{"id":31727,"date":"2008-05-06T12:12:16","date_gmt":"2008-05-06T12:12:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/06\/sobre-a-permanencia-do-culto-do-espirito-santo-nos-acores\/"},"modified":"2008-05-06T12:12:16","modified_gmt":"2008-05-06T12:12:16","slug":"sobre-a-permanencia-do-culto-do-espirito-santo-nos-acores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sobre-a-permanencia-do-culto-do-espirito-santo-nos-acores\/","title":{"rendered":"Sobre a perman\u00eancia do culto do Esp\u00edrito Santo nos A\u00e7ores"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o do culto do Esp\u00edrito Santo nos A\u00e7ores, sob a forma de Imp\u00e9rio, em finais do s\u00e9culo XV, as raz\u00f5es para a sua perman\u00eancia devem-se ao facto destas festas serem as que melhor permitiram o entendimento entre os diversos povoadores e se enquadram num esp\u00edrito de solidariedade necess\u00e1rio na luta contra as dificuldades; pela simplicidade do elemento material necess\u00e1rio; pelo peso da hierarquia n\u00e3o ser t\u00e3o forte nas repress\u00f5es devido ao papel evangelizador dos franciscanos e \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o destes valores pelo clero local; pela resist\u00eancia \u00e0 domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica filipina, na afirma\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es locais; pela constru\u00e7\u00e3o de pequenos edif\u00edcios para imp\u00e9rios e pelo apoio da emigra\u00e7\u00e3o a\u00e7oriana.  A decad\u00eancia do culto, a que actualmente se assiste, deve-se \u00e0 passagem de uma cultura agr\u00e1ria a uma cultura urbana feita de servi\u00e7os e de consumo, e porque as formas de solidariedade v\u00e3o-se transferindo das fam\u00edlias e vizinhan\u00e7a para a responsabilidade estatal, \u00e0 medida que crescem sentimentos e pr\u00e1ticas individualistas e se debilita (ou depura) a f\u00e9.  Tal como na Escritura, tamb\u00e9m no culto popular do Esp\u00edrito Santo, h\u00e1 uma iconografia pr\u00f3pria. Como s\u00edmbolos, destaca-se a coroa, o ceptro, o bast\u00e3o, a bandeira, o imp\u00e9rio (edif\u00edcio) e o menino (inoc\u00eancia), que t\u00eam a ver com o exerc\u00edcio da soberania e a garantia da justi\u00e7a, atribu\u00eddas ao Esp\u00edrito Santo.  Os milagres atribu\u00eddos ao Divino Par\u00e1clito querem mostrar que o Esp\u00edrito Santo quer ser adorado com a \u00abfesta do Imp\u00e9rio\u00bb, pela raz\u00e3o de nela se incluir o jantar aos pobres. \u00c0 estranha pergunta \u00abporque \u00e9 que o Esp\u00edrito Santo \u00e9 vingativo?\u00bb, devemos responder com a leitura dos milagres que Lhe s\u00e3o atribu\u00eddos e com o n\u00e3o cumprimento dos rituais do Imp\u00e9rio, pois o que a Deus e aos pobres se deve e promete n\u00e3o se Lhes deve regatear.  No pronunciamento dos bispos ao servi\u00e7o dos A\u00e7ores, nesta mat\u00e9ria, podemos marcar quatro per\u00edodos com os seus estilos pr\u00f3prios. No primeiro (s\u00e9c. XVI), t\u00e9nue e tolerante, temos reparos para que n\u00e3o se exagere nos gastos, evitem as supersti\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se fa\u00e7a as festas fora do tempo pr\u00f3prio, que haja apenas um imperador em cada lugar, bem como advert\u00eancias quanto ao tempo e ao comportamento na igreja dos fi\u00e9is envolvidos nos rituais.  A reforma tridentina (s\u00e9c. XVII e XVIII) far-se-\u00e1 sentir com toda a sua pujan\u00e7a implicando sobretudo com as cantigas e dan\u00e7as dos foli\u00f5es nas igrejas, proibindo a pr\u00f3pria confraria de ter gastos com os jantares, os ministros eclesi\u00e1sticos irem a casa dos imperadores assisti-los, comer nos templos, coroar antes de acabar a missa, imp\u00e9rios de mulheres, bailes e jogos il\u00edcitos, exist\u00eancia de mais de um imp\u00e9rio em cada dia e localidade, o ministro dar a beijar os evangelhos e a paz ao imperador, aos homens estar na igreja com a cabe\u00e7a coberta e as mulheres n\u00e3o, etc. Este \u00e9 o tom das reprova\u00e7\u00f5es.  A partir do s\u00e9culo XIX, fala-se em geral de \u00ababusos, excessos e pecados que se cometem a pretexto de festejar o Esp\u00edrito Santo\u00bb. Pro\u00edbe-se que saiam imagens dos santos a acompanhar o cortejo das coroa\u00e7\u00f5es, a intromiss\u00e3o dos p\u00e1rocos nos neg\u00f3cios temporais das irmandades, a b\u00ean\u00e7\u00e3o de coroas que n\u00e3o sejam de prata, que se ande com a mesma a fazer pedit\u00f3rios pela rua, imp\u00e9rios dirigidos por crian\u00e7as, coroa\u00e7\u00f5es em casa, mudan\u00e7as de coroa \u00e0 noite ou que se coma no pr\u00f3prio imp\u00e9rio.  No s\u00e9culo XX, estando o culto aceite, as observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o de car\u00e1cter disciplinar e administrativo, atingindo o pico cr\u00edtico nos anos 60, mudando para um tom positivo e pastoral com o actual bispo, no final do s\u00e9culo. Conclu\u00edmos que h\u00e1 certas repress\u00f5es, proibi\u00e7\u00f5es, advert\u00eancias, amea\u00e7as, mas n\u00e3o quanto \u00e0 ess\u00eancia do culto e, sobretudo h\u00e1 persist\u00eancia e resist\u00eancia populares. N\u00e3o raros aparecem, antes das correc\u00e7\u00f5es, elogios ao fundamento e raz\u00e3o de ser de um culto t\u00e3o genuinamente crist\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 interven\u00e7\u00f5es doutrinais de fundo, que levem a proibir esta pr\u00e1tica. O culto popular nasce em ambiente crist\u00e3o, tem ideias crist\u00e3s e \u00e9 realizado por comunidades crist\u00e3s, com uma roupagem cultural e social sob a qual se esconde uma atitude b\u00e1sica de f\u00e9 no Esp\u00edrito Santo \u2013 alma e motor da Igreja.  <i>Pe. H\u00e9lder Fonseca Mendes, Vig\u00e1rio Geral da Diocese de Angra<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o do culto do Esp\u00edrito Santo nos A\u00e7ores, sob a forma de Imp\u00e9rio, em finais do s\u00e9culo XV, as raz\u00f5es para a sua perman\u00eancia devem-se ao facto destas festas serem as que melhor permitiram o entendimento entre os diversos povoadores e se enquadram num esp\u00edrito de solidariedade necess\u00e1rio na luta contra as dificuldades; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[154,169,206,213,314],"class_list":["post-31727","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-crianca","tag-diocese-de-angra","tag-familia","tag-franciscanos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31727","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31727"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31727\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}