{"id":31683,"date":"2008-05-03T12:20:25","date_gmt":"2008-05-03T12:20:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/05\/03\/igreja-e-media\/"},"modified":"2008-05-03T12:20:25","modified_gmt":"2008-05-03T12:20:25","slug":"igreja-e-media","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-e-media\/","title":{"rendered":"Igreja e Media"},"content":{"rendered":"<p>Sonho de uma presen\u00e7a na imprensa escrita condicionado por quest\u00f5es financeiras <!--more--> Na vertiginosa l\u00f3gica da comunica\u00e7\u00e3o, a Igreja Cat\u00f3lica quer sintonizar o seu discurso com os media e as pessoas. Presen\u00e7as e linguagens est\u00e3o em an\u00e1lise na edi\u00e7\u00e3o especial da Ag\u00eancia ECCLESIA, para assinalar o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, que a Igreja celebra este Domingo, 4 de Maio. O Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, D. Manuel Clemente, admite problemas na rela\u00e7\u00e3o com os Media, mas avan\u00e7a justifica\u00e7\u00f5es. \u201cSobre a hierarquia, h\u00e1 que dizer que esta est\u00e1 no centro da vida eclesial, que \u00e9 algo muito complexo. O centro, precisamente para desempenhar o seu papel, \u00e9 o foco das tens\u00f5es mais variadas e vindas de diversos sentidos\u201d, assinala, frisando que \u201ca obriga\u00e7\u00e3o de coordena\u00e7\u00e3o que o centro tem, n\u00e3o lhe permite algumas posi\u00e7\u00f5es de maior risco e inova\u00e7\u00e3o\u201d. Este respons\u00e1vel afirma que \u201c\u00e9 bom que a Igreja tenha a Ag\u00eancia ECCLESIA, tenha a R\u00e1dio Renascen\u00e7a, que exista um variado n\u00famero de seman\u00e1rios locais e um ou dois di\u00e1rios. \u00c9 bom que tenha tamb\u00e9m presen\u00e7a na televis\u00e3o p\u00fablica e em alguma privada. \u00c9 uma presen\u00e7a definida. \u00c9 importante que as pessoas saibam quem \u00e9 que est\u00e3o a ouvir, em que termos e com que intuitos\u201d. Sobre a possibilidade de vir a Igreja ter ou n\u00e3o um di\u00e1rio, D. Manuel Clemente refere que este \u201c\u00e9 uma coisa muit\u00edssimo cara\u201d, mas admite que \u201cseria positivo a exist\u00eancia de um di\u00e1rio que publicasse uma vis\u00e3o cat\u00f3lica das quest\u00f5es e dos problemas\u201d.  <b><i>Igreja e comunica\u00e7\u00e3o<\/i><\/b> <b>A Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa apostou neste \u00faltimo tri\u00e9nio na comunica\u00e7\u00e3o. Os bispos est\u00e3o atentos \u00e0 import\u00e2ncia do discurso medi\u00e1tico? <\/b> T\u00eam de estar. Os Bispos existem em fun\u00e7\u00e3o da evangeliza\u00e7\u00e3o, como toda a Igreja. E de uma forma geral, evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o, que ganha contornos pr\u00f3prios do nosso tempo.  O modo hoje de comunicarmos \u00e9 mais acelerado, diversificado e potenciado do que era noutras \u00e9pocas. Se a fidelidade se mant\u00e9m, temos de a transmitir de uma forma nova. Mas existe outra raz\u00e3o mais profunda. A comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o do meio t\u00e9cnico de transmitir uma mensagem. \u00c9 um modo pr\u00f3prio de viver, que agora, numa vers\u00e3o moderna, tem o nome de interagir.   <b>E os Bispos sabem interagir? <\/b> Vamos aprendendo. Mas todos aprendemos. Tanto a Igreja como a sociedade, todos aprendemos a interagir.  Temos sempre a hip\u00f3tese de n\u00e3o entrar no circuito veloz da comunica\u00e7\u00e3o, mas isso n\u00e3o pode ser. Por isso temos de aprender esta forma nova de comunicar.  