{"id":31745,"date":"2008-05-06T16:02:09","date_gmt":"2008-05-06T16:02:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/06\/ano-paulino-uma-proposta-pastoral\/"},"modified":"2008-05-06T16:02:09","modified_gmt":"2008-05-06T16:02:09","slug":"ano-paulino-uma-proposta-pastoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ano-paulino-uma-proposta-pastoral\/","title":{"rendered":"Ano Paulino, uma proposta pastoral"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa <!--more--> <b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b>  1. O Papa Bento XVI proclamou um \u201cAno Paulino\u201d, para celebrar os 2000 anos do nascimento de S\u00e3o Paulo, com in\u00edcio na Solenidade dos Ap\u00f3stolos Pedro e Paulo, a 29 de Junho de 2008, e a terminar um ano depois. Este Ano Paulino coincide, no tempo, com uma outra proposta feita pelo Santo Padre a toda a Igreja: a convoca\u00e7\u00e3o de um S\u00ednodo sobre a Palavra de Deus na vida e na miss\u00e3o da Igreja. Esta simultaneidade sugere-nos a converg\u00eancia dos dois temas nas propostas pastorais. Paulo, grande Ap\u00f3stolo da Palavra, pode ser o nosso guia para descobrirmos, mais profundamente, o lugar da Palavra de Deus na vida e na miss\u00e3o da Igreja. Basta pensar que ele \u00e9 o autor sagrado mais frequentemente lido na Liturgia. A Palavra de Deus \u00e9 o Verbo eterno de Deus, a mensagem do cora\u00e7\u00e3o de Deus que Ele quer comunicar aos seres humanos. A Palavra revelada \u00e9 apenas o meio sacramental, express\u00e3o do mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o, que nos pode levar a escutar a Palavra viva de Deus. Paulo tem uma consci\u00eancia muito profunda dessa origem divina da Palavra. As suas principais cartas antecedem cronologicamente os outros escritos do Novo Testamento. Paulo confessa que o Evangelho que anuncia o recebeu directamente de Jesus Cristo, tendo sido confirmado pelos outros ap\u00f3stolos. Aos G\u00e1latas ele escreve: \u201cCom efeito, fa\u00e7o-vos saber, irm\u00e3os, que o Evangelho que por mim foi anunciado, n\u00e3o o conheci \u00e0 maneira humana; pois eu n\u00e3o o recebi nem aprendi de homem algum, mas por uma revela\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo\u201d (Gal 1,11-12). Com Paulo, a Igreja pode fazer esta descoberta da Palavra viva, a que Deus quer dirigir ao Seu povo, Palavra que brota do cora\u00e7\u00e3o de Deus. Paulo pode guiar-nos em todos os caminhos de escuta da Palavra: na celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa; na evangeliza\u00e7\u00e3o, como primeiro an\u00fancio de Jesus Cristo; no aprofundamento da f\u00e9, em processo catequ\u00e9tico; na fidelidade a Deus, vivendo segundo as exig\u00eancias da Palavra; no fortalecimento da esperan\u00e7a, pois toda a Palavra de Deus nos abre para o horizonte da eternidade.  <b>Paulo e a nova fronteira da evangeliza\u00e7\u00e3o<\/b> 2. Paulo protagonizou, na sua experi\u00eancia de Ap\u00f3stolo, o alargamento do horizonte dos destinat\u00e1rios do Evangelho, problema actual na rela\u00e7\u00e3o da Igreja com a sociedade. A Igreja primitiva viveu dramaticamente este problema: o Evangelho era destinado aos judeus e os novos disc\u00edpulos de Jesus deviam sujeitar-se \u00e0 circuncis\u00e3o e obedecer \u00e0s normas legais do povo judaico, ou era tamb\u00e9m para os pag\u00e3os que, uma vez