{"id":31702,"date":"2008-05-05T10:54:41","date_gmt":"2008-05-05T10:54:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/05\/bispo-do-porto-desafia-universitarios\/"},"modified":"2008-05-05T10:54:41","modified_gmt":"2008-05-05T10:54:41","slug":"bispo-do-porto-desafia-universitarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bispo-do-porto-desafia-universitarios\/","title":{"rendered":"Bispo do Porto desafia universit\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>B\u00ean\u00e7\u00e3o das Pastas celebrada na Avenida dos Aliados com apelos contra o desencanto e a indiferen\u00e7a perante o futuro <!--more--> &#8211; Para subir com Cristo!  Amigos universit\u00e1rios, finalistas de tantos cursos, que todos vos levem \u00e0 feliz realiza\u00e7\u00e3o das vossas vidas profissionais e c\u00edvicas. Car\u00edssimos familiares e amigos dos nossos finalistas, que com eles partilhais a conclus\u00e3o dos seus cursos. Estimadas autoridades civis e acad\u00e9micas, professores, alunos e funcion\u00e1rios da Academia do Porto. Irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo, aqui reunidos para celebrar a Ascens\u00e3o do Senhor. Profissionais da comunica\u00e7\u00e3o social, neste dia que a Igreja particularmente vos destina, insistindo desta vez na necess\u00e1ria dimens\u00e3o \u00e9tica da vossa actividade. E, muito especialmente, estimadas m\u00e3es que estais connosco, aqui ou atrav\u00e9s da televis\u00e3o, neste primeiro Domingo de Maio que t\u00e3o justamente vos \u00e9 dedicado. &#8211; A v\u00f3s, m\u00e3es, em que a vida encontra a mais esplendorosa Primavera! \u00c9 sempre de vida que a Sagrada Escritura nos fala. Como o ouvimos agora, muito a prop\u00f3sito da Ascens\u00e3o de Cristo, neste Domingo celebrada. Tudo, como sempre, potenciando infinitamente o dinamismo natural das nossas exist\u00eancias, do seio materno e do seio da terra rumando ao C\u00e9u. C\u00e9u que biblicamente tamb\u00e9m se referia como \u201cseio de Abra\u00e3o\u201d, p\u00e1tria definitiva dos que a f\u00e9 p\u00f5e a caminho. Sabemos n\u00f3s, os crist\u00e3os, que este caminho tem nome. Cristo disse de si mesmo ser \u201co caminho\u201d. \u00c9-o realmente, sempre adiante, pois sempre nos faz andar, num percurso onde nunca h\u00e1 propriamente finalistas\u2026 E, quando digo que sabemos o nome deste caminho, refiro a experi\u00eancia que j\u00e1 tendes, pois se fez encontrado, para com Ele \u201csubirdes\u201d. De subida nos falava a primeira leitura, quando Jesus \u201cse elevou \u00e0 vista dos ap\u00f3stolos e uma nuvem O escondeu \u00e0 vista deles\u201d. Ficaram de olhos presos em Jesus que se elevava. Tanto, que foi precisa a advert\u00eancia: \u201cHomens da Galileia, porque estais a olhar para o C\u00e9u?\u201d. Compreendamo-los a eles, transportados e fixos em Jesus, que ao C\u00e9u tornava. Compreendamos a advert\u00eancia: fixemo-nos nesta terra, mesmo com os olhos cheios de C\u00e9u.  Assim convosco, car\u00edssimos finalistas, que j\u00e1 conheceis a Cristo e o sentido ascensional que Ele d\u00e1 \u00e0 vida; mas, exactamente porque o sabeis, estais dispostos a continuar nesta terra a sua obra redentora. Atrav\u00e9s das v\u00e1rias compet\u00eancias que adquiristes, ireis subindo com Cristo e ao seu modo: no servi\u00e7o, na prontid\u00e3o e na qualidade do que fizerdes, em prol da humanidade que todos integramos e que Deus deseja feliz. Para n\u00f3s, crist\u00e3os, \u201csubir na vida\u201d \u00e9 realmente outra coisa. Porque se consegue ao modo de Cristo, quando sobem os sentimentos e as motiva\u00e7\u00f5es, querendo o que Deus quer e como Deus quer e em Cristo se demonstra: servi\u00e7o, sentido dos outros, caridade. Neste