{"id":31725,"date":"2008-05-06T11:55:24","date_gmt":"2008-05-06T11:55:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/06\/culto-ao-espirito-santo\/"},"modified":"2008-05-06T11:55:24","modified_gmt":"2008-05-06T11:55:24","slug":"culto-ao-espirito-santo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/culto-ao-espirito-santo\/","title":{"rendered":"Culto ao Esp\u00edrito Santo"},"content":{"rendered":"<p><b>O Esp\u00edrito que faz a Hist\u00f3ria<\/b> <i>Em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, as festas ao Esp\u00edrito Santo ressurgem indissoci\u00e1veis do exerc\u00edcio da solidariedade, explica D. Manuel Clemente<\/i> Para S\u00e3o Lucas, nos Actos dos Ap\u00f3stolos, n\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida: quem faz a hist\u00f3ria \u00e9 o Esp\u00edrito do Ressuscitado. \u00c9 Ele que destaca os ap\u00f3stolos e mission\u00e1rios, para que a Igreja se difunda, mundo al\u00e9m. \u00c9 ler, por exemplo, a escolha e envio de Barnab\u00e9 e Saulo, em Actos 13, 1-2: \u201cHavia na igreja, estabelecida em Antioquia, profetas e doutores [\u2026]. Estando eles a celebrar o culto em honra do Senhor e a jejuar, disse-lhes o Esp\u00edrito Santo: \u2018Separai Barnab\u00e9 e Saulo para o trabalho a que Eu os chamei\u2019. Ent\u00e3o, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhe as m\u00e3os e deixaram-nos partir\u201d. N\u00e3o podia ser mais expl\u00edcito. Como sugestivo \u00e9, mais \u00e0 frente, em Actos 16, 6-7, quando o Esp\u00edrito conduz directamente os mission\u00e1rios, contrariando at\u00e9 o que estes planeavam: \u201cPaulo e Silas atravessaram a Frigia e o territ\u00f3rio da Gal\u00e1cia, pois o Esp\u00edrito Santo impediu-os de anunciar a Palavra na \u00c1sia. Chegando \u00e0 fronteira da M\u00edsia, tentaram dirigir-se \u00e0 Bit\u00ednia, mas o Esp\u00edrito de Jesus n\u00e3o lho permitiu\u2026\u201d. Esta consci\u00eancia da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, foi a par com a percep\u00e7\u00e3o do seu lugar na Trindade divina, bem como da sua progressiva revela\u00e7\u00e3o. No Conc\u00edlio de Constantinopla (381) completou-se a formula\u00e7\u00e3o que repetimos hoje: \u201cCreio no Esp\u00edrito Santo, Senhor que d\u00e1 a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai [e o Filho] \u00e9 adorado e glorificado: Ele que falou pelos Profetas\u201d. E \u00e9 dessa altura uma sugestiva reflex\u00e3o de S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nazianzo, recolhida pelo Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, n\u00ba 684: \u201cO Antigo Testamento proclamava manifestamente o Pai e mais obscuramente o Filho. O Novo manifestou o Filho e fez entrever a divindade do Esp\u00edrito. Agora, por\u00e9m, o pr\u00f3prio Esp\u00edrito vive connosco e manifesta-se a n\u00f3s mais abertamente. [\u2026] \u00c9 por avan\u00e7os e progress\u00f5es \u2018de gl\u00f3ria em gl\u00f3ria\u2019 que a luz da Trindade brilhar\u00e1 em mais esplendorosas claridades\u201d. No princ\u00edpio do s\u00e9culo XIII, tamb\u00e9m o monge calabr\u00eas Joaquim de Flora (+ 1202) escalonou a revela\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. Mas algumas das suas formula\u00e7\u00f5es levaram alguns a entender o Esp\u00edrito como protagonista da \u00faltima idade do Mundo, quase desligado e em contraste com as idades anteriores, pr\u00f3prias do Pai e do Esp\u00edrito. Escrevendo, por exemplo, assim (Concordia novi et veteris Testamenti): \u201cOs mist\u00e9rios sagrados das divinas Escrituras inspiram-nos a convic\u00e7\u00e3o de que o mundo evolui atrav\u00e9s de tr\u00eas estados. [\u2026] O primeiro foi a idade do Pai, que \u00e9 o criador do universo; o segundo \u00e9 a idade do Filho, que se humilhou e assumiu o nosso corpo mortal; o terceiro ser\u00e1 a idade do Esp\u00edrito Santo, do qual diz o Ap\u00f3stolo: onde est\u00e1 o Esp\u00edrito do Senhor a\u00ed est\u00e1 a liberdade\u201d. Alguns religiosos, anos depois, consideravam-se agentes dessa nova idade, em dissens\u00e3o com a Igreja que diziam ultrapassada\u2026 Menos pol\u00e9mica foi a arrancada das festas do Esp\u00edrito Santo, com tanto acolhimento popular na Baixa Idade M\u00e9dia. Em Portugal tiveram grande sucesso, desde os tempos da rainha Santa Isabel, como escreve Pinharanda Gomes (Cultos portugueses do Esp\u00edrito Santo. In II CONGRESSO DO ESP\u00cdRITO SANTO Actas, comunica\u00e7\u00f5es e conclus\u00f5es. Fund\u00e3o: 2001, p. 207: \u201cAs primeiras e mais importantes festas [do Esp\u00edrito Santo] tiveram origem na vila de Alenquer, por iniciativa da Rainha Santa Isabel, essa festa constando de rolo de cera (c\u00edrio) e v\u00f4do. A expans\u00e3o do culto, mediante festividades an\u00e1logas, processa-se [\u2026] a partir, ao que parece fora de d\u00favida, de Alenquer, chegando \u00e0 ilha da Madeira [\u2026], aos A\u00e7ores, [\u2026] e tamb\u00e9m ao Ultramar\u201d.  