{"id":31640,"date":"2008-04-30T16:04:52","date_gmt":"2008-04-30T16:04:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/04\/30\/o-imperativo-etico-na-comunicacao\/"},"modified":"2008-04-30T16:04:52","modified_gmt":"2008-04-30T16:04:52","slug":"o-imperativo-etico-na-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-imperativo-etico-na-comunicacao\/","title":{"rendered":"O imperativo \u00e9tico na comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Profissionais da \u00e1rea comentam o desafio de Bento XVI, assumem dificuldades e prop\u00f5em mudan\u00e7as <!--more--> O desafio da info\u00e9tica, lan\u00e7ado por Bento XVI na sua mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, assinalado no pr\u00f3ximo dia 4 de Maio, \u00e9 unanimemente recebido como oportuno e urgente.   O C\u00f3digo Deontol\u00f3gico pelo qual o jornalista se rege \u201c\u00e9 cada vez menos cumprido\u201d. Isto mesmo assinala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Santos, Secret\u00e1rio Geral da Ag\u00eancia Lusa, que regista \u201cmuitos atropelos\u201d.  Francisco Sarsfield de Cabral, Director de informa\u00e7\u00e3o da Renascen\u00e7a assume que gostaria de ver a sua profiss\u00e3o manifestar \u201cpadr\u00f5es deontol\u00f3gicos mais elevados, mas neste momento, \u00e9 realista dizer que n\u00e3o tem\u201d.  Como \u201cvelho jornalista, conhecedor da \u00e1rea h\u00e1 muitos anos, tenho pena de verificar que a profiss\u00e3o tem vindo a baixar os padr\u00f5es \u00e9ticos e deontol\u00f3gicos\u201d.  Mas este n\u00e3o \u00e9 um problema exclusivo de Portugal. Relacionado com a intensifica\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia, o Director de informa\u00e7\u00e3o da Renascen\u00e7a indica que v\u00e1rios factores contribuem para a perda deontol\u00f3gica no jornalismo.  Com o advento da Internet, a UNESCO j\u00e1 havia apelado a uma info\u00e9tica, perante os problemas jur\u00eddicos, econ\u00f3micos e sociais que as novas tecnologias vieram criar.   Esta quest\u00e3o \u00e9 \u201cmuito oportuna\u201d, assume Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Santos, pois o Papa convoca \u201cos jornalistas do mundo inteiro a reflectirem sobre os problemas colocados ao exerc\u00edcio da sua profiss\u00e3o\u201d. Esta reflex\u00e3o, \u201cvinda de quem vem, \u00e9 uma responsabilidade acrescida\u201d.   \u201cO Papa coloca a pessoa humana no centro da comunica\u00e7\u00e3o social\u201d, facto muitas vezes esquecido. \u201cSe o jornalista pensar que o principio e o fim do seu trabalho \u00e9 a pessoa humana, t\u00eam meio caminho andado para cumprir o C\u00f3digo Deontol\u00f3gico\u201d.  Joaquim Franco, jornalista da SIC reflecte que antes de haver um C\u00f3digo Deontol\u00f3gico est\u00e1 a \u00e9tica, \u201cinerente a uma cultura, de onde adv\u00eam as normas e regras com que nos vamos sintonizando e onde podemos inserir os c\u00f3digos deontol\u00f3gicos\u201d.  Paquete de Oliveira, Provedor do Telespectador da RTP, assinala que os c\u00f3digos valem \u201cna medida em que s\u00e3o aplicados\u201d e este \u2013 C\u00f3digo Deontol\u00f3gico &#8211; \u201cquer em rela\u00e7\u00e3o aos media tradicionais como aos novos, n\u00e3o \u00e9 posto em pr\u00e1tica, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade e \u00e0 objectividade poss\u00edvel\u201d.  O Provedor do Telespectador da RTP explica que a falta de aplica\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo deontol\u00f3gico nos media tradicionais, aumenta em \u201clarga escala nas novas tecnologias\u201d.  <b>Educar para receber<\/b> Paquete de Oliveira assume que a responsabilidade \u00e9 comum tanto a jornalistas como a quem recebe informa\u00e7\u00e3o. \u201cO pr\u00f3prio Papa assinala que o mundo segmentado entre os que informam e recebem informa\u00e7\u00e3o, tem as fronteiras cada vez mais t\u00e9nues\u201d.   