{"id":31499,"date":"2008-04-22T16:53:35","date_gmt":"2008-04-22T16:53:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/04\/22\/lisboa-lembra-massacre-dos-judeus\/"},"modified":"2008-04-22T16:53:35","modified_gmt":"2008-04-22T16:53:35","slug":"lisboa-lembra-massacre-dos-judeus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lisboa-lembra-massacre-dos-judeus\/","title":{"rendered":"Lisboa lembra massacre dos Judeus"},"content":{"rendered":"<p>D. Jos\u00e9 Policarpo diz que a mem\u00f3ria do passado \u00e9 carregada de responsabilidades presentes e futuras <!--more--> Uma esfera, s\u00edmbolo do mundo, que truncada, evoca a viol\u00eancia e o caos: \u201cEm mem\u00f3ria dos milhares de judeus v\u00edtimas da intoler\u00e2ncia e do fanatismo religioso assassinados no massacre iniciado a 19 de Abril de 1506 neste largo\u201d.   O Largo \u00e9 o de S\u00e3o Domingos, em plena Baixa da cidade de Lisboa, onde esta Ter\u00e7a-feira foi inaugurado um memorial evocativo da intoler\u00e2ncia religiosa que h\u00e1 mais de 500 anos o povo judeu foi alvo.  Hoje, mais do que evocar o passado, este memorial \u00e9 s\u00edmbolo do futuro. Reconcilia\u00e7\u00e3o e toler\u00e2ncia formam palavras sublinhadas por todos os presentes.  Numa outra escultura constitu\u00edda por duas colunas e pedra unidas por uma faixa de metal est\u00e3o inscritas palavras do Cardeal Patriarca de Lisboa, num encontro inter-religioso \u201cOceanos de Paz\u201d, que teve lugar em Lisboa em 2000.   As esculturas em pedra, s\u00edmbolo da intemporalidade, est\u00e3o ladeadas por um muro, que escrito em dezenas de l\u00ednguas diferentes,  chama a aten\u00e7\u00e3o para \u201cLisboa, cidade da toler\u00e2ncia\u201d.   <img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/memoriallisboa.jpg\" align=\"right\"> D. Jos\u00e9 Policarpo, presente na inaugura\u00e7\u00e3o, afirma que a mem\u00f3ria do passado \u00e9 carregada de \u201cresponsabilidades presentes e futuras\u201d. O di\u00e1logo entre estas duas comunidades religiosas pode ser encarado como \u201cprogresso da humanidade\u201d, considera, pois \u201co di\u00e1logo n\u00e3o se circunscreve ao interno das confiss\u00f5es religiosas, mas diz respeito \u00e0 humanidade\u201d.  O Cardeal-Patriarca n\u00e3o quis deixar de sublinhar que cat\u00f3licos e judeus s\u00e3o \u201ccomo irm\u00e3os. Continuamos a ler a mesma B\u00edblia, a fazer as mesmas ora\u00e7\u00f5es, a acreditar no Deus do mesmo projecto de alian\u00e7a\u201d.  D. Jos\u00e9 Policarpo espera que este memorial seja \u201cum alerta para o futuro e memorial da esperan\u00e7a\u201d.   Para o Cardeal-Patriarca, a intoler\u00e2ncia que o memorial evoca n\u00e3o est\u00e1 ausente da sociedade. \u201cDevemos estar contentes pela civiliza\u00e7\u00e3o do ocidente ter vencido e ultrapassado express\u00f5es t\u00e3o violentas e prim\u00e1rias, mas elas existem no mundo de hoje, por v\u00e1rios motivos, entre os quais religiosos.   O Patriarcado de Lisboa assume a forma\u00e7\u00e3o da f\u00e9, onde se inclui a abertura \u00e0 diferen\u00e7a e ao di\u00e1logo inter religioso.  Lisboa \u00e9 cada vez mais uma cidade multicultural, o que constitui um desafio para a Igreja cat\u00f3lica. \u201cSe motivada por press\u00f5es pol\u00edticas e condicionalismos sociais a Igreja se afirmou num monolitismo cultural, perdeu com isso\u201d, assume o Cardeal-Patriarca, para quem &#8220;a Igreja cat\u00f3lica deve ser uma afirma\u00e7\u00e3o do universalismo\u201d.   <img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/memoriallisboa4.jpg\" align=\"left\">Jose Oulman Bensa\u00fade Carp, Presidente da Comunidade Israelita de Lisboa, confessa que h\u00e1 muitos anos a comunidade esperava este momento: \u201c\u00c9 a primeira vez que h\u00e1 uma manifesta\u00e7\u00e3o da nossa presen\u00e7a e nossa hist\u00f3ria que marcou e contribuiu para a hist\u00f3ria nacional\u201d.   