convertidos a Cristo, ficavam a pertencer ao Povo de Deus, obedecendo apenas \u00e0s exig\u00eancias do Esp\u00edrito e n\u00e3o a leis especificamente judaicas? Paulo, nascido judeu, formado na escola do Mestre Gamaliel, que nunca renegou o seu amor e a sua perten\u00e7a ao Povo de Israel, ao verdadeiro Israel de Deus (cf. Rom 9,1ss), \u00e9 o grande protagonista deste alargamento do horizonte da evangeliza\u00e7\u00e3o. Identifica a\u00ed a sua gra\u00e7a pr\u00f3pria: \u201cA mim, o menor de todos os santos, foi dada a gra\u00e7a de anunciar aos gentios a insond\u00e1vel riqueza de Cristo\u201d (Ef 3,8), de tal modo que aqueles que se convertem a Cristo s\u00e3o \u201cconcidad\u00e3os dos santos, membros da casa de Deus\u201d (2,19). Este alargar do horizonte do an\u00fancio do Evangelho \u00e9 o desafio feito \u00e0 Igreja por Jo\u00e3o Paulo II, lan\u00e7ando-a para uma nova evangeliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 que a Igreja tamb\u00e9m hoje corre o risco de limitar o an\u00fancio de Jesus Cristo \u00e0queles que continuam no seu redil, compreendem a sua linguagem e conhecem as suas leis, e tem dificuldade em anunciar Jesus Cristo a uma sociedade cada vez mais secularizada. As sociedades contempor\u00e2neas, apesar de muito diferentes das sociedades do Imp\u00e9rio Romano do s\u00e9culo I, t\u00eam tra\u00e7os comuns: est\u00e3o profundamente marcadas pelo hedonismo e pelo materialismo, reduzindo o problema de Deus ao arb\u00edtrio e \u00e0 decis\u00e3o humana, fiel a ritos, mas incapaz de reconhecer o Deus vivo e transcendente. Por outro lado, em ambas se notam sintomas de insatisfa\u00e7\u00e3o, que pode transformar-se em abertura \u00e0 surpresa vivificante do an\u00fancio de Jesus Cristo. Paulo teve desilus\u00f5es e sucessos e pode inspirar a Igreja actual a discernir, nos anseios dos homens e mulheres do nosso tempo, aberturas \u00e0 Palavra de Deus. Ela \u00e9 chamada a ler, nas buscas e inquieta\u00e7\u00f5es humanas, os \u201csinais dos tempos\u201d, indicativos da necessidade e do desejo da salva\u00e7\u00e3o (cf. G.S. nn. 4 e 11).  <b>O evangelizador possu\u00eddo por Jesus Cristo<\/b> 3. Paulo revela-nos, no testemunho da sua vida, o dinamismo sobrenatural da evangeliza\u00e7\u00e3o: a for\u00e7a que brota do encontro com Cristo ressuscitado. Tudo come\u00e7ou na sua convers\u00e3o, com a revela\u00e7\u00e3o pessoal de Jesus Cristo, afirmando uma verdade perene: s\u00f3 quem se converte a Jesus Cristo, pode ser evangelizador. Para Paulo tudo come\u00e7ou na estrada de Damasco, onde Cristo ressuscitado se lhe manifesta e lhe faz o chamamento de p\u00f4r todo aquele zelo com que perseguia os crist\u00e3os, com os quais Jesus Se identifica, ao servi\u00e7o do Evangelho, a boa-nova da salva\u00e7\u00e3o. \u201cQuem \u00e9s Tu Senhor?\u201d \u201cEu Sou Jesus a Quem tu persegues\u201d (cf. Act. 26,12-16). Paulo nunca mais duvidar\u00e1 que o Evangelho que anuncia o recebeu naquele momento. Ele pr\u00f3prio o confessa aos crist\u00e3os de Corinto: \u201ctransmiti-vos em primeiro lugar o que eu pr\u00f3prio havia recebido: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras e foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras e apareceu a Cefas, depois aos doze (\u2026). Depois disso (\u2026) apareceu-me tamb\u00e9m a mim\u201d (1Cor. 15,3-8). Paulo considera esta a sua gra\u00e7a pr\u00f3pria, a escolha misericordiosa de Deus: \u201cpela gra\u00e7a de Deus sou o que sou; e a gra\u00e7a que me foi dada n\u00e3o foi est\u00e9ril\u201d (1Cor. 15,10). Toda a vida de Paulo se situa depois deste encontro, vive dele, em plena alegria (cf. Fil. 1,21; Gal. 2,20), o mais \u00e9 lixo (cf. Fil. 3,8); \u201cAi de mim se n\u00e3o anunciar o Evangelho!