{"id":31535,"date":"2008-04-24T12:03:52","date_gmt":"2008-04-24T12:03:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/04\/24\/turismo-cultural-e-religioso-oportunidades-e-desafios-para-o-seculo-xxi\/"},"modified":"2008-04-24T12:03:52","modified_gmt":"2008-04-24T12:03:52","slug":"turismo-cultural-e-religioso-oportunidades-e-desafios-para-o-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/turismo-cultural-e-religioso-oportunidades-e-desafios-para-o-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"Turismo Cultural e Religioso: Oportunidades e desafios para o s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p>O turismo religioso situa-se perante duas fontes. Por um lado, emerge numa tend\u00eancia de homogeneiza\u00e7\u00e3o com a din\u00e2mica estrutural de todo o turismo; por outro, acrescenta-lhe algo de peculiar e espec\u00edfico que lhe d\u00e1 um car\u00e1cter h\u00edbrido. Para o compreender nas oportunidades e nos desafios que encerra deve equacionar sempre estas duas vertentes. Acresce, ainda, que numa conjuntura cultural e religiosa que se deixa determinar por coordenadas relativistas, subjectivistas, o fen\u00f3meno religioso pode ocultar-se passando para um segundo plano ou desconceitualizando-o. S\u00f3 uma articula\u00e7\u00e3o permite um enquadramento adequado para responder aos objectivos. Tudo nasce das finalidades que presidem \u00e0 sua concretiza\u00e7\u00e3o e a novidade que este movimento encerra sup\u00f5e e exige que se sublinhe uma mentalidade correcta atrav\u00e9s dum verdadeiro projecto que nunca deve ser desvirtuado.   O turismo religioso, sendo acontecimento hist\u00f3rico, tem de situar-se no presente num dinamismo de r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o, complexidade profunda e correndo o risco duma fragmenta\u00e7\u00e3o que o desclassifica. Ele \u00e9 acontecimento social de movimenta\u00e7\u00e3o e encontro de culturas mas n\u00e3o se pode resumir a esta caracteriza\u00e7\u00e3o. Para muitos pode encerrar o dinamismo das Peregrina\u00e7\u00f5es mas est\u00e1 para al\u00e9m dos tradicionais elementos que as comp\u00f5em. Diferencia-se e integra-se num turismo cultural. Da\u00ed que importa descobrir, compreender e qualificar a sua originalidade.  A complexidade desta realidade nova pode partir duma necessidade de mergulhar nas ra\u00edzes do nosso passado como fonte duma cultura peculiar. O turista, vendo as obras art\u00edsticas, hist\u00f3ricas, monumentais, apercebe-se duma carga de sentimentos e emo\u00e7\u00f5es que mostram os conte\u00fados duma vida passada que continua a estar muito presente. Perante estes tesouros, com muita naturalidade, reconhecem como corremos o risco de cair numa ignor\u00e2ncia da hist\u00f3ria, no descr\u00e9dito da mem\u00f3ria. Quando acontece esta aventura de entrar no passado, mesmo em tempo de seculariza\u00e7\u00e3o e perante meros desejos de curiosidade, o turismo religioso permite uma alian\u00e7a com a cultura, a cultura com o religioso, o religioso com o mercado e todo o conjunto com uma impercept\u00edvel necessidade interior de algo que estando latente tem de ser despertado.  A dimens\u00e3o econ\u00f3mica ou comercial, sem ser desconsiderada, perde a sua import\u00e2ncia e coloca-se, atrav\u00e9s dos investimentos promocionais que os programadores p\u00fablicos ou privados oferecem, como uma oportunidade onde as expectativas do interior e os anseios do cora\u00e7\u00e3o se conjugam com as potencialidades tur\u00edsticas que os espa\u00e7os marcados pelo sagrado evidenciam.  