{"id":316666,"date":"2024-03-05T17:04:08","date_gmt":"2024-03-05T17:04:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=316666"},"modified":"2024-03-06T17:04:19","modified_gmt":"2024-03-06T17:04:19","slug":"voto-a-pensar-em-mim-ou-a-pensar-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/voto-a-pensar-em-mim-ou-a-pensar-em-portugal\/","title":{"rendered":"Voto a pensar em mim ou a pensar em Portugal?"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Capela<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-316667 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/antonio-capela-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/antonio-capela-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/antonio-capela-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/antonio-capela-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/antonio-capela.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>\u00c9 frequente exigir-se \u00e9tica \u00e0 classe pol\u00edtica. Sobretudo, em momentos de campanha eleitoral, \u00e9 crucial o apelo \u00e0 honestidade, \u00e0 transpar\u00eancia, tamb\u00e9m \u00e0 capacidade de evitar a excessiva crispa\u00e7\u00e3o e polariza\u00e7\u00e3o. \u00c9 fundamental que os pol\u00edticos sejam claros, que digam ao que v\u00eam; que sejam sensatos, que n\u00e3o prometam o que n\u00e3o podem cumprir; que saibam ouvir as pessoas na rua, que n\u00e3o seja uma campanha s\u00f3 para vender ideias; que sejam nobres perante os advers\u00e1rios, que n\u00e3o caiam no insulto gratuito.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, esta \u00e9tica da classe pol\u00edtica est\u00e1 incompleta se n\u00e3o for complementada com uma \u00e9tica do votante. Ali\u00e1s, se, por um lado, uma atitude respons\u00e1vel dos pol\u00edticos ajuda a elevar o n\u00edvel da democracia; tamb\u00e9m, ter votantes mais exigentes obriga os pol\u00edticos a tornarem-se mais virtuosos. \u201cCada pa\u00eds tem o governo que merece.\u201d<\/p>\n<p>Um voto \u00e9tico e respons\u00e1vel valoriza discursos de uni\u00e3o, n\u00e3o procura o interesse pr\u00f3prio. Um jovem, um reformado, um funcion\u00e1rio p\u00fablico, ou um trabalhador privado n\u00e3o deve votar em quem promete mundos e fundos ao seu grupo particular. Um voto \u00e9tico est\u00e1 simbioticamente ligado a um profundo sentimento patri\u00f3tico. Todas as partes da sociedade beneficiam e precisam do bem do todo. Como diz muitas vezes o Papa Francisco: \u201cA uni\u00e3o \u00e9 superior ao conflito\u201d \u2013 eis um \u00f3ptimo lema.<\/p>\n<p>O voto deve estar inspirado nas quest\u00f5es: O que \u00e9 justo para a sociedade? O que \u00e9 o melhor para o pa\u00eds? O patriotismo \u00e9 a receita que faz vencer os ego\u00edsmos e promove a verdadeira efic\u00e1cia no voto. A pol\u00edtica n\u00e3o deve ser o resultado do conflito, mas sim o apelo a algo maior, que supere o conflito; n\u00e3o deve ser um choque de interesses distintos, mas a sua integra\u00e7\u00e3o e harmoniza\u00e7\u00e3o num interesse superior, no interesse de todos, no interesse nacional.<\/p>\n<p>A irrelev\u00e2ncia do crit\u00e9rio de verdade, a desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura de di\u00e1logo, a vis\u00e3o apaixonadamente futebolizante, tribalista e manique\u00edsta da pol\u00edtica \u00a0s\u00e3o doen\u00e7as que t\u00eam contaminado o nosso ambiente pol\u00edtico. Infelizmente, esta forma de estar faz parte do c\u00f3digo identit\u00e1rio de muitos partidos em Portugal; os agentes pol\u00edticos, de um modo geral, t\u00eam tido dificuldade em ultrapassar esta vis\u00e3o e em centrar-se naquela que deve ser a sua \u00fanica miss\u00e3o \u2013 procurar, propor e servir o interesse nacional.<\/p>\n<p>Neste sentido, a boa atitude pol\u00edtica n\u00e3o deve ser encarada como um jogo de t\u00e9nis, no qual o objectivo de um lado \u00e9 complicar a vida do outro, no qual uma fac\u00e7\u00e3o quer aniquilar a outra. O exemplo a cultivar \u00e9 outro: o das raquetes de praia, desporto no qual ambas as partes trabalham e cooperam para manter a bola sempre no ar, dois lados distintos comungam, participam e colaboram para um mesmo objectivo. Trata-se de ver que o bem do outro \u00e9 tamb\u00e9m o meu bem; que cooperando (e n\u00e3o disputando) vamos mais longe; que assim, no fim, todos ficam a ganhar.<\/p>\n<p>Numa das suas c\u00e9lebres cita\u00e7\u00f5es, S\u00e1 Carneiro prop\u00f5e que se coloque em primeiro lugar os interesses nacionais e somente depois os interesses partid\u00e1rios. \u00c9 por aqui o caminho. At\u00e9 podemos ir mais longe e afirmar que o objectivo da pol\u00edtica deve ser a total supera\u00e7\u00e3o do interesse partid\u00e1rio, de modo a que consci\u00eancia dos eleitores esteja profundamente impregnada do interesse nacional. A receita n\u00e3o \u00e9 escolher quem mais me beneficia, n\u00e3o \u00e9 promover \u00f3dios e invejas sociais \u2013 \u00e9 beneficiar os partidos que abra\u00e7am todos sob a mesma bandeira, que criam um des\u00edgnio, que superam a consci\u00eancia de classe com a consci\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>Claro que existem diferentes vis\u00f5es daquilo que \u00e9 o interesse nacional. Da\u00ed existirem diferentes ofertas pol\u00edticas. Este \u00e9 o exerc\u00edcio do votante: primeiro, excluir as propostas que s\u00e3o divisionistas e que promovem interesses particulares; segundo, dentro das demais, escolher a vis\u00e3o que melhor serve o bem-comum.<\/p>\n<p>O segredo est\u00e1 em lembrarmo-nos que, antes de sermos ricos, ou pobres; velhos, ou novos; trabalhadores do p\u00fablico, ou do privado; do campo, ou da cidade; do litoral, ou do interior; do norte, ou do sul &#8211; antes e acima de tudo isso &#8211; somos portugueses.<\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Capela<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Capela<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":316667,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[920],"class_list":["post-316666","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-legislativas-2024"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=316666"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316666\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/316667"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=316666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=316666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=316666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}