{"id":31728,"date":"2008-05-06T12:19:31","date_gmt":"2008-05-06T12:19:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/06\/a-devocao-ao-espirito-santo-na-madeira\/"},"modified":"2008-05-06T12:19:31","modified_gmt":"2008-05-06T12:19:31","slug":"a-devocao-ao-espirito-santo-na-madeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-devocao-ao-espirito-santo-na-madeira\/","title":{"rendered":"A devo\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito Santo na Madeira"},"content":{"rendered":"<p>A devo\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito Santo na piedade popular madeirense enra\u00edza na mesma descoberta da ilha em 1420, e no in\u00edcio do povoamento, por meados de 1425.  O Esp\u00edrito Santo recebe a primeira manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9 do descobridor. Ao fazer o reconhecimento da zona de C\u00e2mara de Lobos, Zarco ter\u00e1 j\u00e1 demarcado no pr\u00f3prio terreno o espa\u00e7o dedicado \u00e0 futura constru\u00e7\u00e3o duma Capela em honra do Esp\u00edrito Santo, ermida que ainda hoje constitui o centro das manifesta\u00e7\u00f5es devocionais e da mesma Festa do Pentecostes, nesta comunidade paroquial. Tamb\u00e9m \u00e9 vulgarmente conhecida como Capela da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o.  Na primeira igreja constru\u00edda em honra de nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, que o vulgo, pela sua localiza\u00e7\u00e3o, chamou do Calhau, o mesmo Zarco dedicou uma capela interior ao Esp\u00edrito Santo. Com o desenvolvimento da Madeira e o seu crescimento populacional, outras capelas Lhe foram dedicadas. \u00c9 orago da par\u00f3quia da Calheta.  Recebeu devo\u00e7\u00e3o especial numa capela erigida em sua honra no Cani\u00e7o, no extremo leste da Capitania do Funchal. Quando foi necess\u00e1rio construir uma nova igreja, nesta localidade, por se encontrar em ru\u00ednas a primitiva ermida, o Esp\u00edrito Santo passou a ser co-padroeiro conjuntamente com Santo Ant\u00e3o, que era titular de uma outra capela erguida pela popula\u00e7\u00e3o na margem esquerda da mesma ribeira, mas pertencente j\u00e1 \u00e0 Capitania de Machico. Ainda hoje se mant\u00eam dos dois titulares, com fortes express\u00f5es de f\u00e9. Na par\u00f3quia da Ponta do Sol, Jo\u00e3o Esmeraldo erigiu uma Capela em honra do Esp\u00edrito Santo, a qual foi dedicada pelo Bispo em 1508, e em 1527, instituiu um morgadio com a mesma invoca\u00e7\u00e3o na Lombada da Ponta do Sol. No convento de S\u00e3o Francisco, no Funchal, demolido no s\u00e9culo XIX, havia uma capela dedicada ao Esp\u00edrito Santo. O mesmo acontece no Convento de Santa Clara, assim como na matriz de Santa Cruz e na de Machico. A Capela da Encarna\u00e7\u00e3o, em Santa Luzia guarda rela\u00e7\u00e3o com o Esp\u00edrito Santo sob cuja ac\u00e7\u00e3o o Verbo se fez carne.  No Porto Santo, a antiga Capela do Esp\u00edrito Santo deu origem a uma nova par\u00f3quia em 1960 e nela tem ainda a sua sede. A grande devo\u00e7\u00e3o do povo madeirense ao Esp\u00edrito Santo manifesta-se tamb\u00e9m nas pinturas dos seus s\u00edmbolos, as l\u00ednguas de fogo e a pomba que embeleza-ram as igrejas e capelas.  