \u00e9 fundada em 1581, tem um templo todo ele devotado \u00e0 paix\u00e3o de Cristo; \u00e9 uma Via-Sacra em espa\u00e7o fechado, \u00e9 um templo absolutamente not\u00e1vel e que organiza a prociss\u00e3o do Senhor dos Passos no Domingo de Ramos. E\u00a0\u00e9 a segunda mais antiga que se faz em Portugal. Como sabemos, as prociss\u00f5es de espa\u00e7os foram impulsionadas a partir de Lisboa, dos Passos da Gra\u00e7a, que \u00e9 a mais antiga do pa\u00eds, pelos Agostinianos, com o papel dos Agostinianos, e foi um arcebispo agostiniano que introduz esta prociss\u00e3o em Braga, o Dom Frei Agostinho de Jesus, em 1597. Dez anos exatamente depois da de Lisboa. Depois destes focos de Lisboa e Braga, as prociss\u00f5es dos Passos foram-se disseminando e hoje s\u00e3o a pr\u00e1tica mais repetida da Quaresma, que \u00e9 uma Via-Sacra encenada e, de facto, \u00e9 um momento muito importante, \u00e9 o momento do arranque da Semana Santa de Braga, \u00e9 a prociss\u00e3o do Senhor dos Passos. E ambas as irmandades organizam a prociss\u00e3o do enterro do Senhor, que \u00e9 a mais intensa, a mais demorada, em que participam outras institui\u00e7\u00f5es. \u00c9 o momento alto da Semana Santa de Braga, aquela prociss\u00e3o, que era quase um funeral que atravessa as ruas da cidade, que outrora come\u00e7ava com o descimento da cruz, que ainda se faz em alguns s\u00edtios. Era o sentido de descer o Cristo da Cruz e depois fazer o funeral pelas ruas da cidade, e que efetivamente \u00e9 o momento alto da cidade de Braga.<\/p>\n<p>Mas conv\u00e9m aqui n\u00e3o esquecer uma outra prociss\u00e3o, que foi recuperada em 1998, a prociss\u00e3o da Burrinha, ou Cortejo B\u00edblico Vos sois o Meu Povo, que, de facto, n\u00e3o \u00e9 uma prociss\u00e3o, \u00e9 um cortejo que recorda a hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o at\u00e9 Cristo, at\u00e9 \u00e0 P\u00e1scoa, e que tem imensa popularidade. \u00c9 um exemplo de vida de uma comunidade que se devota a uma pr\u00e1tica da Semana Santa de Braga, mais do que todas as outras. H\u00e1 ali uma freguesia, uma par\u00f3quia que se mobiliza para fazer aquela prociss\u00e3o, e \u00e9 absolutamente exemplar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tem uma envolv\u00eancia muito grande?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, \u00e9 absolutamente exemplar esse n\u00edvel, da forma como as pessoas sentem aquilo como o seu. E isso mais do que todas as outras, porque as outras resultam mais da organiza\u00e7\u00e3o das irmandades, com participa\u00e7\u00e3o de outras pessoas, evidentemente, mas aqui \u00e9 a comunidade que a faz, que a quis fazer, que a quis recuperar.<\/p>\n<p>E \u00e9 uma prociss\u00e3o que nasceu no s\u00e9culo XVIII como Prociss\u00e3o da Senhora das Ang\u00fastias centrada nas dores de Maria, que se realizava em julho, no primeiro domingo de julho, e s\u00f3 depois, com as complica\u00e7\u00f5es da Rep\u00fablica, a prociss\u00e3o foi-se fazendo menos vezes, a irmandade que a organizava at\u00e9 foi extinta, e em 1960 ela vai ser integrada pela primeira vez na Semana Santa, com o papel do CENI. Na altura, o SNI (Secretariado Nacional de Informa\u00e7\u00e3o) achava que Braga tinha de ter alguma coisa no S\u00e1bado Santo para prender os turistas. Manda a Ci\u00eancia Tur\u00edstica que os turistas t\u00eam de ter ali algum atrativo. E ent\u00e3o, o Presidente da C\u00e2mara da altura, o Santos da Cunha, lembrou-se &#8211; era paroquiano de S. Vitor &#8211; de recuperar essa prociss\u00e3o, que era em julho, e passou-a a Semana Santa, para o S\u00e1bado Santo, criando assim este elo que faltava entre a sexta-feira e o domingo.