\u201d (1Cor. 9,16) \u2013 e d\u00e1 testemunho dos efeitos desse encontro: \u201cO Reino de Deus (\u2026) \u00e9 justi\u00e7a e paz e alegria no Esp\u00edrito Santo\u201d (Rom. 14,17); por isso, Paulo esquece o que fica para tr\u00e1s e atira-se para as coisas que est\u00e3o \u00e0 sua frente (cf. Fil. 3,13). N\u00e3o admira que inicie as suas Cartas com a sauda\u00e7\u00e3o nova da gra\u00e7a e da paz de Deus, Nosso Pai, e do Senhor Nosso, Jesus Cristo, e as termine sempre com a gra\u00e7a do Senhor Nosso, Jesus Cristo\u2026 E o autor do Livro dos Actos dos Ap\u00f3stolos fecha o Livro deixando Paulo em Roma \u201ca anunciar o Reino de Deus e a ensinar o que diz respeito ao Senhor Jesus Cristo\u201d (Act. 28,31). Esta fidelidade de Paulo a Jesus Cristo sugerir-nos-\u00e1 caminhos de convers\u00e3o para todos os evangelizadores, tamb\u00e9m eles chamados a deixarem-se possuir por Jesus Cristo para poderem anunciar o Seu Evangelho.  4. O alargamento do an\u00fancio do Evangelho aos descrentes e aos que abandonaram a vida crist\u00e3, sup\u00f5e evangelizadores com as caracter\u00edsticas exigidas pela nova evangeliza\u00e7\u00e3o. No dizer de Jo\u00e3o Paulo II, esses evangelizadores t\u00eam de ser possu\u00eddos de um novo ardor, porque o seu testemunho \u00e9 um primeiro an\u00fancio de natureza querigm\u00e1tica. As Igrejas de Portugal necessitam de repensar estes dois elementos da nova evangeliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso identificar, preparar e enviar esses evangelizadores. Na pedagogia e nas atitudes a primeira evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente da catequese. E muitas crian\u00e7as, jovens e adultos que inserimos nas nossas catequeses organizadas, precisavam desse an\u00fancio querigm\u00e1tico. A generalidade da juventude, as fam\u00edlias, os leigos chamados a evangelizar o meio em que est\u00e3o inseridos, urgem o refor\u00e7o de uma pastoral querigm\u00e1tica.  O Ano Paulino pode ajudar-nos a sistematizar essa pastoral espec\u00edfica, porque Paulo foi o maior evangelizador de todos os tempos. Ele continua a ser exemplo inspirador do ardor da evangeliza\u00e7\u00e3o e da natureza espec\u00edfica do an\u00fancio querigm\u00e1tico.  <b>Um novo ardor! <\/b> Evangelizar n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia e n\u00e3o se reduz a um programa: \u00e9 uma paix\u00e3o de amor por Jesus Cristo e pelos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Com Paulo, o ardor da evangeliza\u00e7\u00e3o brota da sua paix\u00e3o por Jesus Cristo. O encontro com Cristo na estrada de Damasco mudou a sua vida. Aos Filipenses confessa ter sido completamente apanhado por Jesus Cristo \u201cpara o conhecer na for\u00e7a da sua ressurrei\u00e7\u00e3o e na comunh\u00e3o com os seus sofrimentos, conformando-me com Ele na morte, para ver se atinjo a ressurrei\u00e7\u00e3o de entre os mortos\u201d (Fil 3,10-11). A sua vida reduz-se \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o