Esta realidade exige, \u00e0 partida, algo de muito concreto que apelidarei de unidade de produto. Com efeito um \u201cproduto\u201d desorganizado ou deficiente onde falta alguma destas dimens\u00f5es nunca permitir\u00e1 uma plena satisfa\u00e7\u00e3o por parte dos promotores e daqueles que usem de algo que se deve oferecer na sua aut\u00eantica integridade.  Esta \u201cunidade\u201d de produto deve acontecer no \u00e2mbito das virtudes humanas da hospitalidade e do acolhimento, como contexto e condimento que responsabiliza quem oferece e sacia quem experimenta estas ofertas. Aqui reside a qualidade diferente do turismo religioso que abre uma perspectiva de inter-actividade e de enriquecimento na reciprocidade. N\u00e3o se pretende colher vantagens de quem aposta numa experi\u00eancia de turismo religioso mas integram-se as culturas locais com os problemas e alegrias vividas no quotidiano.  Acolhendo e vivendo a hospitalidade teremos pretexto para, no respeito pela diversidade e toler\u00e2ncia, abordar o que motivou a realiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os sagrados, dos cuidados com o ambiente e da arte dispersa. Torna-se espont\u00e2neo falar duma f\u00e9 que \u00e9 hist\u00f3ria mas que continua viva no presente das nossas comunidades. Sentimos alegria e manifestamo-lo na qualidade dos nossos servi\u00e7os e queremos que nos procurem, dando o que de mais \u00edntimo e profundo preenche as nossas exist\u00eancias. Ter muita gente \u00e9 importante, mostrar com qualidade o que nos foi legado \u00e9 obrigat\u00f3rio. S\u00f3 que n\u00e3o basta. Importa que a simplicidade dum encontro n\u00e3o oculte uma f\u00e9 que professamos e vivemos.  Esta proposta resulta duma aposta num discurso, tamb\u00e9m aqui, unit\u00e1rio, ou seja, cultural e espiritual uma vez que os lugares visitados est\u00e3o impregnados duma devo\u00e7\u00e3o e duma piedade popular que os distingue, para al\u00e9m das qualidades art\u00edsticas, por uma harmonia entre a espiritualidade e natureza, santu\u00e1rios e ambiente. H\u00e1 aqui uma harmonia que deve ser recuperada, promovida, cultivada que os residentes nunca esquecem e que os visitadores merecem que se lhes proporcione. Isto sup\u00f5e organiza\u00e7\u00e3o e programa\u00e7\u00e3o inteligente onde ao lado de novas formas de marketing se disponibiliza novas oportunidades de experi\u00eancia vital em contacto com os antigos caminhos de f\u00e9 e espa\u00e7os de tradi\u00e7\u00e3o.  N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil este trabalho. Quem descobre o verdadeiro significado do Turismo religioso tem de o dotar dum acompanhamento permanente com materiais adequados e com guias bem preparados e sempre alegres e felizes por doarem a simples turistas ou peregrinos o outro lado da vida. Aqui uma rede, de \u00e2mbito nacional ou internacional, poder\u00e1 coordenar ou ajudar para mostrar o valor dum dom que oferecemos a que atribu\u00edmos id\u00eantica import\u00e2ncia \u00e0quela das vantagens econ\u00f3micas. Nesta rede os promotores e guias encontram iniciativas, ideias, sugest\u00f5es que permitem aquela qualidade cultural e religiosa que os tempos actuais exigem e onde n\u00e3o podemos esquecer a caracteriza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica-art\u00edstica, a verdadeira identidade dos monumentos e a riqueza humana do povo. Aqui conseguimos colocar tudo num plano de import\u00e2ncia igual: dar a conhecer o monumento, o ambiente, o sil\u00eancio contemplativo, a hospitalidade, uma boa cozinha, a compet\u00eancia das pessoas que servem, a organiza\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao m\u00ednimo pormenor.  Aproximando-me da conclus\u00e3o, acrescentarei, ainda, que o turismo religioso deve ter uma medida: colocar-se ao servi\u00e7o do homem. N\u00e3o sou especialista e quero servir-me de conceitos desenvolvidos por especialistas (Carlo Mazza, Turismo Religioso, um approcio storico-culturale, EDB, Bolonha, 2007).  <b>Turismo religioso como \u201cproposta inteligente\u201d<\/b>  Se n\u00e3o podemos ignorar o lugar duma devo\u00e7\u00e3o popular, duma apresenta\u00e7\u00e3o dos monumentos e envolventes, dever\u00edamos ser capazes duma proposta com profundidade e coer\u00eancia da realidade celebrada naquele local. Deve existir sempre um respeito m\u00fatuo pelas cren\u00e7as e teremos de promover uma verdadeira liberdade religiosa. Isto nunca nos dispensa de dar a conhecer aquilo em que acreditamos. Tamb\u00e9m aqui a qualidade se imp\u00f5e. N\u00e3o satisfazem superficialidades ou descri\u00e7\u00f5es sint\u00e9ticos ou anocr\u00e1ticos de quanto se vive. S\u00f3 a profundidade duma doutrina em comunidade respeita a opini\u00e3o dos outros \u2013 que poder\u00e3o colocar as verdades comunidades na linha duma mera cultura \u2013 e permite um acto de proposta que poder\u00e1 obrigar a pensar e \u2013 quem sabe \u2013 a mudar. S\u00f3 a intelig\u00eancia motiva e responsabiliza.  <i>Coordena\u00e7\u00e3o criteriosa<\/i>  A complexidade do Turismo Religioso n\u00e3o se compadece com din\u00e2micas de improviso. S\u00f3 um verdadeiro centro, din\u00e2mico e presente, consegue pensar em todos os pormenores procurando consolidar estrat\u00e9gias e aproveitar sinergias. H\u00e1 interesses comuns que solicitam uma racionaliza\u00e7\u00e3o dos meios. J\u00e1 referi que n\u00e3o basta uma mera programa\u00e7\u00e3o. Com efeito, a especificidade cultural e religiosa exige dos operadores uma ac\u00e7\u00e3o eficaz o que s\u00f3 se consegue com um trabalho de conjunto.  <i>Uma aproxima\u00e7\u00e3o concreta da comunidade<\/i>  A dimens\u00e3o viva deste tipo de turismo, como j\u00e1 o referi, s\u00f3 acontece numa inter-ac\u00e7\u00e3o com a comunidade civil, particularmente, religiosa. S\u00f3 deste modo se consegue comprometer os residentes e trabalhadores nos espa\u00e7os tur\u00edsticos numa atitude de hospitalidade que comunica uma viv\u00eancia de f\u00e9. Como comunidade em caminho ter\u00e1 um Programa Pastoral a recordar atrav\u00e9s de variadas metodologias. A Igreja ou espa\u00e7o que acolhe recebe muito de quem a visita e deve corresponsabilizar-se numa oferta do seu projecto. Ser\u00e1, por isso, ousadia supor ou esperar que as \u201centidades\u201d respons\u00e1veis pelos Santu\u00e1rios ou Par\u00f3quias se preocupem em dar, tamb\u00e9m neste aspecto, qualidade nas celebra\u00e7\u00f5es no acolhimento que poder\u00e1 exigir material a oferecer em diversas l\u00ednguas e na doutrina ou sauda\u00e7\u00e3o que \u201cmarque\u201d quem nos procura?  S\u00e3o algumas ideias. S\u00e3o muitas as oportunidades do Turismo Religioso. Se o econ\u00f3mico deve ser equacionado, n\u00e3o \u00e9 suficiente. S\u00f3 a resposta a variados desafios tornar\u00e1 o Turismo Religioso uma vantagem para a Igreja e para a sociedade. A mais valia deve residir na proposta dum tesouro religioso que n\u00e3o s\u00f3 testemunha o passado como heran\u00e7a, mas torna vivo e apelativo o testemunho que damos mostrando, sem equ\u00edvocos, a f\u00e9 cat\u00f3lica que emana duma cultura que \u00e9 beleza porque sinal de Deus. <i>D. Jorge Ortiga <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O turismo religioso situa-se perante duas fontes. Por um lado, emerge numa tend\u00eancia de homogeneiza\u00e7\u00e3o com a din\u00e2mica estrutural de todo o turismo; por outro, acrescenta-lhe algo de peculiar e espec\u00edfico que lhe d\u00e1 um car\u00e1cter h\u00edbrido. Para o compreender nas oportunidades e nos desafios que encerra deve equacionar sempre estas duas vertentes. 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