{"id":3170,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/cabinda-igreja-denuncia-crimes-contra-a-humanidade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"cabinda-igreja-denuncia-crimes-contra-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cabinda-igreja-denuncia-crimes-contra-a-humanidade\/","title":{"rendered":"Cabinda: Igreja denuncia crimes contra a humanidade"},"content":{"rendered":"<p>Padres cat\u00f3licos testemunham crimes contra a humanidade perpetrados por militares angolanos contra as popula\u00e7\u00f5es civis em Cabinda. Os relatos d\u00e3o conta da exist\u00eancia de torturas, viola\u00e7\u00f5es e assassinatos, espancamentos e outros abusos por militares angolanos no enclave de Cabinda nos \u00faltimos 12 meses. A den\u00fancia faz parte de um relat\u00f3rio divulgado esta semana, por activistas dos direitos humanos, citados pelo jornalista Justin Pearce, correspondente da BBC em Luanda num trabalho publicado em Lisboa para o jornal \u201cP\u00fablico\u201d. Nesse artigo, Pearce afirma que o relat\u00f3rio apela \u201c\u00e0 comunidade internacional\u201d para que se ponha fim ao \u201csil\u00eancio sobre a continua\u00e7\u00e3o do conflito e dos abusos sistem\u00e1ticos dos direitos humanos em Cabinda\u201d. Esta den\u00fancia acontece precisamente na mesma altura em que a Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre \u2013 institui\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica dependente directamente da Santa S\u00e9 \u2013 acaba de lan\u00e7ar em Lisboa uma \u201ccampanha de apoio a Angola\u201d intitulada \u201ca indiferen\u00e7a \u00e9 um crime!\u201d, em que se denunciam, tamb\u00e9m, os atropelos aos direitos humanos no territ\u00f3rio angolano de Cabinda. A Campanha da Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre pretende contribuir com a recolha de fundos para a forma\u00e7\u00e3o de sacerdotes e seminaristas em Angola, por se constatar que \u201ca Igreja \u00e9 a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o cred\u00edvel para a promo\u00e7\u00e3o da paz e a reconcilia\u00e7\u00e3o em Cabinda e em Angola\u201d. Assinada por Paulo Bernardino, presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o, a carta enviada a milhares de benfeitores da institui\u00e7\u00e3o em Portugal, d\u00e1 conta, tamb\u00e9m, de \u201crepres\u00e1lias violentas contra as aldeias (\u2026) execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias, espancamentos e torturas, destrui\u00e7\u00f5es de casas e pilhagens de bens dos alde\u00f5es\u201d. Paulo Bernardino afirma que \u201cos crimes parecem ser executados de forma deliberada e com a cumplicidade do Governo. De Cabinda, chegam-nos apelos lancinantes. T\u00e3o grave quanto o horror por que passam estas popula\u00e7\u00f5es, \u00e9 o drama de se saberem quase abandonadas \u00e0 sua sorte\u201d. Os relatos de Justin Pearce apontam no mesmo sentido da campanha \u201ca indiferen\u00e7a \u00e9 um crime!\u201d da Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre. No trabalho editado na segunda-feira, dia 3 de Novembro, o jornalista da BBC reafirma, no jornal \u201cP\u00fablico\u201d, as den\u00fancias dos padres de Cabinda: \u201cEntre as ofensas referidas no relat\u00f3rio est\u00e3o: \u2018assassinato; tortura e espancamento; abusos sexuais, que mais atingem meninas de tenra idade; &#8216;uni\u00e3o marital&#8217; for\u00e7ada, contra a vontade das mulheres; deten\u00e7\u00f5es extrajudiciais; roubo de dinheiro e outros bens da popula\u00e7\u00e3o; proibi\u00e7\u00e3o e intimida\u00e7\u00e3o de civis na realiza\u00e7\u00e3o das suas actividades essenciais de subsist\u00eancia como agricultura, pesca e ca\u00e7a; o uso for\u00e7ado de civis como &#8216;guias&#8217;, durante as opera\u00e7\u00f5es militares\u2019\u201d.  O jornalista refere ainda o bispo de Cabinda, igualmente citado no relat\u00f3rio, onde D. Paulino Madeca d\u00e1 conta de que, \u201cinfelizmente, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no enclave evoluiu negativamente nos \u00faltimos anos\u201d. O prelado diz ainda que \u201ca l\u00f3gica da guerra predomina como solu\u00e7\u00e3o do chamado &#8216;caso Cabinda&#8217;\u201d, acrescentando que ter\u00e1 feito, inclusivamente, \u201cv\u00e1rias dilig\u00eancias junto das autoridades pol\u00edticas angolanas at\u00e9 ao mais alto n\u00edvel e junto dos l\u00edderes da FLEC, (o movimento armado que luta pela independ\u00eancia do enclave de Cabinda) denunciando a insensatez desta guerra e o ros\u00e1rio de sofrimentos sem conta que vai deixando junto das popula\u00e7\u00f5es. Em v\u00e3o. Os resultados dessa ofensiva est\u00e3o \u00e0 vista de todos e resumem-se numa express\u00e3o: viola\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos direitos humanos e crimes contra a humanidade, conforme os casos apurados no presente relat\u00f3rio\u201d. Para se compreender a situa\u00e7\u00e3o de Cabinda, \u00e9 preciso recuar at\u00e9 1885, altura em que o territ\u00f3rio passou a ser um protectorado portugu\u00eas atrav\u00e9s do tratado de Simulambuco. \u00c9 na reivindica\u00e7\u00e3o desse estatuto especial, que os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o existentes no territ\u00f3rio t\u00eam mantido um conflito aberto com as autoridades de Luanda.  Angola, por sua vez, considera Cabinda com territ\u00f3rio seu e n\u00e3o reconhece legitimidade hist\u00f3rica \u00e0quele documento, apesar de j\u00e1 ter admitido a possibilidade de uma eventual solu\u00e7\u00e3o auton\u00f3mica no quadro da soberania angolana. Cabinda, como \u00e9 tamb\u00e9m referido na Campanha da Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre, \u00e9 extremamente rica em reservas petrol\u00edferas, produzindo cerca de 700 mil barris de petr\u00f3leo bruto por dia, ou seja, cerca de \u201cdois ter\u00e7os das receitas totais do Estado Angolano\u201d.   06 de Novembro de 2003    \u2013  Departamento de Informa\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre Paulo Aido  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padres cat\u00f3licos testemunham crimes contra a humanidade perpetrados por militares angolanos contra as popula\u00e7\u00f5es civis em Cabinda. Os relatos d\u00e3o conta da exist\u00eancia de torturas, viola\u00e7\u00f5es e assassinatos, espancamentos e outros abusos por militares angolanos no enclave de Cabinda nos \u00faltimos 12 meses. 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