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que a prociss\u00e3o foi um sucesso, mas deixou de haver Prociss\u00e3o da Senhora das Ang\u00fastias, entretanto, na roupagem nova de 1998, deixou de ser centrada nas dores de Maria, passou a ser centrada na Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, e a verdade \u00e9 que foi a comunidade que quis que ela regressasse em 1998. As pessoas s\u00f3 se lembravam da Burrinha, j\u00e1 n\u00e3o se lembravam da Senhora das Ang\u00fastias. E, portanto, a Burrinha passou a ser o \u00edcone, porque, efetivamente, vai uma Nossa Senhora, uma imagem em cima da Burrinha: uma Nossa Senhora do Egito. Por qu\u00ea? Qual \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o \u00e0s dores de Maria? Quem sabe, o ide\u00e1rio das dores de Maria sabe que cada espada representa uma das dores. A segunda dor \u00e9 a fugida para o Egito, e por isso \u00e9 que ela se integrava, desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, na prociss\u00e3o tamb\u00e9m, al\u00e9m da imagem da Senhora das Ang\u00fastias no Andor, e uma imagem de uma Senhora em cima de uma Burrinha, a lembrar a segunda dor de Maria. Portanto, tem uma liga\u00e7\u00e3o, apesar disso, \u00e0 Paix\u00e3o de Cristo, como sabemos, a maior parte das dores de Nossa Senhora tem a ver com a paix\u00e3o.<\/p>\n<p>E por isso, recuperada com imenso sucesso, decorre na quarta-feira, n\u00e3o no s\u00e1bado, e foi por isso que ela deixou de se realizar em 1973, porque o Conselho Vaticano, tinha revalorizado a Vig\u00edlia Pascal, e n\u00e3o podia haver uma prociss\u00e3o. As pessoas a passear na rua, ou uma Burrinha a passear na rua e as pessoas a assistir, enquanto decorriam as Vig\u00edlias Pascais nas comunidades. N\u00e3o fazia sentido, e a prociss\u00e3o acabou em 1973, mas o povo de S\u00e3o Vitor quis que ela regressasse. A freguesia de S\u00e3o Vitor, s\u00f3 para lembrar, \u00e9 a maior freguesia de Braga, a maior freguesia do distrito, tem mais de 30 mil habitantes, portanto, \u00e9 uma freguesia dispersa, e por isso a prociss\u00e3o tamb\u00e9m tem essa relev\u00e2ncia de unir a comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E atualmente \u00e9 uma das principais atra\u00e7\u00f5es da Semana Santa?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sabemos que a cidade de Braga vai ter um espa\u00e7o museol\u00f3gico dedicado \u00e0 Semana Santa, instalado na Torre Medieval, provavelmente j\u00e1 no pr\u00f3ximo ano\u2026<\/em><\/p>\n<p>Esperamos que sim. Eu fui chamado para fazer a curadoria dessa exposi\u00e7\u00e3o. Eu penso que a pretens\u00e3o da Comiss\u00e3o da Semana Santa, e do Museu Pio XII, \u00e9 que ela fique pronta em 2025. Vamos esperar que assim possa ser.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Queria lembrar-lhe um texto em que ligava o Bom Jesus do Monte, de que j\u00e1 falamos, \u00e0 Semana Santa, como formas mais intensas de plasmar o imagin\u00e1rio da Paix\u00e3o de Cristo na comunidade humana. S\u00e3o marcas que se ligam a\u00ed em Braga?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade, \u00e9 verdade. Acabou de me lembrar uma frase minha e j\u00e1 n\u00e3o me lembro onde \u00e9 que a escrevi&#8230; escrevi isso algures.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_318601\" aria-describedby=\"caption-attachment-318601\" style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.42.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-318601\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.42-347x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.42-347x260.jpeg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.42-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.42-768x576.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.42-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-21-at-12.30.42.