{"id":316301,"date":"2024-03-03T15:26:14","date_gmt":"2024-03-03T15:26:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=316301"},"modified":"2024-03-03T15:26:14","modified_gmt":"2024-03-03T15:26:14","slug":"sobre-o-aborto-e-obvio-entao-porque-querem-fazer-nos-crer-que-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sobre-o-aborto-e-obvio-entao-porque-querem-fazer-nos-crer-que-nao\/","title":{"rendered":"Sobre o aborto: \u00c9 \u00f3bvio\u2026 ent\u00e3o, porque querem fazer-nos crer que n\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p><em>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva, Diocese de Aveiro<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266200 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Por m\u00e9rito da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa pela Vida, o tema \u00ababorto\u00bb voltou a ocupar, momentaneamente, as aten\u00e7\u00f5es dos portugueses.<\/p>\n<p>Claro que a oleada agenda libert\u00e1ria logo se encarregou de carregar as tintas com que magistralmente logo se oculta um tema quando \u00e9 perturbador. E uma dessas \u2018tintas\u2019 \u00e9 a de que o tema j\u00e1 s\u00f3 interessa aos radicais e aos mais empedernidos conservadores.<\/p>\n<p>Esquece-se, por\u00e9m, que quem n\u00e3o conserva deixa estragar, sendo que a hist\u00f3ria do desenvolvimento humano \u00e9, afinal, a hist\u00f3ria da capacidade do ser humano conservar o que lhe escapa.<\/p>\n<p>Se bem pensarmos, o desenvolvimento humano deu-se sempre que se conseguiu conservar o que, sem determinadas descobertas, se perderia na voragem do progredir do tempo. Assim foi com a escrita, com a descoberta do papiro, do pergaminho, dos meios para conservar a energia, para conservar os alimentos, para conservar a sa\u00fade perante as agress\u00f5es do meio, para conservar, para conservar\u2026 Sem conservar, o que \u00e9 fr\u00e1gil perde-se. E \u00e9 de fragilidade que se fala, quando nos referimos ao aborto.<\/p>\n<p>Digamos o \u00f3bvio, pois alguns pretendem convencer-nos de que a legitima\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9 irrevers\u00edvel\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026O aborto \u00e9 a for\u00e7a dos fortes sobre a fragilidade dos fr\u00e1geis. O que pode um filho perante a for\u00e7a dos que o pretendem eliminar?<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026um filho n\u00e3o \u00e9 fruto de um s\u00f3; como poder\u00e1, ent\u00e3o, ser direito de um s\u00f3?<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026sendo o abortamento a elimina\u00e7\u00e3o de um filho, extingue-se, com esse mesmo ato, a m\u00e3e e o pai, pois estes s\u00f3 o s\u00e3o porque existia um filho.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto insensibiliza a sociedade, pois gera a convic\u00e7\u00e3o de que a vida de um embri\u00e3o humano est\u00e1 dispon\u00edvel, contribuindo, deste modo, para explicar as an\u00e9micas taxas de fecundidade e os saldos naturais negativos desde 2007 (apenas com exce\u00e7\u00e3o de 2008).<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026de acordo com a declara\u00e7\u00e3o universal dos direitos humanos, no seu pre\u00e2mbulo, a dignidade humana \u00e9 anterior \u00e0 liberdade e deve ser respeitada por esta, ao contr\u00e1rio do que parecem fazer-nos crer muitos dos que a invocam para justificar as suas decis\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 a liberdade que fundamenta a \u00e9tica; sendo a sua condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria (n\u00e3o h\u00e1 \u00e9tica de seres n\u00e3o livres), n\u00e3o \u00e9 o seu crit\u00e9rio de ordem material. O crit\u00e9rio \u00e9tico fundamental \u00e9 o respeito pela dignidade da vida humana. Estaremos perante Estados que desistiram da \u00e9tica?<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026o aborto deveria merecer a oposi\u00e7\u00e3o de todos os que se consideram humanistas, e que reconhecem que a vida humana n\u00e3o pode merecer menos prote\u00e7\u00e3o do que a vida de outros seres, em particular os animais, para cuja prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o se criam leis que penalizam apenas o seu abate, em adulto, mas tamb\u00e9m o protegem (por exemplo, no caso das aves) desde a nidifica\u00e7\u00e3o. Abater um ninho de ave protegida \u00e9 mais grave do que eliminar um ser humano na sua fase embrion\u00e1ria?<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026numa sociedade em que o crit\u00e9rio \u00e9 \u2018cada um fazer o que quer\u2019 resta perguntar quem \u2018faz o que deve?\u2019.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026quando uma lei (a que legalizou o aborto, em 2007) foi respons\u00e1vel por mais de 250 mil abortos, pela morte de algumas m\u00e3es na sequ\u00eancia da pr\u00e1tica de aborto legal (dado omitido, intencionalmente, pelos media, mas que relat\u00f3rio da DGS relata do seguinte modo, referindo-se a morte ocorrida em 2010: \u00abem 2010, entre as 10 mortes maternas notificadas durante a gravidez e puerp\u00e9rio, ocorreu uma morte na sequ\u00eancia de um aborto medicamentoso, por choque t\u00f3xico com Clostridium sordellii), pela ocorr\u00eancia de sequelas graves (\u00fateros perfurados, sepsis, depress\u00f5es, etc.), n\u00e3o se pode considerar que se trata de uma lei reveladora de humanismo e genu\u00edno sentido de progresso. Como pode uma lei assim, de um Estado de Direito, ser motivo de orgulho dos que a defendem?