O memorial \u00e9 tamb\u00e9m uma prova do existente di\u00e1logo inter-religioso. O Presidente da  Comunidade Israelita de Lisboa afirma que este dialogo n\u00e3o se deve restringe aos intelectuais. Com o memorial \u201co di\u00e1logo saiu \u00e0 rua\u201d.   <b>Museu judaico<\/b> Jose Oulman Bensa\u00fade Carp lembra que Lisboa \u00e9 a \u00fanica capital europeia que ainda n\u00e3o tem um museu judaico. Uma situa\u00e7\u00e3o que em breve vai ser alterada.   Ant\u00f3nio Costa, Presidente da autarquia adianta \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que este espa\u00e7o foi j\u00e1 encontrado. A freguesia de Alfama vai acolher o futuro Museu Judaico. O edif\u00edcio ser\u00e1 ainda objecto de restauro, mas os esfor\u00e7os j\u00e1 desenvolvidos indicam que \u201cambas as partes est\u00e3o em acordo\u201d.   Esta poder\u00e1 ser uma de outras iniciativas que a autarquia da capital est\u00e1 a desenvolver com outras confiss\u00f5es religiosas. Os vest\u00edgios do bairro isl\u00e2mico s\u00e3o outro exemplo de futura coopera\u00e7\u00e3o entre autarquia e comunidades religiosas.   Ant\u00f3nio Costa sublinha Lisboa como a cidade da toler\u00e2ncia. O memorial, mais do que evocar uma trag\u00e9dia, expressa o \u201cperd\u00e3o e reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d e devem tamb\u00e9m \u201cinspirar para futuras atitudes a tomar perante outros fanatismos e fundamentalismos\u201d.   Em nome da hist\u00f3ria, \u201c\u00e9 preciso lembrar que os fanatismos n\u00e3o terminaram e por isso a toler\u00e2ncia tem de ser constru\u00edda todos os dias, n\u00e3o s\u00f3 a religiosa mas em rela\u00e7\u00e3o a todas as diferentes formas de vida, isto \u00e9 decisivo para viver em sociedade\u201d, lembra o Presidente da autarquia.   A vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa, Ester Muznick afirma que o Memorial n\u00e3o serve para alimentar ressentimentos hist\u00f3ricos, mas nasce de uma rela\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria e fraterna com a Igreja cat\u00f3lica.   Este \u00e9 um memorial \u201cvirado para o futuro, n\u00e3o para o passado\u201d, mostrando que mem\u00f3ria e reconcilia\u00e7\u00e3o s\u00e3o construtores de \u201cum futuro de conviv\u00eancia pac\u00edfica\u201d, onde a religi\u00e3o \u00e9 parte integrante da sociedade.   Ester Muznick afirma que as religi\u00f5es n\u00e3o podem ser exiladas do espa\u00e7o p\u00fablico. Se o debate social envolve quest\u00f5es culturais e pol\u00edticas, \u201ccom a mesma legitimidade as religi\u00f5es devem dar o seu ponto de vista, tal como os pol\u00edticos e os partidos, pois a pr\u00e1tica religiosa faz tamb\u00e9m parte do exerc\u00edcio da cidadania\u201d.   <img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/memoriallisboa3.jpg\" align=\"right\">\u201cO Estado laico e neutro religiosamente e a participa\u00e7\u00e3o das religi\u00f5es no debate p\u00fablico s\u00e3o parcelas distintas, logo n\u00e3o h\u00e1 motivo porque as Igrejas n\u00e3o possam debater tamb\u00e9m v\u00e1rias quest\u00f5es sociais e da vida quotidiana\u201d, assume.   M\u00e1rio Soares, Presidente da Comiss\u00e3o de Liberdade Religiosa afirma que este \u00e9 um memorial did\u00e1ctico que integra a cultura c\u00edvica e cultiva a n\u00e3o viol\u00eancia e a paz, indispens\u00e1vel a qualquer pa\u00eds civilizado.  O memorial significa \u201cum passo a favor da toler\u00e2ncia entre diferentes religi\u00f5es e a caminho da paz\u201d.  Soares assume que os esfor\u00e7os para o di\u00e1logo t\u00eam sido desenvolvidos, com esfor\u00e7o de todas as Igrejas, pois todas elas t\u00eam de dar um contributo para a paz no mundo.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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