sentido, impor-se na terra n\u00e3o \u00e9 o mesmo que subir ao C\u00e9u. Neste sentido ainda se percebe porque \u00e9 que a humanidade s\u00f3 guarda com gosto a mem\u00f3ria do bem. Daqueles homens e mulheres que reproduziram na variedade das suas vidas pessoais, profissionais e c\u00edvicas o s\u00f3lido modelo que encontramos em Cristo. Por entre tantas manifesta\u00e7\u00f5es de sabedoria e religiosidade que a humanidade transporta e vos oferece, caros amigos, entreveis a figura concreta, mesmo que envolvida em gl\u00f3ria celeste, dum Cristo muito pr\u00f3ximo e amigo, pois compartilha com o Pai, no Amor que os une, o cuidado permanente por todos e cada um. Quem vislumbra estas coisas, j\u00e1 sabe para onde deve \u201csubir\u201d, ascendendo pela caridade, \u00fanico \u201cc\u00e9u\u201d de n\u00f3s todos.  Na segunda leitura escut\u00e1mos a ora\u00e7\u00e3o de Paulo, que t\u00e3o bem se refere ao que mais importa, agora e para cada um de v\u00f3s: \u201cO Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo [\u2026] ilumine os olhos do vosso cora\u00e7\u00e3o, para compreenderdes a esperan\u00e7a a que fostes chamados, os tesouros de gl\u00f3ria que encerra a sua heran\u00e7a entre os santos e a incomensur\u00e1vel grandeza que representa o seu poder para n\u00f3s os crentes\u201d. Redobra-se a convic\u00e7\u00e3o em ora\u00e7\u00e3o. Sim, car\u00edssimos amigos, que se ilumine o olhar e a perspectiva de vida; que se aprofunde a esperan\u00e7a na omnipot\u00eancia divina, que tem por tamanho e qualidade a sua miseric\u00f3rdia, o cuidado de n\u00f3s. N\u00e3o pe\u00e7ais hoje nem nunca uma b\u00ean\u00e7\u00e3o coisificada, para projectos curtos ou egoc\u00eantricos. Pedi a caridade divina, para uma ascens\u00e3o aut\u00eantica e uma vida verdadeira e bela, porque bondosa e \u00fatil. Deus s\u00f3 tem Deus para oferecer. E o nosso Deus, manifestado em Cristo, \u00e9 dom de si mesmo, preocupa\u00e7\u00e3o por todos, humildade e servi\u00e7o, que s\u00e3o outros nomes da verdade \u2013 da verdade \u201cpura e simples\u201d, como n\u00e3o dizemos por acaso.  A ascens\u00e3o definitiva de Cristo foi precedida de dois modos: quando subia ao monte para orar e quando subiu \u00e0 cruz para dar a vida. N\u00f3s crist\u00e3os,  sabemos isto. E, como sabemos, assim pedimos, para que n\u00e3o nos falte o \u00e2nimo nem nos arrefe\u00e7a o entusiasmo. Aqui sim, incidir\u00e1, forte e omnipotente, a b\u00ean\u00e7\u00e3o divina. Estai disto muito certos e garantidos \u2013 com \u201cdois mil anos de garantia\u201d! Disse-nos depois o Evangelho que \u201cos disc\u00edpulos partiram para a Galileia, em direc\u00e7\u00e3o ao monte que Jesus lhes indicara\u201d. Na Galileia tinham come\u00e7ado o seu caminho com Jesus, tr\u00eas anos antes. \u00c0 Galileia \u201cde toda a gente\u201d se dirigiriam agora, para reproduzir e alargar o que tinham visto e convivido com o seu Mestre e Senhor. Senhor que os fortalece e certifica, pr\u00f3ximo e perempt\u00f3rio: \u201cTodo o poder Me foi dado no C\u00e9u e na terra. Ide e ensinai todas as na\u00e7\u00f5es [\u2026]. Eu estou sempre convosco at\u00e9 ao fim dos tempos\u201d.    