{"id":31570,"date":"2008-04-28T10:37:15","date_gmt":"2008-04-28T10:37:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/04\/28\/assistencia-espiritual-na-doenca\/"},"modified":"2018-03-06T16:13:43","modified_gmt":"2018-03-06T16:13:43","slug":"assistencia-espiritual-na-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/assistencia-espiritual-na-doenca\/","title":{"rendered":"Assist\u00eancia espiritual na doen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>A Eucaristia de hoje pretende, dum modo especial e n\u00e3o exclusivo, recordar os 500 anos do Hospital de S. Marcos.  Com efeito, D. Diogo de Sousa, ao chegar a Braga, depara com um Hospital sem rendimentos m\u00ednimos, a funcionar em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e impr\u00f3prias. Reagiu, imediatamente, e em 1508, j\u00e1 tinha conclu\u00eddo um verdadeiro e aut\u00eantico Hospital, embora inicialmente funcionasse mais como Albergaria, situado junto \u00e0 Ermida de S. Marcos. Dotou-o das condi\u00e7\u00f5es materiais e procurou que tivesse rendimentos capazes de suportar uma assist\u00eancia digna de harmonia com as exig\u00eancias e necessidades da \u00e9poca.  Esta iniciativa de D. Diogo de Sousa n\u00e3o era in\u00e9dita. A Igreja, anteriormente, considerava o cuidado dos doentes como parte integrante da sua vida. Estava a seguir as pegadas de Cristo que gastou a Sua vida fazendo o bem e colocou como distintivo dos crist\u00e3os e das comunidades a solicitude pelos irm\u00e3os com uma prefer\u00eancia especial pelos mais necessitados.  Da\u00ed que a celebra\u00e7\u00e3o dos 500 anos do Hospital de S. Marcos \u00e9, simultaneamente, um reconhecimento do empenho da Igreja  no proporcionar dignidade de vida em todas as dimens\u00f5es, dando de comer a quem tem fome e acompanhando quem sofre e se encontra mais vulner\u00e1vel. Reconhecer um trabalho do passado leva a um empenho muito concreto na solicitude a dedicar aos doentes na actualidade. O Evangelho de hoje assegura que Cristo n\u00e3o deixa \u00f3rf\u00e3os os Seus filhos, o que reclama, por parte dos crist\u00e3os e da Igreja, uma presen\u00e7a de ternura e carinho no mundo da doen\u00e7a. Por outro lado, a primeira leitura alia a prega\u00e7\u00e3o de Filipe ao trabalho realizado, sublinhando que foram numerosos os paral\u00edticos e os coxos a ficar curados, o que veio a suscitar muita alegria naquela cidade. Mais ainda, a segunda leitura recorda que o caminho da Igreja consiste em fazer o bem que pode levar a padecer ou sofrer. \u201cMais vale padecer por fazer o bem, se for essa a vontade de Deus, do que por fazer o mal\u201d.  Na actualidade, a Igreja, por si ou pelas suas institui\u00e7\u00f5es, pode ter estruturas Hospitalares ou similares, como teve este hospital de S. Marcos at\u00e9 aos dias que sucederam ao 25 de Abril. Mas, para al\u00e9m dos seus espa\u00e7os, ela deve ter uma presen\u00e7a nos hospitais nunca como privil\u00e9gio mas direito dos doentes e empenho dos seus membros.  Penso, por isso, que o anivers\u00e1rio do Hospital de S. Marcos, como espa\u00e7o multissecular e de iniciativa da Igreja, \u00e9 express\u00e3o da prioridade e aten\u00e7\u00e3o que a mesma, desde sempre, reconheceu ao seu envolvimento nos cuidados de sa\u00fade. F\u00ea-lo muito antes do estado assumir esta tarefa e, em moldes diferentes, nunca pode fugir a esta responsabilidade.  