N\u00e3o pode ser da forma prolongada, como foi noutros tempos, onde havia tempo para reflectir e ponderar cada frase.  <b>Os Bispos tentam evangelizar comunicando ou comunicar evangelizando?<\/b> Nem sei fazer a distin\u00e7\u00e3o. A evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o.  H\u00e1 uma defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 a vida e miss\u00e3o da Igreja que encontramos num dos textos primitivos do Novo Testamento. A 1\u00aa Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o come\u00e7a com esta defini\u00e7\u00e3o: \u201cAquilo que n\u00f3s vimos e ouvimos acerca do verbo da vida \u00e9 aquilo que n\u00f3s agora vos comunicamos, para que v\u00f3s tamb\u00e9m entrais nesta comunh\u00e3o\u201d. A evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o de uma vida que n\u00f3s recebemos, dos ensinamentos e da pessoa de Jesus e que depois vamos partilhando com outros. Isto \u00e9 absolutamente essencial \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o.  Evangelizar \u00e9 comunicar e comunicar, se for da nossa pr\u00f3pria pessoa e convic\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 evangelizar.  <b>O que os Media pedem n\u00e3o se centra num discurso pessoal e testemunhal como a Igreja quer fazer passar. Isso acarreta dificuldades para o discurso da Igreja? <\/b> Esse \u00e9 um problema m\u00fatuo, quer da Igreja quer dos Media. \u00c9 um problema da Igreja porque n\u00e3o pode passar a sua mensagem sen\u00e3o atrav\u00e9s da vida dos crist\u00e3os.  \u00c9 um problema dos Media porque o que notamos na comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 que a dimens\u00e3o pessoal est\u00e1 pouco presente, quer do ponto de vista de quem transmite, como a quem se refere.  Tratam-se casos de grande densidade pessoal como se fossem apenas sugest\u00f5es de informa\u00e7\u00e3o e entretenimento. N\u00e3o pode ser.   <b>E os Bispos t\u00eam esse problema presente? N\u00e3o apenas no trabalho enquanto l\u00edderes diocesanos mas enquanto l\u00edderes da comunidade crist\u00e3? <\/b> \u00c9 diferente fazer uma homilia para a assembleia de crist\u00e3os ou a dar uma entrevista para r\u00e1dio ou televis\u00e3o. Apesar de alguns bispos manifestarem mais \u00e0-vontade do que outros&#8230; Mas a vida tamb\u00e9m vai dando algum treino. E a vida da Igreja, \u00e9, num certo sentido, uma \u00f3ptima escola de comunica\u00e7\u00e3o.  O Cristianismo n\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o individual, mas \u00e9 necessariamente comunica\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria participa\u00e7\u00e3o eclesial d\u00e1 esse treino de comunica\u00e7\u00e3o.  <b>A hierarquia faz-se presente nos Media? <\/b> Julgo que sim. Temos at\u00e9 pouca margem de recuo. Se n\u00e3o estivermos presentes a comunica\u00e7\u00e3o quase que nos assalta no caminho.  <b>Sentem-se pressionados? <\/b> J\u00e1 faz parte da vida actual. \u00c9 dentro dessa interac\u00e7\u00e3o que hoje vivemos. Mesmo que quis\u00e9ssemos fugir para um deserto, a comunica\u00e7\u00e3o ia atr\u00e1s, pois acharia curioso e algo ex\u00f3tico. Mas, repito, n\u00e3o se trata de uma quest\u00e3o da Igreja, mas da sociedade no seu todo. Perceber que estamos num patamar de comunica\u00e7\u00e3o diferente tem repercuss\u00f5es a todos os n\u00edveis, tanto eclesiais, pol\u00edticos, sociais e culturais.  O \u201cequipamento mental humano\u201d n\u00e3o d\u00e1 saltos t\u00e3o r\u00e1pidos como a tecnologia permite. Um dos grandes problemas actuais mostra a dificuldade de, por um lado ir digerindo e por outro dirigindo a nossa comunica\u00e7\u00e3o que, tecnicamente nos possibilita muita coisa, mas que eticamente, n\u00e3o est\u00e1 definida.   <b>Mas este confronto n\u00e3o pede uma resposta da Igreja mais activa e pronta? <\/b> Em alguns casos sim noutros n\u00e3o, porque \u201ctanto se \u00e9 preso por ter c\u00e3o como por n\u00e3o ter\u201d.  Mas sobre a hierarquia, h\u00e1 que dizer que esta est\u00e1 no centro da vida eclesial, que \u00e9 algo muito complexo. O centro, precisamente para desempenhar o seu papel, \u00e9 o foco das tens\u00f5es mais variadas e vindas de diversos sentidos.  Enquanto centro, d\u00e1 unidade porque pondera e integra. Em princ\u00edpio, o centro n\u00e3o \u00e9 o mais criativo. O mais criativo, dir\u00edamos n\u00f3s, \u00e9 a periferia, que tem menos responsabilidades, responde por si e n\u00e3o pelo todo.  A obriga\u00e7\u00e3o de coordena\u00e7\u00e3o que o centro tem, n\u00e3o lhe permite algumas posi\u00e7\u00f5es de maior risco e inova\u00e7\u00e3o. Podemos ver a Igreja no seu conjunto e algumas iniciativas que tem no campo da comunica\u00e7\u00e3o social que procuram conjugar quer o papel do centro, e portanto da hierarquia, e por outro lado pessoas que, com menos responsabilidade v\u00e3o criando e imaginando. No \u00e2mbito da comunica\u00e7\u00e3o social da Igreja, h\u00e1 alguns anos, ensaiou-se algo, que julgo muito interessante, que \u00e9 o grupo de consultores da Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica\u00e7\u00f5es Sociais. S\u00e3o especialistas de \u00e1reas diversas, quase todos leigos e que se pronunciam sobre variados temas da actualidade. Os participantes respondem dentro da sua especialidade e compet\u00eancia e s\u00e3o igualmente Igreja.  <b>Como avalia a presen\u00e7a das not\u00edcias sobre o religioso na \u00f3ptica generalista? <\/b> O religioso est\u00e1 muito presente e \u00e9 muito apetecido. Mas nem todo o religioso \u00e9 crist\u00e3o. Sobretudo numa \u00e9poca de poucas certezas e poucas seguran\u00e7as, as pessoas t\u00eam hoje uma apet\u00eancia pelo campo, tradicionalmente atribu\u00eddo \u00e0 religi\u00e3o.  H\u00e1 muita apet\u00eancia, mas nem tudo \u00e9 evangelicamente apurado. Qualquer coisa inerente \u00e0 pessoa humana d\u00e1 para tudo.  <b>H\u00e1 falta de prepara\u00e7\u00e3o para tratar os assuntos religiosos? <\/b> H\u00e1 uma \u00f3bvia falta de prepara\u00e7\u00e3o.   <b>Em que sentido? <\/b> J\u00e1 me aconteceu, em v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o, encontrar uma pessoa que vai conduzir a entrevista e demonstra que n\u00e3o sabe de que est\u00e1 a falar. Pelas pr\u00f3prias perguntas que faz, pela forma como usa certas palavras, se percebe que a pessoa n\u00e3o est\u00e1 por dentro do conte\u00fado.  No \u00e2mbito da Comiss\u00e3o Episcopal das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, e concretamente no \u00e2mbito da Ag\u00eancia Ecclesia, actualmente qualquer jornalista que queira inteirar-se sobre assuntos religiosos consulta o site. Mas este problema que aponto \u00e9 vis\u00edvel em v\u00e1rios campos, n\u00e3o s\u00f3 no campo do religioso. Na cultura, nas ci\u00eancias&#8230; H\u00e1 casos excelentes de jornalistas preparados, mas h\u00e1 muitos outros casos que se abordam assuntos sempre no mesmo tom, sem perceber que s\u00e3o dom\u00ednios que requerem uma compet\u00eancia espec\u00edfica.  <b>Mas porque alguns fen\u00f3menos religiosos s\u00e3o mais focados e s\u00e3o mais vend\u00e1veis e o discurso da Igreja pode n\u00e3o chegar como se gostaria, essa falta de prepara\u00e7\u00e3o \u00e9 mais not\u00f3ria? <\/b> Com certeza, sobretudo em alguns dossiers que requerem melhor prepara\u00e7\u00e3o para ser abordados.  Mas h\u00e1 outro elemento que geralmente as pessoas que escrevem sobre comunica\u00e7\u00e3o social p\u00f5em em relevo, e \u00e9 uma certa cenografia e dramaturgia.  A comunica\u00e7\u00e3o social, por vezes, distingue-se pouco do que \u00e9 espect\u00e1culo. Uma not\u00edcia que n\u00e3o possa ser encenada e n\u00e3o tenha ingredientes em contraste, n\u00e3o \u00e9 not\u00edcia. O que apresenta contraste, apetece mais, numa sociedade que, julgo eu, por falta de participa\u00e7\u00e3o, est\u00e1 melhor do lado do espectador, e ent\u00e3o, \u00e9-lhe oferecido espect\u00e1culo.   <b>A presen\u00e7a do religioso na comunica\u00e7\u00e3o social deve seguir a orienta\u00e7\u00e3o de \u201cser fermento na massa\u201d ou atrav\u00e9s de uma presen\u00e7a mais firme? <\/b> As duas vias s\u00e3o precisas. \u00c9 bom que a Igreja tenha a Ag\u00eancia Ecclesia, tenha a R\u00e1dio Renascen\u00e7a, que exista um variado n\u00famero de seman\u00e1rios locais e um ou dois di\u00e1rios. \u00c9 bom que tenha tamb\u00e9m presen\u00e7a na televis\u00e3o p\u00fablica e em alguma privada.  \u00c9 uma presen\u00e7a definida. \u00c9 importante que as pessoas saibam quem \u00e9 que est\u00e3o a ouvir, em que termos e com que intuitos.  Mas tamb\u00e9m \u00e9 bom o que acontece \u2013 e tomara que aconte\u00e7a muito mais \u2013 haver pessoas da comunica\u00e7\u00e3o social que s\u00e3o igualmente crist\u00e3s e no seu local de trabalho s\u00e3o testemunho de uma vida aberta ao religioso.  <b><I>Quest\u00e3o financeira trava jornal da Igreja<\/i><\/b> <b>N\u00e3o \u00e9 nova a possibilidade de a Igreja ter uma presen\u00e7a mais firme na \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o social, nomeadamente atrav\u00e9s de um jornal. Este \u00e9 um sonho apenas de alguns ou \u00e9 um projecto a desenvolver? <\/b> Os v\u00e1rios meios de comunica\u00e7\u00e3o social n\u00e3o se excluem. A exist\u00eancia da Internet, da televis\u00e3o ou da r\u00e1dio n\u00e3o exclui a imprensa no seu sentido tradicional e evolutivo.  Sobre a possibilidade de vir a ter ou n\u00e3o um di\u00e1rio&#8230;\u00e9 uma coisa muit\u00edssimo cara. Por um lado era positivo a exist\u00eancia de um di\u00e1rio que publicasse uma vis\u00e3o cat\u00f3lica das quest\u00f5es e dos problemas.   <b>N\u00e3o apenas de  not\u00edcias religiosas&#8230; <\/b> Numa \u00f3ptica geral. H\u00e1 uma perspectiva crist\u00e3 da vida que se aplica a tudo. Isto seria bom para manter um debate cultural mais fecundo na sociedade portuguesa.  N\u00e3o \u00e9 um sonho de alguns. \u00c9 uma possibilidade. Mas a quest\u00e3o financeira \u00e9 muito importante.  <b>Mas \u00e9 o crit\u00e9rio econ\u00f3mico que impede este projecto de avan\u00e7ar? <\/b> D\u00e1 muito que pensar&#8230; Houve uma tentativa de fazer um seman\u00e1rio nos anos 70, mas teve de ser interrompido, pois era insuport\u00e1vel. E estes projectos t\u00eam custos que n\u00e3o podem ser indefinidamente suportados pelos crist\u00e3os em geral.  As dioceses t\u00eam de administrar as comunidades tendo em conta as actividades pastorais.  Um \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o escrito di\u00e1rio \u00e9 muito caro.  <b>Ou seman\u00e1rio&#8230; <\/b> Essa seria uma hip\u00f3tese e foi a que se experimentou nos anos 70, mas mostrou-se invi\u00e1vel. Vamos ver o que o futuro nos garante. A Igreja j\u00e1 tem alguns jornais di\u00e1rios. No Continente destaca-se o \u00abDi\u00e1rio do Minho\u00bb, nos A\u00e7ores \u00abA Uni\u00e3o\u00bb&#8230;  <b>Mas de circula\u00e7\u00e3o mais restrita, n\u00e3o de \u00e2mbito nacional&#8230; <\/b> A hip\u00f3tese seria algum destes di\u00e1rios evoluir para nacional, mas \u00e9 um passo a dar com muita calma. \u00c9 preciso ver que, hoje em Portugal, ningu\u00e9m pode dizer que n\u00e3o tem informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel acerca dos temas eclesiais. Pela Internet qualquer pessoa tem acesso directo a uma ag\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es cat\u00f3lica. Portanto n\u00e3o se pode questionar o que \u00e9 que a Igreja pensa sobre determinado assunto&#8230; Se \u00e9 uma quest\u00e3o momentosa a Ag\u00eancia Ecclesia procura dar-lhe resposta di\u00e1ria.  <b>Em que plataformas \u00e9 que a Igreja, atrav\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o social, deveria investir mais? <\/b> Os locais onde investe, s\u00e3o j\u00e1 importantes e esse investimento deve continuar a existir.  H\u00e1 dois pontos onde se deveria investir ainda. Um \u00e9 no campo da chamada cultura erudita. N\u00e3o apenas na m\u00fasica ou no discurso popular mas tamb\u00e9m no erudito. No \u00e2mbito cient\u00edfico, filos\u00f3fico, a Igreja pela pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o cultural que transporta devia ser mais criativa. No campo da juventude tamb\u00e9m se deveria investir mais. H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o grande, n\u00e3o s\u00f3 da Igreja mas da sociedade, com a transmiss\u00e3o de valores \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais novas. \u00c9 importante assegurar essa transmiss\u00e3o para que os jovens assumam os valores de maneira criativa e os enrique\u00e7am. Como l\u00e1 chegar, com que linguagens e t\u00e9cnicas, enquanto comunica\u00e7\u00e3o social exercitada, essa \u00e9 outra preocupa\u00e7\u00e3o.  Outro ponto ainda \u00e9 o tempo livre. Um tempo muito pouco liberto em termos de expans\u00e3o do esp\u00edrito e da forma\u00e7\u00e3o.  <b><i>Info\u00e9tica<\/i><\/b> <b>Bento XVI na mensagem para 42.\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais  apontou a necessidade de reflectir numa info\u00e9tica. A deontologia profissional n\u00e3o chega? <\/b> O avan\u00e7o tecnol\u00f3gico n\u00e3o \u00e9 suficientemente acompanhado pelo progresso deontol\u00f3gico e pela refer\u00eancia \u00e9tica.  Actualmente quem trabalha na comunica\u00e7\u00e3o social, pressionado pela vertigem do instant\u00e2neo e da concorr\u00eancia, afasta-se da dimens\u00e3o humana, do respeito pelo outro, que a Doutrina Social da Igreja apresenta.  A sociedade tem problemas \u00e9ticos e a maior parte n\u00e3o s\u00e3o especificamente religiosos. H\u00e1 o problema do respeito pela vida. Sabemos que hoje, de uma maneira t\u00e9cnica s\u00e3o poss\u00edveis manipula\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e avan\u00e7a-se em campos sem se fazer uma reflex\u00e3o \u00e9tica anterior que perceba se h\u00e1 respeito pela vida humana.  Estas quest\u00f5es colocam-se no campo da info\u00e9tica porque a \u00e9tica, como reflex\u00e3o, exige deten\u00e7\u00e3o, resguardo, matura\u00e7\u00e3o e um di\u00e1logo pr\u00e9vio, quer interior quer tamb\u00e9m com outras pessoas que se debrucem sobre o assunto.  