{"id":31641,"date":"2008-04-30T16:23:18","date_gmt":"2008-04-30T16:23:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/04\/30\/1-o-de-maio-contra-o-conformismo-por-mais-justica-social\/"},"modified":"2008-04-30T16:23:18","modified_gmt":"2008-04-30T16:23:18","slug":"1-o-de-maio-contra-o-conformismo-por-mais-justica-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/1-o-de-maio-contra-o-conformismo-por-mais-justica-social\/","title":{"rendered":"1.\u00ba de Maio \u2013 Contra o conformismo por mais justi\u00e7a social"},"content":{"rendered":"<p>O trabalho que sindicatos, trabalhadores inconformados, cidad\u00e3os preocupados com a justi\u00e7a social t\u00eam pela frente \u00e9 de conhecer melhor o funcionamento da economia, os mecanismos de redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza, para serem mais capazes de fazer propostas alternativas coerentes, justas e inovadoras suscept\u00edveis de recuperar para a interven\u00e7\u00e3o sindical e pol\u00edtica muitos trabalhadores e cidad\u00e3os que dela se t\u00eam alheado.   \u00c9 dif\u00edcil, num mundo globalizado e complexo, equacionar todas as dimens\u00f5es e problemas que se colocam aos que persistem em acreditar que \u00e9 poss\u00edvel um mundo mais justo para toda a Humanidade. Avan\u00e7am-se algumas reflex\u00f5es e desafios que marcam as rela\u00e7\u00f5es da trabalho e a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza nos dias em que nos \u00e9 dado viver.  <b>Que significa, na actualidade, lutar pela dignidade e justi\u00e7a no trabalho?<\/b> A liberdade de organiza\u00e7\u00e3o e de express\u00e3o \u00e9 ainda muito desigual no mundo. Em alguns pa\u00edses, com tradi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, os trabalhadores organizam-se e exprimem-se livremente. Adquiriram direitos e s\u00e3o tidos em conta na defini\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas econ\u00f3micas e sociais. Em muitos outros, com um crescimento econ\u00f3mico intenso, a democracia e a liberdade sindical s\u00e3o limitadas, ou mesmo inexistentes. Como o capital n\u00e3o conhece fronteiras, a concorr\u00eancia global est\u00e1 desvirtuada. Na China, na \u00cdndia, na Tail\u00e2ndia e em tantos outros pa\u00edses do mundo em desenvolvimento os direitos dos trabalhadores no que se refere a hor\u00e1rios, vencimentos, seguran\u00e7a na doen\u00e7a ou na velhice tal como os entendemos na Europa Ocidental n\u00e3o s\u00e3o respeitados, mas mesmo assim o n\u00edvel de vida das popula\u00e7\u00f5es tem evolu\u00eddo positivamente, enquanto os trabalhadores europeus t\u00eam visto diminuir os seus direitos e poder de compra.  O capital procura sempre as melhores condi\u00e7\u00f5es para a obten\u00e7\u00e3o do lucro. Os custos dos transportes t\u00eam diminu\u00eddo e a circula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o sobre processos e tecnologias est\u00e1 muito facilitada. Portanto, assiste-se \u00e0 deslocaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em ind\u00fastrias que requerem m\u00e3o-de-obra intensiva. Mas j\u00e1 n\u00e3o foi assim com a ind\u00fastria t\u00eaxtil nos anos 60, quando as empresas do norte da Europa se instalaram em Portugal para aproveitarem o baixo pre\u00e7o da m\u00e3o-de-obra e a conten\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria dos conflitos laborais?  S\u00f3 com uma interven\u00e7\u00e3o consequente dos organismos internacionais como a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) e da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) para impedir a exporta\u00e7\u00e3o de bens produzidos com recurso a m\u00e3o-de-obra infantil ou de trabalhadores sem direitos sindicais, ou mesmo escravizados, ser\u00e1 poss\u00edvel criar um quadro mais justo para o com\u00e9rcio internacional. Os organismos sindicais internacionais como a Confedera\u00e7\u00e3o Sindical Internacional ou a Confedera\u00e7\u00e3o Europeia de Sindicatos n\u00e3o podem confinar a sua capacidade de interven\u00e7\u00e3o aos interesses das organiza\u00e7\u00f5es que representam e assumir a reivindica\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es mais dignas e justas para os trabalhadores de todo o mundo.   <b>Lutar por melhores condi\u00e7\u00f5es, mas com mais solidariedade<\/b>  Do mesmo modo, e no que concerne ao movimento sindical nacional, \u00e9 urgente que os sindicatos e as confedera\u00e7\u00f5es sindicais situem os seus programas de luta num horizonte de justi\u00e7a social e de combate \u00e0 pobreza. Se cada sindicato reivindica as melhores condi\u00e7\u00f5es remunerat\u00f3rias para os seus associados em fun\u00e7\u00e3o da sua capacidade reivindicativa, corre-se o risco de aumentar as desigualdades sociais porque o n\u00famero de associados varia, a possibilidade de perturbar o dia-a-dia da sociedade \u00e9 diferente, conferindo mais visibilidade e poder negocial a alguns sindicatos que da\u00ed retiram vantagens que podem ser injustas.   Os sindicatos n\u00e3o podem abster-se de reflectir sobre a justa remunera\u00e7\u00e3o do trabalho, tendo em considera\u00e7\u00e3o a redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza na economia nacional, abstendo-se de retirar benef\u00edcios injustificados s\u00f3 porque representam sectores cujo impacto no quotidiano \u00e9 mais perturbador. \u00c9 justo que lutem por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para os seus associados, mas sempre num horizonte de solidariedade com todos os outros trabalhadores, mesmo os desempregados.   <b>Maior produtividade n\u00e3o tem significado maior qualidade de vida<\/b> H\u00e1 perguntas simples que n\u00e3o podem deixar de se fazer neste Primeiro de Maio. \u00c9 ineg\u00e1vel que a produtividade tem aumentado tanto em Portugal como no mundo. A riqueza produzida tem crescido, assim como os lucros do capital. Porque n\u00e3o se reflectem, pelo menos em parte, esses ganhos na remunera\u00e7\u00e3o dos trabalhadores ou na diminui\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios de trabalho?   J\u00e1 assim foi no s\u00e9culo XIX\u2026 As desigualdades entre a minoria capitalista e a imensa massa de trabalhadores assalariados n\u00e3o parava de aumentar. A injusti\u00e7a era t\u00e3o evidente que foi poss\u00edvel unir esfor\u00e7os e desencadear prolongados processos de luta que se traduziram na redu\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios de trabalho e na melhoria de condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores nas democracias ocidentais em diferentes momentos do s\u00e9culo XX. N\u00e3o foi um processo linear nem cont\u00ednuo. Exigiu dedica\u00e7\u00e3o capacidade de organiza\u00e7\u00e3o e sacrif\u00edcio, debate, reflex\u00e3o, consciencializa\u00e7\u00e3o, novas propostas de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade e da economia.   \u00c9 esse o trabalho que sindicatos, trabalhadores inconformados, cidad\u00e3os preocupados com a justi\u00e7a social t\u00eam pela frente. Quanto melhor conhecermos o funcionamento da economia, os mecanismos de redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza, mais capazes seremos de fazer propostas alternativas coerentes, justas e inovadoras suscept\u00edveis de recuperar para a interven\u00e7\u00e3o sindical e pol\u00edtica muitos trabalhadores e cidad\u00e3os que dela se t\u00eam alheado.   A tarefa que temos pela frente n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Tamb\u00e9m n\u00e3o o foi a de milh\u00f5es de trabalhadores ao longo dos \u00faltimos dois s\u00e9culos ousaram acreditar e lutar por sociedades mais justas em que todos pudessem dispor de condi\u00e7\u00f5es de vida mais dignas. Com um olhar abrangente e compreensivo, com an\u00e1lise s\u00e9ria, recorrendo a quem estuda as quest\u00f5es econ\u00f3micas e sociais com preocupa\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a, \u00e9 poss\u00edvel desenhar novos caminhos e mobilizar vontades para a mudan\u00e7a social.  <b>Manter viva a mem\u00f3ria<\/b>  Em 1889, a Segunda Internacional Socialista, em reuni\u00e3o realizada em Paris, decide consagrar o primeiro dia de Maio \u00e0 luta pela jornada de trabalho de 8 horas, convocando-se para o efeito manifesta\u00e7\u00f5es nos mais diversos pa\u00edses. Muitas dessas manifesta\u00e7\u00f5es foram duramente reprimidas e este dia acabou por ser dedicado \u00e0 luta dos trabalhadores por melhores condi\u00e7\u00f5es laborais, mesmo depois de se ter generalizado nas sociedades capitalistas do ocidente a jornada de trabalho de 8 horas.  Assim se homenageava os trabalhadores que a 1 de Maio de 1886 se manifestaram em Chicago, reivindicando a redu\u00e7\u00e3o de 13 para 8 horas de trabalho por dia. A repress\u00e3o que se abateu sobre a manifesta\u00e7\u00e3o provocou mortos e feridos. As greves e manifesta\u00e7\u00f5es continuaram nos dias que se seguiram e o rebentamento de uma bomba que feriu e matou v\u00e1rios pol\u00edcias a 4 de Maio desencadeou um verdadeiro massacre sobre os manifestantes oper\u00e1rios com centenas de mortos. V\u00e1rios dirigentes do movimento oper\u00e1rio e sindical foram presos e julgados. Cinco foram condenados \u00e0 morte e tr\u00eas a pesadas penas de pris\u00e3o. Seis anos depois, as autoridades reconheceram a precipita\u00e7\u00e3o e parcialidade do julgamento e libertaram os tr\u00eas dirigentes que estavam presos.  Mantendo viva esta mem\u00f3ria, mais uma vez, no pr\u00f3ximo primeiro de Maio um pouco por todo o mundo, os trabalhadores v\u00e3o ser convocados para celebrar e lutar. Em alguns pa\u00edses, n\u00e3o democr\u00e1ticos, arriscam ainda, como os trabalhadores de Chicago na final do s\u00e9culo XIX, a repress\u00e3o. Temos, no entanto, que reconhecer que h\u00e1 grandes ganhos no que respeita \u00e0 liberdade de associa\u00e7\u00e3o e aos direitos dos trabalhadores em vastas regi\u00f5es do mundo e n\u00e3o se prev\u00eaem centenas de mortos e feridos, nem l\u00edderes sindicais condenados \u00e0 morte.  Paulo Melo, <i>Jornal Voz do Trabalho<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O trabalho que sindicatos, trabalhadores inconformados, cidad\u00e3os preocupados com a justi\u00e7a social t\u00eam pela frente \u00e9 de conhecer melhor o funcionamento da economia, os mecanismos de redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza, para serem mais capazes de fazer propostas alternativas coerentes, justas e inovadoras suscept\u00edveis de recuperar para a interven\u00e7\u00e3o sindical e pol\u00edtica muitos trabalhadores e cidad\u00e3os que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[191,203,314],"class_list":["post-31641","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-economia","tag-europa","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31641","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31641"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31641\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}