com Cristo: \u201cPara mim viver \u00e9 Cristo\u201d (Fil 1,21; cf. Gal 2,20); tudo o mais \u00e9 lixo (cf. Fil 3,8). Esta identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 com a P\u00e1scoa de Jesus, na Sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o: \u201cN\u00f3s pregamos um Cristo crucificado, esc\u00e2ndalo para os judeus e loucura para os gentios\u201d, mas para os que s\u00e3o chamados [&#8230;], Ele \u00e9 poder de Deus e sabedoria de Deus\u201d (1Co 1,23-24). Esta paix\u00e3o por Jesus Cristo e a certeza de que na Sua Cruz se decidiu o novo destino humano, geram em Paulo a urg\u00eancia da evangeliza\u00e7\u00e3o, em que ele se sente como cooperador de Deus (cf. 1Co 3,9). \u201cAi de mim, se eu n\u00e3o evangelizar!\u201d (1Co 9,16). A evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o seu futuro, o sentido do tempo que lhe resta para viver, o que o leva a relativizar o seu passado (cf. Fil 3,13).  <b>O an\u00fancio querigm\u00e1tico<\/b> Paulo distingue a prega\u00e7\u00e3o querigm\u00e1tica, em que faz o an\u00fancio de Jesus Cristo, da catequese \u00e0s Igrejas para o aprofundamento da identifica\u00e7\u00e3o com Cristo. O primeiro an\u00fancio \u00e9 de Jesus Cristo salvador, morto e ressuscitado, mas com a particularidade de se adaptar aos destinat\u00e1rios. Aos judeus ele anuncia Jesus como o Messias esperado e a plena realiza\u00e7\u00e3o de todas as Escrituras (cf. Act 9,20.22; 13,16ss). Aos gentios anuncia Jesus ressuscitado com desafio \u00e0 convers\u00e3o \u201cdos \u00eddolos a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro\u201d (1Tes 1,9). Este an\u00fancio aos gentios \u00e9 o grande desafio das suas viagens apost\u00f3licas, embora nunca descurando o an\u00fancio aos judeus. Ousou mesmo, sem recusar o di\u00e1logo, enfrentar o mundo da cultura helenista, marcada por v\u00e1rias sabedorias e pelo sincretismo filos\u00f3fico e religioso. Foi talvez a sua prega\u00e7\u00e3o no Are\u00f3pago de Atenas que o levou a convencer-se mais de que s\u00f3 com as sabedorias humanas n\u00e3o se chega \u00e0 sabedoria da Cruz (cf. Act 17,16ss). Neste Ano Paulino, temos de pressentir por que caminhos nos conduziria Paulo, se partilhasse hoje, connosco, a miss\u00e3o evangelizadora da Igreja.  <b>A exig\u00eancia do percurso catequ\u00e9tico<\/b> 5. Paulo tem a consci\u00eancia viva de que o an\u00fancio de Jesus Cristo, que leva \u00e0 f\u00e9, introduz no caminho da salva\u00e7\u00e3o ou da justifica\u00e7\u00e3o, conceito que valoriza pois sente que a salva\u00e7\u00e3o humana rep\u00f5e o justo relacionamento com Deus, em Cristo, que \u00e9 justi\u00e7a de Deus (cf. 1Co 1,30; 2Co 5,21). Trata-se da coer\u00eancia da f\u00e9, ou da \u201cobedi\u00eancia da f\u00e9\u201d, como gosta de lhe chamar (Rom 1,5). Compromete a vida toda, durante toda a vida, exprime-se na \u201cobra da f\u00e9\u201d (1 Tes 1,3), toca o seu auge na viv\u00eancia da caridade (cf. Gal 5,6), projecta-nos, na esperan\u00e7a, para a plenitude da vida eterna (cf Rom 5,1-11; 8,18-39). N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 compreens\u00e3o, \u00e9, sobretudo, entrega e coer\u00eancia de vida, \u00e9 identifica\u00e7\u00e3o com Cristo, na Sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. A f\u00e9 \u00e9 o grande acontecimento da vida do