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-318601\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Henrique Cunha<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Sim, \u00e9 num texto sobre a Semana Santa de Braga, numa revista da Associa\u00e7\u00e3o de estudantes de Teologia&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Muito bem. efetivamente n\u00e3o \u00e9 obra do acaso que os dois elementos que mais atraem, e que mais t\u00eam reconhecimento internacional e nacional de Braga, da cidade de Braga, seja o Bom Jesus do Monte, que \u00e9 patrim\u00f3nio da UNESCO, \u00e9 um monumento absolutamente extraordin\u00e1rio, e a Semana Santa, que at\u00e9 passou a perna ao S\u00e3o Jo\u00e3o, que \u00e9 de facto a festa secular desde o s\u00e9culo XII da cidade de Braga. Efetivamente isso tem a ver com este imagin\u00e1rio da Paix\u00e3o de Cristo que se foi enraizando na comunidade, tamb\u00e9m da parte crist\u00e3, fervorosa dos bracarenses e dos minhotos em geral, e, portanto, n\u00e3o \u00e9 obra do acaso que hoje os dois momentos mais expressivos de reconhecimento da cidade sejam a Semana Santa e o Bom Jesus. E brotam ambos da paix\u00e3o de Cristo. H\u00e1 aqui uma liga\u00e7\u00e3o clara, h\u00e1 aqui alguns protagonistas que eu pude estudar tamb\u00e9m na minha tese de doutoramento. J\u00e1 aqui falei sobre o Frei Agostinho de Jesus, mas tamb\u00e9m sobre outras figuras que foram instigando este imagin\u00e1rio, e a cidade de facto vive a paix\u00e3o.\u00a0Quem quiser vir \u00e0 Braga na Semana Santa vai ter uma experi\u00eancia extraordin\u00e1ria de viv\u00eancia da celebra\u00e7\u00e3o da paix\u00e3o. Mas se quiser vir noutras alturas do ano pode ir ao Bom Jesus e tem tamb\u00e9m uma experi\u00eancia da Paix\u00e3o, desde o P\u00f3rtico at\u00e9 l\u00e1 acima \u00e0 Capela da Ascens\u00e3o vive tamb\u00e9m a paix\u00e3o de Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que convite deixa para quem ainda n\u00e3o tem a oportunidade de conhecer ao vivo estas tradi\u00e7\u00f5es que os bracarenses fazem quest\u00e3o de manter?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Acho que quem de alguma forma quiser perceber a intensidade da viv\u00eancia da Paix\u00e3o de Cristo tem necessariamente de passar por Braga. Paix\u00e3o de Cristo em portugu\u00eas, porque replicamos muitas pr\u00e1ticas que se fazem noutros lugares, mas h\u00e1 de facto um toque local e outras pr\u00e1ticas que n\u00e3o se fazem em muitas localidades de Portugal e de alguma forma podem vivenciar uma experi\u00eancia \u00fanica daquilo que \u00e9 a hist\u00f3ria de uma gente, que \u00e9 os bracarenses, de uma s\u00e9rie de arcebispos que foram passando e deixando a sua marca e certamente sair\u00e3o satisfeitos, quer sejam crentes ou n\u00e3o crentes ou se calhar at\u00e9 se v\u00e3o converter nas celebra\u00e7\u00f5es da Semana Santa em Braga.<\/p>\n<p>Mas conv\u00e9m aqui n\u00e3o esquecer, o Compasso Pascal. N\u00f3s n\u00e3o nos ficamos pela prociss\u00e3o do enterro. No domingo ressuscita e em Braga continua a haver a alegria do Compasso Pascal com sinos, foguetes, bandas filarm\u00f3nicas e toda a gente a querer receber a Cruz, a querer beijar a Cruz na sua casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 aqui o dissemos. A Quaresma e as Solenidades da Semana Santa de Braga fazem parte do Invent\u00e1rio Nacional do Patrim\u00f3nio Cultural e Material. Esta \u00e9 uma distin\u00e7\u00e3o que deveria ser mais projetada?