Galileia \u00e9 agora o Porto, como os disc\u00edpulos somos agora n\u00f3s \u2013 sois agora v\u00f3s, car\u00edssimos finalistas! E o monte indicado,  \u00e9 esse mesmo da vossa ascens\u00e3o nos sentimentos de Cristo, donde n\u00e3o deveis descer; antes subireis, pela conviv\u00eancia com Ele, mais e mais. De que ensino vos incumbe, tamb\u00e9m sabeis, aut\u00eantica \u201clicenciatura\u201d do que aprendestes j\u00e1 no Evangelho do amor e do servi\u00e7o. Porque n\u00e3o h\u00e1 uma p\u00e1gina da ci\u00eancia nem uma aplica\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica que prescindam da verdade, que \u00e9, por natureza, difusiva e solid\u00e1ria. Se \u00e9 certo que s\u00f3 temos o que aprendemos, \u00e9 ainda mais certo que s\u00f3 mantemos o que partilhamos e s\u00f3 crescemos no que oferecemos. Caros amigos, que cada um dos vossos percursos pessoais e profissionais seja de partilha criativa de saberes e of\u00edcios, no Esp\u00edrito de Cristo. A\u00ed sim, subireis ao C\u00e9u! H\u00e1 muita caricatura de poder, neste vasto mundo que \u00e9 o nosso. T\u00e3o caricatural, que mal arremeda a superioridade que n\u00e3o tem. Fazem-se e desfazem-se \u00eddolos de p\u00e9 de barro e cora\u00e7\u00e3o vazio. E a pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o social tem dificuldade em acertar com caras e casos que nos estimulem e atraiam, de sinal positivo e duradouro. \u2013 N\u00e3o ser\u00e1 ent\u00e3o a melhor das not\u00edcias, que estejais aqui tantos e tantas, atra\u00eddos pelo \u201cpoder\u201d de Cristo e a for\u00e7a convincente e sempre nova do seu Evangelho?! \u2013 N\u00e3o chegar\u00e1 isto mesmo como prova do que Ele disse e prometeu?! Como vos diz agora mesmo, valendo muito a pena saborear-lhe as palavras, uma a uma: \u201cEu estou sempre convosco at\u00e9 ao fim dos tempos!\u201d. N\u00f3s sabemos, v\u00f3s atestais, \u00e9 mesmo assim, Evangelho ao vivo.  E deixai-me dizer, a todos os que escutam e v\u00eaem esta magn\u00edfica celebra\u00e7\u00e3o: Fala-se hoje de algum desencanto juvenil, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida social e c\u00edvica. Desencanto e indiferen\u00e7a que justamente preocupam altos respons\u00e1veis e muitos observadores. Mas eu entrevejo nisso uma dupla reac\u00e7\u00e3o, de sinal diverso. Por um lado, \u00e9 verdade que muitos jovens caem no imediatismo de consumos v\u00e1rios, infelizmente suscitados por m\u00e1s publicidades e p\u00e9ssimos neg\u00f3cios. Mas, por outro lado, tal alheamento referir-se-\u00e1 ainda mais \u00e0 inconsist\u00eancia das pr\u00e1ticas pessoais e p\u00fablicas dalguns mais velhos, que n\u00e3o s\u00e3o de molde a cativar os mais novos. Por outro lado, s\u00e3o muitos os jovens que hoje aderem de alma e cora\u00e7\u00e3o a iniciativas concretas e v\u00e1lidas de voluntariado e solidariedade, no pa\u00eds e al\u00e9m dele. Mais do que acusar os jovens de alheamento e descaso, devemos ser n\u00f3s, os adultos, a testemunhar-lhes um real compromisso com a sociedade e o desenvolvimento. A isto, decerto, aderir\u00e3o. N\u00e3o desistamos n\u00f3s da juventude e ela se tornar\u00e1 em \u201cb\u00ean\u00e7\u00e3o\u201d, como Deus a oferece ao mundo em cada gera\u00e7\u00e3o que chega. Parab\u00e9ns, ent\u00e3o, car\u00edssimos finalistas. Como aos vossos pais, professores e amigos, todos reunidos neste momento de b\u00ean\u00e7\u00e3o. E j\u00e1 que em Cristo o C\u00e9u desceu \u00e0 terra, seja a vossa vida um caminho aberto, por onde com Ele e com muitos subais ao C\u00e9u, na constante ascens\u00e3o das vidas verdadeiras, bondosas e belas, que certamente tereis. H\u00e1 muita gente \u00e0 vossa espera! Avenida dos Aliados, 4 de Maio de 2008 <i>+ Manuel Clemente, Bispo do Porto  FOTO: Lusa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>B\u00ean\u00e7\u00e3o das Pastas celebrada na Avenida dos Aliados com apelos contra o desencanto e a indiferen\u00e7a perante o futuro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,168,187,314,329],"class_list":["post-31702","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31702"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31702\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}