crist\u00e3o. \u00c9 que, no Evangelho, \u201c\u00e9 revelada a justi\u00e7a de Deus, que vem da f\u00e9 e conduz \u00e0 f\u00e9, conforme est\u00e1 escrito: \u00abo justo viver\u00e1 da f\u00e9\u00bb (Rom 1,17). A f\u00e9 reaviva-se com a escuta permanente da Palavra de Deus, o Evangelho de Jesus Cristo. Ela \u00e9 \u201cPalavra de vida\u201d (Fil 2,16), o crescimento da Igreja identifica-se com a vitalidade da Palavra (cf. Act 19,20). O caminho catequ\u00e9tico leva, sobretudo, \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o com Cristo. O baptismo, sacramento pelo qual os que acreditaram em Jesus Cristo, atrav\u00e9s da Palavra, entram na comunidade dos disc\u00edpulos, para caminharem em Igreja, consiste em morrer com Cristo, para com Ele ressuscitar (cf. Rom 6,3-11). Este morrer com Cristo, o sepultar o homem velho, mostra bem a convic\u00e7\u00e3o de Paulo de que o crist\u00e3o \u00e9 chamado a uma vida nova, em que se manifesta a epifania da gra\u00e7a, na for\u00e7a do Esp\u00edrito (cf. Rom 8,5-17; Col 3,5-17). Na sua catequese, Paulo n\u00e3o separa a vida pessoal do crist\u00e3o da vida da Igreja: o crist\u00e3o caminha em Igreja e n\u00e3o \u00e9 apenas o indiv\u00edduo que se identifica com Cristo, mas toda a Igreja se identifica com Cristo. Ela \u00e9 o corpo de Cristo (cf. Rom 12,15; 1Co 12, 12-30; Ef 1,22s; 4,4-6; Col 2,19), \u00e9 a sua esposa (cf. Ef 5,25-32), retomando a velha imagem do amor esponsal de Deus pelo Seu Povo. Esta descoberta da vida nova em Cristo \u00e9 uma aut\u00eantica inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, \u00e9 a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, chamar-se-lhe-\u00e1 mais tarde. \u00c9 uma descoberta, de surpresa em surpresa, at\u00e9 \u00e0 alegria do estar para sempre com o Senhor. \u00c9 uma caminhada catecumenal, porque aprofunda continuamente a alegria do seu in\u00edcio: a f\u00e9 em Jesus Cristo e o mergulhar n\u2019Ele, no Baptismo. O Ano Paulino oferece-nos est\u00edmulo para aperfei\u00e7oar a nossa catequese e conceber a ac\u00e7\u00e3o pastoral como um meio de aprofundar um processo cont\u00ednuo de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3.  <b>Prioridade da experi\u00eancia comunit\u00e1ria da f\u00e9<\/b> 6. Para Paulo o Evangelho \u00e9 uma for\u00e7a de comunh\u00e3o. Jesus Cristo, ao atrair cada um a si, pela f\u00e9, deseja a Igreja onde se vive a caridade, a comunh\u00e3o com Deus, por Jesus Cristo e com os irm\u00e3os. Paulo concebe a sua miss\u00e3o como um edificar cont\u00ednuo da Igreja que Jesus Cristo, deseja e ama. O seu principal instrumento catequ\u00e9tico s\u00e3o as suas cartas, todas elas directa ou indirectamente, dirigidas \u00e0s Igrejas. Estas s\u00e3o o seu interlocutor. Catequizando as Igrejas, faz uma catequese sobre a Igreja. Paulo acentua, antes de mais, a identifica\u00e7\u00e3o da Igreja com o pr\u00f3prio Cristo. A uni\u00e3o a Cristo, realizada no baptismo, \u00e9 t\u00e3o profunda, que a Igreja \u00e9 a nova dimens\u00e3o do Corpo de Cristo, a nova fase do mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o (cf. 1Co 12,27; Rom 12,5). Deste novo corpo, Cristo \u00e9 a cabe\u00e7a, porque a Igreja vive e alimenta-se da plenitude de Cristo ressuscitado (cf. Ef 1,22-23; Col 1,18; 3,19). Paulo encarna, na sua solicitude pelas comunidades, o amor e a ternura de