{"id":317241,"date":"2024-03-12T16:46:39","date_gmt":"2024-03-12T16:46:39","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=317241"},"modified":"2024-03-12T16:46:39","modified_gmt":"2024-03-12T16:46:39","slug":"a-cruz-escondida-265","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-265\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Ajudar a Igreja na Ucr\u00e2nia, um compromisso para esta Quaresma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-317242 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/ACN-20231215-157666-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/ACN-20231215-157666-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/ACN-20231215-157666-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/ACN-20231215-157666-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/ACN-20231215-157666-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/ACN-20231215-157666-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/ACN-20231215-157666.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<h4>O banquete dos pobres<\/h4>\n<p>Sopa quente, caf\u00e9, p\u00e3o. Talvez mais alguma coisa. \u00c0 porta da Casa dos Irm\u00e3os Albertinos, em Lviv, h\u00e1 sempre algu\u00e9m \u00e0 espera, h\u00e1 sempre uma m\u00e3o estendida. A casa, amarela, \u00e9 bem conhecida em toda a cidade. A guerra na Ucr\u00e2nia veio aumentar ainda mais o n\u00famero dos pobres, dos sem-abrigo, dos que precisam de ajuda para sobreviver. Os tempos est\u00e3o muito dif\u00edceis, mas a porta continua sempre aberta para, como nos diz o Irm\u00e3o Bernard, \u201cmostrar que a vida \u00e9 mais forte do que a morte\u201d \u2026<\/p>\n<p>A fila \u00e9 grande. S\u00e3o homens e mulheres a quem, por vezes, j\u00e1 se perdeu a idade. S\u00e3o pessoas com olhares gastos, cinzentos, apagados. S\u00e3o pessoas com os rostos enrugados, com vidas duras. Muitos s\u00e3o sem-abrigo, outros, tendo casa, nada t\u00eam para comer. O Irm\u00e3o Bernard \u00e9 um destes homens consagrados que assumiram a miss\u00e3o de olhar pelos \u00faltimos da sociedade. A fila \u00e0 porta da casa amarela dos Irm\u00e3os Albertinos em Lviv \u00e9 sempre grande. Mas desde que a guerra come\u00e7ou na Ucr\u00e2nia, com a invas\u00e3o das tropas russas em 24 de Fevereiro de 2022, que tem aumentado o n\u00famero dos que procuram ali sossegar o est\u00f4mago nem que seja apenas com uma sopa e um naco de p\u00e3o. No Inverno, quando as temperaturas ficam escandalosamente muitos graus abaixo de zero, parece que se acentuam ainda mais os sinais que identificam os pobres e os indigentes de Lviv. O frio empobrece as pessoas. \u00c9 por isso que l\u00e1 dentro da casa dos Irm\u00e3os Albertinos o vapor do quente da panela da sopa ou o aroma do caf\u00e9 parecem, para quem est\u00e1 c\u00e1 fora na fila, uma verdadeira promessa de banquete. O Irm\u00e3o Bernard conhece a maior parte dos que acorrem ao abrigo desta congrega\u00e7\u00e3o. Ele pr\u00f3prio diz que eles \u201cs\u00e3o como uma equipa de emerg\u00eancia, de primeiros-socorros\u201d. Apesar disso, apesar de estar ali h\u00e1 anos a fazer todos os dias quase sempre os mesmos gestos, a distribuir comida, a sossegar a fome, o seu olhar ainda se comove com a mis\u00e9ria, com os que n\u00e3o t\u00eam nada, com os que vivem na maior indig\u00eancia. Esses, que s\u00e3o os \u00faltimos da sociedade, s\u00e3o a raz\u00e3o de ser destes irm\u00e3os. \u00c9 para eles que trabalham, que se levantam todos os dias, \u00e9 para eles que mobilizam boas vontades para terem sempre pelo menos uma panela a fumegar ao lume. \u00c9 para eles que vivem. \u201cO homem da rua, com problemas, algu\u00e9m que est\u00e1 com frio, algu\u00e9m que passa fome, \u00e9 o nosso dia-a-dia. \u00c9 para isso que estamos aqui\u201d, explica-nos.<\/p>\n<h4>\u201cNada far\u00edamos sem a Funda\u00e7\u00e3o AIS\u201d<\/h4>\n<p>A maior parte dos que fazem fila \u00e0 porta da casa amarela dos Irm\u00e3os Albertinos em Lviv s\u00e3o alco\u00f3licos, sem-abrigo, t\u00eam problemas de drogas ou de jogo ou fugiram da guerra. Todos sabem que ali s\u00e3o acolhidos. Que s\u00e3o bem acolhidos. \u00c9 o caso de Volodymyr Mack. A tal ponto que Volodymyr agora tornou-se volunt\u00e1rio e tenta retribuir a ajuda que lhe deram ajudando outros que, como ele, tamb\u00e9m sentiram a vida madrasta. \u201cAjudo em tudo o que \u00e9 preciso fazer\u201d, conta a uma equipa de reportagem da Funda\u00e7\u00e3o AIS. Agora, Volodymyr at\u00e9 j\u00e1 pernoita na casa amarela, num quarto com beliches. Sente-se bem. Sente-se seguro. Talvez se sinta mesmo em casa. \u201cFiquei mais calmo porque aqui h\u00e1 mais tranquilidade\u201d, confessa. &#8220;H\u00e1 menos ru\u00eddo das sirenes de ataque a\u00e9reo\u201d, acrescenta. As sirenes, que anunciam bombardeamentos, que avisam da queda de m\u00edsseis, desassossegam todas as pessoas, deixam os nervos em franja. S\u00e3o um som maldito que importa esconjurar, ao contr\u00e1rio do badalar do sino que algum dos irm\u00e3os toca a avisar que a refei\u00e7\u00e3o est\u00e1 na mesa. \u00c9 o banquete dos pobres. Sopa quente, caf\u00e9 e p\u00e3o. \u201cEsperemos que chegue para cerca de 300 pessoas\u201d, diz o Irm\u00e3o Bernard Jerzy Charnucha. \u201cEsta \u00e9 uma cadeia de solidariedade onde n\u00e3o pode faltar nenhum elo\u201d, acrescenta. \u201cMas nada far\u00edamos sem a <strong>Funda\u00e7\u00e3o AIS<\/strong>. Sem v\u00f3s, n\u00e3o existir\u00edamos. Temos de estar ao lado dos oprimidos, devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o familiar ou \u00e0 pobreza, devido \u00e0 doen\u00e7a mental, ao v\u00edcio ou \u00e0 guerra. Temos de os acompanhar, e n\u00e3o abandon\u00e1-los, para mostrar que a vida \u00e9 mais forte do que a morte\u2026\u201d, diz ainda este religioso que \u00e9 a alma da casa amarela onde ningu\u00e9m fica de fora, onde todos t\u00eam lugar \u00e0 mesa.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_38225\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QLpMyF0-0UY?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen 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