<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026os abortistas t\u00eam sabido enredar a sua insensibilidade para com a vida dos filhos ainda n\u00e3o nascidos sob a capa de \u2018preconceitos\u2019 que, quando agitados na imprensa, logo dividem a decis\u00e3o dos que os ouvem. Quem quer ser conotado como \u2018insens\u00edvel\u2019 ou \u2018incompassivo\u2019 ou \u2018conservador\u2019 ou \u2018radical\u2019? A estrat\u00e9gia \u00e9 dar como assente que todos pensam que o aborto \u00e9 um bem e insistir, insistir, insistir, at\u00e9 que se considerem uma minoria sem import\u00e2ncia os que, obviamente, ainda continuam a perceber que algo n\u00e3o est\u00e1 bem, que n\u00e3o pode ser bom o ato de matar um filho, mesmo que ele ainda n\u00e3o saiba que existe.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026a oposi\u00e7\u00e3o ao aborto n\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria de uns radicais ou de uns fan\u00e1ticos, como bem o sabia o inteligente Norberto Bobbio, que se definia como socialista e laico, que afirmava, em maio de 1981, no Corriere della Sera, que lhe causava estupefa\u00e7\u00e3o que os \u00ablaicos entregassem aos crentes o privil\u00e9gio e a honra de afirmar que n\u00e3o se deve matar\u00bb, opondo-se ele pr\u00f3prio \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o do aborto em It\u00e1lia. N\u00e3o \u00e9 para todos esta clarivid\u00eancia\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026quem, hoje, tem trinta anos, j\u00e1 foi embri\u00e3o, sendo que quem \u00e9 abortado, hoje, jamais ter\u00e1 trinta anos!<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026uma lei que n\u00e3o \u00e9 cumprida n\u00e3o passa a ser boa porque legaliza o incumprimento. Sendo o aborto um ato pelo qual os pais matam os seus filhos, na sua fase embrion\u00e1ria, n\u00e3o passa a ser bom porque a lei o desculpa.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026quem se op\u00f5e \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o do aborto n\u00e3o \u00e9 incompassivo ou incapaz de perceber o sofrimento de quem a ele recorre, como o demonstram as a\u00e7\u00f5es por si desenvolvidas para acompanhar quem pede ajuda \u00e0s suas associa\u00e7\u00f5es, criadas para permitir condi\u00e7\u00f5es \u00e0s m\u00e3es que se sentem impelidas, pelas circunst\u00e2ncias, a pedir o aborto. Incompassiva \u00e9, sim, a atitude dos que d\u00e3o como resposta para quem se sente impelido para a morte de um filho a legitima\u00e7\u00e3o dessa agress\u00e3o em vez de acompanharem e apontarem outras vias de resposta. \u00c9 mais f\u00e1cil legalizar o aborto do que criar respostas longas e duradouras que diminuam as circunst\u00e2ncias que favorecem o seu pedido.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026dizer que se protege um bem sem prever que (e como) esse bem deva ser defendido \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o passa de conversa vazia de inten\u00e7\u00f5es como as que se diz que enchem o inferno&#8230; A despenaliza\u00e7\u00e3o permitiu criar condi\u00e7\u00f5es para que em torno do aborto outros \u2018valores\u2019 se elevassem, muito para al\u00e9m da compaix\u00e3o para com quem a ele recorre. A legaliza\u00e7\u00e3o despenalizou n\u00e3o s\u00f3 a mulher que o pratica, mas todos os que ganham com o aborto\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026um Estado, que reconhece que um filho \u00e9 um ser a proteger da agress\u00e3o dos que o rodeiam, cria condi\u00e7\u00f5es para que a mulher e m\u00e3e n\u00e3o fique s\u00f3 na decis\u00e3o de acolher o nascimento daquele que se desenvolve no seu seio. Um Estado assim responsabiliza o pai e envolve-o neste processo, e n\u00e3o, como acontece pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, abandona a mulher \u00e0 sua solid\u00e3o, entregando-lhe a decis\u00e3o sobre um filho que foi, afinal, gerado por dois.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que\u2026<br \/>\n\u2026se dermos um nome e imaginarmos um rosto que ser\u00e1 o do embri\u00e3o humano em desenvolvimento, jamais o abortaremos, porque o veremos como um \u2018tu\u2019 que nos olha, olhos nos olhos e nos pede, por clem\u00eancia, que o deixemos viver\u2026<\/p>\n<p>Se \u00e9 \u00f3bvio, afinal, tudo isto, ent\u00e3o, porque querem fazer-nos crer que a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9 assunto arrumado? N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar uma sociedade em que todos possam nascer e n\u00e3o fiquem entregues \u00e0 sorte?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva, Diocese de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":266200,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[93,170],"class_list":["post-316301","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-aborto","tag-diocese-de-aveiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=316301"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316301\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266200"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=316301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=316301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=316301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}