Foram s\u00e9culos e s\u00e9culos de tradi\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o \u00e0 comunidade humana, numa fidelidade \u00e0 sua miss\u00e3o e em coer\u00eancia com o estilo do Fundador, Jesus Cristo. N\u00e3o era nem \u00e9 opcional. Integra um projecto de salva\u00e7\u00e3o que sempre sublinhamos como aglutinador da dimens\u00e3o material e espiritual. Da\u00ed que continuaremos a fazer ouvir a nossa voz, naquilo que \u00e0 sa\u00fade diz respeito, denunciando toda e qualquer forma de reducionismo na aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa, como doente colocando-a no centro de todos os cuidados a prestar. Cultivamos, por isso, um olhar integral e queremos prestar um servi\u00e7o na dimens\u00e3o espiritual que \u00e9 espec\u00edfica da Igreja e que se reveste de tanta import\u00e2ncia nos momentos de doen\u00e7a ou de qualquer tipo de sofrimento.  Unanimemente \u00e9 reconhecido \u00e0s pessoas a Assist\u00eancia Espiritual e religiosa, nos Servi\u00e7os Hospitalares, como um direito das pessoas que est\u00e3o doentes. Sendo um direito, \u00e9 esta a forma institucional de a Igreja estar presente nas institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, sem pretender ser exclusiva mas reconhecendo que deve ser aberta a todos os credos quando a realidade assim o justificar e sabendo que no contexto da sociedade portuguesa, e consequentemente dos cidad\u00e3os, a Igreja Cat\u00f3lica ocupa uma relev\u00e2ncia particular e \u00fanica.  Importa que nenhuma pessoa, doente e internada, veja as suas convic\u00e7\u00f5es desrespeitadas e as suas necessidades espirituais e religiosas n\u00e3o satisfeitas.  O Estado sabe que estamos dispon\u00edveis para oferecer o melhor dos nossos recursos. Sabemos que teremos de nos preparar ainda mais para este trabalho exigente. Acreditamos, e os \u00faltimos desenvolvimentos aumentam a nossa esperan\u00e7a, que a presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade nunca ser\u00e1 amputada desta dimens\u00e3o espiritual mas que, com maior evid\u00eancia, ser\u00e1 completada por um Servi\u00e7o de Assist\u00eancia Espiritual e Religiosa Hospitalar, como algo indispens\u00e1vel \u00e0 qualidade  e humaniza\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade. Isto ir\u00e1, com toda a certeza, acontecer pelo processo de regulamenta\u00e7\u00e3o deste servi\u00e7o, agora em curso, assegurando-nos um reconhecimento claro por parte do Estado. O caminho percorrido \u00e9 longo e, parece-nos, que tudo nos conduz a uma regulamenta\u00e7\u00e3o justa, realista e inclusiva, onde essencialmente se respeitam os direitos do doente.  Esta evoca\u00e7\u00e3o dos 500 anos de S. Marcos vai, com toda a certeza, motivar-nos para um maior compromisso de todos na promo\u00e7\u00e3o dos cuidados de sa\u00fade que a modernidade exige. No passado, a Igreja assumiu as responsabilidades coordenadoras. Hoje n\u00e3o pretende ser intrusa mas, em nome dos doentes, n\u00e3o pode resignar-se \u00e0 exclus\u00e3o. Amamos as pessoas, sabemos a import\u00e2ncia da dimens\u00e3o espiritual para a qualidade de vida, sobretudo na doen\u00e7a, e queremos, em nome de Cristo, servir quem sofre.    Igreja do Hospital <i>\u2020 D. Jorge Ortiga, A.P. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Eucaristia de hoje pretende, dum modo especial e n\u00e3o exclusivo, recordar os 500 anos do Hospital de S. Marcos. Com efeito, D. Diogo de Sousa, ao chegar a Braga, depara com um Hospital sem rendimentos m\u00ednimos, a funcionar em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e impr\u00f3prias. 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