Ou o facto de nas festas do Esp\u00edrito Santo o seu \u201cimp\u00e9rio\u201d ser anunciado na figura dum jovem ou dum pobre; ou a lembran\u00e7a das tr\u00eas personagens que visitaram Abra\u00e3o, segundo o Livro do G\u00e9nesis, poder\u00e3o ter provocado a sua representa\u00e7\u00e3o como um jovem nalgumas figura\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XVIII, na Alemanha e n\u00e3o s\u00f3. Isso mesmo levou o papa Bento XIV a redigir um importante documento sobre a arte crist\u00e3, a sua legitimidade e condi\u00e7\u00f5es (Carta Sollicitudini Nostrae, 1 de Outubro de 1745). A\u00ed se l\u00ea, designadamente: \u201cO Esp\u00edrito Santo figura-se ou descendo do c\u00e9u sob a forma de l\u00ednguas de fogo no dia de Pentecostes, ou, noutras circunst\u00e2ncias, sob a forma duma pomba, separadamente das outras Pessoas divinas tamb\u00e9m presentes. Foi com essas figura\u00e7\u00f5es que aconteceram as suas apari\u00e7\u00f5es, lembradas na Escritura. Em parte alguma dela se achar\u00e1 que a Terceira Pessoa aparecesse como um homem ou um jovem fora da companhia das outras duas Pessoas\u201d. Igualmente interessante \u00e9 verificar que, mesmo em fase de seculariza\u00e7\u00e3o cultural, do s\u00e9culo XVIII para o XIX, a alus\u00e3o \u00e0 obra do Esp\u00edrito, na sequ\u00eancia das outras duas Pessoas da Trindade, tenha servido para \u201cilustrar\u201d a pr\u00f3pria hist\u00f3ria mental da humanidade, como indicou C. Dawson (Progresso e religi\u00e3o, p. 214, nota), not\u00e1vel historiador cat\u00f3lico a seguir \u00e0 primeira guerra mundial: \u201cA teoria m\u00edstica das Tr\u00eas Idades do Mundo, a do Pai, a do Filho e a do Esp\u00edrito Santo, [\u2026] desempenha papel importante no pensamento de Hegel. N\u00e3o \u00e9 improv\u00e1vel, at\u00e9, que a sua doutrina fundamental da dial\u00e9ctica tr\u00edplice, nas suas aplica\u00e7\u00f5es \u00e0 hist\u00f3ria e \u00e0 vida, tenha ido buscar a\u00ed a sua inspira\u00e7\u00e3o\u201d.  Cabe aqui referir a figura do Cardeal Suenens, figura importante do Conc\u00edlio Vaticano II, grande promotor do renovamento carism\u00e1tico ou pentecostal na Europa. F\u00ea-lo deliberadamente, porque reparava ser assim que o Povo de Deus experimentava o que ele mesmo tinha sentido, com os outros bispos, durante o Conc\u00edlio; ou seja, a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, renovando a Igreja e relan\u00e7ando a evangeliza\u00e7\u00e3o. Escreveu assim, o purpurado belga (Souvenirs et Esp\u00e9rances, p. 295): \u201cCreio que o Renovamento \u2018pentecostal\u2019 \u2013 prefiro este termo ao de \u2018carism\u00e1tico\u2019, [\u2026] pois toda a Igreja \u00e9 carism\u00e1tica \u2013 \u00e9 uma gra\u00e7a muito preciosa que completa e amplifica, ao n\u00edvel do Povo de Deus, a gra\u00e7a pentecostal que foi o Vaticano II ao n\u00edvel dos bispos. Mas, independentemente desta correla\u00e7\u00e3o, vejo nele uma actualiza\u00e7\u00e3o preciosa da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo no cora\u00e7\u00e3o da Igreja, incluindo os carismas. Ainda n\u00e3o acab\u00e1mos de descobrir o Esp\u00edrito Santo na teologia, na espirtualidade, na pastoral. Temos ainda de progredir para O situar no cora\u00e7\u00e3o da nova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d. Refira-se, por fim, que a pr\u00f3pria piedade popular pode ser entendida como obra do Esp\u00edrito, quando Ele leva a traduzir na cultura de cada povo o Evangelho de todos. \u2013 N\u00e3o foi essa exactamente a experi\u00eancia do primeiro Pentecostes, quando cada um ouvia o querigma apost\u00f3lico \u201cna sua pr\u00f3pria l\u00edngua\u201d?! Di-lo a Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino no Direct\u00f3rio sobre a piedade popular e a Liturgia. Princ\u00edpios e orienta\u00e7\u00f5es, n\u00ba 156: \u201cExortando \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao compromisso na miss\u00e3o, o mist\u00e9rio do Pentecostes ilumina a piedade popular, pois tamb\u00e9m ela \u2018\u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo na Igreja. [\u2026] \u00c9 o pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo que enobrece as numerosas e variadas formas de transmitir a mensagem crist\u00e3, segundo a cultura e os costumes de cada lugar em todos os tempos\u2019 (Jo\u00e3o Paulo II)\u201d. <i>D. Manuel Clemente, Bispo do Porto<\/i>  <b>Dossier AE<\/b> &#8211; <a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/dossier.asp?dossierid=86\">Culto ao Esp\u00edrito Santo nas diferentes regi\u00f5es do Pa\u00eds<\/a><\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Esp\u00edrito que faz a Hist\u00f3ria Em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, as festas ao Esp\u00edrito Santo ressurgem indissoci\u00e1veis do exerc\u00edcio da solidariedade, explica D. 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