Concomitantemente, foram criadas pela diocese al\u00e9m, confrarias e irmandades do Esp\u00edrito Santo, com o objectivo de manter e assegurar a realiza\u00e7\u00e3o de actos de culto ao Par\u00e1clito divino. Com Gon\u00e7alves Zarco, vieram tamb\u00e9m para a madeira os frades franciscanos, que definitivamente, tamb\u00e9m tiveram uma influ\u00eancia decisiva nesta particular devo\u00e7\u00e3o. As manifesta\u00e7\u00f5es exteriores de devo\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito Santo de maior express\u00e3o, s\u00e3o as \u00abVisitas Pascais\u00bb ou vulgarmente denominadas \u00abVisitas do Esp\u00edrito Santo\u00bb, que chegaram at\u00e9 aos nossos dias. Elas realizam-se entre o II Domingo da P\u00e1scoa e a solenidade da Ascens\u00e3o. Entre os seus objectivos, est\u00e1 uma recolha de fundos para a Festa do Esp\u00edrito Santo, para o \u00abBodo\u00bb ou a \u00abCopa\u00bb, para ajuda aos mais carenciados, ou para a f\u00e1brica da igreja, uma visita e b\u00ean\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias, levando at\u00e9 elas a presen\u00e7a da P\u00e1scoa.  Para o povo madeirense em geral, esta visita constitui uma verdadeira \u00abFesta\u00bb, pois re\u00fane-se toda a fam\u00edlia, para receber \u00abO Esp\u00edrito Santo\u00bb, que vem aben\u00e7oar a casa, a fam\u00edlia. Os familiares mais chegados v\u00eam de longe, convidam amigos e vizinhos, e todos podem participar da \u00abFesta\u00bb: refei\u00e7\u00e3o melhorada, bolos, doces, bebidas licorosas, etc. Respira-se, normalmente, um esp\u00edrito de f\u00e9, pois a visita \u00e9 recebida com muito respeito e muita dignidade, e as ofertas costumam ser substanciais. Na zona urbana, e onde se constru\u00edram aglomerados habitacionais, para onde emigram fam\u00edlias n\u00e3o enraizadas na comunidade, sente-se, evidentemente maior dificuldade nesta ac\u00e7\u00e3o pastoral. A Visita Pascal \u00e9, normalmente, presidida pelo P\u00e1roco, ou seu representante, que procura alternar em cada ano, at\u00e9 visitar toda a par\u00f3quia, que vai acompanhado por pessoas, homens ou mulheres, revestidos com opas vermelhas. Uma leva a Bandeira e outra o pend\u00e3o com as Ins\u00edgnias do Esp\u00edrito Santo, que s\u00e3o beijadas pelos visitados, e ainda outra leva a bandeja ou \u00abcoroa\u00bb onde s\u00e3o depositadas as ofertas. Por vezes tamb\u00e9m ainda vai o ceptro, reminisc\u00eancias das primeiras iniciativas que aproveitavam a Festa do Pentecostes, para demonstrar que o Esp\u00edrito Santo \u00e9, de facto, o \u00abPai dos Pobres\u00bb. Normalmente tamb\u00e9m v\u00e3o duas \u00absaloias\u00bb, trajando de vermelho ou o traje t\u00edpico regional, todas enfeitadas de ouro, as quais v\u00e3o cantando os versos tradicionais do Esp\u00edrito Santo. Podem ir ainda um ou dois tocadores de instrumentos regionais, sobretudo \u00abBraguinha\u00bb e \u00abMachete\u201d, os quais podem ou n\u00e3o ser remunerados. Com as \u00absaloias\u00bb e com a toda a Madeira em Festa, vamos tamb\u00e9m cantar: \u00abDesce \u00e0 terra luz bendita \/ vem o teu povo animar \/ as nossas almas visita \/ nossos passos vem guiar.\u00bb \u00abVinde Esp\u00edrito Santo \/ \u00e0s nossas almas dar luz \/ Para que n\u00f3s triunfemos \/ l\u00e1 na P\u00e1ria com Jesus\u00bb. <i>Manuel Gama<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A devo\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito Santo na piedade popular madeirense enra\u00edza na mesma descoberta da ilha em 1420, e no in\u00edcio do povoamento, por meados de 1425. O Esp\u00edrito Santo recebe a primeira manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9 do descobridor. 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