Jesus Cristo pela Igreja (cf. 2 Co 11,2-3, 29; 1 Tes 2,7-12). O facto de as Igrejas serem a express\u00e3o da Igreja que Jesus Cristo quer e ama, faz da comunh\u00e3o na f\u00e9 e na caridade a grande exig\u00eancia da unidade. Esta unidade n\u00e3o \u00e9 a uniformidade humana, mas a participa\u00e7\u00e3o da unidade de Cristo com o Pai, no Esp\u00edrito. Paulo exprime quase sempre esta dimens\u00e3o transcendente da comunh\u00e3o e da unidade, nas sauda\u00e7\u00f5es com que inicia as suas cartas \u00e0s Igrejas (Cf Rom 1,7; 1 Co 1,3). A unidade das Igrejas \u00e9 preocupa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de Paulo e causa de muito sofrimento. Antes de mais a preocupa\u00e7\u00e3o de garantir que as Igrejas que nasceram da sua miss\u00e3o junto dos gentios, estejam em comunh\u00e3o com as Igrejas da Palestina, constitu\u00eddas, sobretudo, por crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo. Leva as Igrejas da gentilidade a partilharem os seus bens com as Igrejas mais pobres da Palestina (cf. Rom 15,25-27; 1Co 16,1-4; 2 Co 8-9; Gal 2,10). Mas para ele \u00e9 sobretudo importante que a f\u00e9 seja a mesma. Essa preocupa\u00e7\u00e3o leva-o a Jerusal\u00e9m, para se encontrar com os outros Ap\u00f3stolos, e a reconhecer a primazia de Pedro (cf. Gal 1,18s; 2,1-10). A efervesc\u00eancia carism\u00e1tica em algumas Igrejas daquele tempo \u00e9 um problema real para esta constru\u00e7\u00e3o da unidade. Os princ\u00edpios que o orientam s\u00e3o de uma actualidade flagrante: n\u00e3o h\u00e1 dons do Esp\u00edrito estritamente para benef\u00edcio individual, mas s\u00e3o dons para toda a Igreja e s\u00f3 esta \u00e9 o juiz do seu discernimento (cf.  1 Co 12-14; Rom 12,3-8; Ef 4,1-16).  O Ano Paulino oferece-nos ocasi\u00e3o de uma reflex\u00e3o pastoral sobre a verdade da Igreja e a maneira de construir a unidade da comunh\u00e3o, na imensa variedade de carismas que voltaram a enriquecer a Igreja do nosso tempo. As estruturas da CEP s\u00e3o chamadas a estar mais atentas a esta realidade que, se constitui uma riqueza da Igreja, \u00e9 tamb\u00e9m o seu principal desafio na constru\u00e7\u00e3o da unidade.    <b>Corresponsabilidade na miss\u00e3o<\/b> 7. A paix\u00e3o por Jesus Cristo, Paulo transmitiu-a aos outros crist\u00e3os, infundindo neles o mesmo ardor pela miss\u00e3o. Esta torna-se, assim, express\u00e3o da caridade, na comunh\u00e3o da Igreja. Paulo percebeu que toda a Igreja \u00e9 chamada a ser, com os Ap\u00f3stolos, correspons\u00e1vel na miss\u00e3o. Agregou ao seu minist\u00e9rio cooperadores zelosos: presb\u00edteros, que \u201ctrabalham na palavra e na instru\u00e7\u00e3o\u201d (1Tim. 5,17), crist\u00e3os, mulheres e homens, empenhados no \u201ctrabalho do amor\u201d (1Ts. 1,3). No final da Carta aos Romanos refere-se a eles com grande afecto: \u201cSaudai Priscila e \u00c1quila, meus colaboradores em Cristo Jesus, pessoas que, pela minha vida, expuseram a sua cabe\u00e7a. N\u00e3o sou apenas eu a estar-lhes agradecido, mas todas as Igrejas dos gentios\u201d (Rom. 16,3-4). Alguns destes colaboradores na miss\u00e3o tornaram-se muito pr\u00f3ximos de Paulo, como Tim\u00f3teo, Tito, Silas, partilhando com ele toda a aventura da miss\u00e3o. Alguns deles eram enviados pelas comunidades para junto de Paulo, garantindo o contacto permanente com o Ap\u00f3stolo e