O grande controle \u2013 no sentido positivo &#8211; sobre a informa\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de vir sempre da parte de quem \u00e9 informado. \u201cEste \u00e9 que deve saber escolher onde est\u00e1 a informa\u00e7\u00e3o mais correcta e exacta e que possa servir todos os interesses em geral e n\u00e3o apenas particulares\u201d, deseja Paquete de Oliveira.   Enquanto Provedor do Telespectador, Paquete de Oliveira acredita que o espectador, leitor ou ouvinte est\u00e1 cada vez mais exigente no aperfei\u00e7oamento e exig\u00eancia informativa.   O Director de informa\u00e7\u00e3o da Renascen\u00e7a acredita que o actor decisivo neste campo n\u00e3o s\u00e3o \u201cnem jornalistas, nem patr\u00f5es mas os que utilizam a informa\u00e7\u00e3o\u201d. Sarsfield de Cabral reconhece que os jornalistas por vezes s\u00e3o acusados de comportamentos menos correctos e a culpa \u00e9 das empresas que os mandam agir de determinada forma.  Tamb\u00e9m o Director de Programas da Renascen\u00e7a, Nelson Ribeiro, aponta a necessidade de uma pedagogia com vista a criar uma literacia para os media. \u201cNo sistema educativo faltam no\u00e7\u00f5es base de como funcionam os meios de comunica\u00e7\u00e3o\u201d.  Uma forma\u00e7\u00e3o para o consumo dos media \u00e9 tamb\u00e9m sublinhada por Joaquim Franco, que assume a necessidade de reverter uma \u201ccultura acr\u00edtica que se est\u00e1 a criar\u201d, que abre espa\u00e7o ao condicionamento.  Joaquim Franco pede forma\u00e7\u00e3o para jornalistas e comunicadores, firmando a diferen\u00e7a entre ambos. \u201cO jornalismo carece de t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o mas s\u00e3o quest\u00f5es diferentes\u201d e \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o no geral que \u201cprecisa de uma \u00e9tica\u201d.   O jornalista assinala a import\u00e2ncia de os consumidores conhecerem as regras com que os meios de comunica\u00e7\u00e3o se movimentam, para terem formas de descodifica\u00e7\u00e3o. \u201cMais do que impor regras ou c\u00f3digos, deve-se formar de base o consumidor para ele pr\u00f3prio ser auto regulador, conhecendo as linguagens\u201d.  Joaquim Franco acredita que tamb\u00e9m as entidades reguladoras deveriam orientar-se por uma conduta \u00e9tica. Mas adverte \u201cque muitas entidades reguladoras n\u00e3o conhecem a din\u00e2mica medi\u00e1tica\u201d e acabam por questionar \u00e1reas que sendo t\u00e9cnicas, s\u00e3o incompreendidas e p\u00f5em em evid\u00eancia um desconhecimento da linguagem medi\u00e1tica.    \u201cQuando os pr\u00f3prios reguladores n\u00e3o percebem a l\u00f3gica medi\u00e1tica e os dinamismos t\u00e9cnicos, vai ser dif\u00edcil encontrar uma sintonia. N\u00e3o nos podemos esquecer que os grupos de comunica\u00e7\u00e3o social s\u00e3o empresas e como tal lutam com as suas melhores armas para sobreviver\u201d.  \u201cSe temos muito telelixo \u00e9 porque h\u00e1 quem os veja\u201d, explica Sarsfield de Cabral. A solu\u00e7\u00e3o \u201ch\u00e1-de vir do lado da procura, n\u00e3o da oferta\u201d, adianta.  De qualquer forma, Francisco Sarsfield de Cabral n\u00e3o rejeita a \u201cresponsabilidade do jornalista\u201d. Mas acredita que a educa\u00e7\u00e3o nas escolas pode ser um caminho para ajudar a \u201creceber informa\u00e7\u00e3o\u201d.  <b>Precariedade e condicionamento<\/b> Um dos problemas que Joaquim Franco aponta \u00e0 \u00e1rea jornal\u00edstica, evidente numa cultura do s\u00e9culo XXI a somar a um sistema acr\u00edtico, \u00e9 a precariedade laboral.   \u201cO jornalista encontra-se mais suscept\u00edvel e condicionado\u201d. Sob este ponto de vista, o papel do patr\u00e3o sobrep\u00f5e-se e ele pr\u00f3prio assume o papel de \u00abpol\u00edcia sinaleiro\u00bb &#8211; enquanto respons\u00e1vel por indicar chaves e caminhos de interpreta\u00e7\u00e3o.  