<\/em><\/p>\n<p>Ela teve em espera alguns anos, n\u00e3o por culpa da Comiss\u00e3o da Semana Santa e de quem a introduziu, mas porque a DGPC (Dire\u00e7\u00e3o Geral do Patrim\u00f3nio e Cultura) estava ali com algumas dificuldades de pessoal e de gest\u00e3o tamb\u00e9m dos processos de patrim\u00f3nio imaterial, portanto por isso \u00e9 que s\u00f3 sucedeu em 2023. De alguma forma, ainda n\u00e3o tiveram tempo de trabalhar devidamente, mas eu acredito que j\u00e1 h\u00e1 men\u00e7\u00e3o no programa deste ano de que est\u00e1 reconhecida como um Invent\u00e1rio Nacional do Patrim\u00f3nio Cultural e Material. Teve grande repercuss\u00e3o medi\u00e1tica essa classifica\u00e7\u00e3o, essa integra\u00e7\u00e3o na lista e eu acho que ainda pode ser feito trabalho, nomeadamente investindo cada vez mais na investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, em exposi\u00e7\u00f5es na programa\u00e7\u00e3o da Semana Santa. A Semana Santa n\u00e3o pode agora adormecer \u00e0 luz dessa inscri\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque daqui a uns anos o registo tem de ser renovado e, portanto, conv\u00e9m n\u00e3o esquecer isso. A Semana Santa tem de continuar este trabalho de investiga\u00e7\u00e3o. Acho que este centro interpretativo j\u00e1 \u00e9 um sinal, mas pode haver ainda mais investimento na parte da programa\u00e7\u00e3o a esse n\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Queria fazer-lhe uma \u00faltima pergunta. N\u00e3o o preocupa o rumo que est\u00e1 a ser seguido no pa\u00eds ao n\u00edvel do turismo? N\u00e3o lhe parece que de alguma forma est\u00e1 a ser criada uma depend\u00eancia econ\u00f4mica extrema do setor?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Isso \u00e9 uma quest\u00e3o para os pol\u00edticos resolverem. Efetivamente o peso do turismo na economia \u00e9 cada vez maior, e eu n\u00e3o vejo isso como negativo, isso \u00e9 positivo para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas a depend\u00eancia excessiva, n\u00e3o ser\u00e1?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Pode criar um problema s\u00e9rio quando o turismo eventualmente, por algum motivo, decrescer e a economia vai-se ressentir sem d\u00favida. Tem de haver aqui um equil\u00edbrio, tamb\u00e9m para que os eventos que vivem do turismo n\u00e3o sejam descaracterizados, por causa disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 esse risco?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 esse risco, claro, e muito mais num evento religioso como \u00e9 a Semana Santa de Braga, mas com aten\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o naquilo que deve ser feito, acho que podemos conseguir um equil\u00edbrio. Contudo, n\u00e3o podemos descurar essa aten\u00e7\u00e3o. E isso \u00e9 que \u00e9 importante. Quem est\u00e1 \u00e0 frente das entidades, seja pol\u00edtica, seja religiosas, seja de outros n\u00edveis, tem que ter isso sempre presente para n\u00e3o permitir a descaracteriza\u00e7\u00e3o daquilo que somos como sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio da Semana Santa, conversamos com este especialista, doutorado em Estudos Culturais pela Universidade do Minho e estudioso de Braga, sobre os momentos que transformam a cidade, atraindo milhares de pessoas para celebra\u00e7\u00f5es que transbordam os espa\u00e7os das igrejas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":318602,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[172,308],"class_list":["post-318595","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-diocese-de-braga","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=318595"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318595\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/318602"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=318595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=318595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=318595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}