{"id":317659,"date":"2024-03-16T10:31:12","date_gmt":"2024-03-16T10:31:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=317659"},"modified":"2024-03-16T10:32:52","modified_gmt":"2024-03-16T10:32:52","slug":"o-direito-ao-aborto-e-a-constituicao-francesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-direito-ao-aborto-e-a-constituicao-francesa\/","title":{"rendered":"O direito ao aborto e a Constitui\u00e7\u00e3o francesa"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Teixeira da Cunha<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_270870\" aria-describedby=\"caption-attachment-270870\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-270870\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-270870\" class=\"wp-caption-text\">Jorge Teixeira da Cunha<br \/>Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/LFS<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Estado franc\u00eas vai colocar na constitui\u00e7\u00e3o uma norma relativa \u00e0 garantia da liberdade feminina para abortar. Trata-se de uma evolu\u00e7\u00e3o legislativa que gera perplexidade no pensamento jur\u00eddico humanista e que a moral crist\u00e3 n\u00e3o pode admitir. Vamos ver porqu\u00ea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O cristianismo introduziu na hist\u00f3ria humana uma fundamenta\u00e7\u00e3o superior \u00e0 ordem moral positiva que funciona como garante, como guia e como defesa da norma positiva justa. Esta garantia anterior \u00e0 lei jur\u00eddica ou moral era conhecida como \u201clei natural\u201d. A finalidade desta \u00e9 salvar a lei positiva de se transviar em rela\u00e7\u00e3o ao bem e \u00e0 justi\u00e7a, seja por abuso da autoridade desp\u00f3tica, seja para prevenir que a pr\u00f3pria vontade geral do povo se possa equivocar ou transviar. Dizemos que foi o cristianismo que inventou este n\u00edvel natural da lei, por contraposi\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel positivo, sem esquecer que o pensamento grego e romano j\u00e1 usava esta dupla forma de chegar \u00e0 justi\u00e7a e ao bem, mas quase sempre como forma de resist\u00eancia conflitual com o poder pol\u00edtico. O cristianismo deu-lhe uma for\u00e7a nova ao estabilizar esta garantia e ao fund\u00e1-la num \u00e2mbito teol\u00f3gico, coisa que o pensamento cl\u00e1ssico n\u00e3o fazia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 este n\u00edvel superior das leis que est\u00e1 na base das \u201cconstitui\u00e7\u00f5es\u201d dos sistemas jur\u00eddicos dos pa\u00edses democr\u00e1ticos. Reparemos que para desempenhar este importante papel, as constitui\u00e7\u00f5es n\u00e3o necessitam de ser escritas, pois se trata de uma abertura da raz\u00e3o humana ao que a transcende, ao que a orienta e lhe d\u00e1 a possibilidade de permanecer no bem e na justi\u00e7a. H\u00e1 formas de concretiza\u00e7\u00e3o deste sentido \u00faltimo da ordem moral no elenco dos Direito Humanos e nas institui\u00e7\u00f5es como a ONU, os pronunciamentos de institui\u00e7\u00f5es de prest\u00edgio tradicional como as Igrejas, e nas express\u00f5es de sabedoria dos povos e das figuras de seres humanos a quem foi dado um especial dom de prud\u00eancia e de sabedoria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso, uma lei como a despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto n\u00e3o pode, a nosso ver, situar-se neste \u00e2mbito constitucional. Isso, porque a despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9 uma lei positiva, sempre perfect\u00edvel, destinada a ser modificada com o tempo e as circunst\u00e2ncias. Mesmo que admitamos que a despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto tem raz\u00e3o de ser, o mesmo n\u00e3o podemos dizer da moralidade da ac\u00e7\u00e3o de abortar. De um modo geral, o pensamento crist\u00e3o, e boa parte do pensamento humanista, est\u00e1 de acordo com esta distin\u00e7\u00e3o. De facto, h\u00e1 algumas boas raz\u00f5es para n\u00e3o penalizar a mulher que, por raz\u00f5es diversas, pede e se submete ao aborto. Isso n\u00e3o quer dizer, por\u00e9m, que o direito ao aborto deva estar inclu\u00eddo nas garantias constitucionais, nem mesmo nos direitos sociais. Despenaliza-se para resolver um conflito e n\u00e3o para garantir uma liberdade. Uma liberdade \u00e9, por exemplo, o acto de procriar e o de contrair matrim\u00f3nio. Neste caso, trata-se um direito fundamental, e mesmo esta sofre algumas excep\u00e7\u00f5es devidas \u00e0 incapacidade das pessoas. Pelo contr\u00e1rio, o comportamento contr\u00e1rio \u00e0 procria\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o do embri\u00e3o ou do feto nunca podem ser vistos como uma liberdade em vista da qual um indiv\u00edduo possa reivindicar a mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade para lha garantir. Nas condi\u00e7\u00f5es actuais do nosso mundo, a despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9 uma concess\u00e3o do direito penal para n\u00e3o acrescentar um mal e outro mal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o relativa a este assunto, de que outros pa\u00edses n\u00e3o estar\u00e3o isentos, vem colocar-nos em pleno drama do pensamento pol\u00edtico de hoje. De um modo geral, a ordem jur\u00eddica dominante \u00e9 monista e positivista. Apenas coloca o fundamento das leis na vontade geral, expressa pela regra do voto maiorit\u00e1rio e em alguns outros procedimentos formais. Mesmo as constitui\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses tamb\u00e9m s\u00e3o votadas pelo mesmo m\u00e9todo. Isto \u00e9 um grave problema que, a nosso ver, ter\u00e1 de ser posto se quisermos preservar a qualidade da democracia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Teixeira da Cunha<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":270870,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[93],"class_list":["post-317659","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-aborto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317659","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=317659"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317659\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/270870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=317659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=317659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=317659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}