O jornalista da SIC afirma haver a necessidade de \u201crefor\u00e7ar o papel reivindicativo do jornalista como ser pensante\u201d, representando o ideal da profiss\u00e3o.   Neste refor\u00e7o, deve ser o jornalista a assumir a posi\u00e7\u00e3o de \u00abpol\u00edcia sinaleiro\u00bb, \u201cmais do que sintetizar, o jornalista pode indicar caminhos de interpreta\u00e7\u00e3o\u201d. Mas Joaquim Franco assume que dada uma situa\u00e7\u00e3o de precariedade laboral, este papel \u00e9 \u201cparticularmente dif\u00edcil\u201d.  Nelson Ribeiro afirma que o desafio \u00e9tico \u00e9 extens\u00edvel \u00e0 l\u00f3gica empresarial no mundo da comunica\u00e7\u00e3o. \u201cA \u00e9tica n\u00e3o se cinge \u00e0 rela\u00e7\u00e3o patr\u00e3o\/jornalista. No entanto, os patr\u00f5es devem estar englobados e eles pr\u00f3prios serem incentivadores do pluralismo de ideias, que contrarie o \u00abafunilamento\u00bb de ideias e \u00e2ngulos\u201d.  Aura Miguel, jornalista da Renascen\u00e7a reconhece tamb\u00e9m que \u201cquem tem uma casa para cuidar e precisa de trabalhar est\u00e1, de alguma forma obrigado a condicionamentos e press\u00f5es, que acabam por ir \u00abmoendo\u00bb as consci\u00eancias de quem est\u00e1 no terreno\u201d.  Aura Miguel assume, igualmente, a necessidade de os destinat\u00e1rios estarem envolvidos na l\u00f3gica comunicacional. \u201cEste \u00e9 um trabalho de fundo que pede um respeito e honestidade a v\u00e1rios n\u00edveis, n\u00e3o s\u00f3 para jornalistas mas para todos os que se envolvem no meio da comunica\u00e7\u00e3o\u201d.  A jornalista da Renascen\u00e7a acredita que o apelo info\u00e9tico do Papa se deve \u00e0s circunst\u00e2ncias actuais de \u201cuma mentalidade onde vale tudo, em especial no Ocidente\u201d.   <b>Implica\u00e7\u00f5es pessoais<\/b> Dada a vertigem e corrida em que a comunica\u00e7\u00e3o social se transformou, \u201conde nem sempre as formas mais correctas imperam\u201d, a info\u00e9tica \u201c\u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o para a pr\u00f3pria vida pessoal que se reflecte na vida profissional\u201d, indica a profissional da Renascen\u00e7a.   Enquanto jornalista, Aura Miguel assume que \u201ca vertigem \u00e9 grande e lutar contra ela \u00e9 dif\u00edcil, pois temos a tenta\u00e7\u00e3o de chegar primeiro\u201d.  Mas na \u201csubtil l\u00e2mina entre o que posso fazer e at\u00e9 onde ir, \u00e9 dif\u00edcil aguentar, quando nem as raz\u00f5es da pr\u00f3pria vida conseguimos dar\u201d.  Diogo Paiva Brand\u00e3o, jornalista da \u201cVoz da Verdade\u201d, assume a o desafio \u00e9tico tamb\u00e9m como pessoal. \u201cA defesa da pessoa e da dignidade humana est\u00e3o sempre em primeiro lugar\u201d.  O jornalista afirma que \u201ca info\u00e9tica ter\u00e1 de passar por todos \u2013 mas mesmo todos \u2013 os comunicadores e pessoas ligadas \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pelo p\u00fablico consumidor\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Profissionais da \u00e1rea comentam o desafio de Bento XVI, assumem dificuldades e prop\u00f5em mudan\u00e7as<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[100,120,140,193],"class_list":["post-31640","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-advento","tag-bento-xvi","tag-comunicacoes-sociais","tag-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31640","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31640"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31640\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31640"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31640"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31640"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}