A possibilidade informativa que hoje temos veicula as informa\u00e7\u00f5es de tal maneira que estas nos chegam antes de sabermos se elas s\u00e3o boas e positivas.  H\u00e1 portanto um problema info\u00e9tico grave.   <b>Dentro dessa l\u00f3gica vertiginosa, a Igreja sente-se retratada no que passa para as pessoas? <\/b> Mas h\u00e1 alguma institui\u00e7\u00e3o ou organiza\u00e7\u00e3o que hoje se sinta bem na comunica\u00e7\u00e3o social? Necessariamente n\u00e3o. A Igreja, o pr\u00f3prio Estado, as Universidades&#8230;desde que institucional. O institucional nunca \u00e9 a aventura de um s\u00f3. \u00c9 sempre a responsabilidade de uma ideia partilhada. Se se vai apenas do \u00abfait-divers\u00bb de um caso ou de outro n\u00e3o se tem em conta esta pondera\u00e7\u00e3o colectiva que \u00e9 necess\u00e1ria para um tratamento institucional.   <b>Os exemplos diocesanos s\u00e3o bons exemplos de como as not\u00edcias religiosas s\u00e3o tratadas? Esta presen\u00e7a deve ser valorizada? <\/b> Na sua maioria, estes \u00f3rg\u00e3os t\u00eam uma dimens\u00e3o local. Dada esta proximidade, que os grandes meios dificilmente ter\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o alvo sente-se retratada e participativa. No campo da comunica\u00e7\u00e3o social da Igreja h\u00e1 ainda um sector a referir que nem sempre aparece suficientemente mencionado e observado e que \u00e9 muito din\u00e2mico:  a imprensa mission\u00e1ria.  Se hoje quisermos ter uma ideia dos problemas do mundo, de forma mais aprofundada e garantida pelos testemunhos que publica, temos de consultar a imprensa mission\u00e1ria, que tem uma grande qualidade.  <b><i>Cultura e Comunica\u00e7\u00e3o<\/i><\/b> <b>No final de tr\u00eas anos \u00e0 frente da Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, que balan\u00e7o faz deste caminho? <\/b> Foi um caminho que quis aproximar trabalhos que estavam a ser feitos de uma maneira bastante particularizada.  As comunica\u00e7\u00f5es sociais da Igreja contam com d\u00e9cadas de trabalho atrav\u00e9s do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais.  O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, que tem menos tempo, desenvolve um trabalho inovador e contribui para uma reflex\u00e3o mais erudita e trabalhada, onde a cultura n\u00e3o apenas se veicula mas sobretudo se produz, se incentiva e se estimula.  O Secretariado dos Bens Culturais promove a salvaguarda e valoriza\u00e7\u00e3o pastoral do patrim\u00f3nio da Igreja.  Eram tr\u00eas sectores que estavam mais estanques e que nestes tr\u00eas anos se procuraram unificar numa comiss\u00e3o, mantendo o trabalho espec\u00edfico dos secretariados.  Nesse sentido o saldo foi muito positivo. Tem havido uma boa influ\u00eancia de motiva\u00e7\u00f5es entre secretariados.  Tr\u00eas anos depois de ter come\u00e7ado a funcionar j\u00e1 se atingiu uma plataforma normal de entendimento nestas \u00e1reas e por isso, uma resposta mais coesa no campo da comunica\u00e7\u00e3o social e da cultura.  <b>Enquanto homem da comunica\u00e7\u00e3o, como \u00e9 que a sonha? <\/b> Gostaria que a primeira afirma\u00e7\u00e3o da Doutrina Social da Igreja que \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o, a salvaguarda da pessoa humana e a sua dignidade fosse o objecto, o assunto e a subst\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o social.  <i>FOTO: Miguel Cardoso\/Terra das Ideias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sonho de uma presen\u00e7a na imprensa escrita condicionado por quest\u00f5es 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