sendo, junto dele, a express\u00e3o do amor das comunidades. \u00c9 o caso de Epafrodito, que \u00e9 enviado para acompanhar Paulo (cf. Fil. 2,19-30). Podemos aprender com Paulo o fundamento da verdadeira corresponsabilidade dos crist\u00e3os na miss\u00e3o da Igreja, aspecto de grande actualidade quando o Conc\u00edlio tornou claro que a Igreja \u00e9 o verdadeiro sujeito da miss\u00e3o e que todos os baptizados s\u00e3o correspons\u00e1veis, segundo a sua gra\u00e7a pr\u00f3pria ou o minist\u00e9rio que lhes foi entregue. A import\u00e2ncia e especificidade do minist\u00e9rio ordenado n\u00e3o pode significar a clericaliza\u00e7\u00e3o da Igreja.     <b>Propostas de meios pastorais para a viv\u00eancia do Ano Paulino<\/b> 8. Como acab\u00e1mos de ver, o Ano Paulino oferece uma ocasi\u00e3o riqu\u00edssima para o nosso servi\u00e7o \u00e0s Igrejas. Cada uma encontrar\u00e1 os meios que considere os mais adaptados para o viver e celebrar. No entanto a Confer\u00eancia Episcopal, \u00f3rg\u00e3o ao servi\u00e7o da unidade de todas as Igrejas de Portugal, prop\u00f5e a todas os seguintes instrumentos pastorais:  8.1. \u201cUm ano a caminhar com S\u00e3o Paulo\u201d. Trata-se de um itiner\u00e1rio catequ\u00e9tico, tendo Paulo como guia, que al\u00e9m do conhecimento mais profundo do Ap\u00f3stolo, nos far\u00e1 percorrer, durante 52 semanas, as principais etapas do caminho crist\u00e3o. Apresenta um tema para cada semana do ano e destina-se, al\u00e9m das pessoas individualmente, \u00e0s fam\u00edlias, aos grupos paroquiais, \u00e0 pastoral juvenil, aos Movimentos.  8.2. A viv\u00eancia da Liturgia. Os textos de S\u00e3o Paulo s\u00e3o dos que mais continuamente s\u00e3o lidos na Liturgia. Propomos, durante este ano, uma valoriza\u00e7\u00e3o destes textos, sobretudo nas homilias, n\u00e3o esquecendo que a Liturgia \u00e9 a grande catequese da Igreja. A Comiss\u00e3o Nacional de Liturgia preparar\u00e1 elementos que ajudem os pastores das comunidades a realizar este objectivo.  8.3. Estudos sobre S\u00e3o Paulo. A Faculdade de Teologia, nos seus diversos Centros e Escolas filiadas, oferecer\u00e1 ao Povo de Deus, sess\u00f5es de estudos paulinos.  8.4. Valoriza\u00e7\u00e3o de outras ofertas, particularmente a apresentada pela fam\u00edlia Paulista (Padres, Irm\u00e3s paulistas e Pias disc\u00edpulas).  8.5. A festa da convers\u00e3o de S\u00e3o Paulo, no pr\u00f3ximo ano, ser\u00e1 celebrada ao Domingo. Ser\u00e1 organizada uma grande celebra\u00e7\u00e3o nacional nesse dia, na Igreja da Sant\u00edssima Trindade, em F\u00e1tima, centrada num aspecto englobante da doutrina de Paulo.  9. Ao celebrar o Ano Paulino, queremos ter o Ap\u00f3stolo Paulo como guia inspirador da nossa miss\u00e3o de pastores, de todos os evangelizadores, de quantos, neste mundo secularizado, querem viver connosco a aventura da Igreja.  F\u00e1tima, 6 de Maio de 2008 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,120,127,147,154,206,207,237,246,268,275,280,286],"class_list":["post-31745","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-crianca","tag-familia","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa","tag-pastoral-juvenil","tag-paulistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31745"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31745\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}